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domingo, 10 de julho de 2016

Um segundo quadro de Filipe Lobo

Anteriormente à descoberta desta nova pintura, abaixo representada, vendida pela Christie's a 4 de dezembro de 2013, apenas havia um trabalho conhecido assinado por Filipe Lobo, Mosteiro dos Jerónimos, exposto no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa. (1)

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, Filipe Lobo, ass: Philippus Lupis Fecit 16--.
Imagem: Christie's

Decorrente da estadia de [Dirk] Stoop em Lisboa, algumas ligações artísticas merecem ser sublinhadas. Em primeiro lugar, o suposto elo entre o pintor holandês e Filipe Lobo.

Até aqui a historiografia portuguesa tem considerado que a arte de Lobo foi influenciada pela lição do pintor de Utreque, a julgar pela obra O Panorama do Mosteiro de Santa Maria de Belém, presente nas colecções do Museu Nacional de Arte Antiga, na qual a influência nórdica se faz sentir na nebulosidade filtrada da paisagem ensolarada de Lisboa.

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, Filipe Lobo, 1657, ass: Philippus Lupus fecit MDCLVII.
Imagem: MNAA

Este vínculo decorria da comparação entre a pintura de Lobo e uma de Stoop "Vista do Mosteiro de Belém em Lisboa", à guarda do Mauristhuis em Haia [...]

No entanto, pese embora o facto do artista português se apresentar mais débil no traço, certo é que a primeira pintura está datada de 1657, época anterior à estadia de Stoop em Portugal.

Embora não esteja datada, a pintura do Maurithuis reporta-se claramente à presença da comitiva inglesa em Portugal em 1662, dado apresentar a armada inglesa atracada junto a Belém.

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, Dirck Stoop, c. 1660 - 1670, 1662.
Imagem: Mauristhuis Museum

Estes novos dados vêm por um lado alterar a análise que então se fazia sobre as influências desta obra e, em segundo lugar, revelar o nosso ainda grande desconhecimento sobre as recepções artísticas do século XVII.

Sobre a identidade de Lobo nada se apurou e o facto de o seu nome aparecer com grafias diferentes nos registos da Irmandade de S. Lucas não é razão suficiente para confirmar uma nacionalidade estrangeira. (2)


(1) Christie's (adaptado)
(2) Susana Varela Flor, A presença de artistas estrangeiros no Portugal Restaurado

Artigo relacionado:
Iconografia de Lisboa (5.ª parte)


quarta-feira, 15 de junho de 2016

O forçamento da barra do Tejo

O forçamento da barra do Tejo pela esquadra comandada por Roussin (1781 - 1854), ocorrido em 11 de julho de 1831, em pleno período de lutas entre liberais e miguelistas, veio revelar que o Tejo estava longe de ser invulnerável, mesmo se bem defendido, e que a defesa marítima era muito precária.

Expedição do Tejo, desenho Pierre-Julien Gilbert, gravura Chavane, 1837.

Embora o ataque fosse esperado e os miguelistas tivessem promovido apressadamente o reforço das guarnições, que principiou alguns dias antes da entrada da esquadra, a oposição das fortalezas foi fraca e ineficaz.

La flotte française force l'entrée du Tage, Horace Vernet, c. 1840.
Imagem: Joconde

Na margem norte ainda se fez fogo sobre os franceses, mas na margem sul, a única reacção activa conhecida é a da Torre de S. Lourenço [Bugio]. (1)

A frota francesa commandada por Roussin força a entrada do Tejo, Pierre-Julien Gilbert, 1837.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

Junto da Torre de Belém, baluarte simbólico da entrada do Porto de Lisboa, o Almirante Roussin dá ordem de "alto fogo" para poupar a emblemática fortificação histórica, que arria a bandeira em sinal de rendição [...]

A frota francesa frente à Torre de Belém, Auguste Mayer.
Imagem Wikipédia

Às 17.00 horas, a rendição estava consumada. Dia 14 de Julho de 1831, uma convenção protocolar era assinada a bordo do "Suffren", por imposição dos franceses [...] (2)

Granier, Henri, Histoires des marins français... (detalhe).
Imagem: Amazon


(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Revista da Armada,  O forçamento do tejo em 1831 na iconografia marítima francesa, maio 2011

Leitura relacionada:
Lecomte, Jules, Expédition du Tage, La France maritime