terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Vistas de Lisboa (3)

(v. artigo precedente)

022

VISTA geral tirada do rio, tendo na parte sup . da man. as armas nacionais, à esq., e à dir . um escudo com uma nau. Esta vista é estampada em 4 folhas, ligadas umas às outras por colagem.

Lisbona, Giuseppe Longhi, 1670.
Imagem: BLR

Insc. - LISBONA (na parte sup. da mancha, ao meio). 
Dim. - 2130 X 418 mm. de man. 
Proc. - Gravura. 

023

VISTA geral tirada do rio, no meio do qual está um castelo (Almada?). 

Lisabona, Ankunfft Konigs Caroli des III in Hispan zu Lissabon..., 1704.
Imagem: ZVAB

Tem uma coluna de referências remissivas à man. de 40 linhas, escritas em alemão, na marg. inf. Na marg. sup., à dir., tem o número 55.

Insc. - LI-SABO-NA Ankunfft Konigs Caroli des III in Hispan zu Lissabon, A.º 1704 den 7 Marti (na parte sup. da num. ao meio dentro duma cartela e uma filactera).
Subs. - Gabriel Boden e hr excud. A. V. (na marg. inf., à dir.).

Dim. - 247 X 1G2 mm. le vin.
Proc. - Gravura.

024

VISTA geral "à vol d'oiseau", tirada do rio, onde se vêem vários barcos, alguns a remos. 

Lisabon oder Olyssipo, Gabriel Bodenehr.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

No canto sup . esq. da man. tem as armas reais com coroa aberta e no dir. um escudo com uma caravela, cercado por uma coroa de louros . Neste mesmo local tem o número 56. 

Esta estampa pertence à mesma obra que a n.º 23 e segue-se a ela, visto uma ter o n.° 55 e outra o n.° 56. Tem uma coluna de referências de 49 linhas, escritas em alemão, remissivas à man., do lado esq. 

lnsc. - LISABON (na parte sup. da man., ao meio, dentro duma filactera).
Subs. - G. Bodenehr fec. et exc. A. V. (na marg. inf., à dir.).
Dim. - 257 X 161 mm: de man.
Proc. - Gravura.

025

VISTA geral tirada do rio.

Tem uma genealogia dos reis de Portugal desde o Conde D. Henrique até D. Manuel I, em 51 filacteras e 2 medalhões.

Insc. - LISBONA (dentro duma filactera, na man.). 
Dim. - 410 X 250 mm. de vin.
Proc. - Gravura.

026

VISTA geral tirada do rio, representando Lisboa antes do terramoto.

No primeiro plano vêem-se vários barcos. Tem 29 rubricas de referências, em 6 colunas, na marg. inf.

Insc. - ALBEELDING DER STAD LISSABON in zyn volle Luyster voor de Wervoestingei oste Aardbeevinge (na marg . sup.). 
Dim. - 395 X 265 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

Esta estampa aparece em geral acompanhada de um impresso, calado à marg. inf., com a descrição do terramoto de 1755. Esta descrição é composta por um texto de 3 colunas, a 1.ª em inglês, a 2.ª em alemão (ambas de 54 linhas) e a 3.ª, de 48 linhas, em francês.

Esta descrição é seguida da subscrição seguinte, a toda a largura: Te Amsterdam, by Petrus Schenk en Zoon, Konst-en Kant-Verkoopers, in de Kalverstraat, schuyns over de Gapertsteeg, en tegens aanstaande Mey aan de overzyde van gemelde Steeg, het vierde Huys naar den Dam, As dimensões totais da grnvu1·a e descriçã o são 460 X 575 mm. de vista.

027

VISTA geral tirada do rio, onde navegam vários barcos.

Insc. - VUE GENERALE DE LISBONE VILLE CAPITALE DU ROYAUME DE PORTUGAL (na marg. inf.).
Subs. - Published according to Act of Parliament April ye 10, 1752 (por cima da insc.). London Prented for & sold by Hem.. Averton at the White Horse without Horgate & Rob. Sayer at the Golden Buck opposite Fetter Lave Fleet Steet (por baixo do título).
Dim. - 390 X 257 mm. de vin.
Proc. - Gravura.

028

VISTA geral tirada da margem sul do Tejo, onde se vê uma torre acastelada e uma fortaleza com uma ampla bandeira (à dir.) e várias figuras parecendo remover grandes blocos de pedra.

Vista de Lisboa e fantasia da margem sul do Tejo, Martin Engelbrecht segundo Friedrich Bernhard Werner, 1750.
Imagem: AbeBooks

No rio vêem-se alguns barcos. No Terreiro do Paço estão tropas formadas e no Cais das Colunas (?) levanta-se um arco triunfal de 3 vãos. No meio da parte inf. da mancha desenvolve-se uma cartela encimada pela coroa real, fechada e ladeada por um caduceu e um tridente, tendo dentro uma nau. 

Por cima da mancha, ao meio, tem: N. 22. Por baixo da mancha tem 2 colunas de referências remissivas à mancha, de 3 linhas cada uma, a da esq. em italiano e a da dir. em alemão.

Insc. - LISABONA - LISABON (na parte sup. da man., ao meio, dentro duma cartela de estilo barroco).
Subs. - F. B. Verner delin. - Cum. Priv. Sac. Coes. Maj. - I. G. Ruigh sculps. - Mart. Engelbrecht excud. .4.• V. (rente ao vinco inf., da esq. para adir.).
Dim. - 294 X 183 mm.
Proc. - Gravura.

029

VISTA geral da cidade, antes do terramoto, tirada do rio, onde se vêem vários barcos [cf. gravura de Pierre Aveline (1656-1722) entre 1680 e 1720]..

Lisbone
A genéral Vien of the City of Lisbone the capitel of Portugal, Vue général de Lisbone Ville Capitale du Portugal.
Imagem: AbeBooks

Insc. - A GENERAL VIEW OF THE CITY OF LISBONE THE CAPITEL OF PORTUGAL (na marg. inf., à esq.). VUE GENERALE DE LISBONE VILLE CAPITALE DU PORTUGAL (na: marg. inf. à dir.). LISBONE (na marg. sup. ao meio, em escrita invertida [assim como a imagem, pois trata-se de uma vista de óptica]).
Subs. - Publish'd according to Acto of Parliament Anno 1760 (na marg. inf. por cima da insc.).
Dim. - 885 X 235 mm. de vin. 
Proc. - Gravura.

030

VISTA geral anterior ao terramoto, tirada do rio, onde se vêem vários barcos.

Lisabona, Georg Balthasar Probst, 1760.
Imagem: viaLibri

Na parte superior da mancha tem 3 escudos, sendo um, à dir., com as armas de Lisboa e dois à esq., um dos quais com as quinas. Tem 72 rubricas de referências em latim e alemão.

Insc. - LISABONA (dentro duma filactera, na parte sup. da. man., ao meio).
Subs. - C. P. S. C. M. (na marg. inf., ao meio). Georg Balth. Prob st exc . (na marg. inf., à dir.).
Dim. - 1.125 X 385 mm. de vin.
Proc. - Gravura.

031

VISTA geral anterior ao terramoto, tirada do rio, onde se vêem vários barcos.

Olisippo, Lisabona, Matthaus Merian, 1636.
Imagem: Barry Lawrence Ruderman

Na parte sup. da man., à esq., tem um brasão e à dir. uma cartela com uma nau. Tem 34 rubricas de referências dispostas em 4 colunas, na marg. inf., de 4 linhas cada coluna.

Insc. - OLISIPPO - LISABONA (na parte sup. da mancha). 
Dim . - 400 X 315 mm. de vin. 
Proc. - Gravura.

032

VISTA geral tirada da margem sul do Tejo.

Lissabon, vista tomada de Palença, 1830
Imagem: Mundo do Livro, (Mundo do Livro no Facebook)

No 1.° plano, à dir., vê-se o Castelo de Almada; ao centro estão 3 pescadores sobre rochedos e à esq., uma grande árvore . No plano médio vêem-se vários barcos, no rio, um dos quais a remos, com 4 pessoas.

Insc. -  LISSABON (na marg. inf.). 
Subs . - Nürnberg, bei Schneider und Weigel (à dir.). 
Dim. - 380 X 260 mm. de vin. 
Proc. - Gravura.

033

VISTA geral tirada do rio, onde navegam vários barcos. 

Lisabon, Georg Chr. Kilian.
Imagem: the saleroom

Na parte sup. da mancha tem 2 escudos, sendo o da esq. com as quinas e o da dir. com uma nau. Por cima da mancha, no ângulo sup. dir., tem o número 56. Tem uma coluna de referências, em alemão, de 31 linhas e por baixo outra com 18 rubricas , tudo na marg. esq. 

Insc. - LISABON (dentro duma filactera, na parte sup. da mancha).
Subs. - Georg. Chr. Kilian exc. A. V. (na marg, inf. à dir.). 
Dim. - 256 X 167 mm. de vin.
Proc. - Gravura.

034

VISTA geral tirada do rio, onde se vêem vários barcos. 

Lisbona, Dancker Danckerts (1634 - 1666).
Imagem: Invaluable

Tem na parte sup. da mancha 2 escudos: o da esq. com as quinas e o da dir. com uma nau. Tem 3 colunas de dizeres em alemão, francês e inglês, de 8 linhas cada uma. 

Insc. - LISBONA (na parte sup. da mancha dentro duma filactera). 
Subs. - Dancker Danckerts excudit (na marg. inf., à dir., rente ao vinco) . 
Dim. - 522 X 403 de vin. 
Proc. - Gravura.

035

Insc. - PLANO /DA CIDADE DE LISBOA, / REDUZIDO E GRAVADO NO ARCHIVO MILITAR. / ANNO DE 1835 /ESCALA DE 600 BRAÇAS (na marg. sup.). 
Subs. - J. J. F. de Sousa (na marg. sup., à esq.). 
Dim. - 980 X 500 mm. de vin. 
Proc. - Gravura.

036

PLANO do porto de Lisboa e das costas de Portugal até Setúbal [v. Almada Virtual Museum: Cartografias].

Plan du Port de Lisbonne et de ses Costes Voisinnes, Jacques Nicolas Bellin, 1756.
Imagem: O Mundo do Livro

Por baixo da cartela, com a inscrição e subscrição, está outra com a planta de Lisboa, cujo título é: Idée de la Ville de Lisbonne, com 11 rubricas de referências dispostas em 2 colunas de 7 linhas. 

Na parte inf. da mancha tem a rosa dos ventos e na parte sup., à dir ., tem uma cartela oval com Remarques. Na parte sup., a todo o comprimento, vê-se o panorama de Lisboa tirado do rio Tejo.

Insc. - PLAN DU PORT / DE LISBONNE / ET DES COTES VOISINES (dentro duma cartela oval, de estilo, na parte sup. da mancha) .
Subs. - Par M. Bellin lng. de la Marine MDCCLVI. Dressée au Depost des Cartes Plans et Jouraux de la Marine. Par ordre de M. de Marchault, Garde des Sceaux de France Ministre et Secretaire d'Etat aiant de Departem. de la Marine (por baixo da insc. dentro duma cartela) .
Dim. - 655 X 460 mm. de vin.
Proc. - Gravura.

037

PLANTA de Lisboa tendo na parte inf. esq. da mancha a rosa dos ventos.

Tem 60 rubricas de referências numeradas com letras, dispostas em 10 colunas na parte sup. da mancha [extensão, dimensões, espécie, legenda: como as da planta de 1785, v. abaixo].

Insc. - PLANO GERAL DA CIDADE DE LISBOA EM 1800 (na parte sup. da mancha). 
Dim. - 400 X 293 mm. 
Proc. - Gravura. 

038

PLANTA de Lisboa.

Plano Geral da CIdade de Lisboa, Honorato José Correia, 1785.
Imagem: WDL

Tem 60 rubricas de referências alfabetadas de A a Z (dispostas em 4 colunas de 9 linhas) e de a a z (dispostas em 6 colunas de 4 linhas), na marg. sup.

Insc. - PLANO GERAL DA CIDADE DE LISBOA EM 1785 (na marg. sup.).
Subs. - Frarnc.co D ......... f.t  [Francisco D. Milcent] (na marg . inf. à esq.).
Dim. - 410 X 300 mm.
Proc. - Gravura.

039

VISTA tirada do sul, compreendendo o trecho da cidade que vai da Capela de Santo Amaro ao Mosteiro dos Jerónimos.

Prospectus Portus, et Templorum Bethlemi, et S. Amati.
[baseada no original de Dirk Stoop]
Imagem: Gallica

Insc. - Prospectus Portus, et Templorum Bethlemi, et Amati (na marg. inf. à esq.). Vue du port et des Eglises de Bellen et de S. Amat (idem, à dir.) .
Dim. - 414 X 283 mm . de man.
Proc. - Gravura.

040

VISTA da Sé de Lisboa.

Cathédrale de Lisbonne, Lemaître, 1846.
Imagem: Antique prints

Insc. - Cathédrale de Lisbonne (na marg. inf., ao meio). Portugal (na mar. sup., ao meio).
Subs. - Lemaitre direxit (rente à base da man., ao meio).
Dim . - 90 X 137 mm. de man.
Proc . - Gravura.

041

VISTA tirada da terra, de lugar indeterminável, em direcção à foz dum rio. 

Lisboa Arte Gravura Vue de l'embouchure du Tage et du Port de Lisbonne 02 BNP.
[vista de óptica, poss. s/ original de Jean-Baptiste Pillement]
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

À esq. vêem-se várias casas e à dir. e ao meio vêem-se alguns barcos, parte dos quais, no 1. º plano, estão a ser carregados por vários marítimos.

Insc. - Vue de l'embouchoure du Tage et du Port de Lisbonne (na marg inf.).
Dim. - 420 X 200 mm.
Proc. - Gravura.

042

VISTA do cais de Belém durante o embarque de El Rei D. João VI para o Brasil.

Departure of H.R.H. the Prince Regent of Portugal for the Brazils, Henry L Evêque, F. Bartollozzi.
(Campaigns of the British Army in Portugal, London, 1812)
Imagem: Wikipédia

Insc . - DEPARTURE OF HIS R. H. THE PRINCE REGENT OF PORTUGAL FOR THE BRAZILS. The 27th. Novembr. 1807 (na. marg . inf., a.o meio).
Subs. - Drawn by H . L'Evêque (na. marg. inf., à esq.). Engraved by F . Bartollozzi (idem, à dir.). Pub. à May 1815 for the proprietors by Mess.rs Conalghi & Cº. (por baixo da insc.).
Dim. - 538 X 395 de vin.
Proc. - Gravura.

043

VISTA da Praça dos Remolares, tirada do norte para o sul, vendo-se o Caes do Sodré.

The Embarcation of Gen. Junot after the convention of Cintra at Quai Sodre.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Insc. - THE EMBARCATION OF GEN.l JUNOT AF'l'ER TIIE CONVENTION OF CINTRA AT QUAI SODRE. To Lieutenant General Sir Wm . Carl Beresford K. B. Field Marschal in the service of Portngal this plate is respectfully dedicated by his Most Obed.t Hum.bl Servent H. L'Evêque (na marg. inf.). 
Subs. - Drawn by H. L'Evêque (rente ao vinco inf., à esq.). Engraved by F. Bartollozzi R. A. Aet. 84 Engraved to His Majesty (idem, à. dir.). 
Dim. - 510 X 315 mm. de man. 
Proc. - Gravura.

044

VISTA tirada do rio, abrangendo o trecho da cidade que vai desde S. Vicente até à barra. 

Lissabon, Friederich Schoenemann, 1756.
Imagem: LUNA

Na parte inf. da mancha e por baixo da insc. está uma planta com o estuário do Tejo dentro duma carte la rectangular ladeada por 2 figuras, ao lado das quais se vêem uns cupidos com uma bússola e um tritão cavalgando um golfinho.

Tem 71 rubricas de referências dispostas em 7 colunas em alemão, na parte inf. da mancha, à esq.; à dir. tem o mesmo número de rubricas e colunas, em francês.

Insc. - LISSABON (na parte inf. da mancha, ao meio, dentro duma cartela de estilo).
Subs. - Gezeichnet und gastochen, von Friederich Schoemann in Humb. 1756 (na marg. inf., à dir.).
Dim. - 1195 X 425 mm. de vin.
Proc. - Gravura. (1)


(1) António de Aguiar, Olisipo n.° 60, 1952

Artigos relacionados:
Iconografia de Lisboa (10 publicações)

Leitura adicional:
Cartografia de Lisboa no Gabinete de Estudos Olisiponenses

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Vistas de Lisboa (2)

(v. artigo precedente)

006

VISTA geral tirada do rio, onde se vêem vários barcos e os dizeres: Tagus flvvius.

Lisboa, Olissippo.Vrbivm praecipvarvm mundi theatrvm qvintvm Georg Braun  [Georgio Braúnio Agrippinate], Franz Hogenberg, 1598.
Imagem: Wikipedia

Na parte sup. da mancha, ao meio, tem a rosa dos ventos com os pontos cardeais. Septentrio, Oriens, Miridi es e Occasus. A esq. tem o brasão de armas com as quinas e à dir., outro com uma nau. Tem 140 rubricas de referências dispostas em 8 colunas, sendo 6 na marg. inf. de 13 linhas cada uma e 2 na parte sup., a da esq. com 10 linhas e a da dir. com 12.

Insc. - ÜLISSIPO QUAE NUNC LISBOA, CIUITAS AMPLISSIMA LUSITANIAE, AD TAGUM TOTIS / ORIENTIS ET MULTARUM INSULAR UM APHRICAEQUE ET AMERICAE EMPORIUM NOBILISSIMUM (na parte sup. da mancha). 
Dim. - 474 X 370 nun. de vin. 
Proc. -· Gravura. 

Esta espécie vulgarmente designada por Braunio pertence à mesma obra que a anterior [v. artigo precedente].

Lisabona, Cascale, Betheleem, Braun & Hogenberg, c. 1575.
Imagem: Fortalezas.org

Existe uma reprodução em litografia com as dim. 438X358 mm.

007

VISTA geral tirada do rio, tendo na parte sup. da man. um escudo de cada lado.

Lisbona, F. Valegio, c. 1560.
Imagem: Quina la fem?

Insc. - LISBONA (na parte sup. da man. ao meio). 
Subs. - Frt.º 1 Valegio f. (na parte inf. da man. à esq.) - Francisco Valegio foi gravador e negociante de obras de arte em Bolonha, em 1560. 
Dim. - 122 X 82 min. de man. 
Proc. - Gravura.

008

VISTA geral tirada do rio, onde se vêem vários barcos, entre os quais algumas muletas e um a remos, no canto inf. esq ., transportando 7 personagens civis e eclesiásticas [v. Iconografia de Lisboa (2.ª parte)]. 

Lisbona, Cosmographia, Sebastian Münster, 1544.
Imagem: AVM

Na metade sup. da man., ao meio, estão as armas reais de Portugal com coroa aberta, sustidas por 2 figuras aladas voando entre nuvens. Esta estampa ocorre a pág. 134 e 135 duma obra alemã acerca de Portugal, pois que na pág. 133 que ocupa metade do verso se lê o seguinte, escrito em caracteres góticos: Von Hispanien / DIE STATT / LISSBONA / welche ist die Hauptstatt in PORTUGAL / und eine der fürnehmsten statten in gantz Hispania aussgetruckt nach aller form und gestalt / wie siezu unsern zeiten beschassen. A pág. 136, também no verso da estampa, é encabeçada por: Das Under Buck, seguindo-se o texto tipografado, que ocupa toda a lauda. Numa das suas linhas lê-se o ano de 1580. O séc. XVI está bem patente no desenho das roupagens das figuras aladas.

Insc. - ÜLISIPONIS ODER LISSBONAE DER SURNEHMEN / und wergen deB gewaltigen Kaussmans Gewerb/ so alldagetrieben / weilbetandten Statt in Spanien wahreabcontrafactur. (por cima da man. em tipo gótico , em 2 linhas. No mesmo local tem no extremo esq. 134 e no dir. 135 que indicam o n.º das páginas). LISBONA (no meio da man. por baixo das armas reais). 
Dim. - 364 X 224 mm. de man. 
Proc. - Gravura em madeira.

009

VISTA geral tirada do rio, onde se vêem vários barcos, alguns com passageiros.

A mancha é cercada por um emolduramento rectangular tendo na parte sup. um dossel formado por fitas entrelaçadas. Na marg. inf. à dir. tem o número 430.

Insc. - LISBONNE CAPITALE DU ROYAUME DE PORTUGAL (na parte sup. da man. ao meio numa cartela com duas carrancas).
Dim. - 274X219 mm. de vin. 
Proc. - Gravura.

010

VISTA geral tirada do rio.

Na marg. inf. tem 18 referências numeradas de 1 a 18 e na parte sup. da mancha tem mais 31 referências numeradas de 19 a 50, sendo 3 colunas à esq. em italiano, e 3 colunas à dir., em alemão.

Lissbona.
Imagem: AbeBooks

Insc. - LISSBONA (na parte sup. da mancha, ap meio, dentro dum a filactera). 
Subs. - Iohan. Fried. Probst, excudit Aug. V. (por baixo da man., á dir.). 
Dim. - 1043 X 350 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

011

VISTA geral tirada do rio, dentro duma moldura ornamental.

A general view of Lisbon, the capital city of Portugal.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Insc. - A GENERAL VIEW OF LISBON, THE CAPITAL OF PORTUGAL (na man., ao fundo). Subs. - Sparrow sculp. (por baixo da Insc.). Engraved for Millar' s New Complete & Universal System of Geography. (na marg. sup.). 
Dim. - 305 X 210 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

012

VISTA geral tirada do rio, onde navegam barcos à vela e monitores.

Tem 32 referências em 6 colunas, 3 à esq. e 3 à dir., de 7 linhas, na marg. inf., alfabetadas de A a U e de a a p. 

Insc. - To His Royal Highness George Prince of Wales - THE VIEW OF THE CITY OF LISBON , THE CASTLE, PORT &c. Is humbley Inscrib'd by His Royal Highness's Most Dutiful Most Devoted and Most Obedient Humble Setrvant C. Hawkins (na marg. inf.). 
Subs. - Drawn by C. Lemp[r]ierre, Revised & painted by R. Paton (na marg. inf. é esq.). Engraved by Ant. J. Walker (na marg. inf. à dir.). 
Dim. - 755 x 420 mm. de man. 
Proc. - Gravura. 

013

VISTA geral tirada do rio.

Vista geral da cidade de Lisboa capital de Portugal antes do terremoto.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Tem 13 referências de 3 linhas: à esq. em inglês e à dir. em francês.

Insc. - THE CITY OF LlSBON AS BEFORE THE DREADFUL EARTHQUAKE OF NOVEMBER 1st. 1755 (na marg. inf. à esq. O mesmo em francês à dir.). 
Subs. - J. Couse sculp. (na marg. inf. à dir.). Printed for John Bowles at the Black Horse in Cornhil & Carington Bowles in St. Pauls Ch'urch Yard London (na marg. inf. ap meio junto ao vinco). 
Dim. - 410 X 255 mm. de vin. 
Proc. - Gravura.

014

VISTA geral tirada do rio.

Na parte sup. da man. tem uma carta topográfica com as margens do: Riviere du Taje, e na parte inf., à dir.: Plan de Setubal abimé et Golfe. Ã dir. tem a planta de Évora. Na marg. sup. tem: Planch 1.êre. Tem à dir. uma coluna de observações de 38 linhas. 

Vue de Lisbone [Avant d'être réduite en morceaux...], 1756.

Insc. - VEUE DE LISBONNE avant d' etre reduite en morceaux de pierres par le tremblement du 1er Novembre 1755 (na parte sup. da man. no ângulo inf. esq.). 
Dim. - 690 X 503 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

015

VISTA geral tirada do rio. A inscrição é dividida ao meio por um brasão de armas com a divisa: Honi soit qui mal y pense [existem mais três gravuras que completam a panorâmica].

The view of the city of Lisbon, C. Lemprière, publ. 1756.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Tem 35 rubrica s de referências alfabetada s de A a Z e de a a k em 5 colunas de 7 linhas, na marg. inf.

Insc. - To his Royal Highness George Prince of Wales THIS VIEW OF THE CITY OF LISBON AS BEFORE THE LATE EARTHQUAKE Is humble Inscrib'd by His Royal Highness Most Dutiful Most Devoted and Most Humble Servant Geo. Hawkins (na marg. inf . ). 
Subs. - Drawn by C. Lempierre, Revis'd & painted by R. Paton (na marg. inf. à esq.). 
Dim. - 685 X 352 mm. de man. 
Proc. - Gravura. 

016

VISTA geral, vendo-se no rio, no 1.° plano, a frota ancorada.

La flotte armé neutre et confederé à Lisbonne, publ. 1780.
Imagem: auctionnet

Insc. - LA FLOTTE ARMÉ NEUTRE ET CONFEDERE a Lisbonne (na marg. inf. à dir.). O mesmo em alemão, e o mesmo em francês na marg. sup. em caracteres invertidos. 
Subs. - Se vend a Augsbourg au Négoce comum de l' Academie l mperiale d'Empire de Arts libereaux avec Privilege de Sa Magesté Imperiale et avec Defense ni d'en faire ni de vendre les Copies. (por baixo do antecedente ). Collection des Prospects (na marg . sup . à esq.). Gravé par Balth. Frederic Leizel (na marg. inf. à dir.). 
Dim. - 412 X 300 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

017

VISTA geral tirada do rio, onde navegam vários barcos, alguns com muitas pessoas. Na marg. sup. à dir. tem o número 98.

Lissabon die Königliche Haupt und Residenz Statt in Portugal, Augsburg, G. Bodenehr, 1704-20.
Imagem: Antiquariat

Tem 2 colunas de referências em alemão, nas margens. A da esq. tem 42 linhas e a da dir. tem 8, começando por: Bethlehem... 

Insc. - LISSABON Die Konigliche Haupt und Rezidenz Staff in Portugal (na parte sup. da man. ao meio). 
Dim. - 305 X 168 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

018

VISTA geral tirada do rio.

Lissebon Rare coastal view of Lisbon in Portugal Description.
This antique print originates from Algemene Wereldtbeschrijving  by Francois Halma printed in 1705.
Imagem: AbeBooks

Insc. - LISSEBON (na marg. inf.). 
Dim. - 283 X 202 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

019

VISTA geral tirada do rio, que está indicado: Tagus Fl., tendo na parte sup. da man. as armas de Portugal, à esq. e um escudo com uma nau, à dir.

Lisboa, c. 1650.

Tem 6 colunas de referências somando 37 rubricas.

Insc. - LISBOA (na parte sup. da man., ao meio dentro duma cartela). 
Dim. - 497 X 365 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

020

VISTA geral tirada do rio. Tem na parte inf. a todo o comprimento 4 linhas com 34 rubricas de r eferências remissivas ao texto. Na parte sup. da man . tem, à esq., as armas nacionais e à dir. um escudo com uma nau.

Olisippo, Lisabona, 1600-1699.
Imagem: Bibliothèque nationale de France

Insc. - OLISIPO- LISABONA (na parte sup . da man., ao meio). 
Dim. - 367 X 285 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

021

VISTA geral tirada do rio.

A GENERAL VIEW OF THE CITY OF LISBON OF T HE KINGDOM OF PORTUGAL as it stood on the North side of the River Tagus before the late Earthquake on November...
[vista conforme gravura de Pierre Aveline (1656-1722) entre 1680 e 1720].
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Insc. - A GENERAL VIEW OF THE CITY OF LISBON OF THE KINGDOM OF PORTUGAL as it stood on the North side of the River Tagus before the late Earthquake on November 1st. & 8th. 1755 (na marg. inf.). 
Subs. - B. Cole sculp. (na marg. inf. à dir.). 
Dim. - 295 X 175 m m. de vin 
Proc. - Gravura. (1)


(1) António de Aguiar, Olisipo n.° 59, 1952

Artigos relacionados:
Iconografia de Lisboa (10 publicações)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Vistas de Lisboa (1)

Grande prazer desfruta o coleccionador principiante ao agrupar a meia dúzia de obras de arte que lhe suscitou a ideia de organizar uma colecção. Expostas e dispostas com cuidado e requintes, deleita-se a examiná-las.

Lisboa, Avenida da Liberdade, década de 1900, publ. Mala da Europa.
Imagem: FCSH +Lisboa

Mas a insistência neste exame e admiração a breve trecho lhe sugere uma alteração à disposição inicial, que obedeceu simplesmente a razões de ordem estética. Sugere-lhe a necessidade da colocação por ordem de representação [...]

Uma iconoteca permite a execução das operações de ARRUMAÇÃO e ORDENAÇÃO independentemente uma da outra. Da confusão e mistura destas duas operações é que resultam todos os problemas com que se debate o coleccionador.

Lisboa, Praça dos Restauradores, Rob. Kämmerer, c. 1900.
Imagem: Museu de Lisboa

A ARRUMAÇÃO só tem a considerar as características físicas ou materiais das espécies. 

A ORDENAÇÃO considera todas as outras propriedades desde as artísticas às de representação, às históricas, às documentais, às cronológicas, etc.

Ambas estas operações contam antecipadamente com um crescimento ilimitado. Numa iconoteca é possível e fácil agrupar as espécies de modo criterioso e integral nos quatro grandes grupos seguintes que preconizamos para a divisão da iconografia olisiponense, e nas suas divisões e subdivisões:

iconografia panorâmica, 
iconografia monumental, 
iconografia histórica 
e iconografia dos usos e costumes.

Ao contrário de uma instalação custosa pela grandeza e luxo necessários que a exposição permanente destas espéçies exigiria, a uma iconoteca basta um arquivo, uma sala de exposições e uma biblioteca privativa [...]

Lisboa, Praça do Commércio, Editores Belém e Cia., década de 1890.
Imagem: Barry Lawrence Ruderman

Não cabem no âmbito desta achega os índices com que agruparíamos estas espécies nas várias divisões iconográficas que referimos. Limitamo-nos, por isso, à sua arrumação pela única propriedade física que está ao nosso alcance: o processo de execução. (1)

*
*     *

GRAVURAS

001

VISTA geral tirada do rio. Tem 71 rubricas de referências dispostas em 7 colunas.

Lissabon, Friederich Schoenemann, 1756.
Imagem: LUNA

lnsc. - LISSABON (na parte inf. da mancha, ao meio, dentro duma cartela de estilo). 
Subs. - Gezeichnet und Gestochen, von Friederich Schoemann in Humb. 1756 (na marg. inf. à dir.). Dim. -1195 X 425 mm. de vin. 
Proc. - Gravura.

002

VISTA geral tirada do rio onde navegam vários barcos a remos e à vela. Tem uma coluna de referências alfabetadas de A a R, num rectângulo dentro da mancha, no canto inf. dir., com o título: Explication des lettres de la presente figure. Espalhadas pela mancha e junto aos vários edifícios tem várias indicações, tais como: L'Arcenal, La maison des lndes, Le grand Quay Royal, etc.

Profil de la famevse ville et port de mer de Lisbone cappitalle dv royavme de Portvgal, Hughes Picart, 1645.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

lnsc. - PROFIL DE LA FAMEVSE VILLE ET PORT DE MER DE LISBONNE CAPPITALLE DV ROYAVME DE PORTUGAL (na parte sup. da mancha, a todo o comprimento).
Dim. - 735 X 277 mm. de vin.
Proc. - Gravura.

003

VISTA geral tirada do rio tendo no 1.° plano à dir. 2 figuras ale- góricas: uma com asas e outra sobraçando uma âncora. No canto sup. esq. da man. tem um escudo com uma nau. 

Lissabona Committe Deo Spera Et Ille Faciet, Daniel Meisner, 1638
in Libellus novus politicus emblematicus civitatum.
Imagem: Paralos Gallery

Insc. - LISSABONA IN PORTUGAL (na parte sup. da mancha, ao meio). COMMITTE DEO, SPERA, ET ILLE FACIET (na marg. sup., ao meio). TU COMMITTE VIAS JHOVOE, ET FPE NOTERE IN ILLO (na marg. inf., à. esq.). OMNIA PERFICIET PROVIDUS IPSE BENE (na marg. inf. , à dir.) . Tem mais duas inscrições em alemão, uma à. dir. e outra à esq., de 2 linhas cada uma e ambas por baixo das inscrições latinas antecedentes. 
Dim. - 146 X 97 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

Esta vista pertence a uma colectânea alemã do século XVII [ Libellus novus politicus emblematicus civitatum] que contém também uma vista de Coimbra e outra de Buarcos.

004

VISTA tirada do rio. Na parte sup. da man. tem um brasão de armas com as quinas, à esq ., e um outro com uma nau, à dir. 

Tem 34 rubricas de referências dispostas em 4 colunas, dentro duma cartela rectangular de estilo.

Olisippo, Lisabona, Matthaus Merian, 1636.
Imagem: Barry Lawrence Ruderman

Insc. - OLISSIPO - LISABONA (na part e sup. da man. dentro duma filactera). 
Dim. - 608 X 400 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

005

ESTA espécie tem 2 manchas: a de cima representa a vista panorâmica de Lisboa tirada do rio e a debaixo a vista da margem dir. do Tejo a partir de Belém e o seu prolongamento pela costa até Cascais.

A man. de cima tem na parte sup. à esq. um brasão de armas. 

Lisabona, Cascale, Betheleem, Braun & Hogenberg, c. 1575.
Imagem: Fortalezas.org

Insc. - LISABONA (na parte sup. da man . de cima, ao meio). CASCALE- -LUSITANIAE OPP. (na parte sup. da man. de baixo, à esq.). BETHELEEM (idem, idem, à dir.). Olisipo, sive vt pervet Lapidvm Inscriptwne s habent, Vlysippo Vvlgo Lisbona florentis simvm Portugalliae Emporiv. (na parte inf. da man. da estampa de cima, à dir. dentro duma cartela). 
Dim. - 486 X 349 mm. de vin. 
Proc. - Gravura. 

Esta vista ocorre na obra de G. Braun intitulada, na edição latina de Colónia: CIVITATES ORBIS TERRARUM e na edição francesa de Bruxelas: LE GRAND THÉATRE DES DIFFERENTES CITÉS nu MONDE, em 6 vols. de 304 páginas duplas com vistas das principais cidades e portos. O 1.° vol. saiu em 1672 e os outros em 1693 e 1694, anos em que se reimprimiu o primeiro. Um sexto vol. saiu em 1613 com o qual aumentou para 363 o número de vistas. 

As gravuras são de Franz Hogenberg e Simon von den Noevel (Novellanus). Georg Hoefnagel e Conrad Chaymon deram as plantas. (2)


(1) António de Aguiar, Olisipo n.° 57, 1952
(2) António de Aguiar, Idem

Artigos relacionados:
Iconografia de Lisboa (10 publicações)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Igreja das Chagas

Correndo o anno de 1493, instituiu fr. Diogo de Lisboa, religioso trino, no seu convento da Santissima Trindade d'esta corte, uma confraria intitulada das Chagas de Jesus, e composta de maritimos que andavam na carreira da lndia, e das outras nossas possessões de além mar.

Vrbivm praecipvarvm mundi theatrvm qvintvm Georg Braun  [Georgio Braúnio Agrippinate], ao centro (n° 116) a Igreja das Chagas, á esquerda (n° 115) a igreja e convento de Santa Catarina, em baixo Igreja de S. Paulo, Franz Hogenberg (detalhe), 1598.
Imagem: Wikipedia

Rica pelas muitas esmolas de seus numerosos irmãos, floreceu por largos annos esta confraria sob a protecção do instituidor, que por suas letras e virtudes occupou na ordem os cargos de ministro do convento de Lisboa, e de provincial.

Suscitando-se, porém, desintelligencias entre os frades e a irmandade das Chagas, resolveu fr. Diogo fazer edificar egreja propria para a dita confraria.

Escolheu-se para esta fundação o alto do monte sobranceiro ao Tejo, e visinho do outro chamado do Pico, ou "Belveder", onde mais tarde se erigiu a egreja parochial de Santa Catharina por devoção da rainha d'este nome, mulher dei-rei D. João III (foi erecto este templo em 1557, e dois annos depois instituida a parochia).

Caminhou ligeira a obra, porque o zeloso e activo trinitario não descançou emquanto a não viu concluida, dizendo a primeira missa  em o novo templo no dia 30 ele novembro de 1542.

Pelos muitos creditos que tinha em Roma, alcançou o fundador uma bulla do papa Paulo III, concedendo à egreja das Chagas as honras de parochia, com permissão de administrar todos os sacramentos aos maritimos, e dando faculdade á irmandade para nomear capellão, e ter contiguo um hospital para os feridos e enfermos das armadas.

Entre outros privilegios mais concedidos pelo mesmo pontifice, e confirmados por bulla de Urbano VIII, de 23 de outubro de 1623, mencionarcmos um muito honorifico, que foi ser annexada a egreja das Chagas à basifica laterancnse de Roma, com isempção do ordinario, segundo as disposições do concilio tridentino.

Igreja das Chagas Lisboa em 1650 (detalhe).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Fez-se com grande pompa a trasladação da confraria, saindo esta em procissão com mui ricos andores, e musicas, da egreja da Trindade para a das Chagas, no dia e anno acima referidos. Para que se julgue do esplendor d'esta solemnidade, e da importancia e grandeza da confraria, diremos que contava n'esse tempo, e levava n'aquella procissão uns oitocentos irmãos. (1)

Um dos encantos da nossa Lisboa são os sinos; parecem ás vezes marimbas ethéreas tangidas pela mão dos Seraphins. Pois entre os mais agradáveis e crystallinos campanários figura o das Chagas, o dos tão sonoros tão contentes sinos!

Os seus repiques e menuetes choram tristezas fúnebres a quem vai rio a baixo, dizendo adeus, sem saber por quanto tempo, ao esplendido panorama de Lisboa ; sim, mas quantas alegrias não expandiam, ao repicarem, como era seu officio, quando entravam o Tejo as naus da índia ! quando a alvoroçada Lisboa communicava a noticia de casa em casa! quando toda a população corria para a Ribeira!

O relógio é que não gosava de grande reputação, coitado, a julgal-o por um ditado plebeu: "Em mulher de Alfama, homem do mar, relógio das Chagas, não ha que fiar" [...]

P.e António Vieira (1608-1697) por Arnold van Westerhout.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Se a voz dos sinos é tão agradável nas Chagas, outra voz mais bella ressoou n'aquella abóbada: foi a do Padre Antonio Vieira em 14 de Setembro de 1642, prégando ali n'uma festa de Santo Antonio. (2)

Não sobresaía a egreja das Chagas em sumptuosidade de construcção, nem em bellezas de arcbitectura, mas sim na riqueza das alfaias e paramentos. Com as offerendas que continuamente lhe faziam os navegadores, com especialidade da India e do Brasil, foi adquiriudo muitas e custosas peças de prata, e paramentos bordados e franjados de oiro com extremada perfeição.

Igreja das Chagas, Grande Panorama de Lisboa Azulejo (detalhe), c. 1700.
Imagem: Flickr

Succedeu, porém o terremoto do 1.° de novembro de 1755, e perdeu-se quasi ludo isto. A egreja arruinou-se aos primeiros abalos, e depois ateou-se n'ella o fogo, que a reduziu a cinzas. Apenas se salvou alguma pouca prata, e quatro imagens santas.

Igreja das Chagas em Vistas panorâmicas de Lisboa antes do terramoto (detalhe), C. Lemprière, 1756.

Foi estabelecer-se provisoriamente a confraria na capella da quinta Nova, a Sete Rios, propriedade então de Bento Gonçalves Forte. Conservou-se ahi até junho de 1756, em que se passou para uma ermida, que mandára construir de madeira no sitio dos Cardaes, na Cotovia, emquanto se procedia á reedificação do seu antigo templo. Assim que este se concluiu, voltou para elle.

A egreja das Chagas está no districto da parochia da Encarnação. Como se ajuizará á vista da gravura que apresentamos, é um templo de modesta architectura no exterior, mas bem ornado interiormente, posto que com singeleza, e sobre tudo notavel pelo seu muito aceio. Os seus rendimentos estão hoje mui cerceados, porque a irmandade das Chagas de Jesus já não é numerosa, como outr'ora, nem dispende tanto com o culto divino. Todavia fazem-se n'ella os officios regullares, e algumas festividades com bastante decencia.

Egreja das Chagas, gravura de João Pedroso, 1863.
Imagem: Hemeroteca Digital

Possue esta egreja o corpo de Santo Urbano, que d'antes se achava depositado na capella da casa visinha, de que é proprietario o sr. Casal Ribeiro, e que este cavalheiro fez transferir, ha alguns annos, para aquelle templo.

A egreja tem o frontispicio voltado para oeste. Como está edificada na crista do monte, o seu adro é pequeno, porém mui lindo pelas arvores que o assombram para o lado do sul, e principalmente pelo delicioso painel que os olhos d'alli relanceiam.

A cidade, descendo por valles e subindo por encostas até Belem; o Tejo espraiando-se magestosamente, como um golfo, até se ir confundir com o Oceano por entre as fortalezas que lhe defendem a foz; os mo montes de além com suas quintas e povoações guarnecendo-lhes as faldas, ou surgindo das quebradas, ou coroando-lhes as alturas, e mais longe a serrania da Arrabida: tal é esse painel encantador. (3)

*
*     *

Em 1898, se não me engano, consentiu a Camara, por motivos de certo muito transcendentes, mas que ficaram desconhecidos, um roubo artistico feito a um dos mais bellos miradoiros de Lisboa: permittiu o alteamento de um grande prédio do pateo do Pimenta, por forma que interceptou a vista para sueste.

Panorâmica de Lisboa e do rio Tejo vendo-se a igreja das Chagas de Cristo, 1905.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Não creio que andasse bem, nem o proprietário pedindo e acceitando a licença, nem a Camara concedendo ao interesse financeiro de um influente politico, o sr. Conselheiro José Dias Ferreira, submetteram-se considerações de ordem mais nobre: os direitos do Bello. Emfim, se o publico perdeu uma parte do espectáculo, o inquelino do dito proprietário ganhou-a. E uma compensação.

Igreja das Chagas de Cristo, Mário Novais, 1949.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Como chronista e procurador officioso da Cidade, cabe-me o direito de dizer n'isto o que penso. A lettra redonda tem os seus fóros. Uma coisa é usar da imprensa; outra muito diversa é abusar.

Hoje, que tanto se fala da Arte, hoje que ha um Conselho superior de monumentos, hoje que bellissimas escolas industriaes e artísticas florescem em toda a parte, espalhando nas classes populares conhecimentos que ellas d' antes não possuíam, hoje que tanto se pensa no aformoseamento e saneamento da Capital, pergunta o imparcial bom senso: deveria o Município ter consentido aquelle biombo, aquelle empacho, num dos sítios mais desafogados e pittorescos da Cidade? e deveria um cidadão do mérito do sr. José Dias Ferreira, antigo Lente de Direito publico, antigo Ministro, Presidente do Conselho, legislador, pedir (ou acceitar sequer) aquella concessão?

Lisboa, zona da Bica, Artur Pastor, década de 1960.
A igreja das Chagas de Cristo e as torres da igreja de São Paulo.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Francamente respondo: não devia acceital-a o particular, e não devia a Camara concedel-a. Para dar vista a meia dúzia de janellas do prédio de um só individuo, permittiu-se que fosse vilipendiado o direito de nós todos. Foi-nos expropriada, sem vantagem nossa, e contra todos os dictames do bom senso, da justiça, e da equidade, uma vasta propriedade que disfructavamos desde séculos.

E entendo mais: entendo logicamente que, de ora em diante, não ha considerações que impeçam os outros donos dos terrenos da vertente de construírem para leste e sul, afogando o largo das Chagas em edificações de mestre de obras, e acabando de vez com os restos do prospecto que ainda d'ali se gosa.

Do Alto das Chagas Lado S., c 1900.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

O sr. Conselheiro José Dias Ferreira, proprietário opulento, não precisava da migalha que lhe rende o andar que levantou, para augmentar os seus haveres; e, como homem de talento laureado e indiscutível, não precisava d'esse monumento para sua gloria. (4)


(1) Ignacio de Vilhena Barbosa, Archivo Pittoresco, Tomo IV n.° 6, 1863
(2) Julio de Castilho, Lisboa Antiga Vol. II
(3) Ignacio de Vilhena Barbosa, Idem
(4) Julio de Castilho, Idem