domingo, 9 de junho de 2019

O regresso D. Miguel

Entre 1822-1823 dois elementos da família real, a rainha e o infante D. Miguel, tornaram-se símbolos da contra-revolução portuguesa. A mulher de D. João VI, Carlota Joaquina, transformara-se em heroína da imprensa contra-revolucionária em finais de 1822, pela sua recusa firme em jurar a Constituição e em abandonar o país, corporizando a oposição às Cortes e ao governo liberais.

Lisboa vista da Quinta da Torrinha Val Pereiro, gravura de William James Bennett sobre desenho de L. B. Parlgns.
Museu de Lisboa

D. Miguel, filho segundo do rei, que voltara com a família real em 1821, ao encabeçar o golpe da Vila-Francada em 1823 ficou sendo o referente principal da contra-revolução e, dado que D. Pedro, o primogénito, se colocara à testa do movimento de independência do Brasil [...]

Lissabon von der Quinta da Torrinha - Val de Pereiro. Umgebunge von Lissabon.
Aus der Geographischen Graviranstalt des Bibliographischen Instituts zu Hildburghausen, Amsterdam, Paris u. Philadelphia.
Author: Meyer, Joseph (1796-1856) Society for the Diffusion of Useful Knowledge (Great Britain), 1844.
  Cabral Moncada Leilões

O Terreiro do Paço, palco do “humilhante” desembarque de D. João VI e da demonstração do poder das Cortes, foi evitado por D. Miguel quando regressou em Fevereiro de 1828 [...]

Vista da Praça do Comércio, Henry L'Evêque.

Vindo de Viena de Áustria, com passagem por Paris e Londres [depois de assinados os protocolos de Viena entre Portugal, Inglaterra e Áustria sobre os poderes e as condições do seu regresso a Portugal e traçado o percurso da viagem, com paragens em Paris e em Londres e não por Espanha como pretendia, o Infante sai de Viena de Áustria no dia 6 de Dezembro de 1827. Chegado a Londres em 30 de Dezembro embarca rumo a Lisboa no dia 9 de Fevereiro de 1828. No final de Dezembro a sua próxima chegada era certa], D. Miguel chegou ao Tejo na sexta feira de 22 de Fevereiro de 1828, como lugar tenente e regente do Reino, por nomeação de D. Pedro IV, a bordo da fragata Pérola, a mesma que o levara para o exílio em 1824 na sequência da Abrilada.

A reconstrução do desembarque de D. Miguel em Lisboa, escrita por Oliveira Martins pouco mais de meio século após o acontecimento, ainda que ancorada em testemunhos e memórias dos que viveram ou ouviram contar esse dia, determinou em larga medida a memória e as leituras futuras desse momento. "Portugal inteiro esperava dele a redenção", uns porque que aguardavam que cumprisse as promessas feitas em Viena, outros porque acreditavam que se mantivesse fiel aos princípios expressos em 1824 [...]

"Foi em 22 de Fevereiro (1828) que D. Miguel desembarcou. O rio era um lençol de barcos e bandeiras, uma floresta de mastros, de velas brancas, como bandos de gaivotas voando nas vésperas de temporal. Havia um entusiasmo decidido, uma aclamação espontânea, um furor desenfreado. Repetiam-se os vivas ao rei absoluto, aos Silveiras, à rainha – sem rebuço, na cara dos moderados liberais, corridos da sua fraqueza, cônscios da triste figura que faziam.

Esperava-se que o infante desembarcasse no Terreiro do Paço, e o Senado da Câmara tinha preparado grinaldas e bandeiras; mas o povo todo já corria a Belém, porque se soubera que D. Miguel desembarcaria aí subindo pela Calçada direito ao Paço, à Ajuda. A Pérola, que o trouxera, deitara ferro em frente de Belém, e estavam já a bordo a rainha e as infantas e os ministros, e Clinton o general das tropas inglesas […]. O desembarque, o trajecto até o Paço foi um triunfo: um trovão de vivas, um desespero de gritos, um dilúvio de flores, bandeiras, colchas, foguetes em girândolas!"

[cf. Oliveira Martins, Portugal Contemporâneo, I vol., Lisboa, Guimarães Editores, 8ª ed., 1976 (1ª ed., 1881)]

Desembarque do Augustissimo Senhor D. Miguel no Caes de Belem, Mauricio José do Carmo Sendim.
Museo del Romanticism

Rei chegou, Rei chegou!
Em Belém desembarcou;
Na barraca não entrou
E o papel não assinou!

A Câmara dos Pares, na resposta ao discurso da Infanta Regente pronunciado na sessão de Abertura das Cortes no início de Janeiro de 1828, depois de reafirmar os sentimentos de lealdade à Casa de Bragança, declara que os seus membros "exultam de prazer com a lisonjeira esperança de que dentro em pouco verão entre si mais um Augusto Membro de tão Excelsa Família. A presença do Sereníssimo Senhor Infante D. Miguel, chamado à Regência destes Reinos, desarmará partidos e, reunindo em torno de si todos os Portugueses, lhes afiançará, com as insignes qualidades de Sua Alteza, um próspero futuro, cheio de paz, e felicidade".

"Às quatro horas da tarde “tinha já dado fundo a fragata Pérola, que o conduzia, e da qual saiu imediatamente para a galeota real que o esperava, saltando em terra no cais de Belém.

Suas augustas irmãs, que na mesma galeota se achavam, o receberam cheias de prazer, congratulando-se com ele depois de tão dilatada e penosa ausência; e, entrando na carruagem de estado, se dirigiram ao palácio chamado velho, por ser a actual habitação de sua majestade a imperatriz-rainha […] aonde sua alteza real a cumprimentou, demorando-se o tempo preciso para saciarem as recíprocas saudades […]. No fim desta entrevista passou o mesmo sereníssimo senhor a visitar sua augusta tia […] e depois se dirigiu a ocupar os quartos que lhe estavam preparados no palácio novo de Nossa Senhora da Ajuda, contíguo ao de sua augusta mãe. […]

A Ajuda vista das Necessidades, Charles Landseer, 1825.
Instituto Moreira Salles

A rapidez com que sua alteza real apareceu, entrou e foi para o palácio, não deu tempo nem a que as tropas se formassem, nem a que se pudessem praticar as cerimónias estabelecidas para a sua pomposa recepção. O Senado da Câmara, o juiz do povo e a sua casa dos vinte e quatro, a corte, o corpo diplomático, as autoridades e muitas outras pessoas de distinção, se dirigiram ao real palácio a cumprimentar o mesmo augusto senhor, que se dignou dar beija-mão real nessa ocasião" 

cf. Correio do Porto, n° extraordinário, 23 de Fevereiro de 1828

"[no dia 24 de fevereiro] não quis demorar-se em fazer patente a sua religião e pias intenções para com a mãe de Deus, debaixo da invocação de Nossa Senhora da Conceição da Rocha, que se propôs visitar. Para esse fim se dirigiu desde o Palácio da Ajuda […] com suas augustas irmãs, à basílica de Santa Maria Maior [Sé], aonde assistiram ao soleníssimo Te Deum, que também ali se cantou, pelo fausto motivo da sua chegada a estes reinos [um importante significado político, prende-se com a ausência de Carlota Joaquina nesta cerimónia e nas que se lhe seguiram]" 

cf. Correio do Porto, Fevereiro de 1828

Juramento de fidelidade como regente, dois dias depois (26 de Fevereiro, pelo meio dia), a D. Pedro IV, D. Maria II e à Carta de acordo com o estabelecido em Viena entre as potências: “Juro fidelidade ao senhor D. Pedro IV e à senhora D. Maria II, legítimos reis de Portugal. […]. Juro igualmente […] observar e fazer observar a Constituição política da nação portuguesa e mais leis do país e prover ao bem geral da nação quanto em mim couber”. O juramento decorreu no palácio da Ajuda [...] A crer nos relatos de Lavradio e do visconde de Porchester, D. Miguel esteve pouco à vontade durante todo o acto e jurou em voz "sumamente baixa" [...]

nesse mesmo dia é nomeado um novo governo do qual faziam parte conhecidos inimigos do regime constitucional. D. Miguel terá dito, em resposta às objecções do embaixador inglês, que era composto "de verdadeiros homens de bem, dos quais nenhum pertencia ao partido exaltado e à revolução. Tenho toda a confiança neles, eles não sairão nunca!" [...]

nomeação de novos governadores militares entre 5 e 10 de Março. A medida foi completada em meados de Maio com a dissolução dos regimentos dos Voluntários Reais do Comércio de Lisboa, dos batalhões de caçadores e artilheiros e dos Voluntários de D Pedro e D Maria do Porto [...]

25 de Abril, dia do aniversário de Carlota Joaquina, tem lugar no Senado de Lisboa a célebre aclamação popular "Viva D. Miguel Rei Absoluto" [...] (1)

A 26 de outubro, anniversario natalício de D. Miguel, houve recita de gala em S. Carlos, com assistência do rei e das infantas. É a primeira vez, depois que chegara, que D. Miguel apparece em S. Carlos. Não lhe mereciam grande agrado os espectáculos públicos, solemnes e graves. 

Theatro de São Carlos, Legrand (1839-1847).

Sem embargo, S. Carlos funccionava. Estava ali trabalhando uma companhia de opera, que tinha como director de orchestra Xavier Mercadante. Cantavam-se Adriano na Syria, o Posto abandonado, etc. Representavam-se pantomimas: Moysés no Oréb, por exemplo. Entre as cantoras figuravam a Schiroli, e a Josephina Tuvo. 

É claro que só os realistas iam ao theatro. Os liberaes mais exaltados haviam emigrado; os moderados retraíam-se por cautella. E por mais moderado que fosse um liberal, não se atrevia a ir comprar um bilhete ao camaroteiro Grondona, que era um dos caceteiros miguelistas.

O rei não apparecia em S. Carlos, nem no theatro do Bairro Alto, que dava O surdo na estalagem, o Medico por força, a Izabel 1.a da Rússia. A falta de concorrência, devida aos sobresaltos políticos e ao abandono em que o rei deixava os theatros, apesar d'elle próprio gostar de representar, fez com que os melhores artistas nacionaes emigrassem para o Brazil. 

Para lá foram a Ludovina e alguns collegas, lodos de primeira plana. O Theodorico, para poder viver, metteu-se de gorra com D. Miguel, lisonjeava-o fazendo-se amante de toiros, e na praça do Salitre soltava piadas aos malhados. As infantas gostariam certamente de poder ir ao theatro, de exhibir as toilcttes talhadas pela Levaillant, que morava na rua de S. Francisco da Cidade, e pela Burnay, que tinha atelier na rua do Alecrim [Madame Burnay, avó do actual conde do mesmo titulo, annunciava-se como modista de sua alteza a sereníssima senhora infanta D. Maria d' Assumpção].

Lisbon ,Largo do Pelourinho, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, c. 1830.
Biblioteca Nacional de Portugal

Mas, decididamente, D. Miguel não queria constranger-se a ter que estar aprumado no camarote real durante algumas horas. Preferia aos espectáculos de gala as serenatas no Paço, que o não obrigavam á immobilidade de um autómato, para que não tinha génio. 

Lisbon from the chapel hill of Nossa Senhora do Monte, Drawn by Lt. Col. Batty, 1830.
Biblioteca Nacional de Portugal

Em 29 de setembro, dia do santo do seu nome, houve beijamâo na Ajuda, e á noite serenata nas Necessidades. A 9 de novembro desse anno, D. Miguel fazia trotar as mulas que puxavam o seu carrinho de passeio em caminho de Caxias. Acompanhavam-n'o as duas irmãs. As mulas espantaram-se, o carrinho voltou-se. 

O rei fracturou o fémur da perna direita, D. Izabel Maria ficou ferida na região frontal, e D. Maria da Assumpção contusa na coixa esquerda. Foi D. Miguel conduzido em maca para Queluz.

Retrato de D. Miguel I, Johann Ender, Palácio Nacional de Queluz.
  Portugal Virtual

Assistiram-lhe durante a enfermidade o seu amigo barão de Queluz, e os outros cirurgiões da real camara, Jacintho José Vieira, António Joaquim Farto e Manuel Lopes de Carvalho. As infantas restabeleceram-se de pressa, mas o concerto da real perna foi demorado.

Durante o tratamento, a corte cahiu em maior monotonia. Interromperam-se as toiradas e as caçadas no Alfeite ou em Mafra. Não havia divertimento nenhum, o rei estava de perninha, como dizem os lisboetas. Começou então uma longa serie de Te-Deums pela saúde do rei, tantos, pouco mais ou menos, como tinha havido pela sua acclamação. Dois dias antes do Natal, o rei poude levantar-se. Os médicos assistentes deram-lhe alta. Os miguelistas cantavam:

D. Miguel é bonito, 
é bonito e bem feito. 
Quebrou as pernas, 
Ficou sem defeito! (2)

D. Miguel I e suas irmãs dando graças a Nossa Senhora da Conceição da Rocha, 29 de janeiro de 1829.
Cabral Moncada Leilões
*
*     *

Em julho de 1833, a expedição commandada pelo conde de Villa Flor, depois duque da Terceira, desembarca no Algarve, a esquadra liberal, sob as ordens de Napier, destroça no cabo de S. Vicente a esquadra miguelista, e Villa Flor, marchando sobre Lisboa, vai apossar-se da capital.

O duque do. Cadaval, sacrificando a sua opinião ao conselho dos chefes militares, aterrados, não oppozera resistência, abandonara Lisboa, como já se tinha abandonado o Porto um anno antes, retirara para o Campo Grande, marchara para Coimbra, a procurar apoio nas forças que D. Miguel, com Bourmont, trouxera do norte. 

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia

Á approximação do exercito de D. Pedro, o terror domina em Lisboa o espirito de todos os miguelistas, que se sentem desamparados com a retirada do duque do Cadaval. Verdadeiramente desorientados, reunem-se no Rocio, na noite de 23 para 24 de julho, e, no meio de uma grande confusão de terror, resolvem fugir para onde podem, especialmente para Santarém, n'um êxodo precipitado, em que o cansaço, o medo e a colera-morbus os vão dizimando. (3)


(1) Maria Alexandre Lousada, A contra-revolução e os lugares da luta política. Lisboa em 1828.
(2) Alberto Pimentel, A ultima côrte do absolutismo em Portugal, Lisboa, Liv. Férin, 1893
(3) Idem

Mais informação:
Documentos com referência a Miguel I (1802-1866), rei de Portugal

Leitura relacionada:
Os reis da casa de Braganca na Decadencia e na Queda da Monarquia Portuguesa no Ultimo Seculo, 1810-1910
Miguel I, King of Portugal, 1802-1866 (Internet Archive)
Histórias com História
Nossa Senhora da Rocha de Carnaxide: uma devoção do miguelismo

quinta-feira, 6 de junho de 2019

As Armas de Portugal sobre a Cruz de Borgonha

Durante a Batalha de Cádis, os holandeses e ingleses uniram suas forças na luta contra os espanhóis.

Escudo Real de Portugal sobre a Cruz de Borgonha, insígnia militar dos Habsburgo.
The Battle of Cadiz (Dutch and English Ships Attack the Spanish Armada) [Tomada de Cádis, 1596], Aert Anthonisz, 1608.
Rijksmuseum

Aqui, o quatro mastros holandês Neptunes do almirante Johan van Duivenvoorde é  apoiado pelo inglês Ark Royal num ataque ao espanhol San Felipe [português São Filipe].

Tomada de Cádis, 1596.
The Battle of Cadiz (Dutch and English Ships Attack the Spanish Armada), Aert Anthonisz, 1608.
Rijksmuseum

Na realidade, o navio inglês não participou da batalha.

Tomada de Cádis, 1596.
The Battle of Cadiz (Dutch and English Ships Attack the Spanish Armada), Aert Anthonisz, 1608.
Rijksmuseum

Aert Anthonisz representou o navio [Ark Royal] porque era um símbolo muito importante do poder naval inglês. (1) 

Tomada de Cádis, 1596.
The Battle of Cadiz (Dutch and English Ships Attack the Spanish Armada), Aert Anthonisz, 1608.
Rijksmuseum

A accção mostrada é a expedição da frota inglesa, apoiada pela marinha holandesa, contra Cádis em 1596.

A imagem de Vroom mostra os três navios de comando em batalha nas águas de Cádis: o navio holandês de quatro mastros Neptuns apoiando o inglês Ark Royal num ataque contra o Espanhol San Felipe. Vroom tratou do assunto com liberdade artística. pois o Ark Royal, o navio de comando de Howard de Effingham, não participou na luta contra os navios espanhóis.

Deve entender-se que o artista, e quase certamente seu patrono, não visaram um testemunho preciso de uma batalha importante, tendo preferido enfatizar o contexto histórico.

Een Spaans (Portugees) galjoen in gevecht met twee Nederlandse schepen, Hendrick Cornelisz Vroom.
Rob Kattenburg

O Ark Royal teve que ser incluído como representação do poder marítimo da coroa inglesa. Com trabalhos como Great Sea Storm e o seu pendente Bank of Cadiz, 1596, Vroom criou a convenção popular de pinturas marítimas produzidas em pares: ou de uma pintura simbólica acompanhada de uma cena histórica, como neste caso, ou de ambas as pinturas serem puramente simbólicas — usualmente uma Calmaria contrastada com uma Tempestade. Essa tradição ainda foi mantida por Willem van de Velde o jovem.

Hendrick Cornelisz Vroom Battle between England and Spain 1601 02
Sammellust

Aert Anthonisz, aliás Aert van Antum, que trabalhou em Amsterdam e cujas pinturas costumam ser frequentemente confundidas com as de Hendrick Vroom. Isto não surpreende pois parece que ele as copiava das pinturas de Vroom.

Tomada de Cádis, 1596.
The Battle of Cadiz (Dutch and English Ships Attack the Spanish Armada), Aert Anthonisz, 1608.
Rijksmuseum

A sua bem conhecida Sea Battle no Rijksmuseum, Amsterdam, assinada e datada de 1608, é uma quase cópia literal da Battle of Cadiz de Hendrick Vroom, com a adição de um barco à frente, à esquerda.

A Sea Action, possibly the Battle of Cadiz, 1596 Hendrick Cornelisz Vroom
greatbigcanvas

Aert Anthonisz reproduziu a grande imagem de Vroom numa escala muito mais reduzinda, dando-lhe um acabamento com aspecto de jóia, o que contribui para o apelo estético do pintor. (2)

*
*     *

Placa comemorativa no terceiro centenário em 1888 da vitória sobre a Armada Espanhola ou Armada Invencível, entre 31 de julho e 12 de agosto de 1588. 

Placa comemorativa no terceiro centenário em 1888 da vitória sobre a armada espanhola em 1588.
N. V. Roeloffzen & Hübner, segundo Aert Anthonisz, 1888 (detalhe).
O San Martin, o navio Almirante de Medina Sidónia, com a bandeira da Inquisição na frente e a cruz no mastro grande, é atingido a bombordo pelo "Rainbow", o navio almirante inglês do Lord Henry Seymour e na retaguarda pelo "Gouden Leeuw", o navio almirante holandês de Justinus van Nassau.
Rijksmuseum

Ao centro uma reprodução da pintura com navios holandeses e ingleses lutando contra a Armada Espanhola em Cádis em 29 de abril de 1587 [?] por Aert Anthonisz..

Este é cercada por uma moldura ornamental com medalhas e textos sobre o desaparecimento da Armada. (3)


(1) Rijksmuseum
(2) Visions of the Sea: Hendrick C. Vroom and the Origins of Dutch Marine Painting
(3) Rijksmuseum

Leitura adicional:
Portuguese World Heritage
Historia del saqueo de Cadiz por los Ingleses en 1596

Outros recursos:
Maritiem Digitaal
Hendrick Cornelisz Vroom



Fruto de nuestro trabajo ha sido la obra La batalla del Mar Océano. Corpus documental de las hostilidades entre España e Inglaterra (1568-1604) [...] en uno de los anexos que contiene este Corpus figuran extractados los historiales de los 151 navíos que compusieron la armada al salir de lisboa a cargo del duque de Medina Sidonia para intentar la conquista de Inglaterra.

Como la importante participación portuguesa en la formación de las fuerzas navales concentradas en lisboa y la ejecución de la campaña creo que no ha sido suficientemente destacada en las obras editadas hasta hoy, me ha parecido pertinente dar a conocer con una cierta extensión los historiales de los nueve galeones, dos galeoncetes, 11 carabelas y 10 falucas o falúas de construcción portuguesa tal como constan en el referido anexo [...]

La escuadra de Portugal

Galeones

Galeón San Martín (capitana general de la Armada) o São Martinho
Galeón San Juan (almiranta general) o São João
Galeón San Marcos o São Marcos
Galeón San Felipe o San Philippe o São Filipe
Galeón San Luis o São Luís
Galeón San Mateo o San Matheo o São Mateus
Galeón Santiago el menor, o São Tiago o São Tiaguinho
Galeón San Cristóbal o São Cristóvão
Galeón San Bernardo o São Bernardo

Galeoncete o zabra gruesa Augusta o Agusta
Galeoncete o zabra gruesa Julia o Juliana o Júlia

Carabelas

Carabela San Lorenzo o São Lourenzo
Carabela San Antonio (1ª) o São António
Carabela Nuestra Señora de la Concepción (1ª) o Concepção
Carabela Nuestra Señora de la Concepción (2ª) o La Concepción (1ª) o Concepção
Carabela Jesús de Ayuda o Jesus de Ajuda
Carabela San Juan o São João
Carabela San Antonio (2ª) o São António
Carabela La Concepción o Concepção (2ª)
Carabela San Jorge o São Jorge
Carabela La Asunción o Asunção o Nuestra Señora de la Ascensión
Carabela La Concepción (3ª) o Concepção
Carabela San Antonio (3ª) o São António
Carabela Nuestra Señora de la Asunción o Assumção

Falúas o falucas

Falúa La Anunciada (capitana)
Falúa Nuestra Señora del Carmen
Falúa Nuestra Señora del Puerto
Falúa Nuestra Señora de la Ydra
Falúa San Pedro
Falúa San Blas
Falúa San Blas la menor
Falúa Nuestra Señora del Buen Viaje
Falúa Santa María
Falúa Santa Bárbara o Santa Bárvora
Falúa San Cristóbal

cf. Revista de História Naval, Resumen del historial de los navios portugueses en la jornada de Inglaterra de 1588

terça-feira, 28 de maio de 2019

Aviões amarados

As the Clippers fly, Europe is only 23 hours from New York. Twice each week, weather permitting. the great flying ships whir up from North Beach airport and head out over the Atlantic for Horta, in the Azores, and Lisbon. Portugal. 

Tagus River emptying into the Atlantic ocean as seen from a Pan Am clipper 1940.
Google Arts & Culture Life Pan Am Clipper

With such a Hight LIFE begins this "America and The World" issue. not only because it makes a swift and dramatic transit from the troubled peace of the U.S. to the war world of Europe. but also because it signifies better than anything else what a narrow harrier the Atlantic Ocean has become between the two continents. 

No one knew, when Pan American sent the first Clipper off last spring, how vital this transatlantic service would suddenly become. It was war which put the Clippers over. Flying the Atlantic changed, almost overnight, from adventure to the fastest, pleasantest, even the safest, way to get to Europe. For Pan American last winter was an airline's nightmare. 

Dixie Clipper completes first transatlantic passenger flight
New York to Lisbon, Portugal, June 29, 1939 / Boeing B-314, John T. McCoy Painting of 1939.
Port Washington Aviation History

Weather over the Atlantic was the worst in 75 years and, while storms seldom stop the Clippers, high waves in !forts harbor hold them up for weeks on end. The New York landing base froze over, then Baltimore, then Norfolk, then Charleston, finally forcing the Clipper to land at Miami. 

Mail piled up by unforeseen tons, passengers fought for seats and the British censors searched all mail at Bermuda until March, when Pan American cut out its Bermuda stop. From this hectic winter Pan American has emerged with flying colors and a perfect record. Under the greatest pressure it stuck to the strictest safety standards. 

Boeing B-314, Pan Am Clipper Service.

War weeded out the casual voyagers, leaving only those with pressing reason to travel. Since last September the Clippers have been the best internation-al club in the world. Dues are high ($893 one way), though no higher than the best cabins on the best liners. Members are invariably interesting. often head-line names. 

There is excellent conversation in three or four languages, and a striking absence of social ice to break, for the air and the war combine to produce an easy good fellowship of the Atlantic traveling elite. 

LIFE has been privileged to take the first pictures of a Clipper flight. On this flight the Atlantic Clipper carried 948 lb. of mail and 18 passengers.

These were: Archduke Otto of Habsburg, pretender to the Austro-Hungarian throne: Eve Curie; Charles Rist, French Government economist: three other Frenchmen; a Swiss lady returning from Palm Beach; a beautiful American girl going to join her British husband, an R. A. F. flier: two Portuguese; a Dutch engineer: Otto's aide; four American businessmen; and LIFE's Photographer Bernard Hoffman and Associate Editor Joseph J. Thorndike Jr. 

Waves at Horta delayed the flight over a week. But once started, it was smoother than any train ride. Passengers moved about freely in the three main cabins and lounge, fell into groups by interests and languages. ate well, slept soundly in comfortable berths. After dark the Clipper passed through a half-hour storm so smoothly that no passenger knew it until later. There is almost no feeling of movement. 

Clipper One night in Lisbon 1941 movie 01
IMDb

Only scary thing about the Clipper trip, for an American. is the sensation of going aboard in New York, floating in the sky for a hare 43 hours and stepping out on a continent flaming with war. (1)

Como é do conhecimento de V. Ex.as é no Cabo Ruivo, no extremo de uma extensa ponte de betão armado, que amaram os hidro-aviões da "Pan-América" e da "Overseas Airways". 



Aqui, é que persiste ainda uma instalação provisória, mas possível e precisamente porque ela nao foi feita propositadamente para ser provisória, e ainda que seja certo que a complicação de formalidades para o vôo, que vão até à pesagem dos passageiros, chegando a forçar alguns a não poderem seguir viagem, obriguem, em contraste com o espírito do sistema, a demorada permanência nas instalações, a sensação que se recebe não é desagradável. 

Annabella e Tyrone Power, dois artistas notáveis do cinema passaram há dias por Lisboa, a caminho de liollywood e que lamentaram não poder demorar-se cai Portugal a fim de visitar êste belo Pais de que têm ouvido contar maravilhas.
Ilustração, 16 de setembro de 1939

E tal se consegue porque uma bem cuidada adaptação de um edifício já existente, a sua impecável limpesa e a sua rusticidade visivelmente bem aproveitada, senão valorisada, são completadas com pormenores de instalações de serviço de bom aspecto e comodidade. 

Propositadamente, deixámos para o fim os reparos que a viagem que estamos fazendo pelas diferentes espécies de instalações para Comunicações na margem do Tejo podiam aqui suscitar. 



A única cousa a que sõbre esta instalação teriamos de apresentar observações — o acesso por terra — não nos referiremos, porque êste provisório deve ser realmente provisório dado que a primeira empreitada para execução dos trabalhos necessários para a construção do aeroporto definitivo, vimo-la já há tempos anunciada e que o Decreto 32.901 últimamente publicado já para tais obras consigna a verba de 8.000 contos. 

O novo e definitivo aeroporto, ficará situado 1 km. a montante, na foz da Ribeira dos Olivais, onde uma larga doca de 440m x 180; subtrairá os hidros à acção desencontrada das correntes aéreas e das fluviais, principal dificuldade com que êles têm de lutar e inconveniente da actual instalação. 

No terrapleno, serão construidas instalações para o serviço aéro-marítimo, que, em ante-projecto, compreenderão um edifício de estação de 100m x 20m armazens, hangars, depósitos, etc., conjunto enquadrado num arranjo urbanístico que permitirá o acesso pela Rua de Cintura do Pôrto e pela futura Avenida Infante D. Henrique, que começando no Terreiro do Paço, passando pela frente do Edifício da antiga Alfândega, Rua João Evangelista, etc., acompanhará paralelamente a margem, dela apenas separada pela linha férrea e instalações do pôrto. 

Aeroporto Marítimo de Lisboa, Mário Novais, 1940.
flickr

Os estrangulamentos que, em certos locais, o espaço livre apresenta, permitirão, pela ausência de Armazens, vista desembaraçada do Rio e, a partir de determinado ponto, o traçado da Avenida a meia-encosta terá, sabre todas as instalações, comandamento. 

Finalmente, no arranjo a que nos referimos, uma larga Avenida permitirá outra ligação com a Cidade e directa com o Aéroporto terrestre, para onde, despedindo-nos da margem dg Tejo, nos encaminharemos agora, depois da simples, mas afigura-se-nos curiosa indicação, de que o Aéroporto Marítimo a construir, está estimado em 30.000 contos mas que só um Clipper custa entre 20 a 25.000! 

Planta Geral do Aeroporto Marítimo de Lisboa, Mário Novais, 1940.
flickr

Pelo plano que juntamos tomarão V. Ex." conhecimento do projectado. (2)


(1) Life, June 3, 1940
(2) Gazeta dos Caminhos de Ferro, n.° 1352, 16 de abril de 1944

Artigos relacionados:
Dornier Do X1 no areal do Alfeite em janeiro de 1931

Mais informãção:
Na rota do Yankee Clipper
"Clippers" em Portugal
Google Arts & Culture Life Pan Am Clipper

Business Insider

Fotografias antigas do principal aeroporto de Portugal
Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo



A propósito dos acidentes em 1943:

Crash of a Short S.26 G-Class off Lisbon: 13 killed 
Date & Time: Jan 9, 1943 at 1030 LT 
Type of aircraft: Short S.26 G-Class 
Operator: Registration: G-AFCK Flight 
Phase: Landing (descent or approach) 
Flight Type: Scheduled Revenue Flight Survivors: Yes 
Site: Lake, Sea, Ocean, River 
Schedule: Lisbon – London 
MSN: S.873 
YOM: 1937 
Location: Lisbon Estremadura - Lisbon District 
Country: Portugal 
Region: Europe 
Crew on board: 6 
Pax on board: 9 
Total fatalities: 13

Circumstances: Twenty minutes after his departure from Lisbon, bound for London, the crew encountered technical problems and decided to return to Lisbon. While descending to an altitude of 1,200 feet, the crew experienced strong vibrations and smoke spread in the cabin and the cockpit as well. The seaplane christened 'Golden Horn' went out of control and crashed into the bay, some 800 meters off shore. The radio operator and a passenger were rescued while 13 other occupants were killed. 

Probable cause: A technical failure occurred on the fourth piston of the sixth cylinder on the engine number three, causing hydraulic fluid and gasoline to spill and ignite in contact with high temperature elements. It was stated that the loss of control was due to the fact that pilots were incapacitated while part of the aircraft was on fire. Also, the number of victim was raised by the fact that the crew did not follow the emergency procedures and that passengers were neither attached nor correctly prepared for such emergency maneuver. (3)

Crash of a Boeing 314A Clipper off Lisbon: 24 killed 
Date & Time: Feb 22, 1943 at 1847 LT 
Type of aircraft: Boeing 314 Clipper 
Operator: Registration: NC18603 
Flight Phase: Landing (descent or approach) 
Flight Type: Scheduled Revenue Flight 
Survivors: Yes 
Site: Lake, Sea, Ocean, River 
Schedule: New York – Hamilton – Horta – Lisbon – Marseille 
MSN: 1990 
YOM: 1939 
Flight number: PA9035 
Location: Lisbon Estremadura - Lisbon District 
Country: Portugal 
Region: Europe 
Crew on board: 12 
Pax on board: 27 
Total fatalities: 24 
Captain / Total flying hours: 14352 
Captain / Total hours on type: 3278.00 
Copilot / Total flying hours: 1706 
Copilot / Total hours on type: 1454 Aircraft flight hours: 8505 

Circumstances: The flight maintained in altitude of approximately 7000 feet until it approached the mouth of the Tagus River, approximately 11 miles from Lisbon, when a gradual let-down was made to about 600 feet. The Portuguese authorities require that this altitude be maintained from the mouth of the river to the landing area. The flight arrived over the area at about 1835 GMT (6:35 p.m. Lisbon time) 3 hours and 52 minutes after take-off from Horta and 15 minutes ahead of its estimated arrival time. Since official sunset was at 6:20 p.m., PanAm's ground crew at Lisbon had set out as usual a string of landing lights, indicating that the landing was to be made from south to north. On this particular occasion the light arrangement was slightly different from normal, since the extreme downwind (south) light, which was usually green in color, had been replaced with a white light. The only reason for this change was that the green bulb had burned out and the PanAm station substituted the white bulb. Captain Sullivan indicated in his testimony that the substitution of lights was not confusing and had no bearing on the accident. This string of five landing lights extended over a distance of approximately 4500 feet. At the time the flight arrived an the area it was still light enough for the aircraft to be observed plainly by personnel in the PanAm launch and on the shore. The PanAm launch had patrolled the landing area east of the string of landing lights and had taken its station near the red light which was the extreme upwind (north) light of the landing strip. The landing conditions and barometric pressure were given to the flight by radio at 6:35 p.m. and were acknowledged with a statement from the flight that they would want flares when both landing lights were blinked. While proceeding in a northeasterly direction, at an estimated speed of 135 knots and at an altitude of between 500 and 600 feet over the area, about 1 1/2 miles east and abeam of the center light in the string of landing lights, the aircraft made a descending, turn to the left which continued until it was headed in a westerly direction when the left wing tip skimmed along the surface of the water, dug in and the plane crashed into the river. It remained partially submerged for approximately 10 minutes, then disappeared below the surface of the river. The PanAm launch, which had been standing by for the landing, proceeded to the scene of the accident, arriving about 10 minutes later, and began rescue operations. The PanAm launch was joined by a BOAC launch (British) and another PanAm launch approximately 10 minutes later. The American actress Tamara Drasin and the American novelist Ben Robertson were killed in the crash while the actress Jane Froman was seriously injured.

Probable cause: It appears that the probable cause of this accident was an inadvertent contact of the left wing tip of the aircraft with the water while making a descending turn preparatory to landing. 

cf.  B3A

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Um pequeno quadro no Museu de Lisboa

Foi no Campo Grande em Casa de Madre Paula que a partir de 1979 se instalou o então Museu da Cidade. Algo inacabado, pensamos tê-lo visitado nesse mesmo ano.

Um pequeno quadro...
Museu de Lisboa

Cremos que já então o quadro lá estaria, ou vindo da Mitra, ou do palácio Galveias, ou de uma qualquer outra dependência da Câmara Municipal.

Navios de guerra de propulsão mista e casco reforçado saindo do Tejo de madrugada junto à Torre do Bugio.
Museu de Lisboa

Trata-se de uma marinha com pouco detalhade, mas explícita, que representa uma madrugada em que três couraçados, pelo grande canal junto à Torre de S. Lourenço do Bugio, saem do Tejo.

Museu de Lisboa

Em total desacordo com a descrição apensa ao quadro, "A esquadra francesa comandada pelo almirante Roussin força a entrada do Tejo em 11 de julho de 1831", de autor não identificado.


A frota francesa comandada por Roussin força a entrada do Tejo, Pierre-Julien Gilbert, 1837.
Fortificações da foz do Tejo

Seria muito diferente a esquadra de Roussin enviada a Lisboa.

Os navios intervenientes e a acção, são por nós referenciados em O forçamento da barra do Tejo.

O mesmo acontecimento de 1831 descreve-se em La France maritime, Volume 3.

La flotte française force l'entrée du Tage, Horace Vernet, c. 1840.
Joconde

Quanto ao quadro no Museu de Lisboa, ficamos com várias perguntas por responder. Quais os navios representados?  Qual acontecimento ou em que data? Quem foi o autor? Como chegou ao Museu de Lisboa? 

Quanto aos navios, como a imagem mostra, tratam-se de navios com o casco reforçado, com rostro (o esporão na prôa), propulsão mista (vento e vapor) e sem pás laterais, portanto movidos a hélice.

A estas características, aos navios da frente, acresce o facto único de se disporem as batarias em duas cobertas sobrepostas.

Vaisseau Cuirassé de 1000 Chevaux Le Solférino.
Plan of the hull (Wayback machine)

Tratam-se, portanto, das fragatas couraçadas mandadas contruir por Napoleão III, sobre um projecto de Henri Dupuy de Lôme. A Magenta lançada em 1861 em Brest, navio almirante da frota do Mediterrâneo. A Solférino, navio igual, construído em Lorient e lançado também no mesmo ano. O navio mais atrás parece-nos um couraçado da classe Gloire.

Remetidos então para a década de 1860, ou data posterior, procuremos um acontecimento que durante o reinado de D. Luís que tenha ocasionado a presença desses navios no Tejo.

No Palácio Nacional da Ajuda espera-nos um quadro de grandes dimensões de João Pedroso, Partida para França da Família Real em 1865, em que, para além das corvetas Bartolomeu Dias, Estefânia e Sagres, aparecem os mesmos couraçados.

Partida para França da Família Real em 1865, João Pedroso.
Revista da Armada, abril de 2014

Deve o pequeno quadro no Museu de Lisboa representar a saída do Tejo dos couraçados franceses em 1865 e ser da autoria de João Pedroso.

João Pedroso Gomes da Silva (1825-1890), gravador e pintor de marinhas,  mostrava a sua obra nas exposições da Sociedade Promotora das Bellas-Artes, tendo sido aí o artista mais representado, 163 quadros, o único presente nas catorze edições.

Na biblioteca da Universidade de Coimbra, onde se encontram os catálogos dessas exposições, poderíamos, talvez, encontrar nos relativos a 1865, ou 1866, ou 1867, quarta, quinta e sexta exposições uma referência a João Pedroso com o descritivo "A esquadra francesa junto à Torre do Bugio em 1865". Talvez.

Torre do Bugio na Barra de Lisboa, João Pedroso, gravura
Biblioteca Nacional de Portugal

Rui Granadeiro, 15 de maio de 2019

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*     *

Recentemente numa passagem pela Galeria de Pintura do Real Paço da Ajuda redescobrimos a pintura "Partida para França da Família Real em 1865", de João Pedroso, e a referência aos navios representados como consta em   Galeria de Pintura do Real Paço da Ajuda, Lisboa, Typographia Univeral, 1869.

A Família Real portugueza saindo do Tejo,
acompanhada pelos navios de guerra francezes "Magenta", "Flandre" e "Heroine"
Partida para França da Família Real em 1865, João Pedroso, Revista da Armada, abril de 2014

São eles: "Magenta", "Flandre" e "Heroine".

Rui Granadeiro, 9 de fevereiro de 2020


Plans of the Solférino (large TIF files) from the Atlas du génie maritime of the Service historique de la Défense" ("Historical services of the ministry of Defence"):
Plan of the hull
Cargo bay and machinery
2nd battery and castle
1st battery
Riggings

Alguns artigos relacionados:
O Bugio
John Cleveley Junior e o Tejo, 1775
Foz do rio Tejo em 1800
O forçamento da barra do Tejo
Trafaria em 1865
A falua do Bugio
Uma arribada em calma branca
Os Faroleiros, filme de Raul de Caldevilla, 1922
Furiosa batalha
Mar da Calha

Informação relacionada:
Ironclad warship
MS Achilles (1863)
Hector class ironclad
Defence class ironclad
Audacious class ironclad
Our iron-clad ships; their qualities, performances, and cost.
Herbert Wrigley Wilson (1866-1940)
Google Image Search: HMS Achilles
Cuirassé à coque en fer
A revolução industrial, Lisboa marítima e Marinha de Guerra, na obra de João Pedroso (1825-1890)

sábado, 27 de abril de 2019

Vista de Lisboa, 2 de setembro de 1808

Excelentíssimo Senhor:

Enquanto General do Exército do Sul, postado na margem do Tejo, e enquanto membro da Regência estabelecida pelo Príncipe Regente de Portugal, meu Senhor, para dirigir e sustentar os direitos da nação, em nome do dito Senhor requeiro a Vossa Excelência, em consequência da eterna aliança que durante tantos anos reinou entre as duas nações, que se possam embargar todas as embarcações utilizadas para levar as tropas francesas, tendo em conta os seus roubos e atrocidades, até que Sua Majestade Britânica ou Sua Alteza Real resolvam o que é melhor para a glória e interesses das duas nações, obrigando que Comissários portugueses e ingleses façam um inventário rigoroso das bagagens dos franceses, que não podem levar consigo as riquezas que se apropriaram, o que muito receamos devido à maldade destes opressores da humanidade.

A View of Lisbon and the Harbour.
With the entrance of the British fleet, on the 2 September 1808... to Admiral Sir Charles Cotton...
Anna Sophia Wagner.
British Museum

Fico convencido de que Vossa Excelência terá em conta esta requisição, que é de tal natureza que não pode admitir qualquer recusa, tanto pela sua justiça como pelo carácter generoso dum Ministro inglês, cuja posição Vossa Excelência sustenta tão gloriosamente.

The Embarcation of Gen. Junot after the convention of Cintra at Quai Sodre.
Biblioteca Nacional de Portugal

Tenho a honra de declarar a Vossa Excelência os sentimentos do maior respeito e veneração. Deus guarde Vossa Excelência,

The Convention of Cintra, a Portuguese Gambol for the amusement of John Bull, John Woodward, 1809.
Biblioteca Nacional de Portugal

Conde Monteiro Mor (1)


(1) Carta do Conde Monteiro Mor ao Almirante Charles Cotton (9 de Setembro de 1808)

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Chegada a Lisboa de Arthur Wellesley em 22 de março de 1809

O General Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, chega a Lisboa para assumir o comando das forças portuguesas e inglesas Durante a Guerra Peninsular o tenente-general Sir Arthur Wellesley, será o responsável pelo comando das forças aliadas que combateram o invasor francês.

Wellington landing in 1809 at Lisbon to take command in the Peninsular War.
Royal Museums Greenwich

Foi promovido ao posto de marechal de campo após a vitória sobre o exército francês na batalha de Vitória, em 1813, onde liderou um exército composto por ingleses, portugueses e espanhóis, tendo contribuído decisivamente para o fim da Guerra Peninsular. (1)


(1) Parques de Sintra

Leitura relacionada:
C. W. C. Oman, Wellington's army, 1809-1814, London, Edward Arnold, 1913

Tema:
Guerra Peninsular