quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O estadista

O reinado de D. José foi célebre devido ao grande ministro que o ilustrou. Há a citar apenas um acto do esposo de D. Mariana Vitória mas que valeu por muitos. Foi o facto de ter escolhido por deliberação própria e expontânea, Sebastião José de Carvalho e Melo, depois conde de Oeiras e marquês de Pombal como seu primeiro-ministro, e a constância e a pertinácia com que seguiu os seus conselhos e o conservou à frente do governo, apesar de todas as intrigas e de todas as guerras que a nobreza e o clero moveram contra ele.

Marquês de Pombal examinando o projecto da reconstrução de Lisboa (detalhe),  Miguel Angelo Lupi, 1883.
Imagem: Museu de Lisboa

O marquês de Pombal era muito inteligente, com uma vontade de ferro; tinha um carácter violento, despótico e cruel, mas era dono de uma actividade, de uma perseverança e de uma inflexibilidde a toda a prova.

Dotado de alta capacidade administrativa e de grande energia nos meios de execução, foi o maior ministro que Portugal teve até ao momento; e, apesar do seu governo tirânico e opressivo, a sua popularidade tem-se mantido inalterável.

O muito que fez pelo bem do seu pais eclipsou o que fez sofrer àqueles que quiseram contrariar, ou impedir, os magníficos actos  da sua administração.

No marquês de Pombal vê-se, nos meios de execução, o carácter violento e sanguinário do Cardeal Richelieu, o célebre ministro de Luís XIII, e, ao mesmo tempo, o sistemna Protector de Colbert, o grande ministro de Luís XIV, nas grandes medidas industriais, comerciais e económicas, menos a intolerância religiosa que, nos últimos anos do rei de França, contrariava o desenvolvimento das grandes ideias do seu ministro com a perseguição aos protestantes.

Poucos anos depois da sua exaltação ao trono, D. José presenciou o terrível terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Ruínas da Ópera do Tejo, Jacques-Philippe Le Bas, 1755.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

A cidade baixa foi a que mais sofreu; tudo o que estava compreendido no vale entre os montes da Graça, do Castelo e de Santa Catarina ficou arrasado. Os paços da Ribeira, como tudo o que existia neste bairro, ficaram completamente destruídos.
Os desastres que o horrível cataclismo produziu, agravados por outros não o menores, que o fogo desenvolveu, foram reparados em poucos anos, graças às sábias e prontas providências tomadas pelo génio enérgico e activo do grande ministro.

Ruínas da Praça da Patriarcal, Jacques-Philippe Le Bas, 1755.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

O ilustre secretário de estado, após a monumental catástrofe reedificou a cidade de Lisboa, na parte baixa, que foi a que mais sofreu com aquelas calamidades. Neste ponto houve melhorias consideráveis, sendo as numerosas ruas estreitas e tortuosas que se compreendiam entre o Terreiro do Paço e o Rossio substituídas pelas que hoje vemos e que, para a época eram magníficas.

1755 Mapa Planta de Lisboa arruinada pelo terremoto de 1755 e com o novo plano de reconstrução dos architectos Eugenio dos Santos de Carvalho e Carlos Mardel 01.jpg

Os monumentos e palácios que foram destruídos, e os grandes valores e riquezas de todo o género que eles continham é que não foram substituídos.

1755 Mapa Planta de Lisboa arruinada pelo terremoto de 1755 e com o novo plano de reconstrução dos architectos Eugenio dos Santos de Carvalho e Carlos Mardel 03.jpg

Nesta época, em Lisboa, só havia uma publicação periódica, a "Gazeta de Lisboa", que era publicada semanalmente, às quintas-feiras. Tivemos a curiosidade de procurar como é que a gazeta deu aos seus leitores a notícia do grande acontecimento, e, no número de 6 de Novembro de 1755, o primeiro que saiu depois da grande catástrofe, encontrámos o seguinte:

A gazeta começa por dar nortícias de Paris e Fontainebleau, de 3 de outubro, da corte e das guerras de França, e de como, no parlamento de Paris, tinham sido condenados ao fogo dois painéis satíricos, revolucionários e indecentes.

Depois, traz notícias do Rio de Janeiro, do dia 10 de julho.

Seguem-se noticias de Portugal, nas quais se narra largamente a doença e o falecimemo do Dr. Joaquim de S. José, lente jubilado de Teologia na Universidade de Coimbra, que vaticnou a sua morte vaticinou a sua morte, acrescentando que, ardendo no ofícios fúnebres, e no acto do seu enterramento cento e cinquenta velas e quatro tochas, durante mais de uma hora, só se gastou milagrosamente apenas um arrátel de cera!

Por fim, a gazeta noticia a grande convulsão geológica, usando as seguintes palavras:

"O primeiro dia do corrente ficará memorável a todos os séculos pelos terramotos e incêndios que arruinaram uma grande parte desta cidade, mas tem havido a felicidade de se acharem nas ruínas os cofres da fazenda real e da maior parte dos particulares."

Lisboa, Terremoto de 1755, ex voto dedicado a Nossa Senhora da Estrela.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

Numa nota, e como advertências, a gazeta anuncia que na loja onde ela é vendida tambem se vendem dois impressos contra os terramotos: um trazido de Roma pelo cardeal da Cunha, em 1732, do qual se serviam em Itália para se prevenirem contra os terramotos, os raios e as tempestades, fixando-o nas  portas ou nas janelas, e que em Chaves tinha mostrado a sua eficácia, pois tendo caído um convento, ficara ilesa a cela de um frade, que tinha pegado no dito papel;

o outro impresso continha orações do papa Benedito XIII (usadas para não se morrer de morte súbita) e proposto aos fiéis pelo pontífice Clemente XII numa altura em que havia em Roma muitas mortes repentinas, as quais, por esse facto, cessaram imediatamente.

É, forçoso reconhecer essas receitas, publicadas seis dias depois do grande cataclismo, eram muito tardias.

Não nos apressemos, porém, a rir do jornalista desse século, porque nos nossos dias, o correspondente de um jornal parisiense que visitou Portugal na altura dos desposórios de P. Pedro V escreveu para o periódico entre outras cois do mesmo quilate, que havia em Lisboa um inspector dos terramotos!

Alegoria ao Terremoto de 1755, ruínas da desaparecida igreja de Santa Catarina, João Glama Strobërle (1708–1792).
Imagem: Wikipédia

Em 1756, Francisco de Pina e Melo publicou um opúsculo para mostrar como o terramoto não podia ser um fenómeno natural pois a terra era imóvel! ["grande delírio he este dos que chamaõ sábios em dar ás cauzas naturaes os abalos da Terra, se só quem a fez com hum aceno, a pôde mover com huma palavra" cf. Francisco de Pina e de Melo, Juízo sobre o terremoto, Lisboa, 1756, p. 2, Sobre o mesmo assunto escreveu, o autor, um poema intitulado Parenesis ao terremoto do Primeiro de Novembro de 1755, Lisboa, 1756, fonte: B.N.P.]

O mais curioso é um disparate destes, em pleno século XVIII, receber e aprovação e louvores do frei Bernardino de Santa Posa, doutor em Teologia, do Santo Oficio, regente dos estudos, examinador das três ordens militares, etc.  Esse era o estado da instrução em Portugal nessa época.

Marquês de Pombal examinando o projecto da reconstrução de Lisboa,  Miguel Angelo Lupi, 1883.
Imagem: Museu de Lisboa

As reformas e os melhoramentos os melhoramentos que o ministro de D. José I tinha introduzido tinham levado grande parte da nobreza e do clero a conspirar contra ele. Os descontentes, vendo que o grande sustentáculo do ministro era ao rei, organizaram uma trama contra este.

Assim, na noite de 3 de setembro de 1878, D. José foi assaltado com tiros de bacamarte, quando se dirigia, numa sege, para uma das suas quintas, situada perto de Belém, tendo sofrido, porém, apenas um leve ferimento no braço esquerdo.

Atentado de 3 de setembro de 1878 contra D José I, Vieira Lusitano.
Imagem: Museu de Lisboa

Os réus deste atentado foram julgados pela Junta da Inconfidência. O rigor que houve para com os criminosos faz lembrar o governo do cardeal Richelieu em França, imitado em ocasiões semelhantes pelo marquês de Pombal, parando então de se parecer com célebres ministros do mesmo país, Sully e Colbert.

A Casa-dos-Vinte-e-Quatro pediu ao rei, a 16 de Dezembro de 1758, que não cedesse à sua natural clemência e que aplicasse torturas aos culpados do crime de 3 de setembro. A Câmara de Lisboa tinha muito boas relações com Sebastião José de Carvalho e Melo. Os réus foram executados na praça de Belém a 13 de Janeiro de 1759.

A marquesa de Távora D. Leonor Tomásia foi degolada; o duque de Aveiro, D. José de Mascarenhas foi rodado e maçolado vivo, tendo-lhe sido quebrados com uma maça de ferro os ossos dos braços, das pemas, do peito e da fronte depois queimado; o marquês de Távora, D. Francisco de Assis, foi rodado e maçolado vivo; o marquês de Távora, D. Luis Bernardo, filho do anterior foi garrotado e, depois, maçolado; José Maria de Távora, filho do marquês D. Francisco, idem; o conde de Atouguia, D. Jerónimo de Ataíde, idem; Braz José Romeiro, cabo de esquadra, idem; José Miguel, criado do duque, idem; Manuel Álvares Ferreira, guarda-roupa do duque, foi queimado vivo; José Policarpo de Azevedo, cunhado do anterior, conseguiu fugir, mas foi depois queimado em estátua.

Lisboa Belém Processo dos Távora "A view of the executions at Lisbon" 13 de janeiro de 1759.jpg

Todos os corpos dos supliciados foram queimados e as suas cinzas foram lançadas ao Tejo. 

Disse-se que entre os acusados figurava também a marquesa de Távora, D. Teresa de Távora e Lorena, filha do segundo conde de Alvor e casada com o seu sobrinho, o marquês de Távora D. Luis Bernardo, a qual tinha tido relações amorosas com o rei.

Todavia, D. José mantivera firmemente uma excepção para aquela que fora sua amante, tendo-lhe sido poupadas as penas, sem que houvesse insistência de Sebastião de Carvalho e Melo.

O terreno do local no qual se deu a tentativa de assassinato contra D. José foi salgado e determinou-se que não se edificasse mais nada ali: ainda hoje se lá ver uma coluna de mármore, tendo na base uma inscrição comemorativa daqule funesto acontecimento.

AQUI FORAM ARRASADAS E SALGADAS AS CASAS DE JOSÉ MASCARENHAS,
EXAUTORADO DAS HONRAS DE DUQUE DE AVEIRO E OUTRAS
CONDEMNADO POR SENTENÇA PROFERIDA NA
SUPREMA JUNCTA DE INCONFIDENCIA EM 12 DE JANEIRO DE 1759
JUSTIÇADO COMO UM DOS CHEFES DO BARBARO E EXECRANDO DESACATO
QUE NA NOITE DE 3 DE SEPTEMBRO DE 1758
SE HAVIA COMMETTIDO CONTRA A REAL E SAGRADA PESSOA DE D. JOSÉ I.
NESTE TERRENO INFAME SE NÃO PODERÁ EDIFICAR EM TEMPO ALGUM.

Aquela determinação, porém, acabou por deixar de se cumprir, construindo-se naquele terreno várias casas e barracas.

No mesmo ano 1759, a 3 de Setembro, os jesuítas, acusados também de serem cúmplices daquele atentado, foram expulsos de Portugal e dos seus domínios. Mas a guerra do conde de Oeiras aos jesuítas não se limitou a isto. Fez os maiores esforços junto do papa Clemente XIII para a extinção da ordem, no que foi também auxiliado pelas cortes de Versalhes. Madrid, Nápoles e Parma.

Medalhão do tecto da igreja de S. Roque.
Imagem: Wikipedia

Só, porém, no pontificado seguinte, quando o papa Clemente XIV governava a Igreja, é que este pontífice se viu obrigado a extinguir a Companhia de Jesus através de um breve passado a 21 de julho de 1773. Conta-se que essa resolução custou a vida ao Papa.

Sacristia da igreja (museu) de S. Roque, Lisboa.
Imagem: Google Arts & Culture

Suprimida a ordem dos jesuítas os seus bens foram confiscados e, em grande parte, empregados em Portugal em usos pios e de beneficência. A 31 de janeiro de 1775, foram concedidos Misericórdia de Lisboa os bens que os jesuítas possuíam no Largo de S. Roque, nesta cidade.

Sacristia da igreja (museu) de S. Roque, Lisboa.
Imagem: Google Arts & Culture

Pouco tempo depois da expulsão dos jesuítas de Portugal houve uma pendência entre o governo português e a santa sé, consequência da guerra entre o conde de Oeiras e os discípulos de Loiola, tendo, porem, como motivo ostensivo o facto de o núncio do papa não ter posto luminárias nas noites dos festejos do casamento da princesa do Brasil, D. Maria, que depois foi rainha de Portugal, com o seu tio, o infante D. Pedro.

Na sequência de uma carta dirigida, a 14 de junho de 1760, pelo secretário de Estado D. Luis da Cunha ao cardeal Acciaiuolli, núncio do papa neste corte, o ministro pontifício foi obrigado a sair em acto continuo de Lisboa para além do Tejo, e ao fim de quatro dias, para fora destes reinos. As relações com a cúria romana estiveram inrerrompidas até 1770, durante dez anos.

O reinado de D. José foi marcado por uma época de paz. Apenas houve guerra ern 1762. Por Portugal nas querer envolver-se na luta entre Espanha e Inglaterra, um exército espanhol, comando pelo marquês de Sarna [conde de Aranda], invadiu Trás-os-Montes, tomou Miranda, Chaves, Bragança e Almeida.

Vue perspective de la Bataille remportée par les Troupes Espagnoles et Françoises aux ordres de Mr. le Comte d'Aranda sur les Portugais aprés laquelle le Comte d'Aranda s'est emparé de la Place de Salvatierra ainsi que du Chateau de Segura sur le Tage ou il a laissé une partie de ses Troupes. Cette Ville a capitulé le seize Septembre 1762.
Imagem: alvor-silves

Foi depois encarregado de organizar e comandar o exército português o conde de Lippe que em pouco tempo expulsou os espanhóis de Portugal, estabelecendo a paz a 10 de Fevereiro de 1763. Portugal, recuperou então a colónia do Sacramento, e todas as terras que os espanhóis tinham tomado foram restituídas.

Quando, em 1761, sob a inspirção. do marquês de Pombal, apareceu um livro com o título "De Potestate Regia", no qual se exaltava o poder real sobre os outros poderes, o inquisidor D. José de Bragança, um dos "Meninos de Palhavã", filho de D. João V, entendeu dever perseguir o livro e o seu autor.

Admoestado pelo marquês de Pombal, irritou-se, tirou-lhe a cabeleira e deu-lhe ela na cara, chegando a puxar do punhal para o poderoso ministro. Por isso foi desterrado, juntamente somo seu irmão, para o Buçaco, onde os "Meninos de Palhavã" viveram de 1761 a 1777.

Após a morte de D. José I, a sua filha, D. Maria I, deu-lhes a liberdade. O príncipe regente, D. João, a 4 de fevereiro de 1801, declarou os "Meninos de Palhavã" inocentes do crime de atentado contra o poder régio: nessa altura, já só existia um, D. José, que fora inquisidor.

O número de reformas realizadas pelo marquês de Pombal foi imenso e extendeu-se a muitos ramos da administração. Aqui ficam algumas das principais:

em 1768 fundou a Imprensa Régia, hoje Imprensa Nacional; em 1751 estabeleceu-se o depósito público em Lisboa; em 1755 foi reformada a pauta do comércio; ern 1756 foi instituída a Companhia Geral de Agricultura do Alto Douro.

Houve no Porto uma revolta popular contra esta instituição, a 23 de Fevereiro de 1757, que foi cruelmente reprimida. Uma odiosa alçada na qual entravam o debochado e infame juiz João Pacheco Pereira de Vasconcelos e seu filho, foi à cidade da Virgem e condenou quatrocentas e oito pessoas, implicadas nos distúrbios, sendo executados dezassete no dia 14 de Outubro do mesmo ano.

Em 1761 criou-se o erário régio e foi fundado o Colégio dos Nobres; em 1772 foi reformada a Universidade de Coimbra, criando-se as faculdade de Matemática e de Filosofia e mandando-se vir do estrangeiro professores abalizados; desenvolveram-se o estudo de humanidades e a instrução primaria, que foram organizados de outra forma; em 1773,  foi [aprovada uma legislação para abolir] abolida a escravatura em Portugal. 

Na legislação, iniciaram-se várias inovações que eram o prelúdio de outras que, no mesmo sentido, e em larga escala, se fizeram no século actual. 

O marquês de Pombal auxiliou fortemente a indústria portuguesa em diversos ramos, dando subvenções a fábricas de sedas, louças, vidros, chapéus, relojoarias, tapeçarias, fundições ferro e serralharias, etc.; isentou de direitos muitas matérias-primas da indústria, pôs direitos proibitivos, segundo a escola de Colbert, sobre muito produtos de origem estrangeira, etc.

Estavam decorridos vinte anos depois do fatal terramoto de 1755 e, graças às diligências e à actividade incansável do marquês de Pombal, a cidade estava erguida das suas ruínas.

Marquês de Pombal, Louis-Michel van Loo e Claude-Joseph Vernet, 1767.
Imagem: Oeiras com História

Um grandioso monumento ia rematar e ornar a reedificação de Lisboa: com efeito, a 6 de Junho de 1775, era inaugurada com grandes pompa e solenidade a estátua equestre de D. José I, na grande Praça do Comércio, que continuou, contudo, a conservar junto do povo a antiga denominação de Terreiro do Paço.

Chegada a Lisboa da estátua de D José ao Terreiro do Paço, António da Rocha, 1775.
Imagem: Wikipédia

O desenho e a escultura da estátua e os acessórios foram de Joaquim machado de Castro; a fundição foi feita sob a direcção de Bartolomeu da Costa. (1)


(1) Francisco Fonseca Benevides, Rainhas de Portugal, Lisboa, Typographia Castro Irmão, 1878-1879

Informação relacionada:
O Marquez e a Trafaria

Leitura adicional:
José Augusto França, A reconstrução de Lisboa e a arquitectura pombalina, Lisboa, Livraria Bertrand, 1977 (1.ª edição)
O plano de Lisboa de 1758
João Lúcio d'Azevedo, O Marquez de Pombal e a sua epoca, ...,1922
Historia de reinado de el-rei D. José e da administração do marquez de Pombal
D. António da Costa, A reforma do Marquez de Pombal, O Académico, 1878

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Nossa Senhora do Monte e São Gens

Quem quiser gozar uma das mais lindas vistas da nossa querida Lisboa, não tem mais do que subir a calçada da Mouraria, travessa do Jordão (escadinhas), quebrar à esquerda o largo das Olarias, subir, à direita, a íngreme calçada do Monte e, chegando ao topo, virar à esquerda, de onde, consoante disse acima, se desfruta um lindíssimo panorama da nossa Lisboa, sem jeito de reclamo ao livro de Matos Sequeira e Luiz Pastor de Macedo que, com este título "Nossa Lisboa", foi publicado há pouco.

Vrbivm praecipvarvm mundi theatrvm qvintvm Georg Braun  [Georgio Braúnio Agrippinate], ao centro a Senhora do Monte e S. Gens, o Castelo de S Jorge e a igreja de S. Mamede, á esquerda a igreja da Conceição Velha,Franz Hogenberg (detalhe), 1598.
Imagem: Wikipedia

Ora, quem vai a êsse elevado ponto da capital pode visitar a ermida de Nossa Senhora do Monte e S. Gens, de que vamos dar pequena notícia bebida num folheto de Joaquim José da Silva Mendes Leal, escrito em 1860 [Descripção histórica da Ermida de Nossa Senhora do Monte e S. Gens...] e dedicado à memória da rainha D. Estefânia e reeditado em 1893.

Não nos foi possível encontrar elementos mais modernos para sobre êles fazermos melhor referência, mas o que aqui fica deve dar nota do que é êsse pequeno edifício religioso que foi fundado no comêço do século XIII.

Grande Panorama de Lisboa (detalhe), Senhora do Monte e S. Gens e castelo de S Jorge.
Imagem: Museu Nacional do Azulejo

No sopé do Monte, para as bandas do norte, que anteriormente era conhecido por Almocovar e, mais tarde, Fornos de Tejolo, existia um ponto denominado S. Gens, ponto antigamente muito respeitado pelo povo, que o tinha como sagrado em virtude de — consoante a tradição — ser aí que S. Gens, segundo bispo de Lisboa — sentado na sua cadeira, nas primeiras eras do Cristianismo, havia prégado a lei do Crucificado, e também porque era aí que estava colocado o milagroso assento que era, para o povo cristão, um testemunho de quanto devia venerar a memória do bispo, que foi um dos mártires do Cristianismo.

Lisbon from the chapel hill of Nossa Senhora do Monte, Drawn by Lt. Col. Batty, 1830.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Em 1147, quando D. Afonso Henriques tomou a cidade aos mouros, vieram quatro eremitas de Santo Agostinho na armada cristã estrangeira que aproou ao Tejo e ajudou o nosso primeiro monarca nêsse empreendimento.

O povo cristão — que o havia mesmo no tempo da mourama — querendo eternizar a memória do seu tão querido prelado, aproveitou êstes êxitos para oferecer a êsses eremitas um local no sopé do Monte onde havia, em grande adoração, debaixo de um alpendre, a cadeira de S. Gens.

Lisbon from the chapel hill of Nossa Senhora do Monte... 1830 e Panorâmica de Lisboa e do Tejo, 2017 (editado).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal Eventualmente Lisboa e o Tejo

Os eremitas, atendendo às virtudes do insigne mártir e aos desejos dos moradores daqueles sítios, com os socorros que conseguiram, fizeram aí a sua primeira moradia em 1148, com uma ermidinha ao pé, onde veneravam como padroeira do reino uma perfeita imagem de Nossa Senhora, e dentro dessa ermida colocaram a milagrosa cadeira de S. Gens, que era um assento de pedra, à maneira de espaldas, e bem assim diversas reliquias que, ao que parece, pessoas antigas lhes ofereceram.

Panorâmica de Lisboa e do Tejo tomada do miradouro de Nossa Senhora do Monte e S. Gens, 2017.
Imagem: Eventualmente Lisboa e o Tejo

Essa ermida estava sempre aberta ao culto que era grande, pois muitos devotos, cheios de viva fé, procuravam as virtudes de S. Gens — de quem diremos algurna cousa no fim — e o auxílio da sua cadeira que — segundo reza a lenda era principalmente procurada pelas mulheres em estado interessante, pois lhes dava boa hora.

Foi esta a primeira ermida levantada à memória dêste mártir português, e a primeira residência dos eremitas de Santo Agostinho, com o nome de Eremitório de S. Gens, razão porque o povo mais tarde lhes chamava Frades de S. Gens.

Miradouro da Senhora do Monte e S. Gens em Lisboa, José Artur Leitão Bárcia.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Até ao comêço do século XIII, existiram a ermida e o eremitério, e foi nessa data que uma nobre dama — D. Susana — proprietária daquelas vizinhanças — ao ver o desconfôrto em que os frades viviam naquele encovado e pouco salubre lugar, lhes doou tôdas as terras que lhe pertenciam no alto do Monte, para lá residirem e, com o concurso de importantes dádivas dos habitantes daquele ponto, mandou edificar, em 1243, nessa eminência que lhe pertencia, com melhores proporções, outra ermida, em memória dêsse santo bispo, e para esta nova ermida foram passadas tôdas as imagens e a citada cadeira, que, como anteriormente, era, fervorosamente venerada e tornava-se necessário conservar a ermida sempre aberta.

Jardim no miradouro da Senhora do Monte e S. Gens em Lisboa, Paulo Emílio Guedes.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Como, porém, aqui a devoção a Nossa Senhora aumentasse, o povo foi-lhe chamando Senhora do Monte.

Transferindo para êste local á sua moradia, construiram celas, e deram-lhes a mesma denominação de Eremitório de S, Gens, removendo a pirâmide que colocaram em frente da actual ermida e em que se lia: 

ULISIPPONE HIC, AUGUSTINENSIUM PRIMA SEDES, A. B. anno 1148

Ermida da Senhora do Monte e S Gens em Lisboa, Paulo Emílio Guedes.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

mantendo algumas oficinas e celas no sopé do Monte por haver água com abundância e ser o ponto mais próprio para os eremitas idosos.

Mas a supracitada senhora D. Susana, ao saber que no novo erimitório do cimo do Monte não havia água, mandou construir do seu bolsinho uma cisterna.

Foi esta a segunda casa que os eremitas de Santo Agostinho tiveram na capital com a designação de Ereanitório de S. Gens, onde residiram durante vinte e oito anos, até que, em 1271, mudaram para terceira casa, no monte que ficava próximo, no ponto então conhecido por Almafala, mais tarde convento e igreja da Graça.

Ermida da Senhora do Monte e S Gens em Lisboa, José Artur Leitão Bárcia.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

O convento desapareceu para se tornar — já em nossos dias [1946] — quartel, que tem servido para alojamento de vários regimentos e onde, agora, estão instalados o Conselho Tutelar do Exército e o Corpo de saúde.

Em virtude da saída dos eremitas, em 1271, para o convento da Graça, a igreja de Nossa Senhora do Monte e S. Gens não podia manter-se sempre aberta ao culto, à concorrência e à devoção pela milagrosa cadeira de S. Gens e por isso foi esta colocada num dos ângulos do alpendre, parte da referida Igreja.

N. Senhora do Monte, e S Gens
Luiz Gonzaga Pereira, Descripção dos monumentos sacros de Lisboa, 1840
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Transformada assim só em Ermida, a igreja do Eremitório foi entregue aos cuidados da confraria de S. Gens que — consoante historia Frei Antómio da Purificação, a fls. 110 da 2.a parte da sua "Chronica dos Agostinhos" — já existia, mas foi decaindo a Ermida até que, em 1306, trinta e seis anos depois dos religiosos estarem em Almafala, querendo novamente freqüentar esta ermida, tais dúvidas se suscitaram, que foi preciso recorrer ao bispo D, João Martins Soalhães para lhes ser concedida de novo a sua antiqüíssima posse e dessa data em diante foi a ermida dirigida por um capelão, religioso do referido convento, eleito em capítulo, que aí vivia com um donato.

O terramoto de 1755 arrazou completamente a ermida, ficando sob os escombros o eremita da ordem que acabara de comungar naquele instante e cujo cadáver veio a ser encontrado ajoelhado e com os braços abertos em cruz.

Quanto à imagem de Nossa Senhora — titular também da Ermida — que sempre fôra muito venerada, foi encontrada soterrada sem graves estragos e em cuja honra o padre capelão regente, com o auxílio da muitos devotos, lhe mandou erigir logo, no Monte também, uma capela de madeira aonde, com a máxima decência, foi venerada durante algum tempo, consoante refere João Baptista de Castro no seu "Mapa de Portugal" [Mappa de Portugal, antigo e moderno, Lisboa, Na officina patriarchal de Francisco Luiz Ameno, 1762].

Com a fé e o auxílio dos moradores daquelas circunvizinhanças, se foi tratando de reedificar o arruinado templo, trabalho de que foi encarregado o arquitecto Honorato José Cordeiro e que, como se lê numa pedra que há a encimar a porta travessa, acabou por abrir ao culto em 1757, racolhendo-se a célebre cadeira, do alpendre para o interior da igreja, reservada no ângulo esquerdo debaixo do coro, perto do alpendre, onde ainda hoje se encontra. 

Os frades Agostinhos como senhores dêste local, seu antigo Eremitério, e administradores desta Ermida — plantaram em 1815, no largo, frondoso arvoredo constituído por ailantos, lodãos, amoreiras da China, ulmos, etc. para agrado dos habitantes e recreio dos devotos, pondo na quina externa da Igreja, a um dos lados da porta lateral, a seguinte inscrição:

PATRIAE AVIBUS ET URBI, HOC NEMBUS IN AMOREN DELECTATIONE AUGUSTINIENSI PLANTARUNT ANNO M.DCCC.XV 

Como nota interessante devemos dizer que, presentemente, da inscrição indicada, apenas se lê: 

PATRIAE

Até 1834, data da extinção das Ordens religiosas, era nesta ermida que, no dia próprio, se realizava a festividade a S. Gens e em 8 de Setembro a festa a Nossa Senhora, com tôda a pompa e solenidade, havendo três dias de feira.

Como o govêrno tomasse a si os bens dos religiosos em 1835 e fôssem postos em leilão, Clemente José Monteiro adquiriu a cêrca e diversas casas que os Agostinhos possuiam nêsse monte e a quem o govêrno confiou a Ermida e todos os pertences.

Lisboa, Nossa Senhora do Monte e S. Gens, 2017.
Imagem: Eventualmente Lisboa e o Tejo

Clemente José Monteiro não deixou de festejar Nossa Senhora no dia do seu nascimento, conservando também sempre um capelão que oficiava aos domingos e dias santificados. 

Tendo falecido em 1848, alguns devotos desta ermida reorganizaram a antiga Corporação dos Escravos de S. Gens e Nossa Senhora do Monte, que já em 1271 existia e de que se encontra na ermida um Livro dos Irmãos, começado em 1791, e de que ainda viviam alguns nessa época (1848).

Parece apurado que foi esta confraria que, juntamente com o religioso capelão da ermida, alcançara o Breve de Roma, datado de 30 de Setembro de 1796, que concedia indulgências perpétuas, assinado pelo Papa Pio VI, para memória futura, aumentar a religião dos fiéis e cooperar para a salvação das almas, movidas com caridade paternal na distribuïção dos celestiais tesouros da Igreja.

Este breve estava registado no referido Livro dos Irmãos.

O inventário que Clemente José Monteiro recebeu não indica relíquia alguma das que Frei António da Purificação citava, salvo a famigerada cadeira de S. Gens.

Nesta igreja existem várias imagans e uma esplêndida collecção de 12 telas respeitantes aos Apóstolos, da autoria de Joaquim Manuel da Rocha e, ao lado do Evangelho, em frente da porta lateral, um presépio, que se patanteia, nos dias próprios, ao culto dos fiéis [v. Ernesto Soares, Inventário da colecção de registos de santos, Lisboa, Biblioteca Nacional,1955]. 

Desde 1858 que há nesta ermida uma imagem de Nossa Senhora da Graça, que está no altar do lado da Epístola.

Panorâmica do miradouro da Senhora do Monte e S. Gens sobre o Castelo de S Jorge, Eduardo Portugal.
Imagem: Delcampe

Essa imagem foi trazida por uns devotos lisboetas que, em virtude das febres que tanto assolaram a cidade, da 1856 a 1858, tinham feito um voto de irem todos em romaria com essa imagem ao Monte de Caparica, onde, festivamente, lhe renderiam graças por os haverem livrado — a êles e à cidade — de tal flagelo.

Em 1866 fizeram-se novos restauros.

E parece que nada mais há a acrescentar ao que acima fica exarado a respeito desta bonita ermida, cuja história foi mais de José Joaquim da Silva Mendes Leal do que nossa.

Panorama  de Lisboa visto do Monte de S Gens, ed. Tabacaria Costa, c. 1900.
Imagem: Delcampe

Conforme prometemos, damos uma súmula da vida de S. Gens, colhida no mesmo folheto de 1893.

O bispo S. Gens, primeiro titular desta ermida, nasceu em Lisboa e viveu nos princípios do Cristianismo, tendo sido — consoante alguns historiadores — discípulo de S. Tiago e o segundo bispo de Lisboa, mantendo-se sempre fiel à religião cristã, pela qual se sacrificou.

Panorama do Miradouro da Senhora do Monte.
Imagem: Delcampe

Percorreu vários pontos do país, prégando a lei cristã para angariar adeptos ao seu crédo, atraindo-os pela maneira por que doutrinava a sua fé. Fazendo prodígios em tôda a parte, tornou-se célebre no Monte de Lisboa, aonde, sentado na sua cadeira, era escutado pelo povo da cidade e arredores.

Ao que parece, fôra martirizado em II de Outubro de 66 — no tempo de Nero — com mais cem companheiros.

Detalhe do painel de azulejos datado de 1963 no miradouro da Senhora do Monte.e S. Gens, 2017.
Imagem: Eventualmente Lisboa e o Tejo

É natural que esta notícia esteja antiquada pelo menos 85 [156] anos, mas é natural também que não o esteja, pois supomos que a ermida está como a conhecemos há 26 [97] anos. (1)


(1) Henrique Marques Junior, Olisipo n.º 33, janeiro de 1946

Leitura adicional:
Joaquim José da Silva Mendes Leal, Descripção histórica da Ermida de Nossa Senhora do Monte e S. Gens... Lisboa,, Imprensa Commercial, 1860
João Bautista de Castro, Mappa de Portugal, antigo e moderno (Tomo Segundo), Lisboa, Na officina patriarchal de Francisco Luiz Ameno, 1762
Pinto de Carvalho, Gustavo Matos Sequeira, Luís Pastor Macedo, Lisboa de outrora, Lisboa, Grupo de Amigos de Lisboa, 1938-1939
Miradouros de Lisboa, Ilustração Portuguesa n.° 861, 19 de agosto de 1922
Miradouros de Lisboa, Revista municipal n.° 88, Lisboa, 1961

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Augusto Roquemont (1804-1852)

Foi o jovem Tomás da Anunciação quem, em 1844, mais ou menos dirigiu uma revolta estudantil contra o favoritismo de que, num concurso de pintura de História, beneficiou o filho do mestre A. M. da Fonseca. 

Procissão, Augusto Roquemont, 1832-1849.
Imagem: iolanda andrade

Isso levou, por um lado, a pôr em causa o ensino deste, e, por outro, a descobrir a arte dum bastardo dum príncipe alemão que veio parar a Portugal secretariando o pai, aventureiro miguelista, e que por cá ficou.

Chafariz de Guimarães, Augusto Roquemont, 1847.
Imagem: Desde o tempo do barroco

Auguste Roquemont (1804-1852) formara-se por Itália e foi o retratista por excelência da nobreza nortenha, de sangue miguelista, ao mesmo tempo que pintava os costumes rústicos dos Portugueses – com significativa aprovação de Garrett, próximo autor de Viagens na Minha Terra, diante do "Folar", exposto em 1843.

Retrato de dama, Augusto Roquemont.
Imagem: Pedra Formosa

Assim, a pintura ainda não portuguesa mas em Portugal (e no princípio do século vimos outros estrangeiros debruçarem-se sobre idênticos temas) começava a interessar-se pela terra e os seus costumes, no que era um dos caminhos maiores do romantismo, a par duma temática histórica e dentro dum sentimentalismo que podia e devia cobrir as duas tendências.

Vareira,  Augusto Roquemont , 1847.
Imagem: iolanda andrade

Aí a separação se estabelecia com o mundo histórico de mestre Fonseca (1796-1890), fiel a um neo-classicismo mitológico aprendido em Roma, de 1826 a 1834, quando patrioticamente regressou ao Portugal liberal, disposto a colaborar na sua nova civilização.

Varanda de Frei Jerónimo (Convento da Costa, Guimarães), Augusto Roquemont ,1840.
Imagem: Pedra Formosa

Logo no ano seguinte realizou ele uma exposição particular em Lisboa, a primeira que aqui se viu, e, mais dois anos passados, coube-lhe, por direito indiscutível, a cadeira de pintura de história na recente Academia. 

Collegiada de Guimarães, Augusto Roquemont.
Imagem: Blogue do Minho

Em 1843, a sua obra-prima, ali exposta, mereceu-lhe elogios tornando-se o símbolo da sua arte e dum passado estético que, evoluído da Ajuda, não tinha mais futuro junto dos seus jovens alunos. "Eneas salvando seu pai Anquises do incêndio de Tróia" é uma excelente composição e a única de acertado carácter erudito, da sua espécie, em Portugal; só doze anos depois a obra seria contestada pela nova geração entretanto definida, sem que, porém, isso diminuísse o crédito público e oficial de mestre Fonseca que, jubilado em 1863, só faleceu com mais de noventa anos de idade. 

Revoltado contra o mestre, Anunciação procurou em vão apoio e lições de Roquemont, que visitou e do qual recebeu apenas vagos conselhos [...]

Retrato de Augusto Roquemont por José António Correia.
Imagem: Mestre José António Correia...

Anunciação marcaria os limites da pintura de paisagem dos românticos portugueses se não fosse a acção do seu discípulo e companheiro (e depois colega na Academia) Cristino da Silva (1829-1877) [...]

Autorretrato de Augusto Roquemont com 19 anos.
Imagem: Wikipédia

A esta pintura de paisagem e animalista liga-se uma outra temática de ar livre, atenta aos costumes populares, na via que Roquemont abrira. (1)


(1) José Augusto França, A Arte Portuguesa de Oitocentos, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1992

Artigo relacionado:
Garretismo

Leitura adicional:
António Mourato, Augusto Roquemont, retratista e pintor de costumes populares

Mais informação:
O Real em Revista (pesquisa: roquemont)
Arquivo Municipal do Porto
MatrizNet

terça-feira, 18 de julho de 2017

Garretismo

O folar (costumes do Minho), quadro do sr. A. Roquemont

Não conhece Portugal o que não viu e estudou as nossas provincias do norte, mas especialmente o Minho. A raça, as feições, o trajo, os costumes, tudo alli é characterislico. O solo, o clima, a vegetação, a cultura, tudo alli é bello. São os campos mais verdes, as árvores mais esbeltas, os mulheres mais bonitas, e os baldios mais sinceros de todo o reino: do reino que alli nasceu e que d'alli se estendeu até aos Algarves.

O parocho da aldêa pedindo o folar, Augusto Roquemont, 1843.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Poesia e pintura portuguem hade-se ir fazer alli: em certos generos nunca se fara bem se o poeta, o pintor não conhecer e não copiar a nossa Arcadia, que é aquella provincia.

O Sr. Roquernont, artista distincto cujo principal character e merecimento é a verdade, por uma longa residencia no Minho é que se fez portuguez, artista portuguez legítimo, como ochala que sempre sejam todos os nossos naturaes.

Retrato de Augusto Roquemont por José António Correia.
Imagem: Mestre José António Correia...

Na última exposição de Lisboa (1843) notamos os dous lindos quadros de genero com que a illustrou: ambos eram do scenas minhotas, ambos cheios de graça e de verdade. O Sr. conde de Luckner, ministro de Dinamarca n'esta côrte, fez a aquisição d'estes dous quadros, avaliando como conhecedor que é, o seu muito merecimento. Por favor de S. Ex.ª poderam os Srs. Editores desta obra fazer copiar um d'elles e hoje tem a satisfação de o dar aos seus assignantes no presente desenho litographico. 

Representa o abbade, o parocho da aldea, entrando duma casa de lavrador a pedir o folar — dom voluntario dos freguezes ao seu pastor por occasião da festa de paschoa.

O parocho da aldêa pedindo o folar (detalhe), Augusto Roquemont, 1843.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Sôbre tudo n'este quadro o effeito da luz é primoroso: o sol entrando pela unica janella da casa, vai tocar na extremidade de uma mesa, e de permeio allumia parte do berço aonde jaz uma criancinha. A restea de sol. reflectida por todo o pavimento, está distribuiria de forma que se distinguem perfeitamente os objectos, sem com tudo em nada perder da sua força o rigoroso escuro do fundo sabre que destacam as figuras do padre e do sachristão. 

N'esta parte da transparencia dos escuros pôde este quadro comparar-se nos da eschola flamenga de scenas familiares e interiores, aonde custa a perceber como, por meio de tons sempre diaphanos, se pode conseguir uma força extraordinoria que, pela sua grande transparencia, produz de ordinario unta perfeita illusão.

A verdade, a expressão, a naturalidade e o posição da figuras são, como ja dissemos, de quem conhece perfeitamente o paiz, a sua natureza e o seu povo.

O parocho da aldêa pedindo o folar (detalhe), Augusto Roquemont, 1843.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Quem não vê na cabeça d'aquelle bom abbade um dos tantos singelos e bondosos pastores que d'antes contava a nossa egreja, cansados da edade e dos trabalhos da sua cura, modestos e obscuros heroes que fugiam da glória van do mundo, e praticavam, quasi as escondidas, todas as virtudes que fazem um santo e um grande homem?

O parocho da aldêa pedindo o folar (detalhe), Augusto Roquemont, 1843.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O sachristão tem uma physionomia natural, o velho pae do dono da casa faz na sua expressão devota um contraste bem notavel com certa indiferença que parece mostrar o filho. É o seculo passado e o presente. Nos mulheres que estão no fundo conhece-se, o par da devoção, a attenção que dão ás flores que coroam a imagem do Sancto-Christo. 

A mulher que vende os ovos, assim como o moço que os compra, estão bem characterizados. 

O parocho da aldêa pedindo o folar (detalhe), Augusto Roquemont, 1843.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O socégo do gato sentado ao sol, a innocencia da minina que junto do berço olha para a cerimonia sem a intender, tudo está primorosamente natural. É para admirar que o Sr. Roquemont sem modellos conseguisse tanto.  Com reminiscencia — e bem se vê que o quadro é feito d'ellas — ninguem poderia fazer melhor.

O parocho da aldêa pedindo o folar (detalhe), Augusto Roquemont, 1843.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Tem este quadro 10 polegadas de altura, e 14 de comprimento.

A. G. (1)


(1) Almeida Garrett, O Folar, (Costumes do Minho), Quadro do Sr. A. Roquemont, Jornal das Bellas-Artes n.º 1, 1843, cf. O Real em Revista (pesquisa: roquemont)

Artigo relacionado:
Os pincéis do Neogarretismo prévio

Leitura adicional:
António Mourato, Augusto Roquemont, retratista e pintor de costumes populares

sábado, 15 de julho de 2017

João Christino da Silva (1829-1877)

João Christino da Silva — o Christino — como todos lhe chamavam, foi uma das figuras mais originaes da sociedade lisbonense. Alto e esbelto, a sua bella cabeca de perfil judaico — ornada com urna basta cabelleira negra, annelada e romantica, e meio occulta sob as abas d'um chapou á Rubens, garbosamente inclinado sobre a orelha — apparecia e destacava-se d'entre a multidão em todas as reuniões publicas, nas exposições, nos theatros, nos circos, porque este artista foi, de todos os que tenho conhecido, o mais mundano, e portanto o mais popular.

João Cristino Silva, auto-retrato (detalhe).
Imagem: Arcadja

Escondia-se Annunciação e vivia com as suas pinturas no seu atelier da Academia, e ninguem, vendo-o ao lado de Christino, diria que eram irmãos na arte; o escultor Assis Rodrigues, com a sua formosa e fina cabeça toda branca, parecia um ecclesiastico; Metrass e Victor Bastos eram dois elegantes, e encontravam-se todas as noites na roda do Marrare do Chiado; Lupi com o seu porte elevado, serio e demorado nos movimentos e na expressão, tinha o aspecto d'um senador, d'um alto funccionario. Christino, só, no meio de todos os seus collegas, parecia ser o unico artista, porque só elle tinha o exterior da sua profissão.

Talento imaginoso, enthusiasta, expontaneo, facil e brilhante, poderia legar-nos obras notabilissimas, se não obstasse a isso, por um lado a mobilidade e a extrema sensibilidade do seu espirito, por outro as circumstancias sociaes do seu tempo, pouco propicias ao desenvolvimento das suas faculdades artisticas; por isso, e apesar da sua notavel estreia, aconteceu-lhe como n muitos outros, para quem o sol da arte, cheio de promessas e de esperanças na sua aurora, se enturva no meio da carreira, e desce nublado e triste ao occidente, deixando-nos só saudades e desillusões.

João Cristino Silva, auto-retrato.
Imagem: Arcadja

Discipulo da Academia de Lisboa, como todos os nossos artistas d'então e de hoje, entre o seu espirito irrequieto e os preceitos tradicionaes do ensino dos velhos académicos, seus professores, travou-se a lucta fatal dos periodos de transição, e o fogoso artista sahiu da Academia, e julgando achar na formosa arte de Benevenuto Cellini mais largos horisontes para o seu talento, dedicou-se á ourivesaria; porém, se a natureza o fizera artista, a arte nunca o fez rico, e não obstante a sua privança com os mais preciosos metaes, Christino, durante os dois annos que lavrou e poliu o oiro e a prata, convenceu-se de que por aquelle caminho náo poderia nunca chegar nem á riqueza, nem á gloria, e elle ao menos aspirava a um d'esses escopos do talento e do genio.

Dissera o turbulento artista adeus á Academia e pozera de lado a paleta e os pinceis, mas os antigos companheiros de estudo, esses conservara-os elle, e era na loja que Christino tinha de sociedade com o ourives Moutinho, que elles se reuniam, e vinham continuar as suas palestras, e discussões, iniciadas nas aulas e galerias do convento de S. Francisco. O fogo ainda lavrava sob as cinzas, e o amor do artista pela pintura ia em breve renascer n'elle mais vigoroso e ardente. Ao contacto e sob a influencia d'esse convivio, que dia a dia lhe avivava as recordações dos seus queridos estudos, e os imaginados triumphos que a sua imaginação phantasiava, eil-o de novo voltando ao gremio da arte.

João Cristino Silva, auto-retrato.
Imagem: MNAC

Dava o exemplo e já a lição a todos esses artistas, ainda no visor da mocidade, o que havia de vir a ser o primeiro entre elles — Annunciação. Christino estabeleceu o seu atelier n'uma mansarda, d'uma rua da velha Alfama, proximo da casa paterna. Ahi pintou elle os seus primeiros quadros, e ahi foi conhecido e protegido pelo distincto amador o sr. Moser, que n'aquelles tempos difliceis "hard times" era um dos rarissimos Mecenas dos que forcejavam por abrir cantinho no mundo da arte.

A paizagem e os animaes, foram os generos cultivados de preferencia pelo joven artista, que nos conselhos e nos louvores dos seus amigos encontrava o incitamento para maiores e mais arrojados commetimentos. Assim decorreram alguns annos, sempre trabalhando e progredindo, até que na exposição da Academia, em 1855, Christino apresentou o seu grande quadro "Os cinco artistas em Cintra".

Cinco artistas em Sintra, João Cristino da Silva, 1855.
Imagem: MNAC

O publico que concorreu a visitar essa exposição — que marcou epoca na historia da arte portugueza — a imprensa que d'ella se occupou largamente, e os amadores que se interessavam pelos progressos e pelos triumphos dos jovens artistas, todos foram unanimes em dar um dos primeiros logares a João Christino, e, como se não devesse faltar nada para que o seu triumpho fosse completo, D. Fernando "o rei artista" depois de ver o quadro, quiz conhecer o seu auctor. 

Ouvimos a Christino a narração dessa entrevista, a que elle foi com o espirito cheio a um tempo de turbação e de contentamento. É que a distinção não podia ser maior: apenas entrado na carreira tocara a meta das suas mais ambiciosas aspirações, e sentia-se já na estrada da gloria e da fortuna. D. Fernando, novo ainda, acolheu-o com a maior affabilidade, elogiou-o, e para que as suas palavras d'encarecimento tivessem todo o valor e influencia no animo do artista, comprou-lhe o quadro, que ainda tivemos occasião de ver nas magnificas salas do riquissimo museu do fallecido rei.

Feliz estreia e feliz edade Christino tinha apenas 25 annos! (1)

Em 1855, a França convidou as sciencias, as industrias e as artes de todo o mundo para um grande congresso, e os Cinco artistas, depois de figurarem no anno antecedente na exposição da Academia de Lisboa, foram enviados á grande Exposição universal de Paris com outros trabalhos de artistas portuguezes.

"N.° 1676 — João Christino da Silva — Cinco artistas cm Cintra — O colorido é formoso com quanto por partes avermelhado. Pela desenvoltura vê-se logo que são artistas as figuras do quadro. Prova-se á primeira vista boa atitude e cunho do bello. Entretanto quereriamos em menos symetria o acampamento e menos apuro no vestuario, porque, sem otlender susceptibilidades, julgamos poder afirmar que em Portugal, como em qualquer outro paiz, a negligencia é um dos caracteres distintivos do artista. Mas nem por isso deixaremos de concluir que a obra do sr. Christino da Silva é uma das mais notaveis que foi apresentada no grande concurso." 

Citamos a critica do jornal francez, não porque a julguemos primorosa, mas porque prova que n'aquelle enorme certamen a obra de Christino não passou despercebida. 

O que parece ter destoado mais ao critico na composição, é a symetria do que elle chama acampamento e o apuro do vestuario dos cinco artistas.

Emquanto á primeira observação discordamos, e achamos boa a composição do grupo principal, em que figuram Annunciação fazendo um estudo do natural, e por detraz d'elle Metrass, em pé, desenhando n'um album, rodeados por uma tamilia saloia, que a curiosidade natural ali chamou, e que contempla a obra, e segue attentamente o pincel do artista, que lhe vae debuxando a paizagem tão sua conhecida. 

Cinco artistas em Sintra (detalhe: Anunciação, Metrass e familia saloia), João Cristino da Silva, 1855.
Imagem: MNAC

Seria talvez este grupo suficiente para um quadro, mas as tres figuras de Victor Bastos, Christino e José Rodrigues, que estão á direita, n'outro plano mais afastado, não prejudicam, antes completam, a composição. E pelo que respeita á excessivo elegancia dos trajes, todos nós que conhecemos os individuos ali retratados, sabemos que nenhum d'clles teve jamais o aspecto phantastico e funambulesco d'alguns "rapins d'atelier" do "Quartier latin", muito cabelludos e pouco penteados. 

Cinco artistas em Sintra (detalhe: Victor Bastos, Christino e José Rodrigues), João Cristino da Silva, 1855.
Imagem: MNAC

Annunciação, sem pretenções a dandysmos, que não estavam em harmonia com o seu caracter e a modestia dos seus recursos, foi sempre correctissimo na fôrma de se apresentar. Metrass, relativamente rico, trajava com apurado gosto e era o que então se chamava um janota, não lhe ficava atraz Victor Bastos. De José Rodrigues pôde-se dizer o mesmo que afirmámos de Annunciação.

E Christino, de todos os cinco o mais phantasioso e de mais airada vida, apesar dos seus chapeus espectaculosos e do grande chale-manta, que elle traçava um pouco theatralmente, parecia uma d'essas figuras da Renascença, que vemos nos grandes quadros antigos, e nunca se confundia com os bohemios cheios de côr por dentro e por cujos retratos tanto abundam desde 1830 nos romances francezes.

Neste estudo, improvisado para acompanhar o excellente retrato gravado pelo sr. D. Netto, e a copia do quadro dos "Cinco artistas em Cintra", não podemos seguir passo a passo a carreira do nótavel pintor, nem analysar e discutir os meritos e defeitos das suas obras, algumas das quaes, como a "Primeira impressão da arte", a "Estalagem", a "Estrada da Povoa", compradas tambem pelo fallecido rei D. Fernando, faziam parte da Galeria do Palacio das Necessidades, mas o que podemos afirmar é que o futuro não correspondeu ás brilhantes promessas dos primeiros annos e que causas internas e externas, que seria longe expor aqui, fizeram com que o artista, chegado a menos de meio da sua carreira, parasse, e preferisse os encantos e attractivos do mundo no estudo e cultura das bellezas mais ideaes e abstractas da Arte.

Estimado por todos os que conheciam as qualidades do seu espirito e do seu caracter, Christino procurava por todos os modos completar a sua educação: lia muito, interessava-se por todas as grandes idéas, discutia com todos, e envolvia-se ás vezes nas mais altas questões artisticas e sociaes, supprindo com a vivacidade e a perspicacia natural as defficiencias da sua primeira educação.

Excellente observador, gostava muito de viajar, e o colorido das suas descripçóes era tão vigoroso como o dos seus quadros. Christino tinha a palavra facil e o gesto animado: a sua mão branca e longa — mão de artista, habituada a manejar o pincel — seguia e acompanhava admiravelmente a narrativa, accentuando o desenho dos typos, e os episodios e as scenas, ora dramaticas, ora comicas, que o artista ia narrando.

A cada nova excursão do pintor reanimava-se no espirito dos seus amigos a esperança de que ella lhe inspirasse algum grande quadro. Em 1867 visitou a Exposição universal de Paris, recebendo para esse fim do governo uni pequeno subsidio — 180$000 réis. 

O quadro que ali expoz foi muito apreciado, e o então celebre pintor Yvon, elogiando muito as suas qualidades de colorista, incitou-o calorosamente a proseguir no culto da arte, em que devia vir a ocupar um logar distinctissimo; porém nem as palavras d'animação do artista francez, nem as que depois ouviu da bocca dos hespanhoes, de Palmaroli, de Madrazo, Gisbert, quando enviou a Madrid, em 1871, a "Cruz alta de Cintra" e a "Fonte das Lagrimas", — que lhe valeram ser condecorado pelo governo do rei Amadeu, sendo a "Fonte das Lagrimas" reproduzida em gravura pela "Illustração hespanhola" — tiveram força para suspender a decadencia, e reascender no seu animo o fogo sagrado que o illuminava outrora, quando compunha e pintava os Cinco artistas.

Ó mocidade! As flores delicadas da imaginação, que ornam os phantasticos jardins com que sonha e se inebria toda a alma de verdadeiro artista — pintor ou poeta — esse tapete variegado de infinitos matizes, que parece, visto de longe, ser a estrada da vida; as visões graciosas, que ora surgem, ora desapparecem n'um horisonte ideal; as acclamações, as glorias e as apotheoses, com que a húmanidade corôa o genio, tudo isso murcha, desvanece-se, esvae-se, e transforma-se quasi sempre com o tempo, e não é raro que as flores se tornem em espinhos e as apotheoses em martyrio!

João Cristino da Silva.
Imagem: Wikipédia

Factos para outros talvez insignificantes, mas a que a excessiva impressionalidade de Christino deu uma importancia extraordinaria, a tal ponto o irritaram, que se tornou necessario recolhei-o ao hospital, d'onde sahiu, passado pouco tempo, completamente restabelecido, e coisa notavel para nós, profanos na sciencia medica — conservava na memora, e contava minuciosamente, tudo o que passára e soffera nesse perlado tristissimo da sua vida!

"Quando eu era Christo" —  dizia elle então, no principiar alguma d'essas narrativas, e seguia ninando com a antiga fuencia, descrevendo, muitas vezes em estylo faceto, um ou outro episodio da terrivel excursão, que fizera a esse reino da loucura, de que voltou apparentemente intacto, mas trazendo realmente no fundo da alma a terrivel nostalgia das lobregas regiões, para onde em breve e infelizmente havia de voltar.

Retrato de João Christino da Silva por D. Netto .
Imagem: O Occidente N.º 303, 21 de maio de 1887

Ferido novamente na cabeça e no coração João Christino falleceu, na força da vida, aos 72 de maio de 1877. Nascera a 24 de julho de 1829, e não tinha ainda, portanto, completado 45 annos. (2)


(1) O Occidente N.º 303, 21 de maio de 1887
(2) O Occidente N.º 304, 1 de junho de 1887

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ficha de autor
coleção de gravura

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Mais informação:
João Cristino Silva (desenhos)