segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Lisboa e o Tejo em 1650

A armada do parlamento (ou do British Commonwealth)

Em 1650 ocorreu um grave incidente diplomático, no termo da guerra civil inglesa que opôs Carlos I ao parlamento, e que terminou com a execução do rei em Janeiro de 1649. Uma armada de parciais do rei veio refugiar-se no porto de Lisboa e o parlamento enviou outra para bloquear o Tejo. (1)

Vista geral da cidade de Lisboa capital de Portugal antes do terremoto.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

No dia 20 de outubro de 1649, o príncipe Rupert (1619-1682) saiu do porto de Kinsale no navio de comando, o Constant Reformation (40 peças), juntamente com o Convertine (40), navio de comando do príncipe Maurice, o Swallow (36) e o Blackamoor Lady (18), os quais tinham feito parte da esquadra que saíra de Helvoetsluys em janeiro.

Três navios adicionais, o Scott (30 peças), o Mary (14), e o Black Knight (14), eram navios capturados e reconvertidos. A esquadra Realista partiu do sul da Irlanda e atravessou o Golfo da Biscaia em direcção a Portugal. No início do ano, Rupert tinha recebido uma resposta favorável quando escrevera ao rei D. João IV pedindo autorização para basear os seus navios em Lisboa, no caso de ser forçado a deixar a Irlanda.

Depois de uma viagem atribulada durante a qual foram capturadas cinco embarcações os Realistas chegaram a Lisboa por volta do dia 20 de novembro de 1649. Três dos navios capturados foram vendidos e dois incorporados na esquadra como Second Charles (40 peças) e Henry (36). Rupert também comprou um navio holandês, que se tornou o Black Prince (30). O Blackamoor Lady foi vendido e o Convertine posto de parte de modo a financiar armas e tripulação para os novos navios.

Lisbone, Ville capitale du Royaume du Portugal... Pierre Aveline (1656-1722) entre 1680 e 1720.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Apesar da simpatia do rei João IV (1604-1656) por Rupert, o seu "ministro em chefe", o Conde de Miro [(?) o cargo de Secretário de Estado era ocupado por Pedro Vieira da Silva, no texto existe alguma confusão possivelmente com o Conde de Miranda], temer que um apoio aberto aos Realistas ingleses pudesse deteriorar o comércio português e também encorajar o Commonwealth a uma aliança com a Espanha, inimiga de Portugal.

De Miro era apoiado pela comunidade mercantil portuguesa. Os portugueses levantaram objeções à venda da carga de um dos navios capturados e o príncipe Maurice foi impedido de embarcar numa nova viagem para tomar futuras capturas.

Contudo, Rupert e Maurice trabalharam de modo a fortalecer as suas relações em Lisboa fazendo visitas frequentes ao rei João e juntando-se à vida social da corte portuguesa. Travaram amizades com a nobreza local e atá ganharam apoio do clero, que dissera que abandonar os príncipes aos rebeldes ingleses traria desonra a Portugal.

Lisbone, Ville capitale du Royaume du Portugal... François-Philippe Charpentier (1734-1817),
baseada em gravura precedente de Pierre Aveline (1656-1722).

Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

No início de 1650, o Conselho de Estado inglês reconheceu Rupert como pirata e encarregou Robert Blake, General-at-Sea, de destruir a esquadra Realista. Blake saiu de Portsmouth em março de 1650 com uma frota poderosa de 15 navios.

O navio de comando era o George (54 peças), o vice-almirante era Robert Moulton no Leopard (56), o contra-almirante era Richard Badiley no Entrance (46). Os outros navios de guerra eram o Bonaventure (42), o Adventure (40), o John (30), o Assurance (32), o Constant Warwick (32), o Tiger (36), o Providence (30) e o Expedition (30). A frota era suplementada pelo navio de fogo [brulote] Signet e os ketches Tenth Whelp, William and Patrick. 

Charles Vane, irmão de Sir Henry Vane, acompanhou a expedição com a responsabilidade de conduzir as negociações diplomáticas com o governo português, que então não reconheceu o Commonwealth of England.

Lisboa, Terreiro do Paço, A entrada do Embaixador Francisco de Mello e Torres, Dirck Stoop, 1662.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

A frota de Blake chegou à Baía de Cascais na foz do rio Tejo no dia 10 de Março de 1650. Blake imediatamente enviou uma mensagem ao rei João pedindo o uso do porto de Lisboa para a frota do Commonwealth e a cooperação de Portugal contra os piratas do príncipe Rupert.

No dia seguinte, apesar disso, os fortes portugueses dispararam tiros de aviso quando Blake tentou subir o rio Tejo em direcção ao lugar de ancoragem de Rupert. Blake concordou em retirar durante as negociações diplomáticas.

Charles Vane negociou uma concessão dos portugueses segundo a qual a frota do Commonwealth poderia entrar na baía de Oeiras no caso de mau tempo. Blake imediatamente aproveitou a oportunidade para ancorar a duas milhas rio abaixo dos navios de Rupert.

Torre de S Julião da Barra, João Christino, c. 1855.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Como as negociações continuaram durante as semanas seguintes, os portugueses concordaram em deixar os marinheiros do Commonwealth vir a terra, o que resultou em várias rixas de taberna entre os tripulantes das frotas rivais.

Na sequência de uma alegada emboscada e tentativa de assassínio pelos marinheiros do  Commonwealth quando Rupert e Maurice estavam numa caçada, os Realistas retaliaram enviando um barco disfarçado de venda de fruta armadilhado com uma bomba de fogo, que quase conseguiu rebentar o Leopard.

Noutro encontro, os homens de Rupert atacaram um grupo do Bonaventure que fazia aguada. Um marinheiro foi morto e três outros feitos prisioneiros. Apesar destes encontros, contudo, a situação continuou sem saída.

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, Dirck Stoop, c. 1660 - 1670, 1662.
Imagem: Mauristhuis Museum

D. João IV recusava deixar Blake atacar os navios de Rupert enquanto estes estivessem sob proteção portuguesa, e Rupert não podia arriscar deixar o porto de Lisboa com a poderosa frota do Commonwealth por perto.

Em meados de maio, Blake retirou do rio Tejo, na esperança de enganar a esquadra Realista. Por volta de 21 de maio, Blake apreendeu dez navios mercantes ingleses fretados a uma frota portuguesa que saía para o Brasil.

Quando Blake se ofereceu para libertar os navios se o rei João entregasse os navios do príncipe Rupert, o rei furioso ordenou a prisão de todos os súbditos ingleses em Lisboa conhecidos pela sua simpatia para com o Commonwealth e proibiu Blake de entrar no Tejo ou abastecer água em terra.

D. João, duque de Bragança, Peter Paul Rubens,  c. 1628.
Imagem: Wikipédia

Poucos dias depois, General-at-Sea, Edward Popham reforçou a frota de Blake com mais oito navios: o de 68 peças, Resolution, o Andrew (42), o Phoenix (36), o Satisfaction (26), quatro navios mercantes armados e um muito necessário navio de armazenamento. Popham trouxe ordens revistas pelo Conselho de Estado que autorizavam Blake a atacar os navios mercantes portugueses se o rei João continuasse a obstruir o Commonwealth.

Sob a pressão crescente do  Commonwealth inglês e dos seus próprios conselheiros, o rei João tentou arrajar uma solução honorável para a situação oferecendo o uso da frota portuguesa para escudar a fuga do príncipe Rupert de Lisboa.

No dia 26 de julho, quando oito dos navios de Blake foram a Cadiz reabastecer provisões. A esquadra de Rupert saiu do porto de Lisboa apoiada por dois navios franceses, treze navios de guerra portugueses, alguns barcos de fogo e embarcações mais pequenas.

Rupert em visita à corte de Charles I, Anthony van Dyck, c. 1637.
Imagem: Wikipedia

Os aliados tiveram relutância em afrontar a frota do Commonwealth e apesar de Blake estar determinado em conter a esquadra de Rupert, não quis arriscar um envolvimento total até ao regresso da esquadra de Cadiz.

Durante três dias as frotas opostas manobraram na foz do Tejo com trocas ocasionais de tiros quando Rupert tentava aproveitar as mudanças do vento e da maré para se evadir aos navios de Blake e escapar-se para o mar aberto.

Na manhã de 29 de julho, a esquadra de Cadiz tinha regressado e a frota do Commonwealth tinha de volta a sua força total. Com Blake preparado para lançar o ataque em toda a escala, a frota aliada retirou para o abrigo das armas do porto de Lisboa.

A batalha dos quatro dias (1666), novas tácticas de Rupert, Abraham Storck, c. 1670.
Imagem: Wikipedia

Nos inícios do mês setembro de 1650, o Conselho de Estado chamou Popham com o maior número de navios possível que pudesse dispensar da frota do Commonwealth. O bloqueio de Lisboa era caro a sustentar e os navios eram também precisos para apoiar a invasão da Escócia por Cromwell.

No dia 3 de setembro, Popham partiu para Inglaterra com oito navios, incluindo o poderoso Resolution, deixando Blake com nove navios para observar o príncipe Rupert. Três dias depois da partida de Popham, os realistas aproveitaram as condições do nevoeiro para fazer uma nova tentativa para escapar mas fora avistados e atacados pela frota do Commonwealth.

Durante este encontro, o navio de comando de Rupert, Constant Reformation, foi atacado pelo navio de comando de Blake, George. Uma descarga de tiros do George mandou abaixo o gurupés do  Constant Reformation, e os Realistas foram mais uma vez forçados a retirar para Lisboa.

A batalha de Texel (1673), o fim da carreira de Rupert como almirante, Willem van de Velde the Younger, 1687.
Imagem: Wikipedia

No dia 14 de setembro, Blake avistou a frota portuguesa do Brasil que regressava a Lisboa. Coma autorização do Conselho de Estado para atacar o comércio português, Blake movimentou-se para intercetar a frota. 

Depois de uma batalha de três horas, Blake no George, capturou o navio vice-almirante português, ao mesmo tempo o seu irmão, Benjamin Blake, comandando o Assurance, capturava o contra-almirante. O navio de comando português escapou com a perda do mastro grande.

Apenas nove dos vinte e três navios da frota chegaram a Lisboa; um foi a fundado e o resto capturado. A perda da frota do Brasil, com a sua valiosa carga, que incluía 4.000 arcas de açúcar, foi um sério rombo para a economia portuguesa e finalmente convenceu o rei João a insistir com o príncipe Rupert de que a sua esquadra deveria deixar Lisboa. 

Actriz Margaret Hughes, companheira de Rupert, Peter Lely, c. 1670.
Imagem: Wikipedia

Perto do final do mês de setembro, a frota de Blake foi obrigada a partir para Cadiz para reabastecer e para tratar do saque das capturas portuguesas. Com a partida de Blake, Rupert aproveitou a oportunidade para se escapar. No dia 12 de outubro saiu do rio Tejo com seis navios em direcção ao Mediterrâneo. (2)


(1) Fernando Gomes Pedrosa, A Muleta e a Tartaranha (séculos XV-XX)
(2) BCW Project Prince Rupert at Lisbon (1649-1650)

Leitura adicional:
História de Portugal Restaurado



Notas adicionais:

Os navios portugueses envolvidos no conflito

Santo António da Esperança (1644-1658) — Galeão de 600 t e 40 peças comprado ao Mercatudo em 1644. Em 1651 combateu nas águas do Tejo a armada inglesa do Parlamento. Em 1655 foi dado por incapaz na Baía, mas aparece na Índia (1657-1658). Entrou no combate contra holandeses na barra de Goa em 1657 e 1658.

N.ª S.ª da Luz (1648-1661) — Galeão de 28 peças comprado na Holanda, que era também conhecido por Fortuna e aparece como fragata e nau. Fez parte da força naval que acometeu a armada inglesa do Parlamento que bloqueava o Tejo em 1650. Em 1661, por ser velho, sugeriu-se que fosse entregue à Junta do Comércio.

N.ª S.ª da Conceição (1649-1651) — Galeão de 300 t e 24 peças da Companhia Geral do Comércio do Estado do Brasil. Em 1649 largou para o Brasil na armada do conde de Castelo Melhor. Em 1650 saiu a bater-se com a armada inglesa do Parlamento que bloqueava o Tejo.

S. Pedro de Lisboa (1649-1650) — Galeão de 400 t e 34 peças da Companhia Geral do Comércio do Estado do Brasil. Em 1649 largou para o Brasil na armada do conde de Castelo Melhor. Em 1650 saiu de armada a bater-se com a armada inglesa do Parlamento, sendo aprisionado pelo inimigo.

S. Francisco (1650) — Galeão da armada de Sequeira Varejão que em 1650 saiu a acometer a armada inglesa do Parlamento que bloqueava o Tejo.

S. João (1650) — Galeão da Companhia Geral do Comércio do Estado do Brasil que no regresso do Brasil, em 1650, sendo navio-chefe de Antão Temudo, se bateu nas águas do Tejo com a armada inglesa do Parlamento.

Santo António de Mazagão (1650-1654) — Galeão de 18 peças que também aparece como nau. Em 1650, de regresso da Índia, furou o bloqueio do Tejo da armada inglesa do Parlamento. Navio-chefe da armada aparelhada no Tejo para combater a armada do Parlamento. Ia armado de 36 peças. Em 1652 saiu de Goa para a reconquista de Mascate e em 1654 foi no socorro a Ceilão numa armada que destroçou uma esquadra de três naus holandesas. No regresso a Goa, perseguido por uma armada holandesa, encalhou e perdeu-se.

S. Pedro e S. João (1650) — Galeão que em 1650 largou numa armada a combater os ingleses do Parlamento que bloqueavam o Tejo. Combateu na segunda saída.

N.ª S.ª da Natividade (1650) — Galeão que em 1650 largou numa armada a combater os ingleses do Parlamento que bloqueavam o Tejo. Foi tomado pelos ingleses, apesar da bravura com que se houve na luta.

N.ª S.ª da Estrela (1650) — Galeão que também dava pelo nome de Santa Maria da Estrela. Em 1650 fez parte da armada que saiu a combater os ingleses do Parlamento que bloqueavam o Tejo.

S. Lourenço (1650-1658) — Galeão que em 1650 saiu numa armada a combater os ingleses do Parlamento que bloqueavam o Tejo. Em 1658, incluído na armada, combateu os holandeses que bloqueavam Goa.

Santa Cruz (1650-1656) — Nau de 500 t e 33 peças que também aparece como navio, galeão e fragata. Em 1650 saiu a acometer a armada inglesa do Parlamento que bloqueava o Tejo, incluída na força naval de Sequeira Varejão.

N.ª S.ª da Candelária (1641-1651) — Galeão de 700 t e 26 peças. Tomou parte na empresa de Cádis em 1641. Em 1644 largou para a Índia na armada de viagem do cabo Luís Velho. Tendo regressado em 1646, voltou à Índia no ano seguinte. Em 1650 bateu-se na costa com a armada inglesa do Parlamento. (a)

Sobre os navios de pesca (muletas) capturados

Esta armada do parlamento, que esteve junto à barra desde finais de março até finais de setembro de 1650, no dia 13 de junho apresou alguns barcos de pesca portugueses.

Segundo uma fonte inglesa, eram 16, dois dos quais conseguiram fugir. Numa carta do rei de Portugal ao embaixador em Londres, de 7 de agosto de 1650, eram 14, que costumavam fornecer abastecimentos aos navios ingleses na barra de Lisboa.

No dia 24 de junho o rei D. João IV enviou cartas ao governador do Algarve e ao conde da Ericeira informando que os Ingleses apresaram umas tartanas que andavam a pescar. Ficamos assim a saber que andavam a pescar perto da barra de Lisboa pelo menos 16 tartanas, as 14 apresadas e as duas que conseguiram fugir.

É a primeira vez que se tipifica a embarcação que pesca com rede tartaranha: é a tartana, tal como a tartana francesa que pesca com rede tartana. Até aí era dita barca, barco, tartaranha, chincha ou chinchorro. A muleta com rede tartaranha já aparecera em 1634 e 1645, mas como designação genérica.

Em 1672, numa postura da câmara de Lisboa, as embarcações que pescam com chinchorros são muletas: "porque as muletas de chinchorros são barcos mais pequenos que as chinchas, e não podem acomodar as redes sobre o leito com as bolas de barro, pelo muito volume que fazem, com que os barcos podem correr algum risco, se lhes permite possam usar de chumbadas nas duas paredes da rede a que chamam rede de mão, com tanto que em todo o caso usem das bolas de barro em toda a cuada, por ser esta a que arrasta toda a criação e desfaz a ova".

A bitola da malhagem que havia sido estabelecida, mais pequena, "se deve entender só para as tartaranhas, e não para as chinchas e chinchorros, porquanto antes se lhes deve dar malha com que possam tomar sardinha, que é o para que estes barcos têm a principal serventia". (b)

(a) António Marques Esparteiro, Catálogo dos navios brigantinos (1640 - 1910)
(b) Fernando Gomes Pedrosa, A Muleta e a Tartaranha (séculos XV-XX)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Esboços da vida portuguesa (3 de 3), algumas imagens

CAPÍTULO I

COSTUMES DE LISBOA

A cena mostra um troço da Rua Direita da Cotovia, hoje Rua da Escola Politécnica.

Costumes de Lisboa, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Junto à mulher da castanha assada, de que pouco há a dizer, para além de fazer umas castanhas deliciosas, está o aguadeiro galego, sentado no seu barril, aguardando algum serviço.

Por debaixo da varanda, na qual se reconhece a actividade consequente de os parasitas serem infestação comum nas classes médias e baixas, está, encostado à parede, um soldado de marinha que, à semelhança de outros, certamente terá sido recrutado entre a escumalha de Lisboa.

Vê-se a tendeira à porta da sua loja onde vende principalmente bacalhau, azeite, vinho, queijo, réstias de alho etc… o homem que mostra os cestos com peixe à tendeira é um soldado do exército, que ao vender peixe, o que lhe é permitido, consegue superar os efeitos do pagamento incerto dos seus vencimentos.

O outro homem, que caminha com um ar descontente, é um dos muitos pescadores ílhavos que cruzam as ruas de Lisboa, são gente de bem. O heroico personagem, mais à direita na imagem, é o pedinte de Lisboa, sem paróquia, sem onde trabalhar, sem onde dormir e sem quem defenda a sua reputação. A porta verde é a do barbeiro, que barbeia, corta o cabelo, sangra, aplica sanguessugas (bixas) e arranca dentes. O frade é um Trino, da Santíssima Trindade.

CAPÍTULO II

DIVAGAR POR LISBOA

Começando a nossa peregrinação por Lisboa pelos cais e lugares de amarração ao longo do Tejo: 

Belém, escadas da Rua do Peixe, um pequeno cais;
2 Belém, degraus da Praça, excelente e espaçoso;
3 a praia da Junqueira, oposto à casa do patriarca;
4 outro na Pampulha, chamado escadas do Forno de Cal, muito mau;
5 o cais das encomendas, referência ao serviço de correio marítimo Falmouth Packets, mais própriamente designado como Rocha do Conde de Óbidos;
6 o Cais de José António Pereira, chamado pelos britânicos de Casa Amarela;
7 cais do mercado do peixe, ou Cais da Ribeira Nova, um lugar notável;
8 Cais do Sodré, onde os mercadores se encontram à tarde e ao anoitecer;
9 Cais do Terreiro do Paço;
10o Cais da Ribeira Velha, a evitar, pois está sempre pleno com barcos da palha e outros;
11finalmente o Cais dos Soldados ou Cais da Forca, assim também denominado porque aí se encontra permanentemente montada uma forca tripla. Este cais também é conhecido por Cais do Tojo.

Lugar de atracagem em Belém, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A maneira como a palha é carregada nos barcos empregues no seu transporte desde Alhandra sempre atríu a atenção dos estrangeiros. Fiz um esboço, ao vivo, do momento da sua descarga.

Descarga de barco da palha e mulheres despejando as calhandras, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

A maioria das embarcações que encostam ao cais da Ribeira Velha são as muletas e as faluas, barcos latinos, com uma ou duas velas deste tipo, conforme os seus tamanhos. As familias, da maioria destas tripulações, habitam nas pequenas aldeias e lugares que marginam o Tejo: Seixal, Amora, Coina, Moita etc.

CAPÍTULO III

DIVAGAR POR LISBOA

A faculdade portuguesa recomenda os banhos para todos os casos de queixas e males. Os homens despem-se na parte de vante do barco, vestem calções que vão abaixo do joelho e cobrem-se com um casaco comprido, antes de se sentarem na amurada do barco para entrarem dentro de água. 

Quando as senhoras anunciam que estão prontas eles ajudam-nas a entrar no rio, pegando-lhes nas mãos enquanto elas descem pelas pequenas escadas. Depois, entre gritos e chapinhadas, o divertimento é geral. Uma piada comum, conta que uma senhora baixa e gorda, uma visão habitual, quase ia virando o barco quando descia.

Banhos no Tejo, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Quando os barcos do banho são numerosos, ao longo da praia, não raramente vi o Regimento de Cavalaria de Alcântara receber ordem de tomar banho. Então, é vê-los entrar na água, e completamente despidos com os seus  cavalos, nadar por entre os banhistas, causando-lhes o maior desconforto.

CAPÍTULO VI

DIVAGAR POR LISBOA

Em honra de todas as criaturas, nossas semelhantes, que morreram antes de nós, e para o descanso de suas almas, está reservado um dia por ano, que em Portugal é passado a dizer e a ouvir missas: o dia de finados.

Dia de Todos os Santos no convento de S. João de Deus, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Por uma estranha contradição, enquanto rezam pelo seu descanso, os frades de S. João de Deus, incomodam os restos de um grande número, e dispõem-nos ao longo das paredes, com ramos de loureiro entre si, exibindo as suas carcaças amolecidas, como santos incorruptíveis ao olhar dos curiosos.

CAPÍTULO VII

PROCISSÕES RELIGIOSAS DE LISBOA

Aconteceu, numa noite de tempestade, que um pedinte bateu à porta do convento de S. Roque, almejando a hospitalidade dos seus residentes por alimento e alojamento. O primeiro foi-lhe concedido, mas o segundo foi-lhe negado. Tendo sido obrigado a procurar alojamento noutro sítio, dirigiu os seus passos para o convento de N. Sr.a da Graça, onde os frades o receberam sem a menor hesitação e lhe deram uma cela para passar a noite. 

Na manhã seguinte, como o pedinte não aparecia, alguns dos frades foram à cela procurá-lo; foi quando, em vez do pedinte, encontraram uma grande figura do nosso Salvador carregando a cruz para o Monte Calvário, dobrando-se sobre o seu peso: — a figura, em resumo, é venerada pelos portugueses como "O Senhor dos Passos da Graça".

Agora, sendo firmemente acreditado, que a figura é o próprio Nosso Senhor, e assim se deu aos frades da Graça para recompensar a sua hospitalidade, os frades de S. Roque reclamam o direito a ela também, baseando-se no facto de o pedinte ter primeiro batido à sua porta, e ter recebido comida de suas mãos. 

Esta é então a causa do litígio; e como parece não ter fim à vista, ficou acordado que, entretanto, o Senhor dos Passos deve fazer uma visita anual ao mosteiro de S. Roque durante a Quaresma e regressar nesse dia da semana ao convento da Graça.

Procissão do Senhor dos Passos da Graça, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Mas o que nesta procissão mais merece a atenção dos protestantes estrangeiros, é o grupo de pessoas, que envergando paramentos dos cavalos, vão de gatas sobre as suas mãos e joelhos, debaixo da imagem, através da lama e das poças, toda a distância entre os dois conventos.

As procissões do Corpo de Deus e a de Santo António são infinitamente mais exuberantes. Esta ultima causa grande sensação nos dois meses precedentes. As janelas são alugadas por um preço extravagante, e aqueles que residem nas ruas do Ouro e da Prata, podem mostrar grande atenção e favor para com os seus amigos convidando-os para um lugar nas suas varandas.

São Francisco na procissão de Santo António, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

As imagens participantes na procissão, que se contam para mais de uma centena, oferecem uma grande variedade como se pode supor; por exemplo, um andor com um crucifixo e as Marias ao pé deste; e outro com S Francisco de Paula, ajoelhado em frente, e tiras de fio vermelho saindo das chagas do nosso Salvador e fixadas no outro extremo nas partes correspondentes de pessoa do santo, que mantêm os braços abertos.

CAPÍTULO VIII

EQUIPAGENS PORTUGUESAS

Na História de Portugal, Vol. I, pág. 12, publicada em Lisboa em 1787, pode ser lida a confissão que "Nada do que podemos ver noutros países pode igualar o estado de desleixo no qual, em Portugal, as ciências e as artes aplicadas tinham caído previamente à última reforma de 1772". Que esses melhoramentos tivessem sido pensados, é possivel, mas parece nunca terem sido postos em prática. Este é o desenho correto de um veículo de Lisboa — sege, carro de aluguer, ou o que quiserem — pois não se vêm outras equipagens.

Sege ou chaise, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

A construção do veículo, tão miseravelmente imaginada, que não é impermeável nem à chuva e nem ao pó, tem nada mais do que uma cortina em pele na frente para proteção de ambos. Esta cortina é deixada aberta com bom tempo; com isso, ficaremos então cobertos de moscas, que tendo sido perturbadas com a nossa aproximação, levantam-se em nuvens espessas dos montes de estrume nas ruas, e como vingança se se juntam sobre nós.

Nos meses de fevereiro e março é costume, em Portugal, dar forragem verde às mulas e cavalos; isto consiste em trigo quase completamente desenvolvido e é, como se pode imaginar, caro particularmente nos casos em que uma pequena ração de grão diária também é permitida. É por esta razão, e por meio deste tratamento, que eles adquirem uma lustrosidade e uma boa condição, que começam a desaparecer no início do outono, quando as costelas começam a deixar ver-se por debaixo da pele.

[...] 

CAPÍTULO XX

CONSPIRAÇÃO POLÍTICA DE LISBOA EM 1817

O esboço sobre o qual estes dois desenhos foram elaborados foi feito no local. O segundo é precisamente igual ao primeiro, somente com a diferença de dois ou três minutos.

Execução dos conspiradores em 1817, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

O mesmo culpado que no primeiro está sentado na escada é o mesmo que na segunda já está enforcado; processo similar de tempo pode ser observado nos outros personagens.

Execução dos conspiradores em 1817, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

O procedimento de enforcar aqui descrito é aquele que está em uso por todo Portugal quando os acusados são condenados à morte. (1)


(1) cf. A.P.D.G., Sketches of portuguese life, manners, costume and character, London, Geo. B. Wittaker, 1826

sábado, 26 de novembro de 2016

Esboços da vida portuguesa (2 de 3), temática descritiva

CAPÍTULO I

COSTUMES DE LISBOA

Mulher da castanha assada — Soldado de Marinha — Galego ou aguadeiro — estimativa das virtudes atribuídas a essa raça — Algumas instâncias notáveis ​​da fidelidade e dos escrúpulos católicos — e da tolerância também — Grupo na varanda — ocupação portuguesa preferida — Tendeira ou vendedeira ambulante — Soldado vendendo peixe — Pescador de ílhavo — Pedinte de Lisboa — Barbearia — Monje


Costumes de Lisboa, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

História do príncipe Waldeck — Moral dos frades portugueses — a sua influência ilimitada — História do pretenso milagre de Évora — a sua detecção — Tirania temível dentro dos mosteiros



CAPÍTULO II

DIVAGAR POR LISBOA

Cais e lugares de amarração — Barqueiros do Tejo — nativos dos Algarves, os mais experientes

Lugar de atracagem em Belém, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Descrição dos barcos utilizados no rio — molettas — faluas — as suas decorações grotescas — barcos da palha

Descarga de barco da palha e mulheres despejando as calhandras, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Gentes da borda-de-água — o seu carácter infame — Família de degoladores — aventura com um deles — O fino cais do Terreiro do Paço — Casa da alfândega — e outros edifícios públicos — Arsenal Real da Marinha — Estado da marinha portuguesa — Um navio de linha de primeira classe — seu curioso aparelho — história da sua viagem Para o Brasil



CAPÍTULO III

DIVAGAR POR LISBOA

Largo do Pelourinho — Caes do Sodré — Embarque das tropas francesas após a Convenção de Cintra — atrocidades cometidas contra elas pela população de Lisboa — horrível barbaridade de uma mulher — fanatismo da multidão desordeira de Lisboa — escapada a tempo da sua fúria de um judeu berbére — Ribeira Nova — mercado de peixe — pescadores do Tejo — modo de pesca ao arpão à luz da tocha — Catraios ou barcos de passagem — Caça ás aves ao longo do Tejo — Banho, um divertimento favorito de todas as classes em Portugal — Festas de banho de damas e cavalheiros — sua descrição — um recurso afortunado

Banhos no Tejo, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Falta de limpeza de todas as classes a respeito de outras coisas



CAPÍTULO IV

DIVAGAR POR LISBOA

Ausência do gosto pictórico e poético em Portugal — Convento de Alcântara — Desastre de uma freira — Igreja de S. Amaro, o patrono dos galegos — ofertas votivas ao seu santuário — Cordoaria — Praça de Belém — Picadeiro real — Jardins da rainha — Menagerie [animais cativos] — Palácio da Rainha — Destino cruel do Marquês de Távora e sua família — Iniquidade dos Senhores — Mosteiro de Belém da Ordem de S. Jerónimo — Torre de Belém — Lazareto — aprendizagem geográfica dos seus funcionários — Igreja da Memória — sua bela localização — Museu — Palácio Real da Ajuda — as suas proporções gigantescas — a impossibilidade de o completar



CAPÍTULO V

DIVAGAR POR LISBOA

Buenos Ayres — limites deste quarteirão de Lisboa — beleza da vista a partir desse lugar — Grandeza do Tejo — Estação de telégrafo — Sebastianistas — erro de um justo viajante relacionado essa seita absurda — história do rei Sebastião — o início do seu reino — o seu imponderado gosto pelo empresa — a sua expedição a África — vãs tentativas para o dissuadir da empresa — o total das suas forças — as suas primeiras observações em África — batalha de Luco — derrota, captura e provavel morte de Sebastião — várias opiniões sobre o seu destino — Crença do Sebastianismo em como ele ainda aparecerá na terra



CAPÍTULO VI

DIVAGAR POR LISBOA

Igreja e mosteiro de S. João de Deus — Exposição dos santos no Dia de Todos os Santos

Dia de Todos os Santos no convento de S. João de Deus, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Palácio de Janelas Verdes — Convento e igreja do Coração de Jesus — grandeza e magnificência destes edifícios — sua descrição — Hospital da fábrica britânica — Cemitério inglês e capela — Mosteiro de São Domingos em Benfica — suas esplêndidas doações — Sepulcro do herói, Dom João de Castro — seu epitáfio — alguns relatos dos seus feitos e carácter — a sua juventude — o seu vice-reinado na Índia — defesa heróica de Diu — Dom João empenha os seus bigodes — a sua carta ao povo de Goa — sua notável piedade — descoberta da cruz milagrosa de Meliapor — desenho que ele enviou a Dom Sebastião

Cruz de S. Tomás ou S. Tomé de Meliapor.
Imagem: Internet Archive

Fim da carreira de Dom João de Castro — discurso fúnebre do herói



CAPÍTULO VII

PROCISSÕES RELIGIOSAS DE LISBOA

Igreja de S. Roque — Igreja da catedral de S. António — verdadeiras lendas daquele santo — a sua prodigiosa reputação nos dias de hoje — tratamento curioso que o santo às vezes recebe — Convento de N. S.ra da Graça — as suas lendas blasfemas — procissação dos Passos dos Graça — penitentes que a acompanham — entretenimento usual depois da sua passagem — copos de água

Procissão do Senhor dos Passos da Graça, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Procissão do Corpo de Deus — sua magnificência — figura e equipagem de São Jorge — o santo, um brigadeiro ao serviço português — Procissão de S. Antonio — numerosas imagens de santos que nemla participam — S. Francisco de Paula e os seus estigmas

São Francisco na procissão de Santo António, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Uma outra boa lenda de S. Antonio — Procissão de S. Bento — remarcável exibição para a pantomímica da história De Abraão e Isaac — Procissão do Desacato — terço, ou hino nocturno à Virgem nas Ruas — belas músicas vocais — Procissão de Nossa Senhora das Dores

Procissões religiosas burlescas: — A da enterro do Bacalhau depois da Quaresma, e outra, dos artesãos, em Michaelmas [29 de setembro] — espírito curioso mostrado nestas ladainhas



CAPÍTULO VIII

EQUIPAGENS PORTUGUESAS

O baixo estado das artes aplicadas em Portugal — Sege, ou Chaise, quase o único tipo de transporte em uso — a sua construção desajeitada — digressão com moscas — Hackney Segé — taxa de aluguer — a insolência dos boleeiros

Sege ou chaise, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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As equipagens da nobreza — carruagem de mulas — coudelaria Alter-Real — modo de alimentar os animais em Portugal — costume cruel de obrigá-los a dormir de pé — doença peculiar dos animais neste clima — Comitiva regular de um fidalgo — Numerosos rufiões albergados em residências nobres — imunidade desavergonhada da Justiça — instância dos seus efeitos desta — Educação esperançosa dos jovens fidalgos — lacaios e moços de estábulo os seus companheiros — seus dotes equestres — Traje de um nobre português Dandi — Gosto dos nobres portugueses pelas Belas-Artes — Anedota — Privilégio nobre de aposentadoria — descrição e enorme do abuso — Rei Pedro o Cruel — a sua rigorosa imparcialidade — Sua estranho administração de justiça retributiva — Numerosos agregados familiares dos fidalgos — a sua economia média  — o seu orgulho — Linhagem da casa Costa — Títulos portugueses e modos de endereço



CAPÍTULO IX

A CORTE PORTUGUESA

Corte de Dom João VI no Rio — dias do beija-mão — descrição do cerimonial

Dia de Corte no Rio de Janeiro, beija-mão, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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A familia real de Portugal — recepção universal de petições ao rei — grande abuso desta condescendência paternal — devoção do rei — hipocrisia de seus seguidores — Musica requintada na capela real

Festa no Rio de Janeiro, um castrado a cantar, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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O Patriarca de Lisboa — descrição do seu estado e dignidade — seu palácio e imensas receitas — descrição da sua equipagem — milagre da Virgem para salvar a vida do Patriarca



CAPÍTULO X

MANEIRAS PORTUGUESAS TRAJE FEMININO ETC.

Traje das mulheres de classes inferiores — seus cabelos finos — falta de limpeza — Hábitos de isolamento de todas as classes de mulheres — Modo de trocar correspondência de amor — Ida à missa — Ajuste coquette do vestido — o gracioso degrau — Os belos olhos das mulheres portuguesas  — Conduta de ambos os sexos na missa — Susceptibilidade amorosa dos portugueses — Casos amorosos — Vigilância ineficaz activa dos pais — Costume de recolher as filhas nos conventos — Lei curiosa em favor dos amantes — Um conto de amor — destino das partes — Trajes de saída femininos — o capote — a sua cobertura conveniente — anedota do capote — A roda dos enjeitados — Infanticídio — Uma história da vida portuguesa



CAPÍTULO XI

ALGUNS COSTUMES PORTUGUESES

Trabalho de parto de uma senhora portuguesa — a ajuda dos santos solicitada — Famílias numerosas — direitos à propriedade — Afecto fraterno e piedade filial dos portugueses — Hábitos diários de grata devoção — as Trindades — oração do meio-dia — Avé Marias — a benção a quem espirra — Hábitos de galanteria e respeito — Gesticulações violentas — Sentimento caritativo do povo — Pedintes — Saudações aos conhecidos e aos estranhos — Formas de endereço nas cartas  —  Carinho das mulheres portuguesas por cães de colo e papagaios — Grosseiria dos portugueses na conversação



CAPÍTULO XII

DIVERSÕES PORTUGUESAS

Jogos de azar — Música — modinhas — valsas — landuns — a guitarra — caráter da modinha — exemplo de uma do famoso compositor Vidigal — excentricidade e violência de Vidigal

Modinha de Vidigal, Cruel Saudade.
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Bontempo o Mozart português — carácter das suas peças — Dança — a dança do campo inglesa — quadrilhas — minuetes — Jogos de castigo — enigmas— O carnaval — a sua falta de interesse — alegria do carnaval nas classes médias — piadas brutais e sem significado da multidão — desperdício de laranjas — Quarta-feira de cinzas — obscuridade e fanatismo — Corridas de touros — relato de um notável— o campeão, um negro — a sua destreza e coragem — o seu destino infeliz — Combate absurdo entre um alfaiate da Cornualha e um touro — Burricadas ou passeios de burro



CAPÍTULO XIII

FUNERAIS PORTUGUESES

Procissão do anfitrião a uma pessoa moribunda — adesão de todos os passantes — intrusão da multidão na câmara funebre — os resultados beneficentes esperados disso — Corpos colocados em pose — Cerimônia do enterro — serviço de funeral — canto do De Profundis — o seu carácter impressionante — O enterro nas classes mais pobres — uso revoltante — O costume pernicioso de enterrar em igrejas num clima tão quente

Um enterro, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Convites para o funeral — Corpos dos pobres expostos para pedir esmolas para as despezas fúnebres — Cupidez dos padres — Gabinete da Irmandade da Misericórdia — Desprezo da multidão portuguesa pelo o enterro por caridade

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CAPÍTULO XIV

O EXÉRCITO PORTUGUÊS, ETC.

Um soldado português sob a sentença de morte — tratamento humano do condenado — o seu abuso pelos frades — Cerimonial das execuções — cena do tipo esboçada no lugar

Execução militar, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Milícias portuguesas — o aparecimento destes corpos

Dragões portugueses, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Castigos militares — a pranxada, ou açoitamento com a parte larga dos sabres — Cirurgiões militares — a sua antiga degradação — Baixo estado das artes cirúrgicas e médicas em Portugal — as leis que regulam a profissão — instância de ignorância cirúrgica — Excelentes características do soldado português — raridade de crimes — Vigor do poder militar no auxílio ao civil — Inércia do poder civil — agravada pela reluctância do povo em fornecer provas contra os criminosos — Lei absurda da antiga rainha que proíbe a pena capital para a punição das mulheres — flagrante instância dos seus efeitos perniciosos — A administração corrupta das leis — exemplos disso — Ordens religiosas e militares de cavalaria em Portugal — A mais antiga, a de Aviz — Ordem de S. Jago [Tiago] da Espada — o seu remoção — instância disso — Ordem de Cristo — Toddas essas ordens são exclusivamente para católicos — Instituição da Ordem da Torre e Espada para protestantes — Antiga Ordem de Aza — Ambição dos portugueses pelas condecorações de cavalaria — o seu abuso — Estado degradado do exército português antes das reformas introduzidas por influência britânica



CAPÍTULO XV

ARQUITECTURA PORTUGUESA, MOBILIÁRIO, JARDINS, ETC.

A construção desajeitada das casas portuguesas — as suas formas — Jardens — os modos engenhosos de os regar — Arquitectura ornamental —  os frescos — Palácio do marquês de Loulé — a sua destruição — Mobiliário português — Azulejaria fantástica — Santos de rua



CAPÍTULO XVI

NEGROS DE LISBOA

Esboço de um grupo de negros a pedir esmolas para a festa da Virgem negra de Atalaya — crença de que a Virgem era negra

Pedindo para as Festas da N. S.ra da Atalaia, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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e S. Antonio também — que esse santo a era capitão no regimento de Lagos— empenho do clero para a promoção desse santo — Landun ou dança dos negros — paixão extratagante dos portugueses por essa dança — a sua descrição como dançada entre as classes superiores — Festival de N. S. d'Atalaya — Sermão negro — Anedota dos frades negros do Rio de Janeiro



CAPÍTULO XVII

NEGROS DO BRASIL ETC.

Importação de negros para o Brasil — a sua condição miserável — Loja de escravos no Rio de Janeiro — um comerciante da Minas negociando a compra de negros

Loja de escravos no Rio de Janeiro, um mercador de Minas a discutir o preço, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Anedota — Maneira cruel de marcar os escravos — Negros fugitivos — Boa sorte dos negros do serviço doméstico no Rio — Política do governo brasileiro em promover negros a dignidades — As casas religiosas dos negros — Mistura de sangue no Brasil — Mulheres de cor — as suas qualidades vingativas — Negros assassinos — Crueldade dos negros contra os inferiores da sua própria cor — Doenças assustadoras do Brasil — Humanidade das famílias Portuguesas com os seus negros — Condições dos negros muito diferentes em Portugal — inombráveis ofícios que lhes são impostos — lhes petróleo — Curiosa e agradável instância do intercâmbio de gentileza entre um português e uma negra



CAPÍTULO XVIII

SALOIOS OU CAMPONESES PORTUGUESES

A ida para os mercados de Lisboa — deliciosos frutos do campo— Outros produtos de produção rural — queijo — natas — aves — caça — Camponeses do mercado, obrigados a viajar de noite — hábito assim adquirido de saber as horas pelos céu — Modo de vender os produtos rurais pelas as ruas de Lisboa

Saloia vendendo fruta, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Saloios voltando do Mercado

Regresso a casa após o mercado em Lisboa, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Alimentação normal dos camponeses — Excelentes qualidades desta raça atlética — Superioridade do seu carácter comparado com o de todas as outras classes de Lisboa — Saloias ou camponesas — aaparência pessoal — o costume de empregá-las como amas — o seu caráter problemático — direito subsequente ao alojamento — as suas superstições e amor do maravilhoso — efeito malicioso sobre as crianças — Costume das saloias — Equipagem do seu mercado (burros) — Simplicidade pastoral dos camponeses portugueses — genorosidade do coração — O patriotismo dos lavradores na última Guerra — A rudeza primária da agricultura portuguesa — Tratamento do milho — Fazer o vinho



CAPÍTULO XIX

ALDEIAS PORTUGUESAS, PRODUTOS DO CAMPO ETC.

Aparência peculiar de uma aldeia portuguesa — arquitectura rural — igrejas de aldeia — imagens grotescas nos seus altares — N. S.ra da Conceição — objeto de adoração universal em Portugal — A Virgem, grande fazedora de milagres — dois curiosos exemplos destes — A veneração dos aldeões portugueses pelas cegonhas — as suas virtudes não atribuíveis pelos seus pastores

Provincia de Beja, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Profissão infame do sacerdócio paroquial — instâncias deste aspecto no país ao norte do Tejo — e nas províncias do sul — O carvalho — A cortiça — A oliveira — Várias frutas — Os portugueses famosos por seus deliciosos doces — gila bolo podre — Aguardente, o único licor espirituoso bebido em Portugal — Limonada — Capilé — A tentativa de introduzir cerveja



CAPÍTULO XX

CONSPIRAÇÃO POLÍTICA DE LISBOA EM 1817

Secretismo dos julgamentos dos crimes de estado em Portugal — Descoberta da conspiração de 1817 — os dados nunca promulgados — julgamento secreto dos infractores — preparativos para a sua execução — dificuldades em encontrar um carrasco — Impunidade de um miserável condenado por doze assassínios — a sua história — Um carrasco trazido do Porto — a manhã da execução — trajes dos condenados — procissão até à forca — aparência miserável dos prisioneiros — dados da sua sentença — bom sentimento do povo português — repugnância geral ao testemunhar o Execução — esboço de toda a cena

Execução dos conspiradores em 1817, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Pinto, um dos condenados — sua agonia do desespero — modo de execução revoltante — Cabral, outro conspirador: seu terror da morte — Atraso nas das execuções — a exaustão dos últimos sofredores

Execução dos conspiradores em 1817, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Apreensão por um levantamento popular — tumultos — processo de incinerar os corpos dos condenados (1)


(1) A.P.D.G., Sketches of portuguese life, manners, costume and character, London, Geo. B. Wittaker, 1826

Notas críticas:
The New Monthly Magazine

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Esboços da vida portuguesa (1 de 3), A.P.D.G.

Os seguintes esboços foram desenhados da vida. Não reclamam outro mérito na sua composição para além daquele de oferecer — até onde vão — um delinear fiel das maneiras, dos costumes e do carácter portugueses.

Saloia vendendo fruta, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

O autor teve o cuidado de observar uma adesão rígida apenas aos factos; e aos respeitáveis, ​​e sem preconceitos, residentes britânicos em Portugal que conhecem, embora superficialmente, os hábitos do povo, apela com confiança para corroborarem a verdade dos seus quadros.

Descarga de barco da palha e mulheres despejando as calhandras, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Em apologia aos defeitos literários do presente volume, o autor não tem uma sílaba a dizer:excepto, que ninguém pode ser mais sensível a esses defeitos do que ele próprio.

Mas ele aventurou-se a acreditar que o conhecimento íntimo do assunto poderia ser considerado para redimir as numerosas imperfeições de método e estilo; e será perdoado por ter sentido que, pelo menos, possuía algumas superiores qualificações para a sua tarefa, em relação aos escritores que, após uma mera residência de alguns meses, semanas ou mesmo dias em Lisboa, sem hesitação empreenderam descrever todos as peculiaridades do povo e do país.

Lugar de atracagem em Belém, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Para permitir ao leitor o julgamento das oportunidades assim desfrutadas, pelo autor, de uma longa e íntima comunicação com a sociedade portuguesa, ele tomará a liberdade de exprimir em poucas palavras a posição pela qual se veio a encontrar naquela nação.

Banhos no Tejo, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Aos vinte anos de idade, e no ano de 1798, o autor entrou na administração pública portuguesa e aí seguiu até 1804: quando se sentiu incapaz de resistir durante mais tempo à torrente de intrigas, a que todo estrangeiro nesse serviço é submetido, desistiu temporariamente tanto do seu país adoptado como da sua profissão.

Contudo, em 1809, foi-lhe oferecida uma situação vantajosa no departamento de abastecimento do exército britânico, então em Portugal, e ele regressou a esse reino, com vantagens possuídas por poucos da sua nacionalidade:um bom conhecimento da língua e do povo. 

Costumes de Lisboa, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

É principalmente a partir da experiência desta segunda residência de muitos anosque apenas terminou recentemente,que ele tentou descrever o estado da sociedade em Portugal. 

O desgosto, em tempos provocado na sua mente pelo tratamento injusto há muito tempo que cessara; e ele é consciente mais da sua parcialidade por, do que do preconceito contra, os portugueses e seu país.

Regresso a casa após o mercado em Lisboa, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Da maioria das cenas mencionadas, o autor foi ele próprio testemunha ocular: — embora todas elas ou são em si tão conhecidas no país, ou pelo menos aí devem ser tão familiarmente reconhecidas como características, que o autor sente que por mais extraordinárias que sejam, algumas das suas descrições não parecem dar a impressão que a sua autenticidade possa ser questionada.

Mas se o leitor se mostrar céptico, deixe-se que tome referências de qualquer um que tenha residido em Portugal. 

Provincia de Beja, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
Imagem: Internet Archive

Como o autor não teve, inicialmente, outra intenção senão a de ilustrar seus poucos desenhos por curtas anotações, o volume, em que estas gradualmente aumentaram pode-se vangloriar, teme, de pouca conexão ou ordem; e, como ele não tem disposição para infligir um trabalho mais longo sobre o mundo, muito ele sabe, foi deixado por dizer sobre os costumes dos portugueses na vida privada. 

Dia de Côrte no Rio de Janeiro, beija-mão, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Todavia lamenta esta omissão a menos que o assunto tenha sido já abordado por outros; e ele preferiu limitar-se a temas que foram completamente negligenciados por escritores precedentes.

Festa no Rio de Janeiro, um castrado a cantar, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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No que diz respeito aos dois assuntos em entrou, o autor deseja, no entanto, ser-lhe permitido oferecer algumas palavras de explicação prévias. A justa autora de algumas das ultimas Letters from Portugal (Lisbon in the years of 1821, 1822 and 1823, Marianne Baille), no prefácio, declarou o seu princípio, de que "toda a verdade não deve ser sempre dita:" — um princípio insensato, justificado, no seu caso, pelos sentimentos sensíveis e delicados que são o encanto mais doce de seu sexo. 

Mas, sobre o observador masculino nesse país, uma obrigação semelhante de silêncio não pode, em igual grau, ser imposta.

Sege (chaise), A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Ele deve testemunhar muitas cenas a que a delicadeza de uma dama inglesa será poupada; Ele pode muitas coisas, às quais ela recuaria com aversão e vergonha, e pode, sem impropriedade, entrar em detalhes de hábitos e circunstâncias, aos quais a modéstia dela nem sequer permitiria aludir.

Dos costumes de um país como Portugal, nenhuma inglesa delicada pode ser uma repórter total e exacta; — e o autor confia que o leitor mais exigente não se ofenderá com os delineamentos das maneiras, que são mais grosseiras do que os esboços de uma mão feminina, só porque eles são verdadeiramente, no mesmo nível, mais fieis.

Dragões portugueses, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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O segundo ponto da explicação do autor se refere a um tema mais sério. Quando o cristão protestante visita Portugal, é surpreendido constantemente por testemunhar a conversão de todas as associações mais sagradas da sua fé, em objetos de superstição grosseira e degradante, insensíveis murmúrios e fraude atroz.

Nossa reverência pelas coisas sagradas revolta-se com a sua exibição em cores ridículas — e ainda mais na distorção blasfema; e, a menos que justificada pelo objeto, até mesmo a relação ao facto repete a ofensa.

Pedindo para as Festas da N. S.ra da Atalaia, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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É provavelmente por algum sentimento deste tipo que a justa escritora acima mencionada se proibiu formalmente de entrar nalguma particularidade sobre o estado de religião em Portugal. Mas o autor das páginas seguintes julgou de outro modo os deveres do seu ofício.

Loja de escravos no Rio de Janeiro, um mercador de Minas a discutir o preço, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Num período como o presente, quando a milícia da Igreja Papal renovou perigosamente a sua actividade, eles devem ser encontrados pela exposição. 

Um enterro, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Os cidadãos católicos romanos destas ilhas merecem, talvez, nenhuma censura pela tentativa de remover suas deficiências civis; mas quando os defensores da sua causa se esforçam por fazer luz sobre as distinções da fé reformada, como argumento da sua própria pureza, é justo que o protestante deva ser autorizado a julgar por si mesmo essas diferenças.

Dia de Todos os Santos no convento de S. João de Deus, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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E isso não pode ser feito mais eficazmente do que expondo as abominações dos romanizados e a conduta de seus ministros, num país onde ambos perderam os limites. Com este ponto de vista, e satisfeito com a suficiência do seu objeto, o autor entrou com ousadia, ampla e totalmente no assunto.

Procissão do Senhor dos Passos da Graça, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Ele não se sente responsável nem pelo grosseiro absurdo nem pela impiedade blasfema das cerimônias que é chamado a descrever: mas, sinceramente ligado à fé pura e reformada desta feliz terra, está ansioso por renunciar a qualquer projeto de leviandade indecente, e fervorosamente depreciar a probabilidade de seus motivos estarem equivocados.

São Francisco na procissão de Santo António, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Cabe ao autor apenas acrescentar que os desenhos do presente volume são todos seus: — com excepção dos três que tratam das execuções militares e civis. 

Execução civil, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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Esses foram dados ao autor por um cavalheiro que os recebeu como presente de um oficial britânico, testemunha presente nos factos que descrevem. 

Execução dos conspiradores em 1817, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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O autor sentiu-se mais feliz por essa valiosa aquisição, pela circunstância disso ser capaz de atestar a sua exactidão, tendo também ele estado presente nas mesmas cenas;

Execução dos conspiradores em 1817, A.P.D.G., Sketches of Portuguese life (...).
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e confia que a sua inserção neste pequeno trabalho será visto por esse oficial (se ele alguma vez o ver) como um testemunho da estima do autor pelos seus talentos. (1)


(1) A.P.D.G., Sketches of portuguese life, manners, costume and character, London, Geo. B. Wittaker, 1826

Notas críticas:
The New Monthly Magazine