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Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 29. Laboratorio de Chimica no Citio da Margueira, Luiz Gonzaga Pereira, 1809. Museu de Lisboa |
Os obstáculos encontrados no respeitante à isenção de direitos das matérias-primas – condição necessária para viabilizar economicamente essa produção – que nem mesmo as vantagens da substituição de importações pareciam ter o efeito de afastar, foram atrasando o processo de concretização desta indústria no dito estabelecimento, que entretanto foi tratando de vender outras coisas (algumas produzidos localmente, outras adquiridas no estrangeiro), como preparados de chumbo, de marfim, de mercúrio, cremor tártaro, etc.
O estabelecimento de produtos químicos da Margueira só obteve a isenção desejada em 1834, porém, na falta de elementos, não podemos precisar se a ela se seguiu, ou não, o início da produção de ácido sulfúrico - certo é, porém, que a fábrica da Verdelha do Conde do Farrobo já o produzia em 1838, e em 1849 dizia-se que era o único produtor deste género a nível nacional.
O laboratório químico da Margueira foi vendido à família Serzedello, em 1844, e a sua exploração ganhou um considerável desenvolvimento a partir de 1848, altura em que – necessariamente – se deverá ter procedido a reformas tecnológicas no referido estabelecimento.
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É lógico pensarmos então, que o contra-mestre do estabelecimento da Margueira premiado em 1855 (premiado, portanto com competências notórias para ser distinguido), na Exposição Universal de Paris, poderá muito bem ter sido quem orientou e supervisionou as tais reformas efectuadas em finais da década de 40. Isto significa que José Alexandre Rodrigues, contra-mestre da fábrica de produtos químicos dos irmãos Serzedello já estava ao serviço da dita casa por essa altura. Como se apetrechou este homem com técnicas, conhecimentos e o know-how suficiente para o efectuar?
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Em 1855 o laboratório da Margueira produzia ácido clorídrico e nítrico, diversos sais de chumbo e de mercúrio, dissoluções de sais (de nitrato de cobre e de cloreto de antimónio) e nitratos (de potássio, de bismuto, de prata, entre outros), os “tártaros”, a potassa cáustica (hidróxido de potássio), etc. (1)
No dia 17 de de Março de 1883, pelas 10 horas e meia, o fogo destruía uma das maiores fabricas do Reino (fábrica de cortiça Henry Bucknall & Sons.), dando trabalho a cerca de 400 pessoas. Ocupando uma grande área, sendo a parte devorada pelo fogo aproximadamente de três mil metros. Quando chegou os socorros a bomba do navio Vasco da Gama, foi impotente para controlar o fogo que consumia um grande número de pilhas de cortiça e pondo em risco a própria fábrica.
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Incendio na fábrica Henry Bucknall & Sons na Margueira Diário Illustrado, 31 de Março 1883 |
Desenvolveu-se um forte ataque com todas as bombas e pessoal à medida que iam chegando, com o objectivo de salvar a fabrica, todas as atenções eram para a rua principal de Cacilhas, cujos prédios do lado do nascente se encontravam em grande risco, ao ponto da igreja chegar a ser atingida pelo fogo.
Foi através dos esforços do pessoal na defesa dessas propriedades, e principalmente dos marinheiros da armada, em preservar as ruas Direita de Cacilhas e Oliveira, cujos telhados das casas foram fustigados pela força destruidora do fogo. Ás 2 horas da tarde ardiam os moinhos, vinhas, matos, arvoredo, num cenário horroroso. Pelas 4 horas da manhã a preocupação era as casas próximas do laboratório químico da Serzedello & Cia. que sofreu bastantes danos nas estruturas de madeira. (2)
(1) Isabel Cruz, Preparadores de química da Escoma Politécnica (1837-1856)
(2) Diário Illustrado, 31 de Março 1883
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A casa da Quinta da Oliveira
Serzedello & Ca., Laboratorio Chimico na Margueira
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Indústria química
Leitura relacionada:
RELATORIO GERAL DA EXPOSIÇÃO DE PRODUCTOS DE INDUSTRIA PORTUGUEZA, SOCIEDADE PROMOTORA DA INDUSTRIA NACIONAL, EM 22 DE JULHO DE 1838
International exhibition, 1876 at Philadelphia, Diário Illustrado
Mais informação:
"Janêllos" da História: Os Serzedello
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