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domingo, 12 de junho de 2016

Panorâmica de Lisboa em 1763

Esta panorâmica, representando a capital lusitana oito anos após o terramoto de 1755, é dedicada a Carlos Alberto Guilherme de Colson, conselheiro da corte do Conde de Lippe [...]

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa,  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A cidade aqui representada estende-se desde a Torre do Bugio até ao Palácio do Patriarca [Palácio da Mitra] e evidencia as marcas de destruição deixadas pelo terramoto [...]

O seu autor, Bernardo de Caula, de origem francesa, ingressou no exército português, como primeiro-tenente da Companhia de Mineiros e Sapadores do Regimento de Artilharia de Lagos, em 7 de Novembro de 1763. Nesse ano terminara a campanha militar — que decorreu de 30 de Abril de 1762 a 10 de Fevereiro de 1763 — como consequência do Pacto de Família (celebrado entre os soberanos de França, Espanha e Nápoles, todos pertencentes à família Bourbon) que pretendia forçar Portugal a fechar os seus portos a navios ingleses.

Nesse conflito, o Exército português foi dirigido pelo Conde de Schaumbourg-Lippe, nomeado seu comandante-chefe com a patente de Marechal General, o qual permaneceria em Portugal até 20 de Setembro de 1764. (1) 

1 Torre de Bogio
2 Torre de sam Julian da Barra
3 Carcavellas
4 Forte S.to Amaro
105 Grande Caxope da Barra

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 1/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

  5 Forte S. João da Mayo
6 Villa e Condado de Oeyras
7 Paço d'Arcos
8 Forte de Caxias
9 Caxias e os Cartuchos

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 2/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 10 N.a S.a de Boa Viagem
11 Ponte de S.ta Catharina
12 Convento de S.ta Catharina
13 Forte arruinado de S. Jozé
14 Convento de Sam Jozé

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 3/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 15 Quinta de Dom Luiz de Portugal
16 Forte d'Argels
17 Gurita do Duque de Cadaval
18 Aldeia d'Argels
19 Quinta do Duque de Cadaval
20 Cazas do lettrado
21 Pedrooza
22 Cazas de Dona inés

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 4/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 23 Quinta velha do Conde S'Jago
— occupada pelo Conde R. de la Lippe
24 Caza da Saude
25 Torre de Belem
26 Ermida de S.o Jeronimo
27 Cazas do Marques de Tancos
28 Bom Socefso
29 Cazas do Conde Barão
30 Cazas do Marques de Marialva
31 Convento de Belem
32 Alculena
33 N.a S.ra do livramento
34 Paço Real de N.a S.ra da Ajuda
35 Calçada da Ajuda e Cazas do Conde D'oeyras

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 5/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 36 Cazas da Duqueza d'Abrantes
37 N.a S.ra da Boa Hora
38 Villa de Belem
39 quais de Belem e Paço Real
40 Quinta Real de Belem
41 Cazas de Descanfo da tapada
42 Cazas de Gaspar D de Saldanha
43 Cazas e Pateo D de Saldanha
44 Junqueira e q.ta da Condeça da Ega
45 Forte da Junqueira
46 Palacio do Cardeal Patriarcha
47 Sam Amaro
48 Quinta do Conde Daponte
49 N.a S.ra de Bona morte
50 Q.ta e Palacio das necefsidades

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 6/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 51 O Con.to do livramento
52 arrebaldo e Porta d'alcantara
53 Buenas Ayres
54 Pampouilla e S. F.a de Paula
55 Jannellas verdas
56 N.a S.ra da Lapaz
57 N.a S.ra dos Navegantes
58 As Tercenas B.ro do Mocambo
59 Fraiguezia de Santos
60 os Barbadinhos francezes
61 os apostolos Caza da aula
62 Bazilica Patriarchal
63 Bairro Alto e os Paulistas
64 Fraiguezia de Sta Catharina
65 Bairro da Bica Grande e as xagas
66 Cazas da India
67 quais de Boa vista
68 Fraiguezia de Sam Roque
69 N.a S.ra de Loretta dos italianos
70 Fraiguezia de N.a S.ra da anunciada
71 Palacio de Bragança
72 Fraiguezia do Corpus Satus
73 Convento da Trinidade

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 7/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

 74 Convento S Francisco da Cidade
75 Convento dos Carmos
76 Ruinas e Convento do Spiritu Santo e do paço Real
77 Arcenal Novo
78 Rocio e Collegio S. Antão
79 Convento de N.a S.ra da Graça
80 Castel Sam George
81 Cazas do Marques de Tancos
82 Fraiguezia de Sta Moniqua
83 See velha e S antonio
84 Terreiro do Paço
85 Cazas da ribeira e Ruinas da misericodia
86 Ribeira do peixe
87 Convento de S. vicente De fora
88 Cazas do Marques de lavradio e Sta Ingracia
89 Alfandega
90 Aercenal da fondiçam
91 Campo Santa Clara
92 Quais dos Soldados
93 Convento dos barbadinhos italianos

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 8/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

94 Convento da S.ta appolonia
95 Convento de Santos novo
96 Porta do arrebaldo da madre de Deos
97 N.a S.ra da madre de Deos
98 Cazas do Conde de unhão
99 S Francisco de Xabregas
100 Convento dos Grelos
101 Convento do Beat antonio
102 Palacio do Patriarcha
103 Campo dos olivaes
104 Rio Tejo

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe 9/9),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal


(1) Biblioteca Nacional de Portugal

sábado, 21 de maio de 2016

Iconografia de Lisboa (8.ª parte)

Na segunda metade do século XVIII quatro factos em Lisboa atraíram a atenção de artistas, para assunto das suas estampas. Foram eles:

Aqueduto das águas livres, vista a montante dos arcos, século XIX.
Imagem: Turismo Matemático

a) — "O Aqueduto das Águas Livres". Esta obra deu origem a uma gravura em cobre, de autor desconhecido, que representa a "Exzata Copia da formatura dos Arcos da Agua Livre", e a outras.

Aqueduto das águas livres, ponte e ribeira de Alcântara, século XIX.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

b) — "A Catástrofe do Terremoto do Primeiro de Novembro de 1755" impressionou consideravelmente a imaginação de muitos artistas estrangeiros, que gravaram grande número de estampas, alegóricas umas, e outras representando a cidade durante o cataclismo, as quais foram decalcadas sobre vistas panorâmicas já conhecidas, em que os diferentes artistas representaram os edifícios a desconjuntarem-se e a desmoronarem-se, com o fogo a irromper por todos os lados.

Lisboa antes do terramoto de 1755 - exibido no Museu Nacional de Arte Antiga from Lisbon Pre 1755 Earthquake on Vimeo.

Todas essas vistas dão bem a medida da fecunda imaginação e fantasia dos seus autores!

Lisboa 1755, fantasia de antes e durante o terremoto, Mateus Sautter.
Imagem: Histórias com História

Apenas dois desenhadores franceses, Paris e Pedegache, vieram a esta cidade copiar "algumas ruinas de Lisboa causadas pelo terremoto e pelo fogo do primeiro de Novembro do anno 1755", que foram gravadas em Paris por Jac. Ph. Le Bas em 1757.

Ruínas da Torre de S Roque ou Torre do Patriarca, Sé de Lisboa e Igreja de S. Paulo, Jacques-Philippe Le Bas, 1755.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

É uma colecção de 6 gravuras. Com o respectivo frontispício, que mostram bastante fantasiosamente o estado a que ficaram reduzidos seis edifícios da cidade por efeito daquele cataclismo.

Ruínas da Praça da Patriarcal, Igreja de S. Nicolau e Ópera do Tejo, Jacques-Philippe Le Bas, 1755.
Imagem: Cabral Moncada Leilões


Além desta colecção de Le Bas, um musico de Augsburgo, Johan Michael Roth, coligiu as matrizes de cobre, e editou uma obra: "Augsburgische Sammlung derer wegen des höchstbetrübten Untergangs der Stadt Lissabon", etc. que contém, além de varios mapas e vistas das cidades de Portugal, Espanha e outras, algumas gravuras que haviam sido publicadas sobre o terremoto de 1755, sucedido em Lisboa e noutras terras.

Lisboa, Terremoto de 1755, ex voto dedicado a Nossa Senhora da Estrela.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

A medalhística também foi enriquecida com algumas medalhas cunhadas com vistas em baixo relevo da cidade a desmoronar e a incendiar-se durante o terremoto.

Apenas um artista português é que, sobre o terremoto de Lisboa, produziu uma vista iconográfica: consiste ela num quadro a óleo, devido ao pincel de João Armando Glama Ströberle, e representa uma cena de desolação junto às ruinas da desaparecida Igreja de Santa Catarina. Está no Museu de Arte Antiga.

Alegoria ao Terremoto de 1755, João Glama Strobërle (1708–1792).
Imagem: Wikipédia

Quanto ao terremoto de 1755, e à descrição dos lugares e estragos por ele provocados, mencionaremos a Panorâmica de Lisboa em 1763 de Bernardo de Caula, conforme abordagem que fizemos em janeiro de 2015.

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

c) — "O atentado contra D. José e a Execução dos indigitados criminosos" foi objecto de várias gravuras em cobre, nacionais e estrangeiras.

"Desta forma morreram justiçados...", retrato simbólico do acto da execução dos Távoras.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

d) — O "Monumento de D. José e a Praça do Comércio", onde ele foi erigido, também desde antes da sua inauguração serviram de assunto para gravadores.

Alçado lateral do projecto da estátua equestre de D. José I.
Eugénio dos Santos e Carvalho.
Imagem: ComJeitoeArte

A primeira gravura do monumento foi aberta em cobre para uma estampa não assinada, que serviu de modelo para o desenho estampado nos aparelhos de louça que o Marquês de Pombal mandou fazer na China para servirem no banquete que se efectuou por ocasião da inauguração do monumento.

Pouco depois foram gravadas duas estampas da Praça com o Monumento, devidas ao buril de Gaspar Fróis Machado, que foram reproduzidas por artistas anónimos no mesmo século.

Praça do Comércio, projecto Eugénio dos Santos, gravura de Fróis Machado (?), século XVIII, reprodução anacrónica.
Imagem: Bic Laranja

A Joaquim Carneiro da Silva se deve uma gravura da "Estátua Equestre de D. José", depois reproduzida, em menor escala, por Gaspar Fróis Machado, que também gravou uma "Vista da Torre de Belém, P.° Lx.a" em 1783.

Em 1767 foi pintado pelos pintores franceses L. Michel Vanloo e C. Joseph Vernet um quadro a óleo, comemorativo dos principais actos da administração do Marquês de Pombal, com o retrato do mesmo.

Marquês de Pombal, Louis-Michel van Loo e Claude-Joseph Vernet, 1767.
Imagem: Oeiras com História

Esta excelente pintura esteve no palácio dos Marqueses de Pombal em Oeiras, e acha-se hoje numa sala da Câmara Municipal da mesma vila.

Foi objecto de uma gravura de J. Beauvarlet, sobre desenho de A. J. Padrão e J. S. Carpinetti., em 1767, mais tarde reproduzida em vários formatos e por quase todos os processos conhecidos.

Nesta segunda metade do século ainda a maioria dos artistas que tomaram a cidade de Lisboa ou os seus edifícios para assunto dos seus trabalhos eram estrangeiros, e pouco mais de meia dúzia de nomes de nacionais se podem mencionar.

No último quartel do século XVIII, ainda como consequência do impulso dado pelo Marquês de Pombal a todos os ramos de ensino, originou-se em Portugal uma nova renascença artística.

Do estrangeiro vieram artistas arquitectos, escultores, gravadores; artistas portugueses foram estudar a Itália; e deste intercâmbio resultou uma maravilhosa criação de artistas nacionais.

Os pintores Domingos António de Sequeira (1768-1837), Francisco Vieira Portuense (1765-1805) e João Glama Ströberle (1708-1792) [v. acima], os gravadores Joaquim Carneiro da Silva (1727-1818), Gaspar Fróis Machado (1759-1796) e Francisco Vieira Lusitano, o arquitecto José da Costa e Silva, os escultores Joaquim Machado de Castro e João José de Aguiar, e tantos outros, podem pôr-se em confronto com os melhores que havia no estrangeiro.

Sopa de Arroios, população portuguesa deslocada durante a Guerra Peninsular, 1813,
des. Domingos António de Sequeira,  grav. Gregório Francisco de Queiroz.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A estes artistas devemos acrescentar o nome de Francesco Bartolozzi [1728-1815], que gravou em cobre uma estampa alusiva ao epicurismo, tendo ao fundo o Aqueduto das Águas Livres. No século XIX há outras estampas deste artista sobre assuntos olisiponenses.

Embarque do principe regente de Portugal com toda a Familia Real em 27 de novembro às 11 horas da manhã [1807],
des. Henri L' Évêque (1769-1832), grav. Francesco Bartolozzi (1728-1815).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

No que respeita, porém, a estampas de Lisboa, poucas, mas excelentes, se produziram no final do referido século, tanto nacionais como estrangeiras. (1)


(1) Vieira da Siva, Augusto, Iconografia de Lisboa, Revista Municipal n.° 32, Câmara Municipal de Lisboa, 1947
 
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Panorâmica de Lisboa em 1763

Leitura adicional:
Lisboa do século XVII "a mais deliciosa terra do mundo"