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sexta-feira, 9 de junho de 2017

A exposição Columbano em 1894

No salão da livraria do sr. Gomes [M. Gomes, Livreiro de Suas Magestades e Altezas, rua Garrett, 70-72, Lisboa], um amavel cynico, intelligente e de bom gosto, estão expostas algumas das obras mais notaveis do pintor Columbano. É uma exposição grandiosa, bastante superior ao nivel de comprehensão da maioria du nosso publico, e um acontecimento na arte nacional. 

Retrato da Viscondessa de Sacavém (detalhe), Columbano, 1890.
Imagem: Memórias e Imagens

A coincidencia da inauguração com um dia de tourada veiu roubar-lhe os "admiradores mais dilectos" e d'entre os que estavam, houve quem interrogasse o artista sobre o numero e dimensões das suas telas. quem sabe se para poder calcular as dimensões do seu talento.

Suas Magestades El-Rei e a Rainha, sempre solícitos e apreciadores do bello, alli estiveram a abrilhantar o acto, raros pintores, alguns litteratos, o sr. Marianno Pina, e limitado numero de admiradores de Columbano.

Retrato de Mariano Pina, Columbano, c. 1882.
Imagem: MNAC

Columbano é já um pintor extraordinario, um dos raros que comprehendeu a grandiosidade da arte. O que elle pinta não é abstracto, é profundo, vivo, sentido e individual. Ha na sua alma alguma cousa acima do vulgar, um ideal soberbo, e um orgulho de raça e de caracter que fazem d'elle um dos mais notaveis pintores peninsulares. A sua maneira de desenhar, por manchas largas, sem dureza nos contornos, comparal a ha, talvez, o sr. Marianno Pina á de Deschamps.

Atelier de Columbano, c. 1890.
Imagem: Margarida Elias, Columbano e as Caldas da Rainha

Columbano faz a sua arte com uncção, religiozaente, como o sacerdote erguendo a patena que cobre o calix sagrado. É altivo e independente; passa affectuoso por entre os applausos dos que o comprehendem, e indifferente e arrogante pela chusma dos ignorantes e invejosos.

Porque não? Que lhe importa a critica malevola, ou que lhe importa a apreciação dos estupidos? Elle alma nobre e concentrada, que reflecte, cerebro pujante que indaga e cogita. 

A exposição compõe-se de retratos, da grande téla "Camões evocando as tagides" e do delicioso esboceto "A Virgem da Conceição".

Os retratos não são "fac similis" de anonymos burguezes, mas uma colleção de verdadeiros retratos d'alguns dos homens notaveis da nossa actual geração. Em todos elles o que Columbano procura reproduzir com maior intensidade é a expressão moral e realisa-o assombrosamente. 

São tão suggestivas que ao vér a atormentada fronte de Anthero do Quental, a expressão dolorida e suave do pensador poeta, parece que assistimos ao drama, cujos primeiros capitulos estão na sua marcha immortal, e termina com a morte tragica

Retrato de Antero de Quental, Columbano, 1889.
Imagem: MNAC

Da esphera do invisível do intangível 
Sobre desertos, vacuos, soledade 
Vôa e paira o espirito impossível

Esse espirito imposivel. ansioso por alcança! o intangível ideal sobrehumano, está ali na téla, figura eburnea d'um Christo de marfim, fitando-nos e parecendo que vae revelar-nos alguma cousa do inefavel grandioso que o assoberba.

Ao lado, Guerra Junqueiro [1889], sorri-nos, cravando o seu olhar penetrante que nos analysa, deixando entrever ao mesmo tempo as meiguices extraordinarias da sua alma de athleta.

Retrato de Guerra Junqueiro, Columbano, 1889.
Imagem: flickr

O perfil grave de Oliveira Martins defronta com o ar expamivo do artista Leandro Braga. 

Retrato de Oliveira Martins, Columbano, 1891.
Imagem: MNAC

A fina cabeça de Batalha Reis, a extraordhiaria fronte de Silva Pinto, a justa expressão de concentrada energia de Fialho de Almeida, o vago olhar scismador de Eugenio de Castro, tudo o pincel de Columbano nos apresenta d'uma maneira original, grande. A modelação das cabeças é d'um rigor unico, parece querer desvendar-nos o eu que cada uma encerra. 

Retrato de Jaime Batalha Reis,, Columbano, 1892.
Imagem: MNAC

Retrato de Silva Pinto, Columbano, 1891.
Imagem: Wikipédia

Retrato de Fialho de Almeida, Columbano, 1891.
Imagem: MNAC

O retrato em corpo inteiro de Taborda, soberbo, faz "pendant" ao de João Rosa, desenhado com primor inexcedível. 

Retrato do actor João Rosa, Columbano.
Imagem: Ruas de Lisboa...

O retrato da viscondessa de Sacavam, que tem a frescura e o avelludado d'um pastel; é adoravel; o busto delicado e gentil destaca finamente da tela, e a cabeça sob o grande chapeu, tem uma expressão animada, encantadora.

Retrato da Viscondessa de Sacavém, Columbano, 1890.
Imagem: Memórias e Imagens

É um retrato de superior elegancia com a sobria correcção d'uma obra de arte que mais tarde deve ser guardado, joia preciosa, n'um museu.

Os retratos de D. João da Camara, de Lopes de Mendonça. Antonio Feijó, Lino d'Assumpção, Coelho de Carvalho, completam esta correcção soberba e se algum como o de Antonio Feijó, é menos vigorosamente expressivo, outros como o de Coelho de Carvalho empolgam-nos com a attracção irresistivel d'uma téla de Zurbaram.

Retrato de António Feijó, Columbano 1893.
Imagem: Biblioteca Municipal de Ponte de Lima

O Camões é obra d'um artista d'alma profunda que sente a aspiração ideal que fazia levantar o peito do grande poeta portuguez. As nymphas que o poeta evoca escutam n'o, maravilha-as a voz inspirada, que n'um canto sublime e supremo, vae immortalisal-as. 

Camões invocando as Tágides, Columbano, 1894.
Imagem: Poet'anarquista

O mar é bem "salso mar" de infinita volupia, de brumas que acariciam os sentidos como um beijo d'ondina, é o vasto lençol d'agua espumante e glauco em que brincam as nymphas e que embala os sonhos do poeta. Diurna singular belleza o dorso de mulher que está no primeiro plano, e a figura de Camões, numa altitude largo e inspirada domina todo o quadro e desperta no espectador uma commoção vibrante.

Não acho, porém, isenta d'algum defeito esta bella obra; devia ser mais formosa a nympha que está de perfil; faz lembrar umas figuras de Goya, que decerto não representam as gentis habitantes das aguas. Um tanto pesadas lambem me parecem as nuvens que pairam na atmosphera.

Camões invocando as Tágides (detalhe), Columbano, 1894.
Imagem: Poet'anarquista

A "Virgem da Conceição" é um esboceto feito com largueza e simplicidade, e tão idealmente tocado que desejaria vêl-a aproveitado pelo pintor para um grande retabulo.

Quando se entra na exposição Columbano sente-se uma impressão profunda, é um delicioso sentimento, mimo de respeito, de orgulho e de alegria. Sae-se com pezar do pequeno recintho.

Retrato do Coronel Ribeiro Arthur, Columbano, 1890.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

É que na obra de Columbano ha uma porção tão grande de arte, de ideal e de alma, que só um espirito em demasia frivolo se não apaixona por ella. Saudemos o illustre artista não esperando por que o futuro tenha de fazer justiça a um talento que é uma gloria para a nossa pobre arte nacional.

B. Sesinando Ribeiro Arthur. (1)


(1) O Occidente N.º 557, 11 de junho de 1894

Informação adicional:
O sítio onde Columbano retratou Antero
Margarida Elias, Columbano e as Caldas da Rainha
Columbano, Un réaliste portugais (1880 - 1900)

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O Grémio Artístico (4.ª exposição, 1894)

Sympathica commemoração á memória do seu chorado mestre fizeram os discípulos de Silva Porto, expondo o seu ultimo trabalho incompleto. Mas que dolorosas idéas me suggeriu esse esboceto — Macieiras em flor — tão primaveral, concebido certamente num alegre dia sob a risonha impressão que no espirito acordam a esperança e a coragem. Infeliz homem, mallogrado artista! A sua recordação é uma pungente saudade para os amigos, e a sua falta avalia-se ali na exposição, onde já não dominam as suas télas.

Macieiras em flor [MNSR, existe uma tela homónima no MNGV], Silva Porto, 1893.
Imagem:  flickriver

Era dos modernos pintores o mais completo, um mestre, amoravel e bom, illustrado, artista apaixonado pela arte; foi de entre os camaradas o primeiro que partiu, deixando na sua obra um documento honroso para a arte portugueza. (1)

Apresenta-se a quarta exposição do Grêmio Artístico innegavelmente inferior á antecedente. Esperava que os rigores da critica tivessem estimulado os nossos trabalhadores da arte; mas se esse estimulo existiu foi tão pequeno que as causas mórbidas de que soffre a arte nacional o abafaram. 

Aproveitando uma aberta, Arthur May, 1894.
Imagem: Museu de Lisboa

Não falta vontade a meia duzia de sonhadores destemidos, mas a indolência adormece alguns talentos preciosos, o meio estiola os fracos, desnorteia os hesitantes, a boa direcção falta, e n’isto, como em tudo o mais, o nosso viver apresenta-se n’um estado de fraqueza desanimador.

Querer, como alguns, que o nosso movimento artístico acompanhe o nosso movimento litterario é querer um impossível, embora esse desejo seja estimulado pela nobre ambição de ver applaudidas, veneradas e nossas, obras que são, em qualquer parte que appareçam, glorias para humanidade.

Primeiro que dos artistas fallarei dos amadores e discípulos, que são a doença de que ha de morrer o Grémio, o qual pouco a pouco se vae transformando em bazar de curiosidades. Porque é o jury tão benevolo, e porque lisonjeiam os artistas os seus discípulos, mascarando-lhes com uns inilludiveis toques dos seus pincéis as obras incorrectas, que depois apresentam na exposição, o que desacredita a um mesmo tempo os mestres e os discípulos? 

Um caso doestes passaria desapercebido, mas são tantos e tiram por tal fórma a seriedade ás exposições do Grêmio , que os artistas zelosos da sua dignidade virão mais tarde a fugir-lhe.

Que os pintores se deixem de lisonjear vaidades, por interesse proprio, e para bem geral, e que os amadores conscienciosos sujeitem á imparcial decisão do jury os trabalhos unicamente devidos ao proprio esforço.

Velloso Salgado

A tout seigneur tout honneur. Velloso Salgado é indiscutivelmente o primeiro expositor de pintura; as suas primorosas aptidões artísticas, o seu talento vigoroso, a sua caprichosa phantasia manifestam-se largamente na sua exposição d’este anno. 

Retrato de Anselmo Braamcamp Freire (estudo), Veloso Salgado.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

É irregular, mas domina por uma obra superior e toda ella tem o cunho de mérito que subjuga. — O retrato do sr. Braamcamp Freire — é a joia da exposição; trabalhada pelo buril parisiense refulge de modernismo, e brilha n’ella todo o talento de Salgado; tem o vigor de um pincel de mestre, a sobriedade e nobreza de toda a verdadeira obra de arte. — O retrato do sr. Correia de Barros — é um bom trabalho, a cabeça tem grande vigor de expressão.

Dos outros quadros de Salgado, os estudos de plein air — Cabeça de estudo — e — Varina — tem qualidades de muito apreço, grande expressão, frescura e bastante original.

Marques de Oliveira

Marques de Oliveira encanta com as suas róseas paisagens, tão originaes, envolvidas n’uma bruma de sonho, cheias de um vago e indefinido sentimento; manchasinhas revelando todas um artista com talento e alma, pintor de raras qualidades, nao satisfeito nunca, que devaneia mais do que pinta, na aspiração de um ideal transcendente, inattingivel. "Tudo pela arte". Formoso lemma que Marques de Oliveira segue inquebrantável.

A figura de mulher no quadro — Ao fim da tarde — é surprehendente de naturalidade, de graça campesina e de expressão; se o animal que está ao pé não prejudicasse o quadro, este seria uma obra prima. Aquella figura rústica e poética na sua attitude inconscientemente scismadora, no fundo também vago e melancólico, seria a mais bella expressão do sentir do pintor. 

Das suas formosas paisagens acho adoravel — A Cascalheira.

José Malhoa

Malhôa, impávido, risonho sempre, atrevido, trilha sem medo carreiras novas. Onde vão dar? Que importa! A vida é o movimento, a variedade, para que estar sempre no mesmo ponto a martellar a mesma idéa? Temperamento de folhetinista, todo o assumpto lhe serve; apossa-se delle e depois apresenta-o de um modo que nos seduz.

Este anno a novidade é o nu, pintura difficil, que não se presta a jicelles e que Malhôa ataca corajosa e felizmente. A figura — No descanso — tem uma carnação deliciosa e bem modelada; os accessorios e o fundo tratados sobriamente dão valor ao quadro.

Descanso (posteriormente O atelier do artista), José Malhoa, 1893 ou 1894.
Imagem: Wikipédia

A figura — Antes da sessão — apresenta um bello dorso, tem frescura e delicadeza, mas não gosto da maneira por que pousa.

Antes da sessão, José Malhoa, 1893 ou 1894.
Imagem: Antes da sessão, um Descanso (1894)...

O quadro — Cócegas — é uma scena rústica, viva e bem tratada, sobretudo nos primeiros planos.

Arte Pintura José Malhoa Cócegas 1894 01.jpg
Imagem: O Occidente N.º 565, 1 de setembro de 1894
Cócegas, José Malhoa, versão de 1904.
Imagem: Wikimédia

Nos — Ouriços — é graciosa a figura da creança e estão bem encontrados os valores. Mas, a meu ver, o melhor de todos os trabalhos que apresenta este anno é — O retrato da sr. D. Luiz Almedina —, muito bem modelado e feito com a simplicidade de um mestre. O fundo, procurado com arte, é de uns tons nacarados que realçam a formosura do original.

Os ouriços, José Malhoa, 1894.
[v. Illustração Portugueza", 28/4/1913, p. 522]
Imagem: Os cachopos da fonte do Cordeiro

Malhôa não excedeu o que d’elle se esperava, mas sustenta o seu credito de trabalhador energico e activo; não affrouxa, nem desmerece nenhuma das bellas qualidades que sempre o têem distinguido.

João Vaz

Vaz continua a apresentar-nos as suas deliciosas marinhas, tranquillas, risonhas, aspectos fluviaes queridos do artista, pedaços de afeial, em que as aguas se espreguiçam, barcos que se balouçam bran- damente, tudo tratado com a serenidade e segurança do artista feito, que tem uma maneira sua, e pinta como sente.— As gaivotas — e os — Barcos da minha terra — são duas formosas télas.

Outras mais pequenas como — As bateiras — o — Pôr do sol — são impressões, marcadas de um sentimento de vaga poesia. Tem todas um cunho especial, uma originalidade vaga e attrahente.

António Ramalho

Ramalho expõe um quadrinho que é um poema de luz, — O tio Jeronymo. — Como ali cantam as cores num vivo e suave accorde! E uma das mais bellas e alegres notas da exposição. Mas porque será que este pintor de tão real e superior mérito expõe tão pouco? 

Tio Jerónimo, António Ramalho, 1893.
Imagem: Alexandra Markl, António Ramalho...

Apresenta-nos o retrato da actriz Virgínia, trabalho primoroso de factura, em que ha bellas rendas e velludos opulentos, um delicioso acabamento de mãos e um bom claro escuro, mas que no conjuncto é inferior a outros executados pelo mesmo artista.

Retrato da actriz Virgínia, António Ramalho , 1893.
Imagem: Alexandra Markl, António Ramalho...

Expõe também um — Retrato de creança — do qual podemos proximamente dizer o mesmo que do retrato da actiz Virgínia, uma télasinha luminosa a — Capella do Corpo Santo — e uma cabeça a pastel, retrato de um seu collega, desenho de um avelludado precioso.

É a producção de um artista que descansa e que em meio do seu dolce far niente dá umas pinceladas por desfastio. Mas por Deus, nobreza obriga. Quem possue o enorme talento de Ramalho não póde descansar assim. Encobrirá este repouso apparente o trabalho de gestação de alguma obra soberba, desti- nada a emocionar-nos no futuro? Se assim for, abençoados ocios.

Luciano Freire

Freire não descansa; é um modesto, activo e consciencioso trabalhador. Na anterior exposição os seus trabalhos tão sinceros, de uma nobre seriedade, captivaram-me; augurei-lhe um bom futuro, e elle apresenta-se este anno de uma maneira brilhante, que confirma as predições que toda a critica leal fez a seu respeito.

O seu quadro principal os — Catraeiros — é uma prova do que pódem o estudo e o trabalho quando auxiliam valiosas faculdades. Não é irreprehensivel, como o não póde ser, o trabalho do artista que ainda procura e hesita; mas que bella e vigorosa execução a de aquellas figuras vivas, que acerto na composição, que scena tão animada na sua rude singeleza, não apresenta aquelle quadro de Freire.

Arte Pintura Luciano Freire Os catraeiros 1893 1894 01.jpg
Imagem: O Occidente N.º 556, 1 de junho de 1894

Possue esse não sei quê com que nos prendem todas as obras que o talento assignala. 

A — Scena rustica — é uma téla pequena, mas de não inferior merecimento, exigindo menos esforço de com- posição o seu todo é mais harmonico; sóbria, naturalíssima, as figuras dos animaes cuidadosamente estudadas.

A cabeça de velha — Em ovação — é em extremo expressiva e de uma bella modelação, — Fins de dezembro — uma fria paisagem, de que as brumas nos põem arrepios no corpo, mas onde se encontra, como em todos os trabalhos de Freire, uma naturalidade realçada pelo fulgor de um ideal largo e puro, dourando com os seus reflexos uma obra que começa scintillante de promessas feitas sem ruido, mas animadas pelo calor de uma fé ardente.

Ernesto Condeixa

Condeixa é um mestre no desenho, poucos artistas alcançam a correcção do seu lapis. É pena ter um colorido molle e uma pincelada táo uniforme que d’ella resulta no seu trabalho semelhança entre um tecido e uma pedra.

Nota-se nos seus quadros uma grande precisão nos valores, justamente encontrados, o que dá enorme relevo ás figuras pela differenciação dos planos. Estas qualidades podem apreciar-se na — Volta da fonte — onde a figura de mulher chama a attenção pela correcção e vigor com que está desenhada.

Á volta da fonte, Ernesto Condeixa, 1894.
Imagem: MNAC

Também desenhado com grande superioridade está o — Retrato do sr. P. L. — e tem mais vigorosos traços de pincel. A pequena paisagem, — Ponte velha de Carenque — e a — Natureza morta — têem muito boa execução, principalmente a ultima.

Gosto muito da sanguínea — Italiana — que está admiravelmente desenhada. Condeixa distingue-se na exposição d’este anno entre os seus melhores camaradas.

João Galhardo

João Galhardo é um dos novos que se apresenta fadado para a conquista de louros no futuro, se tiver perseverança, coragem e o bom senso necessário para se não cegar com os primeiros deslumbramentos de triumpho, adquirindo pelo estudo aturado e pelo trabalho consciencioso as qualidades que o hão de tornar um distincto pintor. 

Tem talento, audacia, originalidade, e uma irrequieta e exaltada phantasia que póde servir-lhe se souber dominal-a, mas que também póde perdel-o. Parece-me destinado a engrossar a fileira dos dissidentes. E um dos artistas novos a quem conviria sair d'este meio acanhado e ir temperar a sua nervosa força em mais larga arena. 

As suas paisagens, todas escolhidas com intuição artistica, têem um cunho de originalidade que as torna muito interessantes, e algumas durezas que a boa execu- ção geral resgata. Distinguem se entre ellas o — Rio de Freixial — e o — Caminho de Azoia — . Um gentil quadrinho, — Atravessando as leiras — . A figura da rapariga graciosamente desenhada, avança sob uma atmosphera transparente, banhada de luz, e o campo estende-se a perder de vista. 

Está executado com firmeza e vale. Galhardo apresenta-se pois este anno bem galhardamente e dá-nos o direito de esperarmos bastante d’elle.

Arthur Mello

Arthur Mello, talentoso, com um atrevimento e petulância proprios de seu caracter, de que resumam acres verduras, saltita por uma gamma de cores, desde o vermelho alaranjado até ao violeta, e mergulharia o seu pincel nos raios obscuros do espectro, se fosse dado aos mortaes devassar esses segredos da luz. São audaciosos os seus trabalhos, e a sua exposição este anno impressionou-me. Um bocadinho mais de modéstia e o jovem pintor conquistará esse favor do publico que procura attrahir ruidosamente.

O seu estudo, — Ao sol — , agrada e é bem desenhado, mas o artista procura tirar com a harmonia das cores comple- mentares effeitos, que não estão na natureza, a qual se recusa a violências. Pre- cisamente o mesmo posso dizer da — Cabeça de rapaz — , que todavia tem bellos effeitos de luz e sombra.

Recordação, Vieira de Mello.
Imagem: Arte Portugueza N.º 3, março de 1895

O melhor dos seus trabalhos é a — Recordação — menos convencional, mais sincera, e de grande riqueza de tons. Agradam-me menos as outras suas télas; direi mesmo que acho banal a — Engeitada — . Em resumo: Mello é um artista que promette bastante para quando amadurecer mais um pouco.

Ezequiel Pereira

Ezequiel, discípulo de Silva Porto, tenta seguir as pisadas do mestre. As suas paisagens, tao larga e brilhantemente tratadas, têem um grande encanto no colorido. — As lavadeiras no Mondego — apesar do pouco acabamento das figuras, apenas indicadas, é uma bella paisagem, de luz clara e suave; respira-se e vive-se naquelle pedaço de téla em que o azul canta alegrias e a mocidade esplende. 

Lavadeiras no Mondego [Lavando roupa no rio], Ezequiel Pereira, 1894.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

É uma linda mancha o — Mondego — , encantador o — Choupal — . Ezequiel tem qualidades para ser um delicado paisagista, possue um bello talento, sentimento, e tem muito poucos annos, o que é ainda uma garantia de futuro.

António Francisco Baeta

Baeta aqueceu um pouco mais a sua habitual frieza de tons. Dá-nos em o — Crepúsculo — uma impressão vivida e sentida, e as — Flores — pintadas com largueza e graça, são bellas.

Apresenta um bom numero de télasinhas bem desenhadas, e que, não obstante parecerem na maior parte pintadas com indifferença, demonstram que o artista podia, se quizesse, apresentar trabalhos de maior folego e de mais completo acabamento.

Torcato Pinheiro

Torcato Pinheiro tem feito notáveis progressos; são muito interessantes os trabalhos que mandou do Porto, dos quaes me agrada muito o — Caminho no Regado — . É um artista sympathico e em extremo modesto.

Josefa Greno

D. Josefa Greno anima a exposição com o fresco colorido das suas bellas flores. As — Papoulas — são uma gentileza. Em alguns outros quadros os fructos têem bastante perfeição e muita verdade. As composições são sempre graciosas, o desenho, em geral, bom e em todos os seus trabalhos se encontra alguma cousa mais que o correcto. — Preparos para o festim — é uma bonita composição, animada na sua insensibilidade, que é pena ter algumas imperfeições no desenho, e estarem pouco tratados os primeiros planos.

Esta senhora, uma verdadeira artista, cultiva amorosamente o genero a que se dedicou, e as suas télas oíferecem sem- pre uma variedade e encanto seductores.

Thomás de Mello, Manuel Henrique Pinto, Teixeira Bastos

Alem dos trabalhos dos artistas a quem dediquei um pequeno estudo, varias télas me deixaram uma impressão agradavel como as marinhas de Thomás de Mello, os — Preparativos para a caça — de Henrique Pinto, o estudo de cabeças no quadro — A missa — de Teixeira Bastos, e aqui e alem, um accessorio, umas pinceladas justas, a modelação de alguma cabeça, que a brevidade com que ex- ponho as minhas impressões me não per- mitte descrever minuciosamente.

Preparativos para a caça [Armando aos pássaros], Manuel Henrique Pinto, 1893.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Como já disse, o aspecto geral da exposição é inferior ao das antecedentes; sente-se muito a falta de Silva Porto, e, alem d’isso, os nossos principaes artistas pouco fizeram que mereça grandes applausos. O que ha de mais importante a notar são os esforços dos novos, animadoras promessas de que a idéa de um renovamento de gosto pela arte não perde terreno, antes se affirma, sem ruido, mas com persistência.

Alfredo Roque Gameiro

Na aguarella occupam, como sempre, o mais distincto logar as producçoes de Gameiro [v. Roque Gameiro.org]. 

O — Retrato de mademoiselle Maria Gomes — Um frade — , as paisagens, e muito especialmente o — Estudo — , são verdadeiros trabalhos de um artista que conhece o métier. E não é dado a todos este dom especial de réussir num ramo de pintura que tem recursos limitados, compromissos que se impõem, onde os effeitos se hão de conseguir rapidamente, e o pincel alcançar levezas de arminho. Houve quem lhe chamasse brinquedo de arte; todavia é um brinquedo difficil.

Quem assim a trata ainda não viu as esplendidas aguarellas de Fortuny, nem as de alguns artistas eminentes. Ignora os applausos que nas exposições da rua de Sèze têem recebido os bellos trabalhos d’Harpignies, de Zuber, de Madeleine Lemaire, de Clairin, de Maurice Leloir e outros pintores que em Paris d’ella se occupam. Não comprehenderia o valor das soberbas figuras aguarelladas por Detaille, e se lhe dissessem que varias das aguarellas do grande Meissonier al cançaram na exposição o subido preço de 58:ooo francos, superior ao de alguns dos seus melhores quadros a oleo, pensaria que era gracejo.

O nosso critico, que assim considera a aguarella, ha de apesar d’isso convir em que Gameiro é um artista de mérito superior a muitos dos que expõem nas outras salas.

Nicola Bigaglia

Na exposição d'este anno apresenta o architecto Bigaglia uma grande aguarella representando o — Claustro dos Jeronymos — ; é um estudo de architectura, despido de sentimento, mas está tratado com uma soberba maestria, tem um admiraravel estudo de planos e o ar circula livremente pelas arcadas de que a vista alcança a profundidade enorme.

Celso Herminio

A pastel apresentam bons trabalhos alguns dos nossos mais conhecidos artistas; mas em desenhos, depois da bella sanguinea de Condeixa, o que me chamou a attenção foram as interessantes caricaturas de Celso Herminio, um talento novo, já confirmado, e que conquista largo terreno na arte de Gavarni.

Simões de Almeida

Simões de Almeida honra este anno a exposição com uma das suas mais bellas obras — Superstição — , estatua de uma esplendida belleza, em cuja contemplação o olhar cansado de percorrer as salas vae repousar contente. Simões de Almeida é um artista de primeira ordem, o nosso primeiro estatuário, um mestre a quem todos respeitam, e a apreciação do seu mérito não cabe aqui em linhas traçadas á pressa: A — Superstição — é uma maravilha em que a graça, a correcção das linhas, o primor da modelação, a harmonia das fôrmas encantam, deixando apenas um sentimento — a admiração.

Superstição, Simões de Almeida (tio), 1893.
Imagem: Os escultores Simões de Almeida

A estatua de Simões de Almeida só por si faria o attractivo da exposição ; para vel-a os amadores correriam ás salas de S. Francisco, ainda quando n’ellas nada mais se encontrasse. Aos pés depozeram-lhe flores, homenagem á belleza, ao talento, á arte. Mas ainda mais grandiosa e sincera homenagem existe no coração dos admiradores do grande artista, que sentem, ao contemplar aquella obra prima, acceso o calor do enthusiasmo. Bravos a Simões de Almeida.

Teixeira Lopes

Em esculptura mais nenhum trabalho de grandes proporções se apresenta, mas encontra-se lá arte, verdadeira arte, como n’aquella deliciosa cabecinha em bronze de Teixeira Lopes, esse talentoso esculptor, da patria de Soares dos Reis, moço ainda e já tão illustre. É um artista de valente pulso, de uma intelligencia vasta e profunda. Ha nas suas obras um grande arrojo de concepção, que não exclue o sentimento mais delicado.

Caridade, Teixeira Lopes, 1894.

Apresenta também na exposição alguns esbocetos em gesso de grande merecimento, principalmente a — Caridade — que é uma composição admiravel.

oooOooo

Quando as primeiras exposições de arte, não officiaes, appareceram, ouviu-se de todos os lados tão vivo e espontâneo clamor, que o publico, accordando de repente, perguntou o que era. — É a arte, senhores, que renasce entre nós, abram-lhe os braços, festejem-na, lancem aos artistas flores e oiro, elles merecem tudo. 

Imagem: Arte Portugueza N.º 2, fevereiro de 1895

O publico um pouco desconfiado, sim, mas professando o credo da letra redonda, começou a applaudir a arte e os artistas, lançando-lhes porém flores e oiro com uma certa conta e medida, para os não estragar. Isto assim alguns annos. Durante elles os artistas foram trabalhando e conseguiram bastante. 

Silva Porto, trabalhou incessantemente, fez pintura portugueza, original, sincera e sentida. Columbano confirmou-se um original e grande pintor. Malhôa tem trabalhado sempre infatigavelmente, arrostando com todas as difficuldades, arrojando-se a commettimentos largos e manifestando uma preciosa plasticidade de talento. Soares dos Reis, o grande estatuário, deixa trabalhos geniaes e mata-se porque encontra o mundo pequeno para o seu ideal. Simões de Almeida está formando com a sua obra um pedestal glorioso sobre o qual o ha de venerar o futuro. Uma pleiade de artistas tem surgido, e de entre esses, como Ramalho, Salgado, Teixeira Lopes, Soua Pinto, preciosos talentos, pois pergunta um critico, comparando a litteratura portugueza com as artes plasticas em Portugal nos últimos dez annos, o que têem ellas dado?

Agora passou a ser moda tratar mal os artistas na imprensa, e esta moda para se parecer com todas veiu importada de Paris na bagagem de um jornalista que encetou uma critica, embora illustrada e com pontos de vista elevados, exageradissima pelas comparações e pelas pretensòes de querer medir pela grande bitola do Salon de Paris o nosso petit salon da rua de S. Francisco. 

Criticando acerbamente todos os nossos artistas não deixava de pé dois ou tres, visando, talvez, principalmente, ferir o Grémio Artístico , mas sendo em geral de uma grande benevolencia para com os amadores pretenciosos que o estragam.

Todavia esta critica irritante e injusta muitas vezes, não tem ainda os ridiculos de algumas outras, feitas por sujeitos que pouco enxergam de arte e vão dando bordoada de cego, macaqueando as severidades vindas de Paris, mas sem conseguirem alcançar ao menos o ar pedante e fino d'ellas.

Os artistas sáem de taes mãos feitos frangalhos: um atira-se ao Malhôa porque trabalha em tudo, outro ao Vaz porque só pinta marinhas, não sei quem, apresenta Marques de Oliveira, um paisagista primoroso, quasi como se fosse um mirabolante decorador de casas de jantar. É escusado citar mais.

Ora estes senhores críticos para quem os pintores, hontem cheios de merecimentos, hoje são simples borradores de télas, não pensam que o publico, na sua maioria pouco instruído, não podendo sobre tal assumpto ter opinião própria, se fia nas que elles lhe impõem, e fazendo a loucura de lhes dar credito, se julga burlado na protecção que de algum modo der aos artistas e á arte? 

Não conhecem estes senhores que em vez de cumprirem com a sua obrigação de educar e bem dirigir o publico o desnorteiam?

A exposição d’este anno não está rica de obras de mérito, mas representa bastante esforço e trabalho, revela tentativas felizes, aspirações justas e promessas de futuro; já é alguma cousa.

Imagem: Arte Portugueza N.º 2, fevereiro de 1895

Dedicar a sua vida a um trabalho que absorve todos os dias e todas as horas, e entre nós apenas permitte viver na mais obscura modéstia, viver orgulhosa e exclusivamente d'elle e para elle, ter de soffrer as injurias da critica, os desdens da ignorância, não desanimar nunca, seguir inalterável no ideal que se venera, faz dos artistas sacerdotes ante os quaes sempre me curvarei com respeito.

Maio de 1894. (2)


(1) Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
(2) Idem

Mais informação:
O Occidente N.º 556, 1 de junho de 1894
O Occidente N.º 564, 21 de agosto de 1894
O Occidente N.º 565, 1 de setembro de 1894
Arte Portugueza N.º 2, fevereiro de 1895
Arte Portugueza N.º 3, março de 1895
Arte Portugueza N.º 4, abril de 1895

Informação complementar:
António de Lemos, Notas d'arte, Porto, Typographia Universal, 1906
Ramalho Ortigão, S. M. el-rei D. Carlos I e a sua obra artística e scientífica, Lisboa, António Palhares, 1908

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Grémio Artístico (non in solo pane vivit homo)

Com este título [Grémio Artístico (9 exposições anuais, de 1891 a 1899)] vae fundar-se em Lisboa uma sociedade para promover o desenvolvimento da arte nacional, por meio da aggremiação de todos os artistas portuguezes e pessoas que se interessam pelas bellas artes; fazendo exposições annuaes e estabelecendo na sua sede, uma exposição permanente; abrindo aulas de desenho, aguarella, pintura e esculptura; realisando conferencias publicas sobre assumptos d’arte e litteratura; publicando mensalmente uma revista artistica e litteraria; estabelecendo um gabinete de leitura. 

Descanso (posteriormente O atelier do artista), Malhoa, 1893 ou 1894.
Imagem: Wikipédia

A comissão organisadora d’esta sociedade é composta dos srs. Antonio Carvalho da Silva Porto, Ernesto Condeixa, João Vaz, Abel Accacio Botelho, Monteiro Ramalho e Emygdio Brito Monteiro.

Où es-tu Lili?, José de Brito, 1890.
Imagem: O Occidente N.º 524, 11 de julho de 1893

Sabemos que tem adherido a esta idéa muitos artistas e amadores de bellas-artes, tendo-se realisado já a primeira reunião para a leitura dos estatutos. A fundação d'esta sociedade será de grande beneficio para a arte portugueza que tão abandonada tem andado. (1)

Retrato de Abel Acácio Botelho, António Ramalho, 1889.
Imagem: MNAC

Annos depois de organisado o grupo do Leão, bolorencias inherentes à natureza pantanosa d'este género de sociedades, levaram alguns artistas a se separarem d'elle, e a incorporarem-se-lhe outros, e a nova confraria a alargar-se num programma mais íngreme de letras e artes, com saraus, banquetes, exposições e regalos, que, pela vida periclitante da nova milí­cia, intitulada Grémio Artístico, não chegaram a cabal execução, à parte as exposições, decaídas, que o profissional hoje evita, e que a invasão do furioso amador quasi tornou fastidiosas. (2)

Colheita ou Ceifeiras, Silva Porto, 1893.
Imagem: Wikipédia

A rotina dos salões do Grémio implicava porém a presença dos melhores "naturalistas" da primeira e da segunda geração. Catálogo após catálogo os nomes desfilam, perdidos embora num nevoeiro de amadores e discípulos, que contribuíam para o elevado número de peças de pintura espostas (de 160 a 220; mas só 81 no último salão).

NON IN SOLO PANE VIVIT HOMO
(nem só de pão vive o homem)

Nas salas da exposição Silva Porto, até morrer, Malhoa e Vaz, sem faltarem um só ano, Columbano desde 96, Ramalho, Marques de Oliveira, Condeixa, Brito, Josefa Greno, uma ou duas vezes ausentes, e outros mais novos e igualmente assíduos, como Luciano Freire, Salgado, Carlos Reis, Gameiro, Colaço, Teixeira Lopes uma ou outra vez (numa secção de escultura habitualmente pobre), o rei D. Carlos, concorrendo sempre, dão ao "Salon" português uma significação panorâmica que tem de ser considerada no estudo dos anos 90. (3)


(1) O Occidente n.° 407, 11 de abril de 1890
(2) Fialho de Almeida cf. Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I),
Illustrações de Casanova & Ramalho, Pref. de Fialho de Almeida, Lisboa, Livraria Ferin, 1896
(3) José Augusto França, A arte em Portugal no século XIX (vol. II), Lisboa, Livraria Bertrand, 1990

1.ª exposição, 1891:
O Occidente N.º 441, 21 de março de 1891
O Occidente N.º 442, 1 de abril de 1891
O Occidente N.º 443, 11 de abril de 1891
O Occidente N.º 445, 1 de maio de 1891

2.ª exposição, 1892:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
O Occidente N.º 480, 21 de abril de 1892
O Occidente N.º 481, 1 de maio de 1892
O Occidente N.º 482, 11 de maio de 1892
O Occidente N.º 483, 21 de maio de 1892

3.ª exposição, 1893:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
O Occidente N.º 515, 11 de abril de 1893
O Occidente N.º 516, 21 de abril de 1893
O Occidente N.º 517, 1 de maio de 1893
O Occidente N.º 519, 21 de maio de 1893
O Occidente N.º 520, 1 de junho de 1893
O Occidente N.º 524, 11 de julho de 1893
O Occidente N.º 526, 1 de agosto de 1893
O Occidente N.º 527, 11 de agosto de 1893
O Occidente N.º 530, 11 de setembro de 1893

Silva Porto falecido a 1 de junho de 1893:
O Occidente N.º 521, 11 de junho de 1893
Serões, revista mensal ilustrada, dezembro de 1905

A exposição Columbano:
O Occidente N.º 557, 11 de junho de 1894

4.ª exposição, 1894:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
O Occidente N.º 556, 1 de junho de 1894
O Occidente N.º 564, 21 de agosto de 1894
O Occidente N.º 565, 1 de setembro de 1894
Arte Portugueza N.º 2, fevereiro de 1895
Arte Portugueza N.º 3, março de 1895
Arte Portugueza N.º 4, abril de 1895

5.ª exposição, 1895:
Arte Portugueza N.º 4, abril de 1895
Arte Portugueza N.º 4, abril de 1895

6.ª exposição, 1896:
Catalogo illustrado da 6ª exposição de arte promovida pelo Grémio Artístico em 1896
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (II), 1898
O Occidente N.º 625, 5 de maio de 1896
Branco e Negro, abril de 1896

7.ª exposição, 1897:
Catalogo illustrado da 7ª exposição de arte promovida pelo Grémio Artístico em 1897
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (II), 1898
O Occidente N.º 665, 20 de junho de 1897
O Occidente N.º 666, 30 de junho de 1897
O Occidente N.º 668, 20 de julho de 1897
O Occidente N.º 671, 20 de agosto de 1897
Branco e Negro, 17 de maio de 1897

8.ª exposição, 1898:
A 8.ª Exposição do Grémio assumiu carácter extraordinário, por se incluir nas comemorações do Centenário da Índia; e marcante foi também a contribuição do rei...
cf.
Críticos e crítica de arte em torno da obra de D. Carlos de Bragança

9.ª exposição, 1899:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (III), 1903
O Occidente N.º 732, 30 de abril de 1899
Branco e Negro, 26 de março de 1899
Fialho de Almeida, À esquina (diário de um vagabundo), Coimbra, F. França Amado, 1903

Informação relacionada:
Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra

Temas relacionados: Pintura, Grupo do Leão

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