domingo, 3 de dezembro de 2017

Lisboa da minha mocidade

Que bello tempo! Logo no alto da rua Garrett — o velho Chiado — onde o bardo da "lira sonorosa" põe os pés em cima de homens como João de Barros e Pedro Nunes, que, muito tristes, cabeça pendida e ajoujados, os pobresitos, com o peso enorme d'aquella massa de bronze, parecem escravos calcados aos pés de um tyranno, eram os famosos casebres. 

Praça Luiz de Camões e Largo das Duas Egrejas (Loreto e Encarnação), ed. Martins Martins & Silva, 155, c. 1900.
Imagem: Delcampe

Alli rechinavam as iscas em tabernas immundas e dormiam em vãos e alfurjas, promiscuamente, rufiões, fadistas e venus-vagas.

Casebres do Loreto, antigo Palácio dos Marqueses de Marialva, colecção Julio de Castilho.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

No largo das Duas Egrejas um chafariz com o seu Neptuno, que não era o de João de Bolonha, de tridente em punho a pescar gallegos, como dizia António Pedro Lopes de Mendonça no folhetim da Revolução de Setembro.

Chafariz de Neptuno no Largo das duas Igrejas (Chiado), col. Julio de Castilho, Fot. Bárcia.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

O gaz, pallido e vacillante, nos bairros altos e escusos da cidade, sumia-se ou desapparecia de todo.

Rua das Portas de Santa Catarina em 1843 (fot. Bárcia sobre lit. de Legrand).
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Na Patriarchal, na linda praça que hoje ahi temos, estabelecia-se, nas entradas do inverno, o mercado de porcos. Mercado commodo e central, onde o pae de familia, que se amanhava regularmente, ia ajustar o cevado ruivo e redondo, creado a boleta de azinho nos montados do nosso Alemtejo. 

Jardim da Praça do Príncipe Real, c. 1860
(antigo Largo da Cotovia e posteriormente Largo da Patriarcal Queimada, actual Jardim França Borges).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Feita a compra, surdia de um antro o matador, de cara estúpida e sinistra; dava o chamado nó de porco na perna do animal, mettia um banco debaixo do braço, facão n'uma bainha de coiro á cinta, e lá ia á porta da casa do burguez, onde o javardo manso era esfaqueado por entre o vozear jubiloso da garotada cruel! 

O bando dos toiros, semsaboria que hoje provoca lagrimas, tornava-se o grande acontecimento das toiradas, a par da espera á tarde e á noite. 

Condução de toiros desde Odivelas pela Calçada de Carriche
(na imagem pode ver-se a igreja do Campo Grande).
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Carnavalada nacional e pittoresca era aquelle bando. O neto, com as pernas como dois arcos de pipa, macrobio invulnerável do tempo de D. João VI, vinha adeante, montado na sombra de um cavallo, mas quando fosse um potro servil de Alter não conseguiria cuspil-o da sella a que se agarrava com as caniculas de aço. 

O farçante tinha a consciência do seu valor e o enthusiasmo do seu officio. Quatro mariolões trajados de amazonas flanqueavam-n'o com o garbo imponente de ajudantes de ordens. Magarefes das fressureiras, com pífaros, trombetas e tambores, n'um escândalo estrondoso de harmonia, alvorotavam de alegria familias sisudas, que dos primeiros aos quintos andares se precipitavam das janellas, simulando a loucura do suicídio; 

pretos de cavallinho de pasta formavam a reserva em brados estridules e n'um batuque medonho! O neto, com mão profusa, distribuía cartazes, onde muitas vezes vinham versos que chispavam graça, como chispa um fogareiro de cepa espirrando ás correntes do vento. 

Os africanos serviam-se de cavalos de pasta que "reviviam a figura antiga dos cavalinhos fuscos” da Procissão do Corpo de Deus de Lisboa de 1482 e de Coimbra de 1517.
Os pretos em cavalinhos de pasta, litografia Legrand.
Imagem: Os africanos em Portugal...

Eram feitos esses versos por um velho poeta, companheiro de Bocage no escabujar da Arcádia.  Conheci-o muito; Xavier, creio que se appellidava. Ainda haverá algum colleccionador que tenha um ou outro d'esses cartazes, realmente primor de sal portuguez. 

N'esse tempo, nas toiradas, o cavalleiro acceitava duellos, isto é, se perdia o estribo ou lhe cahia o chapéo tinha obrigação dê se apear e pôr um par de ferros. Davam-se ás vezes episódios cómicos e outros que puxavam a trágicos. A coisa foi prohibida.

O jardim da Estrella era um relvão a que se mettia o arado para semear trigo. O cemitério dos inglezes mantinha, como hoje, a correcta e sombria severidade. 

Lisboa Estrela Lissabon Wien M. Trentsensky c 1850 BNP 01
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Patrulhas da municipal, cosidas com as paredes, enormes capotes de oleado e as pesadas armas ao hombro, policiavam as ruas. A tropa de linha embirrava com ellas e a cado passo se levantavam conflictos [...]

Guarda Municipal de Lisboa
Typos Costumes Portugueses, João Palhares, c. 1850.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Mas que fazer n'aquelles tempos. Além das patrulhas da municipal outra força havia para manter a ordem publica: os cabos de policia, foco vivo de todas as rixas e tumultos das ruas de Lisboa.

Os cabos eram pessoas de posição; muitos com lojas abertas e alguma coisa de seu. Noite cerrada, depois de ceados e escorvados com duas chinitas de aguardente, para fazer cara ás intempéries e á pancadaria, sabiam de casa sob o benéfico influxo do Credo em cruz da familia, e cada um d'elles se julgava um Cid Campeador na heroicidade mavórcia.

O trajo variado ia do chapéo alto até o barrete de campino. No armamento entrava a partazana, o sabre curvo, o pistolão de pederneira, que nâo pegava fogo nunca, e os camuletes nodosos em maior quantidade.

Rua do Século (antiga Rua Formosa), Lisboa Velha de Roque Gameiro.
Imagem: roquegameiro.org

O campo ordinário de suas façanhas era no Bairro Alto [...] (1)


(1) Bulhão Pato, Memórias Vol. III, Quadrinhos de outras éphocas, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1907

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Um boné por uma cabeça

El-Rei entrou seguido da aia. A lnfanta ergueu-se e El-Rei beijou-a na testa. D. Miguel vinha vestido à paisana e com uma chibatinha na mão. Mostrava um ar satisfeito. 

Retrato de D. Miguel I, Palácio Nacional de Queluz.
Imagem: Portugal Virtual

Deu uma volta pelo quarto cantarolando, e depois sentou-se dizendo:

— Saiba V. A. que acabo de experimentar o mais soberbo cavallo que tenho visto. E não é estrangeiro, é do paiz, pura raça d'Alter. Bello bicho, bello bicho. Leve como uma penna, caminha que desapparece.

D. Miguel I (1802 - 1866), rei de Portugal (1826 - 1834),
Franz Xaver Stöber, segundo Johann Nepomuk Ender, 1826.
Imagem: Wikipédia

— Ora, senhor Rei meu irmão! Porque não anda V. M. devagar? Tomara que acabasse a moda de andarem os Reis sempre a correr. Fico muito assustada sempre que vejo partir V. M. a todo o galope.

Infanta Maria da Assunção de Portugal (1805-1834),
por Nicolas-Antoine Taunay.
Imagem: Grand Ladies

— É porque V. A. não sabe apreciar este prazer, e não gosta senão do passo de sendeiro da sua egoasinba branca. Mas vejo V. A. hoje tão risonha, fóra do seu costume. Grande novidade!

— É porque, disse a Infanta, ha oito dias que procuro fallar a V. M., e não me é possivel encontra-lo. Os politicos trazem-n'o tão occupado... Estou certa de que V. M. seria muito mais feliz, se viesse todos os dias conversar comigo aqui algum tempo, com a sua irmã que muito o estima.

— Então aqui estou. Sempre quero ver o que tem para me dizer. Ahi vae V. A., como costuma, sobrecarregar-me de pedidos para tantos desgraçados, que era preciso que a casa real tivesse as rendas do reitor Mendes para os satisfazer a todos.

— Hoje não tenho mais que um pedido a fazer-lhe, e não è de esmolas nem de pensões, é de palavras e coisa muito facil. Muito facil para V. M., dificil e impossivel para qualquer outra pessoa.

— Ah! Pensa então V. A. que eu posso muito? Os reis não podem nada, ainda mesmo os absolutos. Por exemplo, pensa V. A. que teriam morrido aquelles 18 desgraçados do 4 de infanteria se eu tivesse o poder que V. A. julga?

— Então quem è que abaixo de Deus pode mais n'esta terra do que V. M.?

— As leis, Infanta, as leis; e é necessario cumpril-as a todo o transe. Assim m'o dizem os meus ministros, os meus padres, os meus juizes, emfim toda a gente — respondeu o rei, inclinando a cabeça e cruzando as mãos sobre o peito.

— Senhor, replicou a Infanta, as leis dos homens quando mandam matar não se podem cumprir, porque são contrarias ás leis de Deus.



A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

— Vá lá dizer isso aos meus conselheiros! Gritavam logo-aqui d'el-rei! — contra mim proprio.

— Pois grite V. M. — aqui d'El-rei! — contra elles, volte-lhes as costas, e faça a sua vontade.

— V. A. não entende d'isto de governar um povo. Olhe que sempre è um grande pezo e uma grande responsabilidade. Não tenho socego. Estou ás vezes com vontade de mandar dizer a nosso irmão: "Senhor! Deixemo-nos d'estas desintelligencias e d'estes combates. Já estou farto de tantas mortes e de tanto sangue. Venha o meu irmão tomar conta d'isto, e deixe-me socegado com os meus cavallos e as minhas caçadas".

Mas que está V. A. aqui fazendo n'esto bastidor? disse D. Miguel, inclinando-se sobre o pequeno trabalho da infanta. Que bonita coisa! Um pedaço de veludo cor de rosa bordado a oiro; as armas de Portugal; cinco chagas — a religião, sete castellos — a força.

Bandeira de D. João V e nacional de Portugal de 1826 a 1830,
usada pelos miguelistas (ou absolutistas ou realistas).
Imagem: Wikipédia
— É um bonet que estou fazendo para offerecer a V. M. — disse a lnfanta.

— Obrigado, obrigado. Como ha de ficar bonito! E esta quasi prompto — disse El-Rei, continuando a examinar o trabalho.

— Pouco falta, respondeu a Infanta muito satisfeita; mas não lh'o dou se V. M. me não conceder a tal coisa muito facil de que lhe fallei.

— Pois bem, dou-lhe palavra, mas com a condição de que me hade dar o bonet— disse o rei gracejando.

— Ainda mesmo contra a vontade dos seus conselheiros?

— Seja, respondeu el-rei, continuando à ver o bordado; mas com a condição que puz.

— Palavra de rei?

— Palavra de rei, mesmo porque V. A. nunca me pediu nada que me compromettesse.

— Por esse lado não ha que receiar: longe de o comprometter, torna-me mais sua amiga, se é possivel, e receberá as bençãos de immensa gente.

— Vamos a ouvir.

A conversação foi interrompida pela voz de uma aia que disse — O sr. conde de S. Lourenço [António José de Melo Silva César e Meneses, ministro e secretário de estado da guerra do governo de D. Miguel] manda dizer a V. M. se se digna dar-lhe as suas ordens.

— É o que lhe disse ha pouco, exclamou D. Miguel, nunca me deixam.

— Mande-o entrar, disse a lnfanta!

— Vá, se V. A. assim o quer: eu aqui obedeço.

Pouco depois entrou o conde inclinando-se todo. Dirigiu-se primeiro para a Infanta, que carregou as sobrancelhas, e deu-lhe a mão a beijar, voltando-lhe quasi de todo as costas; e beijou depois a mão a El-Bei.

O conde percebeu bem os movimentos da lnfanta, fez-se muito vermelho, e ficou em pé com os olhos no chão.

— Sabe V. M. uma coisa, disse a lnfanta. Hontem foram condemnados a pena ultima mais 22 desgraçados do 4 de infanteria. Talvez V. M. ainda o ignorasse.

— De certo, disse o Rei com a voz um tanto alterada. E como acontece então que V. A. o soube primeiro?

— Peço perdão, interrompeu o conde, se V. M. o não soube ha mais tempo, é porque não teve occasião de ver os papeis d'esta pasta, que estava na sala do despacho desde hontem.

D. Miguel pegou na pasta que o conde lhe offerecia e exclamou.

— Mais sangue, sr. conde, mais sangue! Já tive occasião de lhe observar que estava aborrecido de tanta mortandade.

A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

EI-Rei dizendo isto aproximou-se da janella por entre as cortinas.A lnfanta foi para o lado d'El-Rei. Ia passando uma guarda de realistas dos Caetanos, que vinha para o paço, levando adiante da musica grande multidão de povo.

— Como são feios estes realistas! disse a Infanta. E continuou, abaixando a voz — Agora faça-me V. M. favor de despedir o Conde.


Quadros da Historia de Portugal,
Aguarela de  Alfredo Roque Gameiro.
Imagem: www.roquegameiro.org

El-Rei que estava de bom humor disse ao Conde:

— Já vou ter com v. ex.a á sala do despacho.

O conde inclinon-se e saiu. Apenas elle desappareceu, a Infanta pegou vivamente na pasta que El-Bei tinha largado, correu os papeis com a vista, e tirou um dizendo — Aqui estão os nomes dos desgraçados condemnados á morte.

Lisboa vista da Quinta da Torrinha Val Pereiro, gravura de William James Bennett sobre desenho de L. B. Parlgns.
Imagem: Museu de Lisboa

— Que faz Infanta! disse El-Rei. Era melhor que continuasse a bordar o meu bonet.

— Lembra-se V. M. do que me prometteu?

— Lembro, com tanto que V. A. se não esqueça tambem da sua promessa.

— V. M. tem o seu bonet amanhã, se salvar da morte este Luiz Franco, que está na relação dos sentenciados, e por quem eu e tanta gente lhe temos pedido.

El-Rei ticou pensativo por um momento, depois disse: 

— Concedido.

— Ah senhor! Quanto lhe agradeço! disse a Infanta com as lagrimas nos olhos abraçando El-Rei.

— Oh! Infanta, como está commovida! Venha tomar ar. Abram a janella!

Lisboa, Escola do Exercito (antigo palácio da Bemposta), ed. Martins/Martins & Silva, s/n, c. 1900.
Imagem: Delcampe

Uma aia abriu a janella. Estava-se a render a guarda do paço. A multidão que aflluia para ouvir a musica, vendo as pessoas reaes, começou a victorial-as.

— Creia V. M., disse a lnfanta, que nunca mereceu tanto aquelles vivas como agora. Se V. M. m'o permitte vou já acabar-lhe o seu bonet.

— Visto isso, disse D. Miguel rindo e afastando-se da janella, trocou V. A. um bonet por uma cabeça.

E saiu do quarto cortando o ar com a chibatinha [...] (1)


(1) António Avelino Amaro da Silva, O Caramujo, romance histórico original, Lisboa, Typographia Universal, 1863

Artigo relacionado:
A familia do rei Clemente

sábado, 18 de novembro de 2017

Lisboa c. 1700, no traço de Jacques Martin por Luís Diferr

Quando era adolescente e lia, "absolutamente estupefacto", as aventuras de Alix desenhadas por Jacques Martin, o português Luís Diferr estava longe de imaginar que um dia, no futuro, ia assinar um álbum de uma série do universo do grande autor da banda desenhada franco-belga.

Rua Nova dos Mercadores (detalhe), As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Ilustração por autor de BD (I) - Luís Diferr

E ver o seu nome na capa, ao lado do do criador de álbuns clássicos como O Último Espartano ou As Legiões Perdidas, e de personagens como Alix, Lefranc, Jhen ou Loïs [...]

Capa do albúm, Portugal, Luís Diferr, edições ASA, 2010.
Imagem: Kuentro

O autor português recordou ao DN como tudo começou. "Eu encontrei-me o Jacques Martin no Festival de Banda Desenhada da Amadora em Outubro de 2002, estavam lá também o Rafael Morales, desenhador, e o editor, o Jimmy Van den Hautte. Já conhecia o Martin de um Salão da Sobreda e estive a falar com o Jimmy". 

O terraço da Torre de Belém ou Forte de S. Vicente, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Luís Diferr (no Blogger)

Mostrei-lhe o último álbum que fiz, Os Deuses de Altair, e umas fotocópias de outros trabalhos, e ele propôs-me fazer este álbum do Loïs. Na altura não percebi o que era, porque ainda não existia a série, que se passa na época do Luís XIV. Algum tempo depois, o Jimmy mandou-me algumas fotocópias do primeiro álbum, que estava em produção, eu enviei-lhe uma proposta e um desenho de base, que foi o dos Jerónimos, e foi assim que tudo arrancou".

Praia do Restelo e Mosteiro dos Jerónimos, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Ilustração por autor de BD (I) - Luís Diferr

Começaram então seis anos de "trabalho gigantesco", como conta Luís Diferr.

Aqueduto das Águas Livres (iniciado em 1731) sobre a Ribeira de Alcântara, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Ilustração por autor de BD (I) - Luís Diferr

"Quando comecei a fazer o álbum tinha um horário completo de professor. Mas quando começou a pesar, tive que pedir uma licença sem vencimento. Foi uma tarefa muito exigente, em termos gráficos como na procura e consulta de documentação. Quando me envolvi neste projecto, nunca me passou pela cabeça o trabalho que iria ter".

Praça do Rossio, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Ilustração por autor de BD (I) - Luís Diferr

"Tendo como referente que as histórias de Loïs se passam no reinado de Luís XIV, Diferr situou Portugal "entre meados do século XVII e do século XVIII [v. Lisboa do século XVII 'a mais deliciosa terra do mundo']. É a época de D. João V, que foi um rei absolutista à maneira de Luís XIV" .

Mercado da Ribeira junto à Casa dos Bicos, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Ilustração por autor de BD (I) - Luís Diferr

Diferr fez "tudo" em Portugal, "excepto a introdução, que é do Jacques Martin. Os desenhos são todos meus, bem como as fotos, excepto duas ou três.

Sé de Lisboa  ou Igreja de Santa Maria Maior, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Kuentro

Ele acompanhava o trabalho que lhe era submetido à apreciação, via os desenhos a lápis, dizia para modificar isto ou aquilo. Depois, eram passados a tinta da china e a seguir iam à cor. Mas pouco tempo depois, ele afastou-se por causa dos problemas de vista de que sofria, e a validação dos desenhos passou a ser feita por um comité da Casterman", conta.

Sé de Lisboa  ou Igreja de Santa Maria Maior, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem: Ilustração por autor de BD (I) - Luís Diferr

O autor de Alix "era muito exigente" e Diferr teve "alguns problemas, sobretudo por causa da vista dele. O Jacques Martin sabia muito bem o que queria, mas já estava com muita dificuldade em avaliar os desenhos, não os conseguia ver como um todo. Tinha que usar um aparelho que os ampliava aos bocados e depois que os reconstruir na sua cabeça".

Vista geral de Lisboa na direcção nordeste, As Viagens de Loïs, Portugal, Luís Diferr.
Imagem:

O álbum levou a que fosse proposto ao autor luso "uma das personagens do universo do Jacques Martin, o Jhen. Também apresentei algumas propostas à Casterman, mas umas não avançaram e outras estão em espera", revela.

Segundo Luis Diferr, ela chama-se Joana. Nascida em Sintra, perto de Lisboa, o que faz que ela sempre tenha gostado de respirar o ar puro da montanha e do mar. A sua expressão doce esconde uma alma que sabe muito bem o que quer...
Imagem: AlixMag

"Este álbum vale por si mas também pelas portas que pode abrir, ali ou noutra editora. Espero que alguma coisa se resolva, até porque o mercado franco-belga é muito competitivo, ainda mais para alguém de fora. Mas pronto, a esperança é a última a morrer". (1)


(1) Diário de Notícias, 16 de junho de 2010

Informação relacionada:
Loïs au Portugal?
Les voyages de Loïs, Le Portugal, Interview de Luís Diferr
Apresentação de "As Viagens de Loïs – Portugal" de Luís Diferr (texto e desenhos)...
Jacques Martin – Luís Diferr
Ilustração por autor de BD (I) – Luís Diferr
As Viagens de Loïs – Portugal
Amadora BD – Luís Diferr

Mais informação:
Luís Diferr (no Facebook)
Luís Diferr (no Blogger)
Luís Diferr (no Sandawe)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Maureen O'Hara, Lisbon (1956)

Aristides Mavros (Claude Rains), um contrabandista internacional, com sede em Lisboa, fez um contrato com Sylvia Merril (Maureene O'Hara), jovem e linda mulher dum ancião americano multimilionário, Lloyd Merril (Percy Marmont), a fim de conseguir a sua fuga e liberdade dum país atrás da Cortina de Ferro, onde se encontra incomunicável durante dois anos.

Lisbon, Maureen O'Hara & Ray Milland, 1956.
Imagem: OK.RU

Precisando dum barco veloz, Mavros contrata o serviço do capitão Robert Evans (Ray Millard), um ex-oficial da Marinha de Guerra dos E. U., actualmente exercendo actividades ilegais, transportando contrabando de vinhos e jóias no seu barco "Orca". 

Lisbon, 1956, participação de Anita Guerreiro com o fado-marcha "Lisboa Antiga" aos 26' 47".
Imagem: OK.RU

Evans aceita o encargo pelo valor de $10.000, ficando no barco aguardando a chegada da embarcação de pesca que transporta Merril, próximo do porto de Lisboa. 

Lisbon, Maureen O'Hara & Ray Milland, 1956.
Imagem: OK.RU

Sylvia apaixona-se por Evans, tendo Mavros sugerido que, se o seu marido for entregue morto, ela poderá vir a herdar os milhões deste e casar-se com um homem da sua idade. 

Lisbon, Maureen O'Hara & Ray Milland, 1956.
Imagem: eBay

A mulher apaixonada aceita a proposta, prometendo pagar pelo trabalho um milhão de dólares. Mavros ordena a Serafim (Francis Lederer), companheiro da viagem, que mate Merril e Evans, lançando o cadáver ao mar e trazendo o de Merril como prova da sua morte.


Com a chegada do barco de pesca, Merril é transferido são e salvo a bordo do "Orca". Na viagem de regresso, Evans surpreende Serafim atentando contra a vida do industrial milionário e, durante a luta, o agressor é morto. 

Lisbon, Maureen O'Hara & Ray Milland, 1956.
Imagem: OK.RU

Evans entrega Merril salvo à sua desconcertada Sylvia, sendo Mavros preso por contrabando e Sylvia aconselhada para de futuro, cuidar melhor do seu marido. Evans parte, para viver uma vila alegre, com a sua futura esposa, Maria Masant. (1)


(1) Folheto de Cinema – Teatro Vitória (IX) – "Lisbon"

Informação relacionada:
Portugal através do mundo: "Lisbon" de Ray Milland (1956)
International Movies Poster

domingo, 5 de novembro de 2017

Carta de Lisboa por Miguelanxo Prado

Este libro, feito en colaboración co escritor Eric Sarner, tivo ata o momento edicións soamente en francés (edición orixinal) e en edicións biligües portugués - francés/inglés/castelán co título Carta de Lisboa.

"Esperando a D. Sebastião."
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

Calquera delas é xa moi difícil de atopar.

"La luz de Lisboa, de nuevo, cruzando o Teijo"
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

Tanto Eric como eu coñeciamos Lisboa desde facía tempo e acordamos unha metodoloxía de traballo simple: durante os quince días que duraría a nosa estancia percorreriamos xuntos a cidade, tomariamos notas e apuntes, pero en ningún momento os compartiriamos, de maneira que a visión do un non condicionase a do outro.

"Lisboa"
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

Así o fixemos. 

"Ver a los conductores del "28" manejar esos paquidermos metálicos es todo un espectáculo"
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

Só houbo dúas claras violacións do acordo.

"Lisboa, de nuevo. Ensoñada"
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

A primeira, que ao cabo de dous ou tres días os dous advertimos que, imprevisiblemente, Lisboa estaba chea de sutís referencias animais.

"Lisboa, siempre Lisboa"
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

Estaba claro que ese fío condutor aparecería en texto e imaxes.

"Alfama, Lisboa"
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

A segunda, un fascinante suceso cunha fotografía atopada por azar nun lugar inverosímil.

"Mercadillo y rastro en Lisboa"
Carta de Lisboa, Miguelanxo Prado, (desenhos), Eric Sarner (argumento),Meribérica/Líber, 1998.
Imagem: Miguelanxo Prado (fb)

Era imposible non facer comentarios e elaborar unha historia común ao redor daquel achado. (1)


(1) Une lettre trouvée à Lisbonne

Mais informação:
ActuaLitté, Miguelanxo Prado, cet immense talent de la bande dessinée espagnole
Ardalén
Miguelanxo Prado (fb)
www.miguelanxoprado.com
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Informação derivada:
Pisca de Gente
Largo da memória

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

José Rodrigues (1828-1887), quadros diversos e retratos

Lista de quadros de diversos generos pintados a oleo por José Rodrigues (segundo apontamentos deixados por elle proprio na sua carteira)

Auto-retrato do pintor José Rodrigues aos 32 anos (detalhe).
Imagem: Wikipédia.

1 O pobre da púcara; meio corpo. Pertencia a el-Rei D. Fernando.
2 O pobre rabequista, composição de tres figuras do tamanho natural. Pertencia a el-Rei D. Fernando. Hoje ao snr. Conde do Ameal.

O pobre rabequista ou O cego rabequista, José Rodrigues, 1855.
Imagem: MNAC

3 O malmequer. Pertencia a D. Maria Rufina de Lima Iglesias.
4 Os peixes.
5 Penhascos da Mancha. Pertencia ao Marquez de Sousa Holstein.

Penhascos da Mancha, José Rodrigues.
Imagem: Wikipédia

6 O guarda da linha ferrea. Pertencia ao mesmo.
7 Scena oriental.
8 Dois marroquinos em repoiso.
9 O antigo vendedor de agriões em Cintra. Pertencia a el-Rei D. Luiz.
10 O rapaz pedinte. Pertencia ao mesmo senhor.
11 A sésta do porco.
12 Os patos na levada.
13 A recusa, quadro de costumes da edade média; pequenas dimensões.
14 A cosinha.
15 A camponeza. Pertencia a el-Rei D. Luiz.
16 O jantar do varredor.
17 O sapateiro.
18 Tarde de inverno.
19 O aguaceiro.
20 Os salteadores na caverna.
21 A ceia dos salteadores.
22 Os cisnes. Pertencia a F. Lourenço da Fonseca.
23 O pôr do sol. Pertence a Francisco Parente da Silva
24 A camponeza.
25 A criada. Pertencia a Carlos Relvas.
26 O cosinheiro. Pertencia ao mesmo.
27 Margens do Tejo, proximo de Santarém. Pertencia a el Rei D. Luiz.
28 Nossa Senhora da Conceição, para Guimarães.
29 Nossa Senhora das Felicidades. Pertencia a D. Maria Rufina de Lima Iglesias.
30 A Madre Theresa do Lado. Pertencia á mesma.
31 Flores e frutos; altura 1m,09, largura 1m,72. Pertencia a el-Rei D. Fernando.
32 As portas do Ceo, quadro do tecto da capella do cemiterio dos Praseres.

As portas do Céu, Capela do Cemitério dos Prazeres, José Rodrigues.
Imagem: Amélia Monteiro, VortexMag

33 Quadro do tecto da sala do Tribunal do Commercio de Lisboa.
34 A Cidade de Lisboa, quadro do tecto da sala grande das sessões da Camara Municipal de Lisboa 5.m de largo, por 4.m de alto. 1883.

Tecto do Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, José Rodrigues, 1883.
Imagem: Mundo Indefinido

35 A carta da namorada. Pertencia a Francisco Ricca.
36 A volta da cidade. Pertencia ao mesmo.

*
*     *

Lista dos retratos pintados a oleo por José Rodrigues (segundo apontamentos deixados por elle proprio no seu album) 

1847
1 D. Maria Rita de...
2 José de Sousa. 

1848
3 Pedro Rodrigues de Carvalho. 
4 Joaquim Bento Pereira (Barão do Rio Zêzere em 1851.) 
5 D. Joaquina Lucia de Brito Velloso Peixoto, (Baronesa do Rio Zêzere.) 
6 José Bernardino Frasâo. 
7 D. Henriqueta Mathilde Frasão. 
8 D. Marianna Victoria de...

1849
9 Francisco de Paula Cardoso. 
10 Roberto Cohen. 
11 Alfredo Fernandes Claro. 
12 Antonio de Almeida Didier (menino de 8 annos.)

1850
13 José Daniel Colaço, depois Cônsul Geral e Ministro em Tanger, e barão de Colaço de Macnamara. 14 ... Ferreira, Escrivão de Direito em Guimarães.
15 Luiz Pinto Tavares (residente em Castello Branco)
16 Cândido José de Oliveira.
17 Luiz Carlos Leão Trinité.
18 Visconde de Oçrar, Antonio Maria Pereira da Costa, General de Brigada.
19 Viscondessa de Ovar, D. Maria Rita de Oliveira Pinto da França.
20 José Firmo Ferreira dos Santos, Medico cirurgião.
21 Dr. Antonio Dias de Azevedo, irmão do Conde de Podentes.
22 D Emilia Brower, sua mulher
23 José Frederico Pereira da Costa (Ovar.)
24 D. Theresa Jacintha Maria Sanz Monteiro.

1851
25 Constantino Rodrigues Batalha.
26 ... de Andrade, Commundante de Artilharia 1.
27 João Firmino Ribeiro.
28 Francisco Rodrigues Batalha
29 D. Maria José Couceiro Stamp
30 D. Theresa Clara Cardoso de Faria e Maia.
31 Repetição do mesmo, para a Ilha de S. Miguel.
32 José Marcellino, Coronel de Artilharia.
33 Copia de um retrato a daguerreotypo para o Rio de Janeiro.
34 Conego Mendes.
35 Visconde do Pinheiro, D. Miguel Ximenez.

1852
36 José Avellino da Costa Amaral.
37 Joaquim Antonio dos Santos Teixeira, Cirurgião em chefe do Exercito.
38 D. Camilla Adelaide Stamp.
39 Joaquim Ignacio Ribeiro.
40 José Bernardo da Silva, Capitão de mar e guerra
41 Flammiano José Lopes Ferreira dos Anjos.
42 . .Juiz em Palmella (copia.)
43 Mr. John Stott Howorth.
44 José Vieira da Silva, para Loanda.
45 Mathias José Pereira, para o Maranhão.
46 D. Anna Clara Pereira, para o Maranhão.
47 e 48 Duque de Saldanha, e uma repetição para Coimbra.

1853
49 Duque de Palmella, D. Pedro, copia de um busto.
50 Joaquim Theotonio da Silva, Medico-cirurgião.
51 Antonio Lopes Ferreira dos Anjos.

1854
52 Ricardo Fernandes de Oliveira Duarte.
53 Julio Stamp.
54 Antonio Lopes Ferreira dos Anjos, para a Certan.
55 Barão de Almeida, Antonio Thomaz de Almeida e Silva.
56 Barão de Sarmento, General Ajudante de campo d’el-Rei D. Fernando.
57 D Leonor Magdalena Pecquet Ferreira dos Anjos.
58 José Pedro Henriques Barbosa.
59 D. Maria Guilhermina Marques dos Anjos.
60 D Maria do Ceo da Costa Guerreiro.
61 e 62 Duas meninas em grupo, para o Pará.

1855
63 José Maria do Couto.
64 e 65 Antonio Joaquim Luiz de Sequeira, e D. Gracinda de Jesus Alves de Sequeira, em grupo.
66 Antonio Augusto Martins Ludovice, de reminis- cência.
67 Salvador José Castanlio.
68 D. Carolina Amalia do Carmo Bastos Castanho.
69 Manuel Joaquim Barbosa.
70 D. Amalia Theodolinda Bastos
71 Joaquim Ignacio Ribeiro, repetição do retrato pintado em 1852, ut supra.
72 Sua Magestade el Rei D. Pedro V, do reminiscência, em transparente, para os festejos da Acclamação em Beja.
73 Conselheiro Francisco José Vieira, para o Porto.

1856
74 Antonio Rino Jordão, para Leiria.
75 João Affonso Henriques
76 Viscondessa de Benagazil, D. Catharina Rita Pereira Caldas, copia
77 Guilherme Ribeiro da Cunha
78 José Joaquim Vicente de San-Romão.
79 Sua Magestade el-Rei D. Pedro V, quadro de oito palmos.
80 João Paulo Cordeiro, copia.

1857
81 D. Maria Bernardina da Gama Salema.
82 Sua Alteza a Senhora Infanta D. Isabel Maria
83 Padre Beirão. 
84 Conselheiro José da Silva Carvalho, copia
85 Anonymo,
86 Repetição do dito.
87 D. Catharina Candida de Andrade Lima, copia para Portalegre.
88 João do Couto, para o Brazil.
89 e 90 As meninas Mayas, grupo de duas.
91 D. Rosinda Maria Maya.

1858
92 Sua Magestade el-Rei D. Fernando, para o Rio de Janeiro.
93 D. Gertrudes Magna da Silva Salles.
94 Barão de Almeida, Antonio Thomaz de Almeida e Silva Pertence a sua filha a senhora Baroneza de Almeida D. Anna de Menezes.
95 Sua excellencia o Arcebispo de Braga, D. José Joaquim de Azevedo e Moura, para Braga
96 João Luiz Gonçalves, de reminiscência.
97 Sua Eminência o Cardeal Patriarcha de Lisboa, D. Manuel B nto Rodrigues, para Braga.
98 José Maria Carvalho e Costa.

1859
99 Matteus José Baptista, Medico cirurgião.
100 Fernando Postscli, copia de daguerreotypo.
101 D. Maria Eugenia da Cunha Mattos de Mendia.
102 D. Maria Luisa Telles, para o Rio de Janeiro.
103 José Vieira da Silva Junior.
104 José Joaquim Vicente de San-Romão Junior.

1860
105 Sua Majestade el Rei D. Pedro V, para o salão da Praça do Commercio de Lisboa.
106 D. Maria Luisa de Araújo Telles.
107 D. Maria Candida de San Romão e seu filho, em grupo.
108 José Maria dos Santos.
109 D. Maria Rosa da Costa Lima, mãe do Visconde de Porto Côvo de Bandeira.

1861
110 Condessa de Farrobo, D. Maglalena Pinault, em trajo á Luiz XV, quadro de 2m,30. Pertence a sua filha D. M. Joaquina Quintella casada com Mendonça.
111 Francisco Lourenço da Fonseca.
112 D. Maria José Gaia da Fonseca
113 Joaquim Julio Rodrigues de Macedo.
114 Conde de Porto-Côvo de Bandeira, em trajo de ceremonia como Par do Reino, quadro de 2m, e 30, Pertence ao actual Conde.
115 Alexandre Herculano de Carvalho, para o Gabinete Portuguez de leitura do Rio de Janeiro.

1862
116 Sua Majestade el-Rei D. Luiz, para a sala dos capellos da Universidade de Coimbra, quadro de 3.m de altura.
117 Sua Majestade el-Rei D. Pedro V (de reminiscência) para a escola de Mafra, encommenda da Sociedade Madrépora do Rio de Janeiro.
118 Mademoiselle Cunha.
119 Sua Majestade el-Rei D. Luiz, encommenda do Ministério da Marinha para a sala do docel do palacio do Governo Geral em Moçambique, quadro de 2.m e 60, por 1.m e 70.
120 Sua Majestade el Rei D. Luiz, para Pernambuco, quadro de 3.m por 2.m.

1863
121 D. Maria do Resgate da Graça de Figueiredo.
122 Sua Magestade el Rei D. Luiz, para o Pará, quadro de 5.m.
123 Conde de Rilvas. 124 Joâo Pinto de Araújo, para o Pará.
125 Repetição do mesmo.
126 D. Jeronyma Candida Vieira, copia, para o Maranhão.
127 D. Clotilde da Cunha Ricca, de reminiscência, menina de dois annos de edade.
128 Joaquim Antonio da Silva, para o Pará.
129 Repetição do mesmo.
130 Sua Majestade el-Rei D. Luiz, para a Camara dos Senhores Deputados.
131 D. Cecilia Couceiro Caramaça (de memória.) Existe em poder do snr. Conselheiro Eduardo Pinto da Silva e Cunha na sua quinta do Campo Grande.

1864
132 Sua Majestade el-Rei D. Luiz, para o paço de S. Vicente.
133 Manuel José Dias Monteiro, e D. Anna Isabel Furtado Dias Monteiro, os dois em grupo-quadro de 1,46 por 1.10.
134 Manuel Joaquim de Oliveira.
135 D. Gracinda Alves de Oliveira.

1865
136 José Maria da Silveira Estrella, copia de photographia.
137 D. Anna Telles de Vasconcellos. 
138 Visconde de Porto-Côvo.
139 Joaquim Carlos de Champalimaud; copia de photographia.
140 Sua Majestade el-Rei D. Pedro V, de reminiscência, para a Sociedade de Beneficencia do Rio de Janeiro, quadro de 2.m e 50, por l.m e 50.

1866
141 Frederico Biester, copia de photographia.
142 D. Maria Emilia de Champalimaud Paes, copia de photographia.
143 Jacintho Paes de Mattos Moreira, copia de miniatura.
144 Sua Majestade el-Rei D. Luiz, para Benguella.
145 D. Maria do Carmo Ulrich.
146 Sua Majestade el Rei D. Luiz, para a Camara dos Dignos Pares.

1867
147 Marquez de Niza.
148 Copia de uma photographia, para Caxias (Brazil)
149 Manuel de Sampayo de Sousa Cirne, Junior, copia de daguerreotypo, para Santarém.
150 Joaquim Caetano Lopes da Silva.
151 José Iglesias, em grupo com sua mulher.
152 D. Maria Rufina de Lima Iglesias.
153 D. Maria Ignacia da Costa, da Bahia.
154 Duarte Fernandes, copia.
155 D. Maria Adelaide Baldaque da Silva, mulher de Pedro de Medeiros e Albuquerque, copia de photophia.

1868
156 Henrique Feijó da Costa, de reminiscência.
157 Sua Majestade el-Rei D. Pedro V, para o Asylo do Campo grande.
158 D. Maria Guilhermina da Silva.
159 José Relvas de Campos, de reminiscência.

1869
160 João Anastacio Dias Grande, para Portalegre. Pertence a D. Luisa Grande de Freitas Lomelino e Vasconcellos.
161 D. Anna Francisca dos Santos e Araújo, para o Porto.
162 Repetição do mesmo, para o Pará.

Retrato de Nuno de Freitas Lomelino, José Rodrigues 1869.
Imagem: Museu Quinta das Cruzes

1870
163 José Elias dos Santos Miranda.
164 Conego D. Francisco de Paula de Azevedo.
165 Agostinho Dias Lima, para a Bahia.
166 A mãe do Conego Manuel dos Santos Pereira, para a Bahia.
167 O menino Iglesias, copia.

1871
168 Visconde das Laranjeiras.
169 Manuel Luiz Ferreira dos Santos, para a Bahia.
170 Miguel Antonio Gonçalves da Costa e Amaral, para Mangualde.
171 D. Leonor Margarida de Carvalho da Fonseca e Amaral, para Mangualde.
172 Dr. Seabra, para o Pará.
173 Sogra do antecedente, para o Pará.
174 Jeronymo Mauricio dos Santos.
 
1872, 1873, 1874, 1875
175 D. Emilia Gomes dos Santos, para a Bahia.
176 Antonio Augusto Tarujo Formigai.
177 D. Cecilia Couceiro Caramassa, de reminiscência.
178 Marquez do Bomfim. para o Rio de Janeiro.
179 Flamíniano José Lopes Ferreira dos Anjos, repetição do retrato pintado em 1832.
180 D. Leonor Magdalena Pecquet Ferreira, dos Anjos, repetição do retrato pintado em 1854.
181 Sua Majestade el-Rei D. Luiz, para o Tribunal do Commercio de Lisboa.
183 Jacinto Paes de Mattos Falcão, Conde do Bracial,
184 A mulher do antecedente, D. Emilia.

1876, 1877
185 Antonio Marcellino Facco.
186 D. Ermelinda Mauricia dos Santos Facco.
187 Dr. Josè Maria Borges, Juiz da Relação
188 Um menino, (corpo inteiro) da familia Faria e Maia, da ilha de S. Miguel.
189 D. Guilhermina Godinho de Andrade
190 Fammiano José Lopes Ferreira dos Anjos, nova repetição do retrato de 1852.
191 D. Leonor Magdalena Pecqnet Ferreira dos Anjos, nova repetição do retrato de 1854.

1878
192 A menina Aragao Moraes, de reminiscência.

Photographia [de José Rodrigues]
tirada na Golegan pelo seu amigo Carlos Relvas.
Imagem: Wikipédia

(Por falta de saude e outros motivos particulares, estive dois annos sem pegar em pincéis, e os retratos que fiz depois deixei de aqui os indicar, por falta de animo ou desleixo. Hoje 21 de Abril de l883, querendo continuar esta relação do que me recordo, sem ordem ter assignado, são os seguintes.) Nota autographa do Autor no seu referido Album. 

193 Alberto Neves de Carvalho, para Caxias (Brasil)
194 Antonio João Alves da Cunha e Silva, para o Rio de Janeiro.
195 D. Marianna Alves da Cunha e Silva, para o Rio de Janeiro.
196 Visconde de Castilho, Antonio Feliciano de Castilho, de reminiscência e por photographias: encommenda da Camara municipal de Lisboa para uma das suas escolas [escola municipal de S. Vicente].

Retrato de António Feliciano de Castilho, José Rodrigues, 1883.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

197 Conselheiro Antonio Rodrigues Sampaio, idem.
198 Barão de S. João d'Areias, Manuel de Serpa Pimentel.
199 Dr. Carlos Zephyrino Pinto Coelho.
200 Um Americano, para Liverpool.
201 Antonio Rodrigues Sampaio, repetição.
202 Sebastião José de Freitas.
203 ... Freitas Rego.(1)


(1) Júlio de Castilho, José Rodrigues, pintor portuguez..., Lisboa, Livraria Moderna, 1909

Informação relacionada:
Com Jeito e Arte

Outras referências:
Academia das Bellas Artes de Lisboa, Quinta Exposição, 1862