quinta-feira, 2 de abril de 2020

Torquato José Clavina, constructor naval (I de II)

Foi discípulo de Manoel Vicente, e succedeo-lhe no lugar de 1.° Constructor. Era mais practico do que theórico; mas tinha singular gosto, e rara aptidão para as obras de architectura naval. Construio vários navios de differentes portes, a saber:

No ministério do Marquez de Angeja, a náo Meduza em 1780 [1786], as fragatas Tritão [1786], Golfinho [1786], Cisne [1777], e Minerva [1788], as charruas Príncipe da Beira [depois Príncipe do Brazil, 1775], e Aguia [1777], e o brigue Lebre [1788];

Lisboa Vista da praia dos Santos em 1788 feita por Alberto Dufourcq.
Em primeiro plano, sobre a praia, observam-se os estaleiros navais, com intensa actividade de reparação naval e estiva. Na linha do horizonte, toda a frente ribeirinha da zona de Santos, prolongando-se até ao Cais do Sodré. No topo do Alto de Santa Catarina destaca-se a desaparecida igreja da mesma denominação, demolida em 1833, seguida do casario do bairro da Bica que preenche o vale. No lado oposto observa-se a Ermida das Chagas. Sobressai ainda o grande edifício que foi o Palácio dos Duques de Valença.
cf. Museu de Lisboa

No ministério de Martinho de Mello e Castro, a náo Maria I [1789], — e a náo Rainha de Portugal [1790], a fragata Ulisses [1792], os brigues Gaivota [do mar, 1792], Serpente [do mar, 1791], e Palhaço [; Diligente, 1792], o cuter Balão [1792] y e o hyacht Anjo [anotações cf. O Recreio, jornal das familias vol. II, 1836].

Vista do Arsenal de Lisboa, Alexandre-Jean Noël, 1785.
Cabral Moncada Leilões

A náo Rainha de Portugal, fabricada ern 1790, foi huma das mais bellas obras deste Constructor, tanto pelo seu grande andamento, como por sua elegante fôrma, e por outras boas qualidades que muitas vezes attrahirão a admiração dos estrangeiros.

Almirante Napier a bordo da nau Rainha de Portugal no Tejo, depois da sua vitória sobre a esquadra de D. Miguel em 1833. Um dos dois quadros que representa a entrada da esquadra comandada por Napier após a Batalha do Cabo de São Vicente. Embora a legenda de ambas mencione o facto de Napier estar embarcado na nau Rainha de Portugal, na realidade ele estava na nau D. João VI. Ambos os navios integravam a esquadra miguelista antes da batalha. Tanto a nau D. João VI como a nau Rainha de Portugal, se renderam à fragata homónima desta última, na qual se encontrava Napier. Após a batalha, a fragata Rainha de Portugal ficou em Lagos a reparar os estragos sofridos na batalha e Napier dirigiu-se para Lisboa, comandando uma esquadra que incluía as duas naus acima referidas. Ele veio embarcado na D. João VI, que anteriormente era o navio chefe da esquadra miguelista.
cf. Museu de Marinha

Por duas vezes que esta náo foi aos portos da Grã-Bretanha, os constructores Inglezes lhe tiravão o risco, e as dimensões. 

Almirante Parker da Armada Real prestando honras ao Almirante Napier,
Comandante Chefe português, a bordo da Rainha de Portugal, no Tejo em 1833
Museu de Marinha

A Rainha Senhora D. Maria I attendeo o merecimento deste Artista, concedendo-lhe o lugar e ordenado do seu antecessor, e condecorando-o com o habito da Ordem de N. S. J. Christo, Falleceo pelos annos de 1800. (1)

História das naus, fragatas, bergantins (brigues), charruas etc.

"S. José, Príncipe da Beira" (1775-1795) — Charrua que em 1775 foi comprada para transporte de madeiras do Brasil. Naquela missão fez várias viagens ao Brasil.

"Príncipe do Brasil" (1775) — Charrua que em 1775 foi construída em Lisboa. Possivelmente é a nau de viagem do mesmo nome que em 1780 seguia para a Índia.

"N.a S.ra do Monte do Carmo, a Medusa" (1786-1822) — Nau de 74 peças que foi lançada à água em Lisboa em 24 de Agosto de 1786. Empregou-se no serviço de guarda-costa. Tomou parte como navio-chefe na expedição a Roussillon. Era navio da esquadra que transportou em 1807 a família real ao Brasil. Ficou no Brasil depois da independência, em 1823.

Departure of H.R.H. the Prince Regent of Portugal for the Brazils, Henry L Evêque, F. Bartollozzi.
(Campaigns of the British Army in Portugal, London, 1812)
Imagem: Wikipédia

"N.a S.ra do Bom Despacho, Cisne" (1779-1802) — Fragata de 36 peças que foi lançada à água em Lisboa em 25 de Setembro de 1779. Empregou-se principalmente no serviço de guarda-costa. Em 1802 foi capturada por uma fragata argelina no Mediterrâneo.

"Santíssimo Sacramento, Coração de Jesus e Águia" (1779-1808) — Charrua que foi lançada à água em Lisboa com a fragata Cisne em 25 de Setembro de 1779. Em 1780 largou para o Pará. Fez várias viagens ao Pará. Em 1800 naufragou na altura da ilha de Santa Maria quando seguia na frota do Brasil.

"Golfinho e N.a S.ra do Livramento" (1782-1814) — Fragata de 40 peças que foi lançada à água em Lisboa em 27 de Janeiro de 1782. Em 1784 entrou na expedição combinada contra Argel e em 1807 seguiu na armada que levou a família real ao Brasil. Em 1816 foi desmanchada por inútil.

"N.a S.a das Necessidades, Tritão" (1783-1819) — Fragata de 44 peças que foi lançada à água em Lisboa em 30 de Junho de 1783. Em 1784 entrou na expedição combinada contra Argel. Em 1797 assistiu ao combate do cabo de S. Vicente entre ingleses e espanhóis. Em 1819 foi mandada desmanchar em Lisboa.

"N.a S.a da Vitória, a Minerva" (1788-1809) — Fragata de 48 peças que foi lançada à água em Lisboa em 19 de Julho de 1788. Empregou-se no serviço de guarda-costa. Em 1807 largou incluída na esquadra que levou ao Brasil a família real. Em 1809, depois de combate, foi tomada pela fragata francesa Bellone, na Índia.

"Lebre" (1788-1821) — Bergantim de 24 peças que foi lançado à água em Lisboa em 16 de Outubro de 1788. Era cúter no estaleiro, mas foi botado ao mar já como bergantim. Devido às suas grandes dimensões, era conhecido por Lebre Grande, para o distinguir de outro do mesmo nome de 1798. Empregou-se principalmente na guarda-costa. Em 1816 tomou parte na campanha do sul do Brasil. Em 1821 foi desmanchado no Rio de Janeiro.

"Coração de Jesus, Maria I" (1789-1810) — Nau de 74 peças que foi lançada à água em Lisboa em 18 de Dezembro de 1798. Entrou nas esquadras de socorro à Inglaterra na Mancha em 1793 e 1794. Em 1801 fazia parte da Esquadra do Sul. Perdeu-se por encalhe no porto de Cádis, em 1810.

Lançamento à água da nau Maria I, da fragata Príncipe do Brasil e do bergantim Serpente do Mar na Ribeira das Naus, Alexandre-Jean Noël, 1789.
Arquivo Histórico da Marinha

"Rainha de Portugal" (1791-1848) — Nau de 74 peças que foi lançada à água em Lisboa em 28 de Setembro de 1791. Entrou nas esquadras de socorro à Inglaterra em 1793,1794 e 1798-1800. Pertenceu a várias esquadras de guarda-costa. Era navio da esquadra que transportou ao Brasil a família real em 1807. Entrou no combate do cabo de S. Vicente em 5 de Julho de 1833, depois do que mudou o nome para Cabo de S. Vicente. Em 1848 foi mandada desmanchar por inútil.

Scale: 1:48. Plan showing the body plan, stern board outline, sheer lines with inboard detail, and longitudinal half-breadth for 'Rainha de Portugal' (circa 1791), a Portuguese 74-gun Third Rate, two-decker, as taken off at Portsmouth Dockyard. Note that this ship was one of the Portuguese warships to escort the Portuguese Royal Family and Government to Brazil in 1807. Signed by Henry Canham [Assistant to the Master Shipwright, Portsmouth Dockyard, 1801-1813].
cf. Royal Museums Greenwich

"Ulisses" (1792-1807) — Fragata de 36 peças que foi lançada à água em Lisboa em 15 de Dezembro de 1792. Em 1804 passou a chamar-se Urânia. Empregou-se na guarda-costa e no serviço de comboios.

Fragata da Esquadra que transportou em 1807 a Família Real para o Brasil Possivelmente a Fragata Ulisses.
Arquivo Histórico da Marinha

"Gaivota do Mar" (1792-1822) — Bergantim de 24 peças que foi lançado à água em Lisboa em 1792. Empregou-se principalmente na guarda-costa, quer em esquadra, quer escoteiro. Em 1817, nas águas do Uruguai, tomou por abordagem o corsário de Artigas, chamado Atrevido do Sul. Em 1822 passou à Marinha do Brasil como corveta Liberal.

"Serpente do Mar" (1791-1816) — Bergantim que em 1816 passou a classificar-se como corveta Calipso (1791-1831).

"Calipso" (1791-1831) — Bergantim Serpente do Mar, lançado à água em Lisboa em 28 de Setembro de 1791 e que em 1816 passou a corveta Calipso. Empregou-se nos serviços de guarda-costa e de comboios. Em 1816 largou para a campanha do rio da Prata. Em 1823, incluída na esquadra da Baía, bateu-se nas águas brasileiras com as forças de Cochrane. Em 1834 foi vendida por inútil.

"Diligente" (1792-1810) — Bergantim de 24 peças que foi lançado à água em Lisboa em 15 de Dezembro de 1792. A princípio era conhecido por Sem Nome, Palhaço e Novo. Em 1796 passou a chamar-se Diligente. Empregou-se no serviço de guarda-costa. Em 1807 consta ter sido vendido, sendo desmanchado em 1810.

"Balao" (1792-1822) — Cúter [chalupa] de 20 peças que em 1792 foi lançado à água em Lisboa. Em 1797 já aparece como bergantim. Em 1798 juntou-se em Nápoles à esquadra do marquês de Nisa que cooperava com a esquadra inglesa de Nelson. Em 1816 tomou parte na expedição Lecor ao Brasil. Em 1822 achava-se condenado na Baía. (2)


(1) Bispo Conde D. Francisco, Lista de alguns artistas portuguezes..., Lisboa, 1839
(2) Cmdt. António Marques Esparteiro, Catálogo dos navios brigantinos (1640 - 1910)


Leitura relacionada:
Os navios da Armada Real portuguesa em 1807, Revista da Armada n.° 413, novembro de 2007

Informação relacionada:
Modelos de navios existentes na Escola naval que pertenceram ao Museu de marinha, Lisboa, 1896
Cmdt. António Marques Esparteiro, Catálogo dos navios brigantinos (1640 - 1910)
O Recreio, jornal das familias vol. II, 1836
Royal Museums Greenwich: Rainha de Portugal' (circa 1791)
Nau "Rainha de Portugal", Revista da Armada n.° 14, novembro de 1972
Arquivo Histórico de Marinha: Nau Rainha de Portugal
Arquivo Histórico da Marinha: (pesquisa) Torcato José Clavina
A revolução industrial, Lisboa marítima e Marinha de Guerra, na obra de João Pedroso (1825-1890)
A marinha de guerra portuguesa desde o regresso de D. João VI a Portugal...

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Torquato José Clavina, constructor naval (II de II)

História do bergantim (ou galeota) real
"... cuja tripulação se compunha por homens do Algarve de tez morena, vestidos de calções curtos, jaqueta de veludo amaranto, envergando boinas venezianas. Remavam em pé, cadenciando os movimentos do remo com uma espécie de ladainha em homenagem à rainha que cantavam em coro."
cf.
François Ferdinand Philippe Louis Marie d'Orléans, prince de Joinville,
Vieux souvenirs: 1818 - 1848, Paris, Calmann Lévi, 1894
Autorias: Torcato José Clavina; Construtor Naval; 
Responsável pelo risco e construção da embarcação. Pedro Alexandrino de Carvalho; 
Pintor; Painel exterior da Camarinha e paisagem que descora a segunda sala. Manuel Vieira; 
Entalhador Joaquim José de Barros Laborão; 
Entalhador Luís Baptista; Pintor; 
Pintura decorativa do exterior, sob direção de Inácio Merireles, pintor e dourador da Ribeira das Naus. 

Medidas: 
Boca: 3,98 m
Comprimento: 29,33 m 
Pontal: 1,32 m

01/06/1780; Mandado construir pela Rainha D. Maria I para o casamento do Príncipe D. João (D. João VI) com a Infanta Carlota Joaquina.

O bergantim real, João Pedroso, 1867.
Archivo Pittoresco n.° 9, 1867

1783; Embarcação ficou concluída em finais de Novembro.

Popa do bergantim real, João Pedroso, 1867.
Archivo Pittoresco n.° 11, 1867

1784; Esponsais do infante D. João (futuro D. João VI) com a princesa Carlota Joaquina, em Maio. Transporta para Aldeia Galega D. Maria I, D. Pedro III e seus filhos, D. João e a Infanta D. Maria Ana Vitória, para o recebimento da Infanta Carlota Joaquina de Bourbon.

Casamento de D. João e D. Carlota Joaquina (1785), Francisco Leal Garcia.
Google Arts & Culture

1807; Transporta D. Maria I e o filho, o Príncipe Regente D. João, para bordo da Esquadra Portuguesa, aquando da transferência da corte para o Brasil, por motivo da invasão francesa de Junot.; Transporta a Rainha D. Maria I para bordo da nau "Principe Real".

Departure of H.R.H. the Prince Regent of Portugal for the Brazils, Henry L Evêque, F. Bartollozzi.
(Campaigns of the British Army in Portugal, London, 1812)
Imagem: Wikipédia

04/06/1821; Transportou D. João VI, de bordo da nau "D. João VI", no seu regresso a Lisboa, vindo do Brasil.

Lisboa, Praça do Comércio, desembarque de D. João VI, 4 de julho de 1821, Constantino Fontes.
Wikipédia

[1862;] Transporta D. Pedro V e Maria Pia de Sabóia à sua chegada a Lisboa para casar com o Rei D. Luís [de facto foi o rei D. Luís que embarcou no bergantim; D. Pedro V falecera em 1861]. 

1880; Transportou para Belém, com destino aos Jerónimos, as ossadas de Vasco da Gama e de Camões.; Fonte: Artigo de Luís António Marques.

Cortejo fluvial de 8 de junho de 1880, João Dantas.
Museu de Marinha

[1895; Cortejo fluvial por ocasião do Centenário de Stº António, no rio Tejo. O Bergantim conduzindo a imagem de Stº António.]

Cortejo fluvial por ocasião do Centenário de Stº António, no rio Tejo, 1895.
Museu de Marinha

1901; Transportou o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia para terra, no regresso da sua visita à Madeira e Açores.; Fonte: Artigo de Luís António Marques.

1903; Em Abril, conduziu o rei Eduardo VII, de Inglaterra, ao Cais das Colunas, na sua visita oficial a Lisboa, a bordo do iate real "Victory and Albert".; Fonte: Artigo de Luís António Marques.

Visita a Portugal do rei Eduardo VII de Inglaterra, António Novais, 2 de abril de 1903.
Arquivo Municipal de Lisboa

1903; Em Dezembro, foi utilizado para o desembarque no Cais das Colunas do rei Carlos V [Afonso  XIII] de Espanha, durante a sua visita a Portugal. Também transporta, para bordo do Cruzador "Carlos V", os reis portugueses, aos quais o rei espanhol ofereceu um baquete de honra, naquele navio.; Fonte: Artigo de Luís António Marques.

Visita de Afonso XIII de Espanha, 1903.
Arquivo Municipal de Lisboa

1905; Em Março, conduziu, a bordo do iate real "Victory and Albert", a Rainha Alexandra de Inglaterra, terminada a sua visita a Portugal.; Fonte: Artigo de Luís António Marques.

Chegada da Rainha Alexandra, António Novais, 22 de março de 1905.
Arquivo Municipal de Lisboa

1905; Utilizada na chegada do Imperador Guilherme II, da Alemanha, na sua visita a Portugal, a bordo do Cruzador "Hambourg".; Fonte: Artigo de Luís António Marques.

1905; Em Outubro, transporta o Presidente da República Francesa, Emile Loubet, a bordo do Cruzador "Leon Gambeta", de regresso a França. após visita oficial a Portugal.; Fonte: Artigo de Luís António Marques.

O navio que conduziu Émile Loubet de regresso a França, António Novais, 29 de outubro de 1905.
Arquivo Municipal de Lisboa

1907; Conduz, para bordo do Cruzador "D. Carlos I", o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia, por ocasião do Festival Marítimo de Cascais.

1920; Em Novembro, foi utilizado na visita oficial que os reis da Bélgica, Alberto I e Elisabeth, fizeram a Portugal.; Fonte: Artigo de Luís António Marques. História da peça;

De 1907 a 1934 permaneceu num telheiro na Junqueira, em seco.

Fotografia do Bergantim Real no plano inclinado do antigo telheiro das galeotas reais na Junqueira.
Museu de Marinha

1934; Participou num cortejo náutico por ocasião das Festas da Cidade de Lisboa.

A partir de 1934 esteve em seco, no Telheiro da Azinheira, na margem sul do Tejo.

Depósito da Azinheira (Seixal). Direção do Material de Guerra e Tiro Naval, 1934.
Museu de Marinha

1957; Preparada para a viagem da Rainha de Inglaterra (preparada para navegar, com respetiva guarnição). Reparações efetuadas na doca seca da Parry & Son, em Cacilhas. Escolha e preparação da guarnição a cargo do Cte. Sena Dentinho (à data comandante da Escola de Marinharia da Armada e do navio-escola "Sagres"). 

Elizabeth II entering in Lisbon by the river Tagus, 1957.
Pinterest

18/02/1957; Conduziu para o Cais das Colunas, no Terreiro do Paço, de bordo do "Britannia", a Rainha Isabel II de Inglaterra e o Duque de Edimburgo quando visitaram Portugal. 
Elizabeth II, aboard the Royal Yacht Britannia, arriving for a State Visit to Portugal. Amadeo Amadeu Ferrari, 1957.
Arquivo Municipal de Lisboa

1963; Transportado para o Museu de Marinha, para ficar em exposição permanente. 

20/11/1997; Recebeu medalha e inclusão no World Ship Trust [Award No 13]. (2)


(1) Museu de Marinha

Galeria de imagens (Museu de Marinha):
Bergantim real

Leitura relacionada:
A última missão do Bergantim Real (1), Revista da Armada n.° 405, fevereiro de 2007
A última missão do Bergantim Real (2), Revista da Armada n.° 406, março de 2007
Os navios da Armada Real portuguesa em 1807, Revista da Armada n.° 413, novembro de 2007
Peças para recordar, Revista da Armada n.° 413, novembro de 2007

Informação relacionada:
Cmdt. António Marques Esparteiro, Catálogo dos navios brigantinos (1640 - 1910)
O Recreio, jornal das familias vol. II, 1836
Royal Museums Greenwich: Rainha de Portugal' (circa 1791)
Nau "Rainha de Portugal", Revista da Armada n.° 14, novembro de 1972
Arquivo Histórico de Marinha: Nau Rainha de Portugal
Arquivo Histórico da Marinha: (pesquisa) Torcato José Clavina
Comissão Cultural de Marinha: Bergantim Real
A revolução industrial, Lisboa marítima e Marinha de Guerra, na obra de João Pedroso (1825-1890)

terça-feira, 10 de março de 2020

Jornada de Carlos III a Lisboa

La Guerra de Sucesión española fue el primer conflicto internacional en el que Portugal participó después de la restauración de su independencia en 1668. Su integración en el bando aliado otorgó a Lisboa una posición central ante la inminente invasión de España. La capital portuguesa fue así un perfecto centro de operaciones, además de provisional residencia del archiduque Carlos en el bienio 1704-1705 [...]

Chegada da frota Holandesa-Inglesa Carlos III (Arquiduque Carlos da Áustria) a Lisboa, 7 de março de 1704.
Rijksmiuseum

La participación portuguesa en el bando aliado durante la Guerra de Sucesión española [1701-1714] no fue una elección fácil. Surgió como resultado de una combinación de circunstancias complejas que empujó a Pedro II a romper primero su primitivo pacto con los Borbones, por el que reconocía a Felipe V en el trono de Madrid, instalarse en una breve neutralidad y finalmente decantarse por las potencias que apoyaban la coronación del archiduque Carlos como rey de España [...]

Theatre de la Guerre en Espagne et en Portugal (détail), Pieter Mortier, c. 1700.
Götzfried Antique Maps

El 7 de marzo de 1704 el velero inglés Royal Catherine, escoltado por una imponente flota, entró en el estuario del Tajo con Carlos de Austria a bordo y fondeó en las proximidades de Belén. Pese a la expectación que había despertado su llegada a Lisboa desde hacía meses, nadie había previsto el arribo del archiduque en esa fecha. 

Noticias llegadas días atrás a la ciudad dando cuenta de las dificultades que estaba encontrando el Habsburgo para completar su travesía por falta de viento habían invitado a pensar que aún se demoraría más tiempo en su viaje. 

La aparición de la flota aliada doblando Cascais, aunque esperada, se había presentado, así, como una grata sorpresa y el horizonte punteado por las velas de la escuadra que capitaneaba George Rooke había disparado las manifestaciones de alegría en las poblaciones costeras.

Royal Katherine (named for Catherine Katherine of Braganza).
Bbuilt at Woolwich in 1664, rebuilt as a 90-gun ship in 1700-1702.
Royal Museums Greenwich

Como muestra del respeto debido a la dignidad regia del que había sido coronado soberano de España, esa misma noche subirían a bordo del Royal Catherine el duque de Cadaval, en nombre de Pedro II, y Paul Methuen, en representación de la reina Ana de Inglaterra y en sustitución de su padre John — indispuesto por un ataque de gota —, para cumplimentarle por su feliz llegada. Su presencia y sus parabienes eran solo el preludio del recibimiento que Lisboa reservaba para el que deseaban entrase también triunfal en Madrid con el nombre de Carlos III [...]

*
*     *

Alojado en una quinta del conde de Aveiras, el Habsburgo apenas participó en las fiestas y ceremonias de la ciudad durante el nuevo año. El ambiente se hallaba un tanto enrarecido y el pesimismo se haría aún más patente cuando Pedro II sufriese una apoplejía en el mes de enero que le obligase a confiar el gobierno del reino a su hermana Catarina de Braganza [...]

Lisboa antes do terramoto (detalhe), á direita a Quinta do Conde de Aveiras, ou Quinta de Baixo, em Belém.
Desenho de Fourdrinier (entre 1707 e 1714) e gravura de Lempiére.
Arquivo Municipal de Lisboa

Si se exceptúan los días en que acampó cerca de Ciudad Rodrigo, en el mes de octubre de 1704, ese [1 año, 4 meses y 3 semanas] fue el tiempo que el archiduque Carlos pasó en Portugal. 

Un periodo excesivamente largo para las urgencias que la situación bélica exigía, pero que se demostró valiosísimo en la consolidación de la representación y el ejercicio del poder del candidato austracista y su condición regia. 

Su llegada al puerto de Lisboa en marzo de 1704, símbolo absoluto de hermanamiento con la Monarquía lusa y el resto de los Aliados, supuso una suerte de exaltación de su majestad, dispuesta por fin a reclamar con las armas el trono de España. 

Las fiestas en ocasión de su arribo, aunque siguiendo un estricto e interesado programa diseñado por el gobierno portugués, reflejaban también esos aspectos. (1)


(1) "Ter o Archiduque per vezinho". La jornada a Lisboa de Carlos III en el marco del conflicto sucessorio de la Monarquia de España
cf. HISPANIA. Revista Española de Historia, 2012, vol. LXXII, núm. 241, mayo-agosto, págs. 453-474


Artigo relacionado:
Palácio do Corpo Santo
O palácio e o chafariz

segunda-feira, 2 de março de 2020

A exposição de 1960 no British Council em Lisboa

Sobre a exposição "Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses" documentada com fotografia de Mário Novais no espólio fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa, apresentada em 1960 no Instituto Britânico (British Council).

A falta de referências publicas, por parte do British Council, ou outros, relativamente à mencionada exposição não nos permite avaliar a dimensão da mesma, nem qual a representatividade dos 19 registos fotográficos à guarda do Arquivo Municipal de Lisboa.

No entanto, não entendemos o nome da exposição, onde as imagens representadas são do século XIX e não do século XVIII. Também a descrição das imagens no arquivo é descuidada e irreal, onde frequentemente o termo "caravela" aparece como sinónimo de embarcação.

Ao agrupar e cruzar referências com intenção de complementar a informação disponível, e ao mesmo tempo descobrir a origem e o trajecto de algumas das obras apresentadas, verificamos que a maioria são da autoria de Thomas Buttersworth, pintor de marinhas que nunca esteve Lisboa ou no Tejo.

A obra deste autor, representativa dos navios e das acções navais do seu tempo, é extensa. O cenário do Tejo, plácido ou furioso, foi muitas vezes palco para as suas composições.

Se por vezes os erros sistemáticos como a desproporcionalidade dos elementos representados (Torre de Belém, Bugio, Almaraz etc.), ou a sua inversão nas composições, ou ainda a inserção de algumas embarcações que nunca existiram no Tejo, denunciam o caracter teatral das suas pinturas, também nos ajudam a identificá-las.

*
*     *

John Thomas Serres (v. artigo relacionado: A pequena tocha do mar)

Torre Velha, John Thomas Serres, c. 1801.
Facebook

Embarcações no rio Tejo junto à fortaleza de São José de Ribamar.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Sobre a Torre Velha, ou Fortaleza de S. Sebastião de Caparica, v. artigos dedicados: Cronologia breve da Torre Velha.

Joseph, ou Giuseppe, Schranz (v. artigo relacionado: Joseph Schranz e o Tejo)

Uma extensa vista de Lisboa no rio Tejo com a praça do Terreiro do Paço, a velha catedral e o castelo de S. Jorge.
Joseph, ou Giuseppe, Schranz, depois de 1834.
MAGNOLIA BOX

Panorâmica de Lisboa e do rio Tejo.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

William Clarkson Stanfield (v. artigo relacionado: Ilustrações de Finden à vida e obra de Byron)

Belem Castle, Drawn by C. Stanfield, Engraved by E. Finden.
Biblioteca Nacional de Portugal

Torre de Belém no século XVIII.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Capt. Stephen Lushington

HMS Albion (Capt. S. Lushington) Laying off the Praça do Commércio, S. Lushington, 1854 (cf. descrição apensa).
[Caravela inglesa no cais do Terreiro do Paço].
Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses.
Arquivo Municipal de Lisboa

Thomas Buttersworth (v. artigo relacionado: Foz do rio Tejo em 1800)

Foz do Tejo, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Bonhams

Embarcações à vela no rio Tejo próximo da Torre de Belém.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Uma fragata inglesa e uma chalupa armada calmamente no Tejo ao largo da Torre de Belém.
Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Bonhams

Caravela no rio Tejo próximo da Torre de Belém.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

An armed naval cutter off the Belem castle Thomas Buttersworth, c. 1820 (cf. descrição apensa).
[Caravela no rio Tejo próximo da Torre de Belém]
E
xposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Cúter [ou chalupa] armado emergindo da foz do Tejo passado o Bugio, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Bonhams

Caravela e barco à vela inglês no rio Tejo próximo da Torre de Belém.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Embarcações inglesas à vela no rio Tejo.
Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses.
Arquivo Municipal de Lisboa

Thomas Buttersworth (outras composições, os mesmos elementos também por vezes recuperados pelo filho James Edward Buttersworth)


Caravelas e barcos à vela no rio Tejo.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Caravelas no rio Tejo.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Caravela inglesa no rio Tejo.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Caravelas no rio Tejo.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Caravelas no rio Tejo, próximo da Torre de Belém.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Caravelas inglesas no rio Tejo próximo da Torre de Belém.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Caravela.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Outros autores

Praça do Commércio com o torreão ocidental em construção, c. 1840.
[O Terreiro do Paço].
Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses.
Arquivo Municipal de Lisboa


Panorâmica de Lisboa.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Procissão entrando na igreja da Madalena.
Exposição no British Council, Lisboa no século XVIII vista pelos Ingleses, 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa


Rui Granadeiro, 2 de março de 2020


Leitura recomendada:
João Pedro d'Amorim. Diccionario de Marinha, Lisboa, Imprensa Nacional, 1841

Informação contextual:
Politics, Diplomatic Relations and Institutional Promotion through Modern Art – the British Art of the Twentieth Century Exhibition in Portugal, 1962