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quarta-feira, 15 de junho de 2016

O forçamento da barra do Tejo

O forçamento da barra do Tejo pela esquadra comandada por Roussin (1781 - 1854), ocorrido em 11 de julho de 1831, em pleno período de lutas entre liberais e miguelistas, veio revelar que o Tejo estava longe de ser invulnerável, mesmo se bem defendido, e que a defesa marítima era muito precária.

Expedição do Tejo, desenho Pierre-Julien Gilbert, gravura Chavane, 1837.

Embora o ataque fosse esperado e os miguelistas tivessem promovido apressadamente o reforço das guarnições, que principiou alguns dias antes da entrada da esquadra, a oposição das fortalezas foi fraca e ineficaz.

La flotte française force l'entrée du Tage, Horace Vernet, c. 1840.
Imagem: Joconde

Na margem norte ainda se fez fogo sobre os franceses, mas na margem sul, a única reacção activa conhecida é a da Torre de S. Lourenço [Bugio]. (1)

A frota francesa commandada por Roussin força a entrada do Tejo, Pierre-Julien Gilbert, 1837.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

Junto da Torre de Belém, baluarte simbólico da entrada do Porto de Lisboa, o Almirante Roussin dá ordem de "alto fogo" para poupar a emblemática fortificação histórica, que arria a bandeira em sinal de rendição [...]

A frota francesa frente à Torre de Belém, Auguste Mayer.
Imagem Wikipédia

Às 17.00 horas, a rendição estava consumada. Dia 14 de Julho de 1831, uma convenção protocolar era assinada a bordo do "Suffren", por imposição dos franceses [...] (2)

Granier, Henri, Histoires des marins français... (detalhe).
Imagem: Amazon


(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Revista da Armada,  O forçamento do tejo em 1831 na iconografia marítima francesa, maio 2011

Leitura relacionada:
Lecomte, Jules, Expédition du Tage, La France maritime

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Foz do rio Tejo em 1800

Thomas Buttersworth (1768 – 1842)

Thomas Buttersworth nasceu na ilha de Wight, descendendo de uma família marítima, em 1795 alistou-se na Royal Navy e combateu nas Guerras Napoleonicas.

HMS Ville de Paris posto à capa ou ao través, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

Depois de servir com distinção no HMS Caroline foi dado como inválido em Minorca e deixa a Royal Navy em 1800.

H.M.S. Victory (?) na embocadura do Tejo, Thomas Buttersworth (1768 - 1842).
Imagem: Bonhams

A sua experiência de mar permite-lhe adaptar a sua carreira, tornando-se um célebre e importante pintor de marinhas do século XIX. (1)

Uma chalupa armada emergindo da foz do Tejo passado o Bugio, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

[...] o grande número de pinturas de Buttersworth, aquarelas e óleos, que existem desde o período 1797 - 1800 confirmam uma produção significativa, apesar de servir na marinha.

Uma fragata inglesa e uma chalupa armada calmamente no Tejo ao largo da Torre de Belém, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

Os seus multiplos pontos de vista da batalha do Cabo de São Vicente (14 de fevereiro de 1797), o bloqueio da esquadra britânica ao largo de Cadiz e a actividade naval britânica no Tejo sugerem que ele testemunhou pessoalmente esses eventos.

Foz do Tejo, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

Os seus anos com a frota marítima deram-lhe um entendimento gráfico do navios e da guerra no mar ao ponto de se tornar um artista profissional [...] (2)


(1) The dictionary of Nautical Literacy, McGraw Hill, 2003, mencionado em Jerome, Fine Arts
(2) Bonhams

Informação relacionada:
BBC YOUR PAINTINGS: Thomas Buttersworth 

sábado, 28 de maio de 2016

John Cleveley Junior e o Tejo, 1775

John Cleveley era filho do carpinteiro naval e pintor de Deptford John Cleveley (c. 1712 - 1777)  e irmão gémeo do aguarelista Robert Cleveley (1747 - 1809).

Vista do Tejo e do Forte de S. Lourenço, Bugio Castle, the Tagus, John Cleveley Jnr, 1775.
Imagem: Bonhams

John Cleveley Junior atraíu a tenção de Paul Sandby, mestre de desenho em Woolwich, que lhe deu aulas.

Expôs pela primeira vez Free Society em 1767 e depois na Royal Academy em 1770.

Pescadores no Tejo, Fishermen at work off the mouth of the Tagus, John Cleveley Jnr, 1775.
Imagem: Bonhams

Em 1772 foi o desenhador da expedição de Sir Joseph Banks's às ilhas Hébridas, Orkneys e Islândia e, em 1773, acompanhou a expedição de Phipps na procura da rota norte para a India, que pouco mais avançou que a de Spitzbergen.

Vista do Tejo e da Trafaria, The river Tagus at Trafaria, John Cleveley Jnr, 1775.
Imagem: Bonhams

A sua visita a Portugal parece datar-se entre agosto de 1775 e janeiro de 1776 e um volume de trinta e sete desenhos intitulado Views round the Coast and on the River Tagus (Sotheby's 17 Nov 1983, lot 51) apresenta essas datas.

Vista do Tejo tomada de Belém, Bellisle looking down the Tagus, John Cleveley Jnr, 1775.
Imagem: Bonhams

Esta viagem forneceu-lhe os temas para as suas exposições na Royal Academy em 1777 e 1778 [...] (1)

The Praҫa do Comércio Lisbon, John Cleveley Jnr, 1775.
Imagem: Bonhams


(1) Bonhams

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A pequena tocha do mar

[...] ou o verdadeiro guia dos pilotos costeiros. 

O rochedo, distância 2 léguas, John Thomas Serres (desenho), Joseph Constantine Stadler (gravura), 1801.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Do Cabo da Roca a Cascais vão duas léguas ESE, onde se podem encontrar diversas enseadas de areia e fortalezas, onde os navios se podem proteger quando perseguidos pelos turcos.

Cascais está numa grande enseada que se retira para norte. Aí está uma boa citadela no ponto oeste que ordena a estrada e o mar para oeste.

A ancoragem é a ENE da citadela, em doze ou catorze braças, sondadas em fundo de areia. Pode apanhar aqui um piloto, se preferir, para o conduzir a Lisboa.

De Cascais a S. Julião vão duas léguas ENE.

Existem cinco fortalezas entre Cascais e S. Julião, e a costa é desimpedida até um curto quarto de légua para oeste de S. Julião, onde estão rochas encobertas por água, com doze ou treze pés na maré baixa. 

Ficam entre os Cachopos e a terra, mas mais próximo dos Cachopos que de terra.

Lisboa, o mais espaçoso e mais seguro porto do reino de Portugal. Latitude 38.42 N. Longitude 9.5 W a partir de Londres.
John Thomas Serres (desenho), Joseph Constantine Stadler (gravura), 1801.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O castelo de S. Julião está construído num ponto rochoso que avança um pouco para dentro do mar, e é uma das fortalezas mais fortes em Portugal; 

O rochedo de Lisboa, distância 4 milhas, John Thomas Serres (desenho), Joseph Constantine Stadler (gravura), 1801.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

fica a cerca de um tiro de mosquete do ponto este dos Cachopos, e quando falha entrar entre eles é necessário contornar pelo castelo tão perto quanto neccessário for para falar com as pessoas que aí estão.

O rochedo, distância 2 milhas, John Thomas Serres (desenho), Joseph Constantine Stadler (gravura), 1801.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Vindo de oeste, ou do sul, não deve aproximar a terra demasiado perto, até ter o ponto de Cascais por Cabo da Roca, depois vire ESE, até ter os dois conventos já mecionados, juntos, e percorra estas marcas, que são NE e NEN, até ao castelo S. Julião, e depois percorra junto à margem norte até ao castelo de Belém.

Cidade e Castelo de Bellisle [Belém, ilhéu] no rio Tejo; o palácio do rei; Lisboa está atrás deste ponto.
John Thomas Serres (desenho), Joseph Constantine Stadler (gravura), 1801.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

É maré alta neste rio ás três e meia ou quatro, na lua nova e cheia. (1)


(1) Bougard, R., Serres (desenho), John Thomas, Stadler (gravura), Joseph Constantine, The little sea torch : or, true guide for coasting pilots... (Le Petit flambeau de la mer, ou Le Véritable guide des pilotes côtiers), London, pub. for the author, J. Debrett, 1801, [126 MB].