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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Grupo do Leão (7.ª exposição, 1887)

Esperavamos, conforme os mais annos, publicar um artigo especial de critica d'esta esposição, que tem sido confiado ao nosso distincto collaborador o sr. Monteiro Ramalho, mas razões ponderosas que o sr. Ramalho nos apresentou e que nós respeitamos, não permittiram que elle escrevesse esse artigo [...]

Á espera dos retardados, Boa Nova, António Ramalho, 1887.
Imagem: Um Minuto com...

No dia 15 de dezembro do anno passado lá estivemos á abertura da exposição, que se inaugurou com a regularidade periodica de um chronometro, realidade pouco em harmonia com os habitos d'os filhos desta terra [...] (1)

O grupo chamou-se do Leão, por causa de um café da rua do Principe...

O Grupo do Leão, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Representados, da esquerda para a direita: em fundo, João Ribeiro Cristino, Alberto de Oliveira, criado Manuel, Columbano, criado António, Braz Martins; sentados, em segundo plano, Manuel Henrique Pinto, João Vaz, Silva Porto, António Ramalho, Rafael Bordalo Pinheiro; em primeiro plano, José Malhoa, Moura Girão, João Rodrigues Vieira.
Imagem: MNAC

7.° Salão, Exposição d'Arte Moderna, 1887


Exposições de Quadros e d'Arte Moderna (1881-1889)
Catálogos Illustrados
Publicados por Alberto d'Oliveira
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BASTOS (J. T.) — R. do Rodrigo da Fonseca, 3, 1.°

1 — O canastreiro.
[cf. Catálogo da exposição]

2 — Cabeça, estudo.
[cf. Catálogo da exposição]

3 — Cabeça, estudo.

4 — Cabeça, estudo.

BORDALLO PINHEIRO (D. M. A.) — Pateo do Martel.

5 — Peixes.
[cf. Catálogo da exposição]

6 — Natureza morta. 

CHRISTINO DA SILVA (J. R.) — R. da Graça, 47, 2 .°
(Ribeiro Cristino, pesquisa google)  

7 — Em abril.

8 — Vinho novo.
[cf. Catálogo da exposição]

Vinho novo, Ribeiro Cristino, 1887.
Imagem: Hemeroteca Digital


9 — Uma roda no Nabão.
[cf. Catálogo da exposição]

10 — Nevoeiro.

11 — Mendigo.

COLUMBANO B. P. — Pateo do Martel.
(Columbano, pesquisa google)

12 — Venus, decoração.
[cf. Catálogo da exposição]

13 — Amores, decoração.

14 — Consolatrix afflictorum.

15 — Mater admirabilis.

16 — Salus infermorum.

17 — Sedes Sapientiee. Quatro esbocetos para a decoração d’uma sala da C. Municipal de Lisboa.

18 — Na floresta de Fontainebleau. Pert. ao sr. T. Martel.

CONDEIXA (E.) — R. da Madre de Deus, 23.
(Ernesto Condeixa, pesquisa google)

19 — Forte das Maias.

20 — Praia de Paço d’ Arcos.

21 — Terrugem, Paço d’ Arcos.

22 — Retrato do auctor.

23 — Officina de ferreiro.
[cf. Catálogo da exposição]

24 — Em familia. Pertencem ao sr. dr. F. G. Barahona.
[cf. Catálogo da exposição]

GOMES (D. H.) — R. Formosa, 45.

25 — Fructos e flores.

26 — Flores do campo.

GRENO (A. G. M.) — Travessa de S. Mamede, 38.
(Adolfo Cesar Medeiros Greno, pesquisa google

27 — O descanço.

GRENO (D. J. G.) — Travessa de S. Mamede, 38.
(Josefa Greno, pesquisa google)  

28 — Malvaiscos.
[cf. Catálogo da exposição]

29 — Rosas e ramos.

30 — Rosas e uvas.
[cf. Catálogo da exposição]

31 — Pecegos e despedidas de verão.

32 — Laranjas e malmequeres.

33 — Goivos e mimosas.

34 — Rosas e amores perfeitos.

35 — Pionias.

36 — Rosas.

37 — Mimosas.

38 — Pequeno ramo.

39 — Flores soltas.

40 — Papoulas e botões d'ouro.

41 — Fructos d’outomno.

MALHOA (J.) — C. Nova de S. Francisco, 10.
(José Malhoa, pesquisa google)
(Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra - GL7)

42 — Pensativa.

Pensativa, José Malhoa, 1887.
Imagem: Hemeroteca Digital


43 — O Nabão, Thomar.

44 — Retrato da sr.ª Condessa de Burnay.
(cf. Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra - GL7

45 — Retrato do sr. dr. Serpa Pinto.
[cf. Catálogo da exposição]

46 — Retrato do sr. Carlos Relvas.
(casa dos patudos, pesquisa sapo fotos)

47 — Retrato da sr.ª D. Margarida Relvas.
(cf. Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra - GL7)

48 — Retrato da sr.ª D. Margarida Relvas Navarro.
(cf. Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra - GL7

49 — Decoração.

PINTO (M. H.) R. d’Elvas, Portalegre.
(Manuel Henrique Pinto, pesquisa google)

50 — Pastagem no Alemtejo. 

51 — Valle dos Zebros.

52 — Areal.

RAMALHO (A. M.) — R. do Loreto, 61,2.°
(António Ramalho, pesquisa google)

53 — Atelier de esculptura.

54 — Figueiras em dezembro. Pertence ao sr. Conde da Praia.

55 — Molhe nórte, Porto de Leixões.

56 — Á espera dos retardados, Boa Nova. Pertencem ao sr. M. E. P. da Fonseca.
[cf. Catálogo da exposição]

57 — Recordações!...
[cf. Catálogo da exposição]

58 — Retrato.

59 — Pateo do meu atelier. Pert. ao sr. F. Villaça.

REIS (C.) — R. Nova de Santo Antonio, 39, 2.°
(Carlos Reis, pesquisa google)

60 — O chalet.
[cf. Catálogo da exposição]

61 — No pateo.

62 — Retrato do sr. Severiano d’ Abreu.

63 — No caminho da fonte. Pertence á sr.ª duqueza de Bragança.
[cf. Catálogo da exposição]

SILVA PORTO (A. G.) — Escola de Bellas-Artes.
(António Carvalho da Silva Porto, pesquisa google)

64 — O amor na aldeia.

65 — O moinho gigante, Barreiro.


O Moinho Gigante [de Alburrica, Barreiro] (O gigante, ao pôr do sol, Barreiro, 1885?), Silva Porto, 1887.
Imagem: Memórias e Imagens

66 — O casal, Bemfica.

67 — Na eira. Caldas das Taypas.

68 — Logar de Portozello, Vianna do Gastello.

69 — Ribeira de Caruncho, Queluz.

70 — O covão, Cette.

71 — Logar de Carenque, arr. de Lisboa.

72 — Mosteiro de Cette.

73 — Na ceifa, Lumiar.

74 — Caminho em Vizella.

75 — Logar do Cacem.
[cf. Catálogo da exposição]

76 — Caminho velho, Entre-rios.

77 — Azenha, margem do Ave.
[cf. Catálogo da exposição]

Azenhas na margem do Ave, Silva Porto, 1887.
Imagem: Coysas, Loysas, Tralhas Velhas...

78 — O espigueiro, Cette.

79 — Logar do Areinho, margem do Douro.

80 — Terra dos forcados, Massamá.
[cf. Catálogo da exposição]

81 — Entrada para a eira. Pertence ao sr. Abel Accàcio.

SOUSA PINTO (J. J.) — R. da Alegria, 142, Porto.

82 — A mulher do jogador.

83 — Cada um por seu turno.

84 — Sem familia.

Sem familia, Sousa Pinto, 1887.
Imagem: Hemeroteca Digital

85 — Zelos!

86 — Defronte da Foz.

VAZ ( J. J.) — Escolas Geraes, 2.
(João Vaz, pesquisa google

87 — Convento de Christo, Thomar.

88 — Convento de Santa Clara, Santarém.

89 — O púlpito de S.  João, Thomar.

90 — Um recanto de Santarém.

91 — Em Dezembro. Pertencem ao sr. A. J. Fernandes.

92 — Moinhos do Barreiro.
[cf. Catálogo da exposição]

Moinhos do Barreiro, João Vaz, 1887.
Imagem: Internet Archive

93 — Margem do Tejo.

94 — Paizagem no Nabão, Thomar,

95 — Os calafates, Setúbal.

Os calafates, João Vaz, 1887.
Imagem: Hemeroteca Digital


96 — Faluchos no Sado. Pertence ao sr. dr. F. C, de Barahona.

VIEIRA (J. R.) — L. da Feira, Coimbra.

97 — Tricana, costume de Coimbra. 

98 — Rendeira, Setúbal.
[cf. Catálogo da exposição]

99 — Praia da Nazareth.

100 — Domingo.
[cf. Catálogo da exposição]

101 — Para a missa, costume de Leiria.

102 — Papoulas rubras.

103 — Martyres esperando o sacrifício. Pertencem ao sr. João Garland. 

VILLAÇA (F.) — R. da Atalaya, 66, 1.°

104 — Ignez de Castro.

105 — No jardim, decoração, est. Luiz XV.

106 — Pescador em Chatou.

107 — Para o lume, Vésinet, Paris.
[cf. Catálogo da exposição]

108 — Apanhando lenha, Vésinet, Paris.

109 — Entre Bezons e Rueil.

 110 — Festa Dyonisica, decoração.

111 — Pescadores de Suresnes. Pertence ao sr. dr. M. Level.

DESENHO E AGUARELLA

BORDALLO PINHEIRO (D. M. A.) — Pateo do Martel, 2.

112 — Lirios, pastel.
[cf. Catálogo da exposição]

COLUMBANO B. P. — Pateo do Martel, 2.

113 — Cabeça, est. a carvão. 

114 — Cabeça, est. a carvão.

 115 — Retrato de Ramalho Ortigão, pastel.

116 — Retrato de Eça de Queiroz, pastel.

117 — Retrato do menino Pindella, pastel.

118 — Retrato da sr.ª D. Bertha Ortigão, pastel.

D. Bertha Ortigão, Columbano, 1887.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

119 — Projectos de decoração.

RAMALHO (A. M.) — R. do Loreto, 61, 2.°

120 — Capricho, aguarella.

SOUSA PINTO (J. J.) — R. da Alegria, 142, Porto.

121 — Cabeça de velho, pastel. 

VILLAÇA (F.) — R. da Atalaya, 66, 1.°

122 — No campo, pastel. 

123 — Decoração, esboceto a aguarella.

124 — Decoração, esboceto a aguafella.

ESCULPTURA

MOREIRA RATO (J.) R. da Mãe d’Agua, 30.

125 — Amuada, mármore.
[cf. Catálogo da exposição]

126 — Flaneur, rep. em barro cosido.

SOARES DOS REIS (A.)

127 — Retrato de mistress Leck, busto em gesso.

128 — Retrato da sr.ª D. A. M., medalhão.

129 — Retrato do sr. J. P., medalhão.


(1) O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 328, 1 de fevereiro de 1888

Críticas publicadas:
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 328, 1 de fevereiro de 1888
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 329, 11 de fevereiro de 1888
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 330, 21 de fevereiro de 1888

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O Grupo do Leão (1.ª parte)

O grupo chamou-se do Leão, por causa de um café da rua do Principe [hoje 1.° de Dezembro], onde ás noites iam cavaquear e beber cerveja, artistas n'elle incorporados, e o seu advento nas exposições do Commercio de Portugal e trepidação de um hausto novo na maneira portugueza de pintar.

O Grupo do Leão, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Representados, da esquerda para a direita: em fundo, João Ribeiro Cristino, Alberto de Oliveira, criado Manuel, Columbano, criado António, Braz Martins; sentados, em segundo plano, Manuel Henrique Pinto, João Vaz, Silva Porto, António Ramalho, Rafael Bordalo Pinheiro; em primeiro plano, José Malhoa, Moura Girão, João Rodrigues Vieira.
Imagem: MNAC

Annos depois de organisado o grupo do Leão, bolorencias inherentes à natureza pantanosa d'este género de sociedades, levaram alguns artistas a se separarem d'elle, e a incorporarem-se-lhe outros, e a nova confraria a alargar-se num programma mais íngreme de letras e artes, com saraus, banquetes, exposições e regalos, que, pela vida periclitante da nova milí­cia, intitulada Grémio Artístico, não chegaram a cabal execução, à parte as exposições, decaídas, que o profissional hoje evita, e que a invasão do furioso amador quasi tornou fastidiosas. (1)

Cervejaria Leão de Ouro, 1885.
Imagem: Hemeroteca Digital

O "Grupo do Leão" surge numa conjuntura que lhe permite protagonizar um significativo momento de viragem no panorama artístico português. Emergia uma geração de pintores cheios de talento e de criatividade e também plenos de juventude e de frescor.

Exposições de Quadros e d'Arte Moderna (1881-1889)
Catálogos Illustrados
Publicados por Alberto d'Oliveira
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Paralelamente, desaparecem os velhos românticos e a escola que acarinham manifesta-se desgastada e desajustada à era moderna, enquanto bolseiros portugueses se detêm em França – Paris e Barbizon – e daí chega a novidade de outros caminhos pictóricos mais vibráteis e arrojados.

O Bando de S. Jorge, José Malhoa, 1885, apresentado na 6.a Exposição d'Arte Moderna, em 1886.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Neste contexto de convergência factual, onde ainda avultam as consideráveis transformações da mentalidade cultural que vêm ocorrendo, se afirma o "Grupo do Leão", pujante de vitalidade e veiculando todo um articulado de conceitos de notável avanço para o caso nacional. (2)


(1) Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos,
Illustrações de Casanova & Ramalho, Pref. de Fialho de Almeida, 1896, Livraria Ferin, Lisboa.

(2) Matilde Tomáz do Couto, O "Grupo do Leão" (1881-1889), Jornal da Caldas, 16 de setembro de 2014
cf. revista LION, ed. junho/agosto de 2014


Leitura relacionada: 
Zacarias d'Aça, Lisboa moderna , Lisboa, Tavares Cardoso, 1906
Margarida Elias, O Grupo do Leão de Columbano Bordalo Pinheiro, Revista de História de Arte n.° 5, 2008

Nuno Saldanha, O Leão d'Ouro e a Génese do Naturalismo na Pintura Portuguesa 1885-1905
do Porto e não só: Apontamentos sobre a pintura em Portugal na esquina dos séculos 19 e 20 (I parte)