quarta-feira, 15 de maio de 2019

Um pequeno quadro no Museu de Lisboa

Foi no Campo Grande em Casa de Madre Paula que a partir de 1979 se instalou o então Museu da Cidade. Algo inacabado, pensamos tê-lo visitado nesse mesmo ano.

Um pequeno quadro...
Museu de Lisboa

Cremos que já então o quadro lá estaria, ou vindo da Mitra, ou do palácio Galveias, ou de uma qualquer outra dependência da Câmara Municipal.

Navios de guerra de propulsão mista e casco reforçado saindo do Tejo de madrugada junto à Torre do Bugio.
Museu de Lisboa

Trata-se de uma marinha com pouco detalhade, mas explícita, que representa uma madrugada em que três couraçados, pelo grande canal junto à Torre de S. Lourenço do Bugio, saem do Tejo.

Museu de Lisboa

Em total desacordo com a descrição apensa ao quadro, "A esquadra francesa comandada pelo almirante Roussin força a entrada do Tejo em 11 de julho de 1831", de autor não identificado.


A frota francesa comandada por Roussin força a entrada do Tejo, Pierre-Julien Gilbert, 1837.
Fortificações da foz do Tejo

Seria muito diferente a esquadra de Roussin enviada a Lisboa.

Os navios intervenientes e a acção, são por nós referenciados em O forçamento da barra do Tejo.

O mesmo acontecimento de 1831 descreve-se em La France maritime, Volume 3.

La flotte française force l'entrée du Tage, Horace Vernet, c. 1840.
Joconde

Quanto ao quadro no Museu de Lisboa, ficamos com várias perguntas por responder. Quais os navios representados?  Qual acontecimento ou em que data? Quem foi o autor? Como chegou ao Museu de Lisboa? 

Quanto aos navios, como a imagem mostra, tratam-se de navios com o casco reforçado, com rostro (o esporão na prôa), propulsão mista (vento e vapor) e sem pás laterais, portanto movidos a hélice.

A estas características, aos navios da frente, acresce o facto único de se disporem as batarias em duas cobertas sobrepostas.

Vaisseau Cuirassé de 1000 Chevaux Le Solférino.
Plan of the hull (Wayback machine)

Tratam-se, portanto, das fragatas couraçadas mandadas contruir por Napoleão III, sobre um projecto de Henri Dupuy de Lôme. A Magenta lançada em 1861 em Brest, navio almirante da frota do Mediterrâneo. A Solférino, navio igual, construído em Lorient e lançado também no mesmo ano. O navio mais atrás parece-nos um couraçado da classe Gloire.

Remetidos então para a década de 1860, ou data posterior, procuremos um acontecimento que durante o reinado de D. Luís que tenha ocasionado a presença desses navios no Tejo.

No Palácio Nacional da Ajuda espera-nos um quadro de grandes dimensões de João Pedroso, Partida para França da Família Real em 1865, em que, para além das corvetas Bartolomeu Dias, Estefânia e Sagres, aparecem os mesmos couraçados.

Partida para França da Família Real em 1865, João Pedroso.
Revista da Armada, abril de 2014

Deve o pequeno quadro no Museu de Lisboa representar a saída do Tejo dos couraçados franceses em 1865 e ser da autoria de João Pedroso.

João Pedroso Gomes da Silva (1825-1890), gravador e pintor de marinhas,  mostrava a sua obra nas exposições da Sociedade Promotora das Bellas-Artes, tendo sido aí o artista mais representado, 163 quadros, o único presente nas catorze edições.

Na biblioteca da Universidade de Coimbra, onde se encontram os catálogos dessas exposições, poderíamos, talvez, encontrar nos relativos a 1865, ou 1866, ou 1867, quarta, quinta e sexta exposições uma referência a João Pedroso com o descritivo "A esquadra francesa junto à Torre do Bugio em 1865". Talvez.

Torre do Bugio na Barra de Lisboa, João Pedroso, gravura
Biblioteca Nacional de Portugal


Plans of the Solférino (large TIF files) from the Atlas du génie maritime of the Service historique de la Défense" ("Historical services of the ministry of Defence"):
Plan of the hull
Cargo bay and machinery
2nd battery and castle
1st battery
Riggings

Alguns artigos relacionados:
O Bugio
John Cleveley Junior e o Tejo, 1775
Foz do rio Tejo em 1800
O forçamento da barra do Tejo
Trafaria em 1865
A falua do Bugio
Uma arribada em calma branca
Os Faroleiros, filme de Raul de Caldevilla, 1922
Furiosa batalha
Mar da Calha

Informação relacionada:
Ironclad warship
MS Achilles (1863)
Hector class ironclad
Defence class ironclad
Audacious class ironclad
Our iron-clad ships; their qualities, performances, and cost.
Herbert Wrigley Wilson (1866-1940)
Google Image Search: HMS Achilles
Cuirassé à coque en fer
A revolução industrial, Lisboa marítima e Marinha de Guerra, na obra de João Pedroso (1825-1890)

sábado, 27 de abril de 2019

Vista de Lisboa, 2 de setembro de 1808

Excelentíssimo Senhor:

Enquanto General do Exército do Sul, postado na margem do Tejo, e enquanto membro da Regência estabelecida pelo Príncipe Regente de Portugal, meu Senhor, para dirigir e sustentar os direitos da nação, em nome do dito Senhor requeiro a Vossa Excelência, em consequência da eterna aliança que durante tantos anos reinou entre as duas nações, que se possam embargar todas as embarcações utilizadas para levar as tropas francesas, tendo em conta os seus roubos e atrocidades, até que Sua Majestade Britânica ou Sua Alteza Real resolvam o que é melhor para a glória e interesses das duas nações, obrigando que Comissários portugueses e ingleses façam um inventário rigoroso das bagagens dos franceses, que não podem levar consigo as riquezas que se apropriaram, o que muito receamos devido à maldade destes opressores da humanidade.

A View of Lisbon and the Harbour.
With the entrance of the British fleet, on the 2 September 1808... to Admiral Sir Charles Cotton...
Anna Sophia Wagner.
British Museum

Fico convencido de que Vossa Excelência terá em conta esta requisição, que é de tal natureza que não pode admitir qualquer recusa, tanto pela sua justiça como pelo carácter generoso dum Ministro inglês, cuja posição Vossa Excelência sustenta tão gloriosamente.

The Embarcation of Gen. Junot after the convention of Cintra at Quai Sodre.
Biblioteca Nacional de Portugal

Tenho a honra de declarar a Vossa Excelência os sentimentos do maior respeito e veneração. Deus guarde Vossa Excelência,

The Convention of Cintra, a Portuguese Gambol for the amusement of John Bull, John Woodward, 1809.
Biblioteca Nacional de Portugal

Conde Monteiro Mor (1)


(1) Carta do Conde Monteiro Mor ao Almirante Charles Cotton (9 de Setembro de 1808)

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Chegada a Lisboa de Arthur Wellesley em 22 de março de 1809

O General Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, chega a Lisboa para assumir o comando das forças portuguesas e inglesas Durante a Guerra Peninsular o tenente-general Sir Arthur Wellesley, será o responsável pelo comando das forças aliadas que combateram o invasor francês.

Wellington landing in 1809 at Lisbon to take command in the Peninsular War.
Royal Museums Greenwich

Foi promovido ao posto de marechal de campo após a vitória sobre o exército francês na batalha de Vitória, em 1813, onde liderou um exército composto por ingleses, portugueses e espanhóis, tendo contribuído decisivamente para o fim da Guerra Peninsular. (1)


(1) Parques de Sintra

Leitura relacionada:
C. W. C. Oman, Wellington's army, 1809-1814, London, Edward Arnold, 1913

Tema:
Guerra Peninsular

sexta-feira, 29 de março de 2019

Alexandre-Jean Noël (1752-1834), no Museu de Artes Decorativas de Lisboa

Na senda do percurso para o entendimento da pintura do Romantismo em Portugal, seja o de Lisboa, do Tejo, de Sintra, do Porto, e mesmo outros, pensámos que já nos tinhamos referido a Alexandre-Jean Noël (1752-1834) em artigo dedicado, tal como, a seu tempo, sumáriamente fizemos com Nicolas Delerive (1755-1818) e Henri l'Évêque (1769-1832), ou mesmo com Jean-Baptiste Pillement (1728–1808).

Museu de Artes Decorativas de Lisboa.
Sala D. Maria do Museu de Artes Decorativas Portuguesas.
tripadvisor

Todavia tal ainda não tinha acontecido, no entantoo, outros temas, nomeadamente aqueles encomendados por Gérard de Visme, podem ser encontrados em diversos contextos tanto neste blogue, Lisboa e o Tejo, como em Almada Virtual Museum.

Vista da parte ocidental de Lisboa, Alexandre-Jean Noël, início da década de 1790
FRESS

Pintor paisagista, e de marinhas, pré-romântico, ou romântico, barroco para uns, clássico ou neo-clássico para outros, não referenciado por Cyrillo Volkmar Machado, vamos aqui anotar alguns aspectos da sua vida e obra, na perspectiva das existências no Museu de Artes Decorativas de Lisboa.

Vista da parte oriental de Lisboa, Alexandre-Jean Noël, início da década de 1790
FRESS

oooOooo

Noël, Alexandre Jean (Brie-Comte-Robert 1752 - Paris 1834)

Discípulo de Nicolas-Charles de Silvestre e de seu filho Jacques-Augustin assim como de Joseph Vernet [Claude Joseph Vernet (1714-1789)]; aluno da Academie royale, ganhou o terceiro prémio em 1767, antes de se juntar à expedição científica de Jean Chappe à Califórnia como ilustrador.

Noël regressou a França na década de 1770 e a partir daí dividiu o seu tempo entre França e Portugal, comtinuando a produzir imagens topográficas a óleo, aguarela e guache.

Museu de Artes Decorativas de LIsboa.
tripadvisor

Uma notícia de Lisboa apareceu no London Star,16.XII.1791:

"O Sieur Noel, um pintor francês, que ganhou um confortável livelihiood fazendo desenhos de nossos portos e seus arredores, caiu vítima de sua fúria pela Gallic liberty.  

Baluarte de Alcântara, Alexandre-Jean Noël, 1789
[obra idêntica, Clair de lune, em Amiens, Musée de Picardie].
FRESS

Tendo sido frequentemente aconselhado a interromper seus discursos sediciosos, mas em vão, foi preso e colocado a bordo de um navio a pronto a partir, sem questionar para onde.

Rocha do Conde de Óbidos, Alexandre-Jean Noël, 1789.
FRESS

Vários de seus compatriotas foram servidos do mesmo modo: modo que o nosso tribunal adopta sem cerimônia."

Rio Tejo e Torre de Belém (efeito de luar), Alexandre-Jean Noël.
FRESS

Os pastéis que nos deixou foram sem dúvida influenciados por Pillement [Jean-Baptiste Pillement (1728–1808)], mas as composições são no género Vernet [admirador de Poussin e Lorrain ]. (1)


(1) Dictionary of pastellists before 1800, Alexandre-Jean Noël

Galeria de imagens:
tripadvisor

Leitura relacionada:
Restos de Colecção

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O Livro do Desassossego

Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido — sem saber porquê. 

E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus.

Almada, vista de [Alfama, sé patriarcal?] Lisboa, James Holland, 1837.
Imagem: Walker Art Gallery

Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem veem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade [...]

O céu negro ao fundo do sul do Tejo era sinistramente negro contra as asas, por contraste, vividamente brancas das gaivotas em voo inquieto. O dia, porém, não estava tempestuoso já. Toda a massa da ameaça da chuva passara para por sobre a outra margem, e a cidade baixa, úmida ainda do pouco que chovera, sorria do chão a um céu cujo Norte se azulava ainda um pouco brancamente. O fresco da Primavera era levemente frio.

Ramalhete de Lisboa, Carlos Botelho, 1935.
Imagem: Wikipédia

Numa hora como esta, vazia e imponderável, apraz-me conduzir voluntariamente o pensamento para uma meditação que nada seja, mas que retenha, na sua limpidez de nula, qualquer coisa da frieza erma do dia esclarecido, com o fundo negro ao longe, e certas intuições, como gaivotas, evocando por contraste o mistério de tudo em grande negrume.

Mas, de repente, em contrário do meu propósito literário íntimo, o fundo negro do céu do Sul evoca-me, por lembrança verdadeira ou falsa, outro céu, talvez visto em outra vida, em um Norte de rio menor, com juncais tristes e sem cidade nenhuma. Sem que eu saiba como, uma paisagem para patos bravos alastra-se-me pela imaginação e é com a nitidez de um sonho raro que me sinto próximo da extensão que imagino.

Praça do Comércio e Rio Tejo, Francesco Rocchini (1822 - 1895), c. 1868.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Terra de juncais à beira de rios, terreno para caçadores e angústias, as margens irregulares entram, como pequenos cabos sujos, nas águas cor de chumbo amarelo, e reentram em baías limosas, para barcos de quase brinquedo, em ribeiras que têm água a luzir à tona de lama oculta entre as hastes verde-negras dos juncos, por onde se não pode andar.

A desolação é de um céu cinzento morto, aqui e ali arrepanhando-se em nuvens mais negras que o tom do céu. Não sinto vento, mas há-o, e a outra margem, afinal, é uma ilha longa, por detrás da qual se divisa — grande e abandonado rio! — a outra margem verdadeira, deitada na distância sem relevo.

Ninguém ali chega, nem chegará. Ainda que, por uma fuga contraditória do tempo e do espaço, eu pudesse evadir-me do mundo para essa paisagem, ninguém ali chegaria nunca. Esperaria em vão o que não saberia que esperava, nem haveria senão, no fim de tudo, um cair lento da noite, tornando-se todo o espaço, lentamente, da cor das nuvens mais negras, que pouco a pouco se mergiam [sic] no conjunto abolido do céu.

Retrato de Fernando Pessoa, Almada Negreiros , 1956.
Imagem: Lisboa Desaparecida

E, de repente, sinto aqui o frio de ali. Toca-me no corpo, vindo dos ossos. Respiro alto e desperto. O homem, que cruza comigo sob a Arcada ao pé da Bolsa, olha-me com uma desconfiança de quem não sabe explicar. 

O céu negro, apertando-se, desceu mais baixo sobre o Sul [...]

Cada vez que assim contemplo uma extensão larga, e me abandono do metro e setenta de altura, e sessenta e um quilos de peso, em que fisicamente consisto, tenho um sorriso grandemente metafísico para os que sonham que o sonho é sonho, e amo a verdade do exterior absoluto com uma virtude nobre do entendimento.

Lisboa, Maluda.
Imagem: maluda.eu

O Tejo ao fundo é um lago azul, e os montes da Outra Banda são de uma Suíça achatada. Sai um navio pequeno — vapor de carga preto — dos lados do Poço do Bispo para a barra que não vejo  [...]

A ideia de viajar nauseia-me.

Já vi tudo que nunca tinha visto.

Já vi tudo que ainda não vi.

O tédio do constantemente novo, o tédio de descobrir, sob a falsa diferença das coisas e das ideias, a perene identidade de tudo, a semelhança absoluta entre a mesquita, o templo e a igreja, a igualdade da cabana e do castelo, o mesmo corpo estrutural a ser rei vestido e selvagem nu, a eterna concordância da vida consigo mesma, a estagnação de tudo que vivo só de mexer-se está passando.

Paisagens são repetições. Numa simples viagem de comboio divido-me inútil e angustiadamente entre a inatenção à paisagem e a inatenção ao livro que me entreteria se eu fosse outro. Tenho da vida uma náusea vaga, e o movimento acentua-ma.

Só não há tédio nas paisagens que não existem, nos livros que nunca lerei. A vida, para mim, é uma sonolência que não chega ao cérebro. Esse conservo eu livre para que nele possa ser triste.

Ah, viajem os que não existem! Para quem não é nada, como um rio, o correr deve ser vida. Mas aos que pensam e sentem, aos que estão despertos, a horrorosa histeria dos comboios, dos automóveis, dos navios não os deixa dormir nem acordar.

De qualquer viagem, ainda que pequena, regresso como de um sono cheio de sonhos — uma confusão tórpida, com as sensações coladas umas às outras, bêbado do que vi.

Para o repouso falta-me a saúde da alma. Para o movimento falta-me qualquer coisa que há entre a alma e o corpo; negam-se-me, não os movimentos, mas o desejo de os ter.

Muita vez me tem sucedido querer atravessar o rio, estes dez minutos do Terreiro do Paço a Cacilhas. E quase sempre tive como que a timidez de tanta gente, de mim mesmo e do meu propósito.

A multidão aguardando o ministro na villa de Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

Uma ou outra vez tenho ido, sempre opresso, sempre pondo somente o pé em terra de quando estou de volta.

Quando se sente demais, o Tejo é Atlântico sem número, e Cacilhas outro continente, ou até outro universo.

Como nos dias em que a trovoada se prepara e os ruídos da rua falam alto com uma voz solitária.

A rua franziu-se de luz intensa e pálida, e o negrume baço tremeu, de leste a oeste do mundo, com um estrondo feito de escangalhamentos ecoantes… A tristeza dura da chuva bruta piorou o ar negro de intensidade feia. Frio, morno, quente — tudo ao mesmo tempo —, o ar em toda a parte era errado. E, a seguir, pela ampla sala uma cunha de luz metálica abriu brecha nos repousos dos corpos humanos, e, com o sobressalto gelado, um pedregulho de som bateu em toda a parte, esfacelando-se com silêncio duro.

O som da chuva diminui como uma voz de menos peso. O ruído das ruas diminui angustiantemente.

Nova luz, de um amarelado rápido, tolda o negrume surdo, mas houve agora uma respiração possível antes que o punho do som trêmulo ecoasse súbito doutro ponto; como uma despedida zangada, a trovoada começava a aqui não estar com um sussurro arrastado e findo, sem luz na luz que aumentava, o tremor da trovoada acalmava nos largos longes — rodava em Almada...

Lisboa, Avenida da Liberdade, década de 1900, publ. Mala da Europa.
Imagem: FCSH +Lisboa

Uma súbita luz formidável estilhaçou-se. Tudo estacou. Os corações pararam um momento. Todos são pessoas muito sensíveis. O silêncio aterra como se houvera morte. O som da chuva que aumenta alivia como lágrimas de tudo. Há chumbo [...]

A manhã, meio fria, meio morna, alava-se pelas casas raras das encostas no extremo da cidade. Uma névoa ligeira, cheia de despertar, esfarrapava-se, sem contornos, no adormecimento das encostas. (Não fazia frio, salvo em ter que recomeçar a vida.) E tudo aquilo — toda esta frescura lenta da manhã leve, era análogo a uma alegria que ele nunca pudera ter.

O carro descia lentamente, a caminho das avenidas. À medida que se aproximava do maior aglomeramento das casas, uma sensação de perda tomava-lhe o espírito vagamente. A realidade humana começava a despontar.

Nestas horas matinais, em que a sombra já desapareceu, mas não ainda o seu peso leve, o espírito que se deixa levar pelos incitamentos da hora apetece a chegada e o porto antigo ao sol. Alegraria, não que o instante se fixasse, como nos momentos solenes da paisagem, ou no luar calmo sobre o rio, mas que a vida tivesse sido outra, de modo que este momento pudesse ter um outro sabor que se lhe reconhece mais próprio.

Retrato de Fernando Pessoa, Almada Negreiros , 1964.
Imagem: Museu Calouste Gulbenkian

Adelgaçava-se mais a névoa incerta. O sol invadia mais as coisas. Os sons da vida acentuavam-se no arredor.

Seria certo, por uma hora como estas, não chegar nunca à realidade humana para que a nossa vida se destina. Ficar suspenso, entre a névoa e a manhã, imponderavelmente, não em espírito, mas em corpo espiritualizado, em vida real alada, aprazia, mais do que outra coisa, ao nosso desejo de buscar um refúgio, mesmo sem razão para o buscar.

Sentir tudo sutilmente torna-nos indiferentes, salvo para o que se não pode obter — sensações por chegar a uma alma ainda em embrião para elas, atividades humanas congruentes com sentir profundamente, paixões e emoções perdidas entre conseguimentos de outras espécies.

As árvores, no seu alinhamento pelas avenidas, eram independentes de tudo isto.

A hora acabou na cidade, como a encosta do outro lado do rio quando o barco toca no cais. Ele trouxe consigo, enquanto não tocou na margem, a paisagem da outra banda pegada à amurada; ela despegou-se quando se deu o som da amurada a tocar nas pedras. 

Porto de Lisboa (Portugal), Caes da Ribeira Nova, ed. Martins/Martins & Silva, 60, década de 1900.
Imagem: Delcampe

O homem de calças arregaçadas sobre o joelho deitou um grampo ao cabo, e foi definitivo e concludente o seu gesto natural. Terminou metafisicamente na impossibilidade na nossa alma de continuarmos a ter a alegria de uma angústia duvidosa. 

Os garotos no cais olhavam para nós como para qualquer outra pessoa, que não tivesse aquela emoção imprópria para a parte útil dos embarques [...] (1)


(1) Fernando Pessoa (Bernardo Soares), O Livro do Desassossego

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Maria da Glória, jovem rainha em Inglaterra (1828-1829)

A impressão que este inesperado acontecimento ocasionou na capital da Gran-Bretanha foi de uma ordem tal, que o proprio duque de Wellington e lord Beresford, tendo ambos elles commandado tropas portuguezas durante a guerra da península, e vencendo ambos elles, como taes, avultadas pensões, pagas pelo tesouro portuguez, não hesitaram em ir lambem n'esta solemne ocasião comprimentar a jovem rainha D. Maria II em grande uniforme, e ornados com as differentes ordens militares de Portugal. 

D. Maria II, rainha de Portugal durante o seu exílio em Londres (1826 1828-1829), por Thomas Lawrence (detalhe).
A pintura, no verso datada de 1827 [?], foi encomendada por George IV e representa a jovem rainha em 1829, .
Royal Collection Trust

Ao duque disse ella muito graciosamente: "sei que vós n'outro tempo salvastes meu avô, espero portanto que tambem agora salvareis sua neta". 

Majesty & Grace, William Heath, 1828.
The British Museum

Baldado empenho; o duque durante todo o seu ministerio só cuidou em proteger quanto pôde os interesses de D. Miguel, cuja usurpação teve para elle mais attractivos, por ser mais conforme com a política, que se propozera abraçar durante a sua gerencia ministerial. 

Retrato do rei D. Miguel, Johann Nepomuk Ender.
Cabral Moncada Leilões

George IV achava-se muito incommodado, quando a rainha chegou a Inglaterra, e só em 22 de dezembro pelas duas horas da tarde a pôde receber no seu palacio de Windsor Castle, onde não poupou honras, nem distincções, feitas á sua jovem hospeda, como se já estivesse reinando em Portugal. 

The promenade or a sketch for Windsor, William Heath, 1827-1829.
The British Museum

Ornado lambem com as ordens militares portuguezas, elle a veio esperar ao alto da escadaria, por não poder descer ao fundo d'ella, em consequencia dos seus padecimentos, e ali lhe offerecen o braço, e a conduziu depois á sala principal, onde a assentou n'um canapé ao seu lado, e lhe pediu licença para que as outras senhoras podassem fazer o mesmo, tendo-lho antes disso apresentado as pessoas da sua familia e a côrte.

O brinde que lhe dirigiu ao "toast", durante o almoço que lhe offereceu, foi: "á minha joven amiga e amada, a rainha de Portugal". 

The feast near eateon or master George and his little visitor, William Heath, 1827-1829.
The British Museum

George IV não teve duvida de exprimir os puros e fervorosos votos que fazia, tanto por ella, como pelo triumpho da legitimidade portugueza.

The high and mighty queen recieving an address from the most loyal subjects in the world, 1827-1829.
The British Museum

Não admira pois que no meio de uma tal recepção a chegada da rainha a Inglaterra fosse tida como um feliz pressagio para o triumpho da causa liberal e que os emigrados do deposito de Plymouth manifestassem por todos os modos ao seu alcance o jubilo que lhes causara similhante chegada. (1)


(1) Luz Soriano, História da Guerra Civil... Terceira Ephoca Tomo III Parte I.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Caminho de Ferro de Lisboa a Cintra em 1887

É sabido que as linhas ferreas têem a particularidade de operarem a transformação das zonas que atravessam, mas uma transformação tão radical como a que esta de que nos occupamos realisou no sitio de Alcantara, é que poucas se podem gabar de conseguir.

Estação principal em Alcântara, João Ribeiro Christino.
O Occidente n° 301, 1 de maio de 1887

Onde estavam terrenos maltratados, repositorios de immundicies, vêem-se hoje espaçosos barracões elegantes; onde corria agua infecta num caneiro assassino dos pobres moradores das visinhanças, ostenta-se agora a bem lançada estação de passageiros; nas velhas margens antigamente chamadas Horta Navia assentam-se actualmente os primeiros rails da nova linha. 

Até o velho S. Pedro parece destinado a mudar de logar.

E verdadeiramente, o bondoso santo não estava ali bem; elle que tem por missão guardar as portas do ceo, não se podia sentir ã vontade ás portas da cidade, embora por essas se entre na rua do Livramento.

A nova linha é, como se sabe destinada não só a ligar a capital á fresca e poetica Cintra, como lambem á villa de Torres Vedras, região muito importante pela sua producção vinícola, e muito notavel na historia, pelos memoraveis combates que ali se feriram, n'aquelia guerra fratricida que tantas vidas custou ao nosso paiz e entre outras, a do valoroso campeão Mouzinho de Albuquerque, e ainda se destina a nova linha a ser a vanguarda da futura linha de Torres á Figueira e Alfarellos, onde se deve ligar á linha do norte. 

A extensão total actualmente em exploração é de 28 kilometros, e em breve será de mais 17, quando abrir a parte do Cacem a Torres Vedras. 

Estação do Cacém
O Occidente n° 304, 1 de junho de 1887

As estações são ao todo 11 com 3 apeadeiros. 

São muitas, e algumas importantes, as suas obras de arte, das quaes a principal é o grande tunnel de Alcantara ou dos Terramotos, nome dado águelle sitio por motivo das grandes transformações que a catastrophe de 1755 n'elle operou. O primeiro traçado nao inclina este tunnel, seguindo a falda da montanha, evitando assim o consideravel custo da obra. 

Os terrenos neste ponto, porém, não offereciam estabilidade e por isso preciso foi emprehender este trabalho que veio agravar consideravelmente os gastos da construcção. 

Tunnel dos Terremotos, João Ribeiro Christino.
O Occidente n° 301, 1 de maio de 1887

A sua extensão é de 540 metros, em recta, e a profundidade maxima 52 metros. 

Retrocedamos, porém para descrever a estação de Alcantara, representada n'uma das nossas gravuras.

Esta estação foi construida, como acima se diz em grande parte sobre o antigo caneiro, que para isso teve que ser coberto em mais de 240 metros, alterando-se-lhe tambem em grande estensão o curso das aguas, para accommodaçãoo das diversas dependencias da gare. 

Comprehende esta um edilicio para passageiros, com salas de espera, vestibulo de bagagens, escriptorios para o inspector, telegrapho, chefe da estação, etc., formando um parallelogramo de 95 metros por 10 dc fundo. 

O accesso para passageiros e bagagens faz-se pelo lado do poente, onde a entrada é coberta com uma elegante marquise. Até dentro d'este recinto de entrada vem a linha americana que a companhia Carris de ferro construiu expressamente para serviço da estação e que liga á rede geral, pela rua do Assento, (onde os vebiculos descarrilam com toda a perfeição) na rua Nova do Cries do Tojo. 

Do lado interior a estação é coberta por uma larga marquise envidraçada, que descança de um lado no editicio de passageiros, e do outro em columnas assentes n'um passeio de egual comprimento. 

Segue, do lado poente, um caes para volumes transportados por grande velocidade, com accesso especial pela antiga rua da Fabrica da Polvora e depois uma cocheira para 24 carruagens em 8 vias servidas por um charriot. 

Em frente estende-se o grande caes de mercadorias, de 90 metros de extensão, coberto cm metade, com accesso pela antiga estrada de circunwalacão da cidade, ao qual segue um outro para vehiculos e gado e outro ainda, pequeno e isolado, para materias inflamaveis. 

Em face d'este será o grande caes para carvão, que fica em frente de uma rotunda para 6 machinas, com officina de reparação annexa. 

Sahida a estação e passado o tunnel que já fica descripto, desenrola-se á vista o mais brilhante panorama. 

De um lado e do outro da linha as variegadas tintas das differentes culturas que atapetam a montanha de Campolide, á direita, e a serra de Monsanto, á esquerda, semeadas de um sem numero de casas de differentes tamanhos, desde e vasto edificío da companhia dc estamparia até as pequenas casinhas dos trabalhadores, formam um bello conjuncto que delicia a vista e torna a viagem encantadora.

Outra gravura que publicaremos no proximo numero, representa o viaduto de Sant'Anna, que é o maior da linha. A sua extensão é de 150 metros em cinco tramos metallicos de 30 metros cada um, sobre 4 pegões de pedra. 

A construcção d'este viaducto, assim como a dos demais da linha, foi incumbida á casa Eiffel que tão justa fama tem ganho pela perfeição de todas as obras que saltem das suas largas officinas, e que no nosso pais tem já vinculados os seus creditos na construcção das pontes do Porto, das da linha da Beira Alta e outras muitas.

Este viaducto atravessa a ribeira de Alcantara e o valle de Sant'Anna á altura de 12 metros e meio. 

Nos próximos numeres continuaremos dando outras vistas dos principaes pontos da interessante linha que hoje está sendo a mais frequentada do paiz, e que está destinada a um largo futuro, não só pela belleza como pela importancia das regiões que atravessa, e das que serão servidas pelas outras linhas que a ella se ligam. (1)

Quem diria aos nossos avoengos, quando viam com pasmo as arrojadas curvas d'aquelle aquedueto com que D. João V, o doutor Pinto Coelho do seu tempo, abasteceu d'agua a cidade de Lisboa, quando do alto d'aquelles arcos, que constituíam o seu passeio favorito, a sua avenida domingueira, contemplavam os campos de um e outro lado, pasmando da monumental obra em que assentavam os sapatos, admirando a pequenez das figuras que sc moviam em baixo, na velha quinta de Sant'Anna, quem lhes diria então.que por debaixo d'esse arco grande que fazia o seu enlevo, os pequeninos netos de então traçariam, com mão náo menos arrojada que a do architecto de D. Joao V, o caminho rapido e facil que os transportaria ás mais longas distancias. 

Hoje, quem subir ao alto d'aquellas arcarias, nao contemplará de lá somente os campos e as quintas proximas; verá aos pés do collosso, serpenteando como uma fita agitada pelo vento, a branca estrada de duplo traço negro, por onde a locomotiva passa triumphante, arrostando os pesados comboios cheios de gente que vae ao seu passeio favorito tambem, não a pé, como os nossos pobres avoengos, mas commodonsente recostada nas carruagens do caminho dc ferro. 

E esta passagem do arco é um dos pontos mais interessantes da nova linha ferrea.

Não só produz um bello effeito a travessia d'aquella grande obra, não só o panorama que se disfructa das differentes curvas que a linha percorre, em elegantes traços, por entre os pequenos montes, é maravilhoso, como tambem aquelle troço da via é dos mais artisticos, pelos successivos viaductos e pontões em que a tortuosa ribeira de Alcantara tem que ser atravessada. 

Destes o mais importante é o de Sant'Anna representado na gravura que hoje publicamos. D'elle já nos occupamos no nosso ultimo numero. dizendo que foi construido pela casa Eiffel, que tem 150 metros de extensão e a cota maxima de 12 metros e meio. 

Viaducto de Sant'Anna, João Ribeiro Christino.
O Occidente n° 302, 11 de maio de 1887

Podemos hoje accrescentar que o taboleiro, cuja altura é de 3 metros, é formado pelo systhema de cruzes de Santo André, do vão de 2m,50, que sustentam as vigas, de 52 centímetros de espessura.

Aos lados da via ha dois passeios forrados de madeira de carvalho, tendo a largura de 0m,54 cada um, sendo estes amparados por um parapeito de um metro de altura. 

Como tambem dissemos, são cinco os vãos, de 30 metros aproximadamente cada um, assentes em quatro elegantes pilares de cantaria, e os dois encontros.

Por debaixo do encontro do lado de Lisboa ha uma pequena passagem do caminho que conduz á quinta de Sant'Anna. Antes deste ha cambem outro viaducto mais pequeno, formado de dois, tramos de 20 metros, e de egual construcção. o chamado viaducto da Ponte Nova, e 100 metros depois d'elle fica o tunnel do mesmo nome que tem apenas a extensão de 75 metros e a cota maxima de 33 metros.

Viaducto e Tunnel da Ponte Nova
O Occidente n° 303, 21 de maio de 1887

No proximo numero daremos a gravura d'estas duas obras de arte, copia de uma bela photogrophia tirada peto sr. Augusto Lamarão um dos mais distinctos amadores de Lisboa, um verdadeiro sacerdote da arte, que emprega todos os seus momentos disponíveis e todos os seus enthusiasmos de joven e de inteligente, no cultivo, no aperfeiçoamento e na propaganda d'esta delicada profissao.

Seguidamente ao vinducto que hoje reproduzimos que e o mais extenso de toda a linha dc Cintra e Torres, ha outro de 25 metros. um pontão de 6 metros e outro de 10 metros, depois do qual o linha passa n'um dos pontos que hoje não tem importancia, mas que em breve ficará sendo um dos de mais movimento da linha, porque será o de ligação entre o futuro caminho de ferro da circulação da cidade e o de Cintra a Torres.

Estação de Cintra.
O Occidente n° 306, 21 de junho de 1887

E ao kilometro 4.100 que virá a ter a linha em construeção desde Xabregas, pelo valle de Chellas, a Bemmfica; e ahi que os comboios que partirem de Alcantara receberão ainda no final deste anno, segundo se assegura, os passageiros que, de toda a rede de leste e norte, de todo o paiz, ligado por essa rede, e de todos os pontos do estrangeiro, desejarem seguir directamente a Cintra, a Torres e a outros pontos servidos pela nova linha. 

Passado este ponto seguem ainda dois viaductos, de 10 metros, e mais adiante o apeadeiro de S. Domingos, paragem mais proxiina para os logares de S. Domingos de Bemfica e Sete Rios.

Este apeadeiro não está ainda aberto á exploração, mas sel-o-ha brevemente, destinado como a ser um ponto de grande concorrencia do publico, não só porque, durante a estação calmosa, d'elle se aproveitarão as muitas familiar que váo veranear para aqueles sitios, como porque constitue um agradavei passeio para quem quizer', sem se affastar muito do centro da cidade, tomar um pouco de ar puro dos campos, indo no comboio até S. Domingos, tomando ali a bela estrada, larga e bem construida até Sete Rios e voltando d cidade pelos sitios de S. Sebastião da Pedreira e Avenida.

Não faltam naquelas immediações interessantes quintas a visitar, algumas mesmo cheias de flôres, e de deliciosas ruas de arvoredo, como a  do sr. Mattos e Silva, chamada da Atalaya, onde, mediante a apresentaçáo do nosso bilhete de visita, ha tempos passámos uma tarde deliciosamente, entre o aroma das flôres que cobrem os macissos a cada um dos lados do caminho, e a amabilidade do proprietano que não é menos apreciavel.

Aqui lhe deixamos lambem o nosso bilhete de agradecimento pela maneira porque nos recolheu ali. onde fomos attrahidos pelo convite de duas encantadoras creanças que correram pressurosas a fazer-nos as honras da... quinta. 

Antes de terminar. porem, devemos fazer uma rectificação dum erro commetido.

Huma das leituras a que nunca nos démos confesso-o, foi o do Flor Sanctorum. Por isso facilmente ao fallar da estatua que esta em Alcantara confundimos os santos e, dissemos, guiados pelo vulgo, que era um S. Pedro. 

Ponte de Alcântara, desenho de Nogueira da Silva, 1862.
Hemeroteca Digital

Hoje sabemos e com todo o arrependimento aqui estamos a penitenciar-nos, que aquella estatua, que aliaz tem um certo valor artistico, não é de S. Pedro, mas de S. João Nepomoceno, mandada ali collocar, em 1743, por D. João V, por occasião do alargamento da ponte e outros melhoramentos que o magnanimo rei realisou na cidade, e devida ao cinzel do esculptor italiano João Antonio de Padua. 

Lisboa, porta da cidade junto à ponte de Alcântara e estátua de S. João Nepomuceno.
Arquivo Municipal de Lisboa

Que nos perdoe o milagroso santo attendendo a que, afinal, não lhe fizemos mais do que o seu homonymo fez ao Christo — baptisal-o, pedindo-lhe desculpa de havermos substituido as margens do Jordào pelas... do caneiro. 

Nemo dat plusquou habet. (2)


(1) O Occidente n° 301, 1 de maio de 1887
(2) O Occidente n° 302, 11 de maio de 1887
(3) O Occidente n° 303, 21 de maio de 1887
(4) O Occidente n° 304, 1 de junho de 1887
(5) O Occidente n° 306, 21 de junho de 1887

Informação relacionada:
O Occidente n° 300, 21 de abril de 1887
Paixão por Lisboa, A Torre de Belém, e o Caminho de Ferro de Lisboa a Sintra
Caminho de Ferro monocarril sistema Larmanjat em Portugal