Mostrar mensagens com a etiqueta Cartografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cartografia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Praia da Vitória (ou os Voluntários da Rainha em Villa da Praia) II de II

Antonio José de Souza Manoel Severim de Noronha, Conde de Villa Flôr, chegou ao porto da Villa da Praia no dia 22 de Junho de 1829, numa escuna, escapando com grande felicidade ao bloqueio [nota: repete este apontamento o texto do precedente, contudo, neste caso, apresentando iconografia topográfica e cartográfica].

Hemeroteca Digital de Lisboa

Era a segunda tentativa. Os soccorros trazidos pelo general Saldanha tinham sido repellidos pelas balas do cruzeiro inglez, que pouco depois foi mandado retirar [também "Nas aguas dos Açores (1829) deu-se um caso com Bernardo de Sá e seu irmão José, caso que escapou á phantasia de todos os auctores de romances enredados e tenebrosos"]!

Procedeu-se aos trabalhos de fortificação, em que prestaram relevantes serviços — Eusebio Candido Pinheiro Furtado [Memória Histórica de Todo o Acontecido no Dia Eternamente Fausto 11 de Agosto de 1829], e Joaquim José Groot da Silva Pombo.

Adoptaram-se, com pequenas modificações, as medidas tomadas pela Junta, continuando a fortificação desde o Porto Judeu até á Villa da Praia.

Planta da Bahia da Villa da Praya para Intiligencia, 1805.
Fortalezas.org

A esquadra de D. Miguel, constando, ao todo, de 22 vasos: nau D. João VI, trez fragatas [Pérola, Dianna e Amazona], duas corvetas [?, Princeza Real], cinco charruas [Jaya Cardozo, Galatea, Orestes, Princeza da Beira e Princeza Real], quatro brigues [ou cinco: 13 de Maio, Infante D. Sebastião, Providência, Glória e Devina Providência], etc [força de desembarque: dois patachos, Bom-fim e Carmo e Almas; duas escunas da Graciosa e Triunfo d'Inveja, dois iates, Bom Despacho e Santa Luzia e seis barcas canhoneiras, cada uma com uma peça], trazendo a bordo 3424 homens de desembarque, e 2224 da brigada e tripulação, appareceu nos mares da Terceira, na tarde de 29 de Julho de 1829 [Annaes da Terceira — Drummond].

Açores, Villa da Praia Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829.
Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, c. 1830.
Fortalezas.org

Nos Açores, ainda na força da verão, não são raros os dias chuvosos e de bruma espessa. O dia 11 de agosto rompeu carregado de neblina.

Os telegraphos não podiam trabalhar. De terra não se descortinava a esquadra. Subitamente appareceu proxima á bahia de S. Matheus (a oeste) já com as lanchas fóra, fazendo signaes aos na- vios e denunciando evidentemente a intenção do ataque.

Um grande aguaceiro caiu de repente e a esquadra encobrio-se de novo.

Ás 11 horas da manhã, em seguida a uma chuva torrencial, appareceram as pontas dos mastros, por cima do cabo de Santa Catharina.

Forte de Santa Catarina do Cabo da Praia, Damião Pego, 1881.
Fortalezas.org

Tinha chegado a hora do combate, que vou descrever rapidamente, e apenas como um episodio.

Defendiam a bahia da Villa da Praia o batalhão de Voluntarios da rainha, commandados pelo major Menezes, e outras forças que se conservavam debaixo d'armas desde a vespera, tendo á frente o denodado quartel-mestre-general, Balthazar d'Almeida Pimentel, actual conde de Campanhã.

Fundeava a esquadra inimiga trazendo á frente a nau D. João VI, ficando-lhe à esquerda as fragatas Diana, Amazona, e infante D. Sebastião. As outras embarcações em segunda linha.


Tudo isto lançou ferro tão proximo do terra, que não havia memoria de haverem feito outro tanto os proprios navios mercantes.

Commandava o forte do Espirito Santo, extrema esquerda, o alferes de caçadores Manuel Franco. O forte tinha trez peças, uma de calibre 18, as outras duas de 24, trez soldados de guarnição, e 8 artilheiros da costa.

Forte do Espírito Santo, Damião Pego, 1881.
Wikipédia

O do Porto [forte de Santa Cruz] era commandado pelo válentissirno alferes de infanteria — Simão Antonio de Alhuquerque e Castro, depois capitão de caçadores 5.

Forte de Santa Cruz (Praia da Vitória), Tombo dos Fortes da Ilha Terceira, 1881.
Wikipédia

Tinha uma peça, um artilheiro de linha, seis marinheiros, e a guarda composta de 4 soldados e um cabo. Vamos, que já era gente!

Faço uma relação mais circumstanciada das forças que entraram na acção, tirando-a dos — Annaes — para que se veja melhor quaes eram os recursos do partido liberal, e os prodigios que se operaram com esses escassos recursos.

O forte da Luz [Forte de Nossa Senhora da Luz] estava desartilhado no flanco esquerdo da bahia, de onde principiava a linha do batalhão de Voluntarios, estendida com cinco companhias, até o forte das Chagas, desartilhado tambem.

Muralhas do Forte de Nossa Senhora da Luz ou da Alfândega junto ao areal, c. 1900.
Delcampe

Duas barcas canhoneiras que alli havia, assim que viram a esquadra, refugiaram-se no porto. Os marinheiros portaram-se com bravura no combate. A cavallaria constava de 23 officiaes, commandados pelo capitão José de Pina Freire.

Tambem não deixava de ser um esquadrão imponente! Um punhado de academicos; mas esses estacionados nos Biscoitos, e os Voluntarios da rainha. Eis aqui as forças que estavam na Villa da Praia, quando a poderosa esquadra inimiga fundeou em linha de batalha.

Antes que a nau largasse ferro, o alferes Simão Antonio, eommandante do forte do Porto, fez-lhe um tiro de peça, matando-lhe um homem, ferindo outro, e caiisando-lhe diversas avarias a bordo.

A nau respondeu, cortezmente, mandando-lhe uma banda inteira. Travou-se o combate; cahiam chuveiros de balas.

O estrondo da artilheria era pavoroso. Os habitantes da villa julgaram-na arrasada por momentos. A esquadra, por ter fundeado muito proximo, perdeu a maior parte das balas, que se lhe encravaram na areia.

De terra, os Voluntarios da rainha, com intrepidez que tocava no delírio, sustentavam o fogo de fuzilaria sobre os navios.

Cada homem dizem que parecia um gigante, arrojado, temerario, inabalavel! Ás tres horas e meia da tarde, o chefe da esquadra, sentindo o silencio do forte do Espirito Santo, vendo as ruinas de outros, e persuadido, pelo fogo, de proposito, menos activo, que havia falta de munições, achou opportuno metter nas lanchas a sua primeira brigada, composta de 1114 granadeiros e caçadores.

Eram gente escolhida, bem postos, excellentemente fardados, disciplinados, arrojados, destemidos.

Cada um trazia noventa cartuchos, e cheio o cantil de vinho. Eram commandados por D. Gil Eannes e Azeredo, dois cabos de guerra de coragem verdadeiramente heroica.

Por entre a metralha dos seus proprios, e a chuva de balas liberaes, seguiam impavidos na empreza do desembarque.

Açores, Villa da Praia Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829 (detalhe).
Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, c. 1830.
Fortalezas.org

Sobre o ponto do desembarque uma illuzão pertinaz do bravissimo major Menezes seria fatal se não acudisse o quartel-mestre-general conde de Campanhã gritando-lhe:

"O desembarque é á esquerda; mande-me mais força para supportar a infanteria."

O major Menezes persistia ainda; desenganado, finalmente, mandou tocar a unir á esquerda para sustentar as forças que soffriam o impeto do ataque. O fogo, no forte, era como á queima-roupa.

Neste conflicto horrivel notou-se a intrepidez (que tal seria l) de um granadeiro realista e de um caçador liberal.

Entre os combatentes distínguia-se tambem um rapaz de 12 annos que chorava a morte do voluntario José Caetano Alvares, amigo de seu pae, batendo-se ao mesmo tempo, como o soldado mais destro! 

Na subida do Facho, exposto a um risco imminente, o conde de Ficalho (hoje marquez) assumindo forças collossaes arrancava penedos e despenhava-os sobre a cabeça dos adversarios.

Vista para o Monte do Facho.
A Villa da Praia é atacada pela esquadra do Uzurpador, em 11 de Agosto de 1829.
Biblioteca Nacional de Portugal

O major Menezes, vendo o inimigo flanqueado pelo alferes Caldas, gritava:

"Camaradas, estes cães levam-se á baioneta: armar baioneta, armar baioneta."

D'ali a pouco, no meio da horrivel carnificina, rebentavam os gritos de victoria dos soldados liberaes, gritos que descoroçoavam os assaltantes, e iam levar o terror á guarnição da esquadra. D. Gil Eannes e Azeredo tinham cahido no campo como dois heroes.

O espectaculo era horroroso! Centenares de infelizes soldados realistas saíam das ondas, onde luctavam com a morte, e, agarrando-se aos rochedos, eram atravessados pelas baionetas dos soldados liberaes.

Nestes extremos, os desventurados imploravam a vida aos vencedores, e os officiaes e os voluntarios, reprimindo o impeto das paixões, procuravam incutir nos animos exaltados os sentimentos de humanidade compativeis com os excessos da guerra.

Quando soavam os gritos da victoria apparecia o conde de Villa-Flôr com uma porção de tropa. Enthusiasmado, o conde abraçava o quartel-mestre-general — Balthazar d'Almeida. Este dizia-lhe:

"A batalha, general, está ganha, é de V. Ex.a. Os prisioneiros são immensos!"

O conde de Villa-Flôr entrava no campo. A esquadra tentou um segundo desembarque. Não chegou, porém, a effectual-o.

Vista da Villa da Praia no memoravel dia 11 de Agosto de 1829.
História dos Açores

A primeira lancha, apanhada por uma granada, virou com 120 granadeiros, bellissimos homens, dos quaes rarissimos se salvaram.

Á segunda suceedeu o mesmo; a terceira virou-se com o tumulto em que se pozeram os soldados: as outras recuaram, abrigando-se com a nau e as fragatas que as tinham protegido com toda a sua artilheria.

O terror panico apossou-se do animo dos assaltantes. A acção, para elles, estava completamente perdida. Receiando o effeito da artilheria grossa e das granadas, que tinham vindo com o reforço do conde de Villa-Flôr, a nau levantou com os outros navios, vendo-se obrigada a picar a amarra e deixar por mão as correntes.

Uma banda inteira foi a sua ultima despedida. É singular, contra 22 vasos de guerra, incluindo uma nau, trez fragatas, duas corvetas, einco charruas, quatro brigues; tendo da brigada e tripulação 2224 homens, de desembarque 3424; gente aguerrida, robusta, bem disciplinada; levando o amor pela sua causa até o fanatismo; resistiu e venceu um punhado de voluntarios, exercito commandado por majores, e onde o governador de um forte era um simples soldado!

Planta da Villa da Praya da Victoria, 1842.
Biblioteca Nacional de Portugal

Os que acreditarem na theoria dos factos providenciaes da historia, em parte alguma podem achar melhor exemplo do que na serie de milagres (não tenho outra palavra) que se deram desde a Praia da Victoria até Almoster e Asseiceira. (1)


(1) Bulhão Pato, Paizagens, 1871

Mais informação:
Instituto Histórico da Ilha Terceira
Forte do Espírito Santo
Forte de Santa Catarina do Cabo da Praia
Forte de Nossa Senhora da Luz
Forte de São José do Cabo da Praia

Leitura relacionada:
Francisco Ferreira Drummond, Annaes da Terceira, 1850
O dia 11 d'agosto de 1829, ou, A victoria da villa da Praia: poema heroico offerecido...

D. Pedro d'Alcântara:
D. Pedro d'Alcântara e Bragança, Imperador do Brasil, Rei de Portugal (Parques de Sintra)
D. Pedro d'Alcântara, Imperador do Brasil, Rei de Portugal (Google Arts & Culture)

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Projecto de travessia do Tejo em 1889

Se a tivessemos já, se Portugal se podesse já orgulhar de ostentar na sua capital a maior ponte da Europa, não havíamos hontem gasto o melhor de 35 minutos para vir do Barreiro a Lisboa, nem o nosso somno de commodidade seriam perturbados mais cedo, para nos prepararmos para um trasbordo da carruagem em que chegámos á estacão do caminho de ferro, para o vapór em que tivemos de seguir, para o Terreiro do Paço.

Ponte sobre o Tejo, projecto de E. Bartissol e T. Seyrig, O Occidente n.° 380, ilustração L. Freire, 1889.
Imagem: Hemeroteca Digital

O sonho de ligar as duas margens do Tejo por meio de uma ponte vae se encaminhando para se converter em realidade, graças á iniciativa e actividade do Snr. Bartissol e á tntelligencia arrojada do distincto engenheiro Sr. Seyrig, o constructor da ponte D. Luiz no Porto.

D'este sonho é reproducção a nossa gravura d'hoje representando a ponte já construida, e vista da margem esquerda do rio.

O projecto dá á ponte a extensao de 2310 metros, completando-a com uma linha ferrea que partirá da estação do Rocio a ligar com a do Barreiro, n'um percurso de 15 kilometros e meio.



Do Rocio sahirá a linha em tunnel seguindo em curva para a esquerda, voltando assim de forma a passar quasi sob a praça do Principe Real, e indo desemhocar no valle formado pela rua de S. Bento, perto do palacio das Côrtes.

Atravessa então a rua de S. Bento em linha recta inclinando-se depois novamente para esquerda n'outra curva, e passa por detraz dos Cortes. N'esse ponto a linha será aberta em trincheira e em tunnel, e estabelecer-se-ha a estação da rua de S. Bento.

A calçada da Estrella é atravessada em subterraneo, e o seu transito não será interrompido nem pelos trabalhos nem pela exploração.

Este subterraneo prolongar-se-ha na extensão de 4oo metros, indo a trincheira, que segue, terminar acima da Rocha do Conde d'Obidos.

É facil, diz o sr. Bartissol na sua memoria publicada na "Gazeta ds Caminhos de Ferro", fazer chegar ahi uma estrada que, vindo da esquerda e a direita, communique_com a ponte, pondo d'este modo, em relação directa e facil com ella, o bairro de Buenos-Ayres e a parte baixa da cidade, inferior as Côrtes, como o Conde Barão, etc.

Projet de traversée du Tage, étude de E. Bartissol et T. Seyrig, Paris & Lisbonne, 1889.

O encontro extremo da ponte será situado na proximidade immediata d'essa embocadura, e é d'ahi que as duas vias, a via ferrea e a via publica, partirão por sobre o rio.

Estabelecer-se-ha outra estação n'este ponto, destinada a facilitar aos habitantes do bairro da Estrella as communicaçóes com a outra margem do rio.

O accesso a esta estação será feito por meio d'um ascensor vertical propriamente dito, ou por um caminho funicular inclinado, que a communique com os caes o mais directamente possivel.

É grande a importancia de tal communicacão, attendendo a que este ponto, com as novas dockas em construcção, será de futuro um dos centros de maior actividade da capital.

Desde a bocca do tunel até a beira do rio ha quatro arcos, sendo os 3 pilares, dispostos — um para cá um pouco da linha dos caes actuaes, e os outros perto da calçada do Marquez d'Abrantes, e mais acima ainda, sobre a collina. O primeiro tramo e de 115 metros, e os outros tres de 160 metros cada um.

Do 3.° pilar parte o primeiro grande arco, 300, metros de abertura: Esta disposição deixa, pois um espaço livre muito consideravel, quer nos caes, quer no rio. para que as embarcações possam manobrar e atracar desafogadamente.

A partir d`ahi, a ponte avança ser sobre o rio, indo os seus tramos alternando de imensóes. Sendo o primeiro de 3oo metros, o seguinte é de 160, o immedtato de 300 metros, o outro de 160, e assim successiramcnte. A ponte completa terá quatro tramos de 3oo metros, e 6 de 160 metros; sendo o ultimo de 15o metros, similhante a um dos de 160 em consequencia da conformação do terreno marginal nas collinas de Almada, que obrigou a encurtar este arco.

Projet de traversée du Tage, étude de E. Bartissol et T. Seyrig, Paris & Lisbonne, 1889.

A ponte vae effectivamente apoiar-se sobre essas collinas a um nivel elevado, deixando, como do lado de Lisboa, a margem do rio intacta, o que permitte de futuro a ampla liberdade de aproveitar essa margem para a eonstrueção de caes e outros estabelecimentos, em que se pensa já de ha muito.

Em Almada estabelecer-se-ba a primeira estação ao kilometro 4:450. As outras, que seguem, serão:
Piedade ao kilometro 6:460; Alfeite ao kilometro 9:300; Seixal ao kilometro 12:300; Barreiro ao kilometro 15:500.

O entroncamento com a linha do sul será feito na propria estação do Barreiro, que assim não ficará inutilisada e poderá servir de deposito e officina de reparações.

Como se vê da gravura a ponte será de um só taboleiro, metade do qual é destinado ao transito ordinario, metade á via ferrea.

Projet de traversée du Tage, étude de E. Bartissol et T. Seyrig, Paris & Lisbonne, 1889.

A largura total é de 25 metros nos pilares e 18 no taboleiro.

A altura do taboleiro para o nivel da agua é de 5o metros.

A perspectiva è elegante e digna de uma cidade como n nossa. Pena será pois, se tão grandiosa obra ficar só na gravura. (1)


(1) O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 380, julho, 1889..

domingo, 12 de junho de 2016

Panorâmica de Lisboa em 1763

Esta panorâmica, representando a capital lusitana oito anos após o terramoto de 1755, é dedicada a Carlos Alberto Guilherme de Colson, conselheiro da corte do Conde de Lippe [...]

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa,  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A cidade aqui representada estende-se desde a Torre do Bugio até ao Palácio do Patriarca [Palácio da Mitra] e evidencia as marcas de destruição deixadas pelo terramoto [...]

O seu autor, Bernardo de Caula, de origem francesa, ingressou no exército português, como primeiro-tenente da Companhia de Mineiros e Sapadores do Regimento de Artilharia de Lagos, em 7 de Novembro de 1763. Nesse ano terminara a campanha militar — que decorreu de 30 de Abril de 1762 a 10 de Fevereiro de 1763 — como consequência do Pacto de Família (celebrado entre os soberanos de França, Espanha e Nápoles, todos pertencentes à família Bourbon) que pretendia forçar Portugal a fechar os seus portos a navios ingleses.

Nesse conflito, o Exército português foi dirigido pelo Conde de Schaumbourg-Lippe, nomeado seu comandante-chefe com a patente de Marechal General, o qual permaneceria em Portugal até 20 de Setembro de 1764. (1) 

1 Torre de Bogio
2 Torre de sam Julian da Barra
3 Carcavellas
4 Forte S.to Amaro
105 Grande Caxope da Barra

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 1/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

  5 Forte S. João da Mayo
6 Villa e Condado de Oeyras
7 Paço d'Arcos
8 Forte de Caxias
9 Caxias e os Cartuchos

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 2/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 10 N.a S.a de Boa Viagem
11 Ponte de S.ta Catharina
12 Convento de S.ta Catharina
13 Forte arruinado de S. Jozé
14 Convento de Sam Jozé

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 3/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 15 Quinta de Dom Luiz de Portugal
16 Forte d'Argels
17 Gurita do Duque de Cadaval
18 Aldeia d'Argels
19 Quinta do Duque de Cadaval
20 Cazas do lettrado
21 Pedrooza
22 Cazas de Dona inés

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 4/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 23 Quinta velha do Conde S'Jago
— occupada pelo Conde R. de la Lippe
24 Caza da Saude
25 Torre de Belem
26 Ermida de S.o Jeronimo
27 Cazas do Marques de Tancos
28 Bom Socefso
29 Cazas do Conde Barão
30 Cazas do Marques de Marialva
31 Convento de Belem
32 Alculena
33 N.a S.ra do livramento
34 Paço Real de N.a S.ra da Ajuda
35 Calçada da Ajuda e Cazas do Conde D'oeyras

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 5/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 36 Cazas da Duqueza d'Abrantes
37 N.a S.ra da Boa Hora
38 Villa de Belem
39 quais de Belem e Paço Real
40 Quinta Real de Belem
41 Cazas de Descanfo da tapada
42 Cazas de Gaspar D de Saldanha
43 Cazas e Pateo D de Saldanha
44 Junqueira e q.ta da Condeça da Ega
45 Forte da Junqueira
46 Palacio do Cardeal Patriarcha
47 Sam Amaro
48 Quinta do Conde Daponte
49 N.a S.ra de Bona morte
50 Q.ta e Palacio das necefsidades

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 6/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 51 O Con.to do livramento
52 arrebaldo e Porta d'alcantara
53 Buenas Ayres
54 Pampouilla e S. F.a de Paula
55 Jannellas verdas
56 N.a S.ra da Lapaz
57 N.a S.ra dos Navegantes
58 As Tercenas B.ro do Mocambo
59 Fraiguezia de Santos
60 os Barbadinhos francezes
61 os apostolos Caza da aula
62 Bazilica Patriarchal
63 Bairro Alto e os Paulistas
64 Fraiguezia de Sta Catharina
65 Bairro da Bica Grande e as xagas
66 Cazas da India
67 quais de Boa vista
68 Fraiguezia de Sam Roque
69 N.a S.ra de Loretta dos italianos
70 Fraiguezia de N.a S.ra da anunciada
71 Palacio de Bragança
72 Fraiguezia do Corpus Satus
73 Convento da Trinidade

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 7/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 74 Convento S Francisco da Cidade
75 Convento dos Carmos
76 Ruinas e Convento do Spiritu Santo e do paço Real
77 Arcenal Novo
78 Rocio e Collegio S. Antão
79 Convento de N.a S.ra da Graça
80 Castel Sam George
81 Cazas do Marques de Tancos
82 Fraiguezia de Sta Moniqua
83 See velha e S antonio
84 Terreiro do Paço
85 Cazas da ribeira e Ruinas da misericodia
86 Ribeira do peixe
87 Convento de S. vicente De fora
88 Cazas do Marques de lavradio e Sta Ingracia
89 Alfandega
90 Aercenal da fondiçam
91 Campo Santa Clara
92 Quais dos Soldados
93 Convento dos barbadinhos italianos

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 8/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

94 Convento da S.ta appolonia
95 Convento de Santos novo
96 Porta do arrebaldo da madre de Deos
97 N.a S.ra da madre de Deos
98 Cazas do Conde de unhão
99 S Francisco de Xabregas
100 Convento dos Grelos
101 Convento do Beat antonio
102 Palacio do Patriarcha
103 Campo dos olivaes
104 Rio Tejo

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 9/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal


(1) Biblioteca Nacional de Portugal

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Foz do rio Tejo em 1800

Thomas Buttersworth (1768 – 1842)

Thomas Buttersworth nasceu na ilha de Wight, descendendo de uma família marítima, em 1795 alistou-se na Royal Navy e combateu nas Guerras Napoleonicas.

HMS Ville de Paris posto à capa ou ao través, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

Depois de servir com distinção no HMS Caroline foi dado como inválido em Minorca e deixa a Royal Navy em 1800.

H.M.S. Victory (?) na embocadura do Tejo, Thomas Buttersworth (1768 - 1842).
Imagem: Bonhams

A sua experiência de mar permite-lhe adaptar a sua carreira, tornando-se um célebre e importante pintor de marinhas do século XIX. (1)

Uma chalupa armada emergindo da foz do Tejo passado o Bugio, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

[...] o grande número de pinturas de Buttersworth, aquarelas e óleos, que existem desde o período 1797 - 1800 confirmam uma produção significativa, apesar de servir na marinha.

Uma fragata inglesa e uma chalupa armada calmamente no Tejo ao largo da Torre de Belém, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

Os seus multiplos pontos de vista da batalha do Cabo de São Vicente (14 de fevereiro de 1797), o bloqueio da esquadra britânica ao largo de Cadiz e a actividade naval britânica no Tejo sugerem que ele testemunhou pessoalmente esses eventos.

Foz do Tejo, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

Os seus anos com a frota marítima deram-lhe um entendimento gráfico do navios e da guerra no mar ao ponto de se tornar um artista profissional [...] (2)


(1) The dictionary of Nautical Literacy, McGraw Hill, 2003, mencionado em Jerome, Fine Arts
(2) Bonhams

Informação relacionada:
BBC YOUR PAINTINGS: Thomas Buttersworth