quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Grupo do Leão (4.ª exposição, 1884)

Na quarta exposição de quadros, que nos mostrou com a sua energia tenaz, persistindo — de anno em anno, e creando consoladoramente a dupla força da vida em lucta, emprehendedora, e da tradicção que sustenta e empurra, — o bando d'artistas caracteristicamente embandeirolado com a taboleta alegre e fulva e rompante de "Grupo do Leão", era a larga tela de Silva Porto intitulado A Salmeja — a obra mestra. (1)

A Salmeja, Silva Porto, 1884.
Imagem: Viagens Pelo Oeste

O grupo chamou-se do Leão, por causa de um café da rua do Principe...

O Grupo do Leão, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Representados, da esquerda para a direita: em fundo, João Ribeiro Cristino, Alberto de Oliveira, criado Manuel, Columbano, criado António, Braz Martins; sentados, em segundo plano, Manuel Henrique Pinto, João Vaz, Silva Porto, António Ramalho, Rafael Bordalo Pinheiro; em primeiro plano, José Malhoa, Moura Girão, João Rodrigues Vieira.
Imagem: MNAC

4.° Salão, Exposição de Quadros Modernos, 1884


Exposições de Quadros e d'Arte Moderna (1881-1889)
Catálogos Illustrados
Publicados por Alberto d'Oliveira
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CHRISTINO DA SILVA (J. R.) Rua de S. Vicente, 30, 1.°.
(Ribeiro Cristino, pesquisa google)

1 — Na serra do Monte Junto.

2 — O passeio das aguas em Alemquer.
[cf. Catálogo da exposição

3 — O lago do Antelmo.

4 — Torre do convento de Villa Verde.

5 — A fonte d’aldeia.

6 — Um riacho no monte.

7 — Convento de S. Francisco, Villa Verde. Pertence ao sr. visconde de Chancelleiros.

COLUMBANO BORDALLO PINHEIRO L. das Taipas, 83.
(Columbano, pesquisa google)

8 — Retrato da sr.ª D. Cassilda Martins.

Retrato da sr.ª D. Cassilda Martins, Columbano, 1884.
Imagem: Memórias e Imagens

9 — Retrato da sr.ª D. Anna Level.

10 — Retrato do sr. dr. Marianno Level.

11 — Retrato de M. Gustavo Bordallo Pinheiro.
[cf. Catálogo da exposição

Retrato de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Columbano, 1884.
Imagem: Wikipédia

12 — No meu atelier.
[cf. Catálogo da exposição

Arte Pintura Grupo do Leão 1884  No meu atelier Columbano.jpg
Imagem: Alexandre Pomar

13 — Uma fifia.
[cf. Catálogo da exposição

14 — Camponeza de Fontainebleau

15 — Um typo.

16 — O bom cigarro.

17 — Satyros (talha em barro cozido).

GYRÃO (J. DE S. M.) Atelier Trav. da Conceição, á Lapa, 13.
(Moura Girão, pesquisa google)

18 — Uma familia.
[cf. Catálogo da exposição

Uma familia, Moura Girão, 1884.

19 — Boa colheita.

20 — Uma tentação.

21 — Patos no lago.

22 — Coelhos.
[cf. Catálogo da exposição

23 — Um observador.

24 — Coelhos comendo.

25 — Paizagem de Cintra.

Paisagem de Sintra, Moura Girão, 1884.
Imagem: arcadja

MALHOA (J. V. B.) T. dos Fieis de Deus, 57, 2.°.
(José Malhoa, pesquisa google)

26 — O viatico ao termo, costume da Beira Baixa.
[cf. Catálogo da exposição

O viático do termo, costume da Beira Baixa, José Malhoa, 1884.
Imagem: Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra

27 — A fiandeira, costume do Minho.
[cf. Catálogo da exposição

28 — Margens do Vouga.

29 — Ribeira d’Alge.

30 — Um pateo em Figueiró.

31 — Pateo de la Merced, Toledo.

32 — Silhouette de Toledo.
[cf. Catálogo da exposição

33 — Cabeça de estudo.

34 — Retrato do sr. D. I. B.

PINTO (M. H.) Portalegre.
(Manuel Henrique Pinto, pesquisa google)

35 — Na horta.

36 — Na ribeira.
[cf. Catálogo da exposição]  

RAMALHO (A. M.)  R. Campagne Première, 15, Paris.
(António Ramalho, pesquisa google)

37 — No museu de Cluny, Paris.

38 — Retrato do sr. José Malhôa (1882).

39 — Retrato do sr. João Vieira (1882).

40 — No jardim do Luxembourg.

41 — Uma nesga de Paris.

42 — Paizagem em Fontenay-aux-roses.

43 — Paizagem em Poissy.

44 — Distrações.

SILVA PORTO (A. C.) Escola de Bellas-Artes.
(Silva Porto, pesquisa google)

45 — A Salmeja, Lumiar.
[cf. Catálogo da exposição]
[v. imagem no topo da página]

46 — Vaccas na arribana.

47 — Singelada.

48 — Rio Vizella.

49 — Queda d’agua, Vizella.

50 — Ponte Velha, Vizella.

51 — Caminho novo, Vizella.

52 — A manhã, margens do Vizella.
[cf. Catálogo da exposição

[A manhã,] margens do Vizella, Silva Porto, 1884.
Imagem: MatrizNet

53 — Os moinhos, Cascalheira.

54 — No Areinho, Douro.
[cf. Catálogo da exposição

No Areinho, Silva Porto, 1880(?), 1884(?).
Imagem: Wikipédia

55 — Praia de Valbom, Douro.

56 — Praia dos pescadores, Povoa.
[cf. Catálogo da exposição

Praia dos pescadores, Póvoa [do Varzim], Silva Porto 1884.
Imagem: Do Tempo da Outra Senhora

57 — Bairro dos pescadores. Povoa.

Bairro dos pescadores (0,20x0,30), Póvoa [do Varzim], Silva Porto 1884.
Imagem: Do Tempo da Outra Senhora

58 — Praia da Povoa do Varzim.

59 — Logar de Campanhã.

60 — Villa do Conde.
[cf. Catálogo da exposição

Vila do Conde, Silva Porto, 1884.
Imagem: do Porto e não só...

61 — Rapariga da Povoa do Varzim.

62 — Lagoa do Arieiro, Lumiar.
[cf. Catálogo da exposição

63 — Valle de Forno, Lumiar.

64 — A seifa, Lumiar.

A Ceifa, Silva Porto 1884.
Imagem: DGPC

65 — Olival, Lumiar.

66 — Azinhaga de Telheiros.

67 — No jardim.

68 — A parreira, Telheiros.

A Parreira, Telheiros [Telheiras?], Silva Porto, 1884.
Imagem: Palácio do Correio Velho

69 — Caminho da Venda Secca.

70 — Contrariada.
[cf. Catálogo da exposição

Contrariada, Silva Porto, c. 1844.
Imagem: MutualArt

VAZ (J.) Calçada do Grilo, 3 , Xabregas.
(João Vaz, pesquisa google)

71 — Barcos no Sado.
[cf. Catálogo da exposição

Barcos no Sado, João Vaz, 1884.
Imagem: Obra de João Vaz no Facebook

72 — A pesca das lulas.
[cf. Catálogo da exposição

A peca das lulas, João Vaz, 1884.
Imagem: Obra de João Vaz no Facebook

73 — Convento de Christo, Thomar.

74 — O mestre da canôa, estudo.

75 — No concerto da rede.


No concerto da rede (ou Concertando a rede), João Vaz, 1884.
Imagem: Largo da memória

76 — Ao pôr do sol, Leiria.
[cf. Catálogo da exposição

77 — A porta da quinta, Setúbal.

78 — Barracas de pescadores, Setúbal.

79 — A casa da Maria Telles, Coimbra.

80 — Barcos encalhados, Setúbal.

81 — Callejon del Vicário, Toledo.

VIEIRA (J. R.) Leiria.
(João Rodrigues Vieira, pesquisa google)

82 — Leilão da pesca, praia da Nazareth.
[cf. Catálogo da exposição


83 — Quinta velha de Santa Cruz, Coimbra.

84 — Rosas.
[cf. Catálogo da exposição

85 — Cintra, estudo.

86 — Cabeça de creança.

87 — Cintra, estudo.

88 — Retrato do sr. Augusto Bettencourt.

Grupo do Leão, 4.° Salão de Quadros em 1884, .
Imagem: O Occidente Hemeroteca Digital


(1) O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 220, 1 de fevereiro de 1885

Críticas publicadas:
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 220, 1 de fevereiro de 1885
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 223, 1 de março de 1885

domingo, 18 de setembro de 2016

Palette de Alfredo Cristiano Keil (1850-1907)

A moda, que tudo altera, corrompe, destroe, imita, inventa, copia e contunde, tem ultimamente adquirido proporções exaggeradas nos paizes europeus, mesmo nos mais cultos, fazendo com que brotasse nas camadas sociaes, desde a mais elevada até á mais modesta, a ideia de um novo "sport": o de colleccionar antiguidades. (1)

Leitura de uma carta (detalhe), Alfredo Keil, 1874.
Imagem: MNAC

Durante cerca de um ano [Alfredo Keil] estudou na Academia Real de Nuremberga, sob a direcção do neo-romântico August von Kreling, mas num tempo em que a idealização alemã da paisagem também já dera lugar à observação realista, fiel e minuciosa, da natureza e das suas constantes variações de luz e clima.

A segunda "viagem" tem Barbizon por destino e data de Junho-Julho de 1877, já alguns anos depois do prolongamento, irregular e pouco interessado, dos estudos na Academia Real de Lisboa, onde foi colega de Rafael Bordalo Pinheiro e Malhoa.

Champs-Elysées, Alfredo Keil, 1883.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Essa estada em Barbizon, mostrada em sete pequenas telas daí trazidas e num auto-retrato pintando na floresta, já do ano seguinte, em Lisboa, de mais imponente formato, é uma das grandes surpresas oferecidas pela exposição.

O facto de ser ignorada pelos que escreveram sobre Keil é tão mais surpreendente quanto a história nacional atribui oficialmente o início da nossa pintura moderna, dita naturalista, à aprendizagem de Silva Porto e Marques de Oliveira nos arredores de Paris, mesmo se a "Escola" que informalmente aí nascera, já banalizada pela concentração de pintores e consagrada nos salões, se pudesse entender, na década de 70, como a despedida da última geração romântica.

Lisboa vista do Ginjal, Alfredo Keil.
Imagem: Casario do Ginjal

Keil foi sendo sempre designado como neo-romântico, tardo-romântico ou pré-naturalista, segundo um modelo historiográfico (Reynaldo dos Santos e José-Augusto França) que prezou demasiado as fórmulas classificativas e de grupo, consideradas como obrigatórias etapas de passagem num único itinerário progressivo. 

Cais do Ginjal, Óleo, Alfredo Keil
Imagem: Casario do Ginjal



Com escassa observação das obras e errada informação documental, as etiquetas davam-no como um "pintor de transição" e "isolado" face aos membros do Grupo do Leão, "preso a um espírito neo-romântico", que continuou, no entanto, a gozar dos "favores de uma clientela mundana". 

Esse desentendimento, prolongado na ideia de um diletante e amador (de facto, não cumpriu formação académica e dividiu-se por múltiplas actividades, mas com reconhecida competência e deixando uma vastíssima obra de pintor), parece prolongar susceptibilidades do tempo que só uma análise mais fina da vida cultural de Lisboa esclarecerá.

Landscape Necklaces, Alfredo Keil.
Imagem: MutualArt

Até 1880, Keil é muito elogiado e premiado. Nesse ano participa pela última vez na exposição da Promotora, a 12.ª, onde se revela o grupo dos naturalistas. 

Ausente das Exposições de Quadros Modernos (depois de Arte Moderna, 1881-88) promovidas por estes, praticamente só voltaria a expor na mostra de "Estudos de Paisagens e Marinhas", com 258 pinturas, que organizou em 1890 no seu atelier, pouco depois dos êxitos da ópera Dona Branca e da marcha patriótica A Portuguesa. 

Vapor da carreira de Cacilhas, 1890, Óleo, Alfredo Keil
Imagem: Casario do Ginjal



Apesar de ter sido talvez a exposição de pintura mais visitada do século XIX, e quase toda vendida, foi praticamente ignorada pela "crítica naturalista". (2)

Cais de Santos, vista da Rocha do Conde de Óbidos, Alfredo Keil, 1873.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Na década de 1880, Keil deixou de expor na Sociedade Promotora de Belas Artes e nunca apareceu nas exposições de "Quadros Modernos" ou de "Arte Moderna" promovidas pelo Grupo do Leão em Lisboa. 

Este desalinhamento prejudicou, mais tarde, a sua apreciação por uma historiografia que, no século XX, se esgotou no jogo dos agrupamentos escolares, a cujas etiquetas ("romântico", "naturalista", "modernista") nunca se prestou bem. 

No cais do Tejo, Alfredo Keil, 1881.
Imagem: MNAC (museu do Chiado)

Ficou condenado a fazer figura de "isolado" ou, pior, "pintor de transição". Isso já no seu tempo despistou os críticos, que gostariam de o ter visto estacionar nalguma tendência mais ou menos clara. 

Alfredo Cristiano Keil (1850-1907).
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

O seu eclectismo apareceu-lhes como a indefinição típica de um "curioso" nas artes e nas letras. Keil nunca contou com a solidariedade, no meio artístico e literário, de uma "escola", "geração" ou "grupo". 

A diligência que ligava Tomar à Sertã, Alfredo Keil, Tojos e Rosmaninhos, Lisboa, A Editora, 1907.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Em 1869, em carta à mãe, atribuía-se um "génio tristonho, amigo da solidão, buscando fugir ao sussurro das grandes sociedades e procurando cenas melancólicas". (3)

Catalogo da exposição de pintura de quadros..., Lisboa, A Editora, 1910
Imagem: Internet Archive


(2) Alfredo Keil, Collecções e Museus de Arte em Lisboa, Lisboa, Livraria Ferreira e Oliveira, 1905
(2) Alexandre Pomar cf. ALFREDO KEIL 1850-1907, Viagens artísticas in EXPRESSO/Cartaz de 2/3/2002
(3) Rui Ramos, O Cidadão Keil, Publicações D. Quixote, 2010

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Grupo do Leão (3.ª exposição, 1883)

N'esta exposição houve, nos ultimos dias, uma ruidosa novidade,— o quadro de Antonio Ramalho intitulado "Chez mon voisin", que figurou em Paris no "salon" de maio passado. O visinho é um pacifico lanterneiro que trabalha, sentado e sujo, na sua loja alegremente allumiada por uma extensa vidraça, que corre á esquerda até ao fundo, — onde uma rapariguita, a filha do operario, sentada a uma banca, pende attentamente sobre um livro aberto a cabeça espécada nos braços.

Chez Mon Voisin,ou O Lanterneiro, António Ramalho, 1883
Imagem: Pinterest

Se a uma fria consanguinidade imparcial é permittida uma opinião livre, digo que o quadro agrada-me plenamente, e tenho felizmente commigo o côro de rasgados applausos sue a critica franceza lhe fez; o paysagista aqui tão conhecido saltou bruscamente para um bello quadro de genero, um interior laborioso, em que pôz a encantadora e sonora nota da sua sinceridade triumphante, sem deixar de mostrar uma vez mais, — porque o assumpto lh'o consentia, — todo o seu meridional amor da luz e da côr. (1)

O grupo chamou-se do Leão, por causa de um café da rua do Principe...

O Grupo do Leão, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Representados, da esquerda para a direita: em fundo, João Ribeiro Cristino, Alberto de Oliveira, criado Manuel, Columbano, criado António, Braz Martins; sentados, em segundo plano, Manuel Henrique Pinto, João Vaz, Silva Porto, António Ramalho, Rafael Bordalo Pinheiro; em primeiro plano, José Malhoa, Moura Girão, João Rodrigues Vieira.
Imagem: MNAC

3.° Salão, Exposição de Quadros Modernos, 1883


Exposições de Quadros e d'Arte Moderna (1881-1889)
Catálogos Illustrados
Publicados por Alberto d'Oliveira
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CHRISTINO DA SILVA (J. R.) Rua de S. Vicente, 54, 1.°.
(Ribeiro Cristino, pesquisa google)

1 — Um pinhal.
[cf. Catálogo da exposição]  

2 — O lago do Antelmo (Alfeite).
[cf. Catálogo da exposição

Lago do Antelmo — Alfeite, João Ribeiro Cristino, 1883.
Imagem: Veritas leilões

3 — Um pateo d’aldeia.
[cf. Catálogo da exposição]

4 — Primavera.
[cf. Catálogo da exposição]

5 — Uma azinhaga.

6 — O zimborio da Estrella, ao pôr do sol.

7 — Retrato do sr. A. J. Goes.

COLUMBANO BORDALLO PINHEIRO Rua Nova do Carmo, 90.
(Columbano, pesquisa google)

8 — Retrato de Raymundo Bulhão Pato.

Bulhão Pato, Columbano Bordalo Pinheiro, 1883.
Imagem: MNAC

9 — Retrato de Henrique Lopes de Mendonça.

10 — Retrato de Luiz Guimarães Junior.

1 1 — Retrato de Mariano Pina.
[cf. Catálogo da exposição

Retrato de Mariano Pina, Columbano, c. 1882.
Imagem: MNAC

12 — Retrato da sr.ª D. Elvira Bordallo Pinheiro.
[cf. Catálogo da exposição

Retrato de Elvira Bordalo Pinheiro, Columbano, c. 1883.
Imagem: MNAC

13 — Retrato da sr.ª D, Jesuina Alves.

14 — Retrato de Henrique Prostes.

15 — Retrato de menino (faiança).

16 — Retrato da menina Iracema Guimarães.

17 — Retrato da sr.ª D. M. Augusta B. Pinheiro.

18 — Um pintor.

19 — Um typo.

FIGUEIREDO (J. A.) Rua de S. José, 82, 2.

20 — Retrato de M. A. Lupi, do natural, momentos depois da sua morte. (Aguarella.)

21 — Retratos e estudos a aguarella.

GYRÃO (J. DE S. M.) Atelier Trav. da Conceição, á Lapa, 13.
(Moura Girão, pesquisa google)

22 — Rival á vista.

23 — Boa colheita.

24 — Jantar dos coelhos.

25 — No poleiro.
[cf. Catálogo da exposição]  

26 — Grupo de coelhos.

27 — O modelo.

28 — Uma tentação.

Uma tentação, Moura Girão, 1883.
Imagem: Palácio do Correio Velho

29 — Patos no lago.

30 — A seara.

31 — Na quinta do marquez de Pombal (Oeiras).

MALHOA (J. V. B.) Travessa dos Fieis de Deus, 57, 2.°.
(José Malhoa, pesquisa google)

32 — Costume de S. Miguel d’Arcosello.

33 — Pedreiras.

34 — O Vouga em Angeja.

35 — Ribeira d'Alge.

36 — O Côjo (Aveiro).
[cf. Catálogo da exposição
[cf. Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra]  

O Côjo (Aveiro), José Malhoa, 1883.
Imagem: Imagem: José Vital Branco MALHOA (1855-1933)...

37 — O Perrecho (Figueiró).

38 — Ao cair da tarde (Figueiró).

39 — Portão das Agras (Aveiro).

40 — Foz d'Alge (Figueiró).

41 — No Côjo (Aveiro).

42 — A quelha do Cortez (Figueiró).

43 — A ria de Aveiro.

44 — Pôr do sol (Aveiro).

45 — A parreira.

46 — Arrabaldes de Figueiró.

47 — Margens do Vouga.

48 — O Vouga proximo a Angeja.

49 — Ao pôr do sol.

50 — O bairro dos pescadores (Aveiro). Pertence ao sr. Alfredo Keil.

51 — Margens do Nabao (Thomar). Pertence ao sr. J. F. Chaves.

52 — Atelier de esculptura. Pertence ao sr. J. Simões d’Almeida.

53 — Retrato da sr.ª D. J. M.

MARTINS (J. J. C.) Rua Formosa, 2 - c.
(Cipriano Martins, pesquisa google)

54 — No atelier do artista.

55 — Vendedeira de fructa.
[cf. Catálogo da exposição]  

56 — O primeiro amor.

57 — Um marujo.

58 — Uma mulher d’aldeia.

59 — Uma ovarina (aguarella).

PINTO (M. H.) Rua do Trombeta, 2, 1.°.  
(Manuel Henrique Pinto, pesquisa google)

60 — Ponte Nova (Aveiro).

61 — Margens do Vouga.

62 — O Vouga proximo a Angeja.
[cf. Catálogo da exposição]  

63 — Ria d’Aveiro.

64 — Pôr do sol (Aveiro).

65 — Na ria d’Aveiro.

66 — Bairro dos pescadores (Aveiro).

67 — Paisagem de Setúbal.

68 — Quinta da Commenda (Setúbal).

69 — Ribeira d’Alge.
[cf. Catálogo da exposição]  

Ribeira d'Alge, Manuel Henrique Pinto, 1883.
Imagem: Hemerotaca Digital

70 — Ribeira da Madre (Foz d’AIge).

71 — Foz d’Alge.

72 — O Perrecho (Figueiró).

73 — O areial (Figueiró).

74 — O collega.

75 — Fragas de S. Simão.

76 — O Mondego em Coimbra.

O Mondego em Coimbra, Manuel Henrique Pinto,  c. 1883.
Imagem: Manuel Henrique Pinto no Facebook

77 — Uma varanda em Figueiró. Pertence ao sr. J. S. d'Almeida.


SILVA PORTO (A. C.)  Travessa do Corpo Santo, 29, 3 .°.
(Silva Porto, pesquisa google)

78 — Os bois.
[cf. Catálogo da exposição]  

79 — Na pastagem.

80 — O rio Leça em Mattosinhos.

81 — Na praia (Mattosinhos).

82 — A volta da pesca (Povoa de Varzim).

83 — A praia dos pescadores (Povoa de Varzim).

84 — A Cascalheira (Vizella).
[cf. Catálogo da exposição]  

85 — Rua do Medico (Vizella).

86 — Cabeça de mulher (costume hespanhol).
[cf. Catálogo da exposição]  

87 — Margens do Douro (Avintes).
[cf. Catálogo da exposição]  

88 — Canto de rua (Algarve).

89 — Campo Grande.

90 — Na arribana [imagem no topo da página].

[cf. Catálogo da exposição]  

91 — Largo da Ermida (Ermezinde).

92 — Horta dos judeus (Algarve).

93 — Madrugada (Ribatejo).

94 — Ao pôr do sol (Algarve).

95 — Do terraço (Algarve).

96 — A nora (Setúbal).

97 — Alameda de quinta (Setúbal).

98 — Ponte de Friellas.
[cf. Catálogo da exposição]  

99 — Campino.

Um campino, Silva Porto, 1887 1883.
Imagem: MatrizNet

100 — Canoas (Setúbal).

Canoas (Setubal), Silva Porto 1883.
Imagem: wikiart

101 — As lavadeiras (Friellas).

102 — Paisagem de Carnide.

103 — Cabeça de mulher (arredores do Porto).

104 — Lago de Aranguez (Setúbal).

105 — Logar de Campanhã (Porto).

106 — Praia da Foz (Porto).

107 — Retrato da sr.ª D. A. P.


VAZ (J. J.) Campo do Bomfim, Setúbal.
(João Vaz, pesquisa google)


108 — Caminho da matta.
[cf. Catálogo da exposição]  

109 — Margem do Sado.
[cf. Catálogo da exposição]  

110 — Ribeira d’Ajuda.

111- — Claustro dos Jeronymos.

112 — O ensaio geral.

113 — A parreira.
[cf. Catálogo da exposição]  

114 — Quinta do marquez de Pombal (Oeiras).

115 — Convento d’Arrabida.

116 — Á beira mar.

117 — Portinho d’Arrabida.

VIEIRA (J. R.) Leiria. 
(João Rodrigues Vieira, pesquisa google)

118 — No fim do mercado (Leiria).
[cf. Catálogo da exposição]  

No fim do mercado (Leiria), João Rodrigues Vieira.
Imagem: Internet Archive

119 — Para o boudoir de V. Ex.ª
[cf. Catálogo da exposição]  

120 — Flores.
[cf. Catálogo da exposição]  

121 — O José Augusto.

122 — Ponte de Vital Homem (Porto de Moz).

123 — Pecegos.

124 — Um açude no Lena.

125 — Em S. Pedro d’Alcantara.

126 — Cedros (Leiria).

127 — Uvas.


(1) O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 186, 21 de fevereiro de 1884

Críticas publicadas:
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 185, 11 de fevereiro de 1884
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 186, 21 de fevereiro de 1884
O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 187, 1 de março de 1884

sábado, 10 de setembro de 2016

Chamar-lhe-ei o Grupo do Leão...

Chamar-lhe-ei o Grupo do "Leão", a este grupo do artistas distinctos, rapazes ainda todos, cheios de enthusiasmo e de talento, que resolveram ha um mez, entre boks e fumaças de cachimbo, organisar uma exposição de bellas artes, uma exposição essencialmente moderna, onde ha algumas telas preciosas, reveladoras de bôas intelligencias.

O Grupo do Leão (detalhe), Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Imagem: MNAC

É nesse grupo que se destaca a bôa physionomia sympathica de Silva Porto, o notavel paizagista que entre nós foi quem nos mostrou mais profundamente a largueza e a elevação da forma naturalista applicada á paisagem.

Ha na cervejaria Leão, da rua do Principe, uma meza mesmo á esquerda, mesmo no extremo da parede que volta para a sala dos bilhares. É n'essa mesa que o grupo se costuma reunir — o grupo dos pintores.

Ás 8 horas a mesa está cheia. A cervejaria está em actividade, na sua balburdia enorme de gente que entra e sae a cada instante, sentindo-se as portas baterem com ruidos sêccos, suffocados. No ar anda o brouhaha estranho e pezado que nasce do pisar das solas na areia do lagedo; das conversas trocadas em todas as mesas n'uma confusão desordenada de línguas; do bater agudo das pedras dos dominós nos marmores das mezas; do arrastar dos bancos na areia; dos sons finos, sonoros, das facas percutindo nas bordas dos pratos de porcelana; dos gritos dos criados pedindo bebidas; de toda esta confusão ruidosa d'uma brasserie, na hora da sua maior vida, quando não ha uma meza vaga e quando se enche pela segunda vez o cachimbo tendo já bebido tres canecas de cerveja...

Cervejaria Leão de Ouro, 1885.
Imagem: Hemeroteca Digital

A essa hora o grupo está completo. Ha ali typos certos, que nunca faltam uma noite, para quem aquelle cavaco constitue uma parte tão integrante da vida, que não deixam de comparecer cada 24 horas passadas, como não deixam um dia de almoçar e de jantar!

Entre os certos, os que estão sempre presentes, tendo diante de si o seu copo de cognac, ou o seu copo de genebra, ou o seu copo de cerveja, notam-se:

Silva Porto — um pouco curvado para meza, exhibindo a serenidade honesta e grave da sua cuidada barba, uma barba grave como a d'um medico;

Silva Porto, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Imagem: MNAC

Antonio Ramalho — o distincto paysagista, um baixo, rochonchudo, a bochecha gorda, trigueiro, atarracado, grande bigode preto, espesso e farto: um bom exemplar de rapaz sadio;

António Ramalho, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Imagem: MNAC

Malhoa — outro das mesmas proporções physicas, mas um pouco mais alto e mais claro, cara cheia, larga e expansiva, onde nasce uma pequena barba cerrada, cortada em baixo em duas pontas;

Manuel Henrique Pinto e José Malhoa, 1885.
Imagem: MNAC

Chrystino — gravador: um quasi imberbe, do phisiunomia risonha, pallido, sempre mettido num sobretudo;

Chrystino, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Imagem: MNAC

Pinto — o alto e magro do grupo, de bigode louro, crescendo com arrogancia; e outros que apparecern mais ou menos como Vieira, Martins, Vaz, Girão, etc.

Moura Girão, Rafael Bordalo Pinheiro e José Rodrigues Vieira, 1885.
Imagem: MNAC

E neste grupo entram tambem os amadores como Alberto d'Oliveira, — uma bella cabeça de nazareno de barba ruiva — e Monteiro Ramalho, o irmão do Antonio Ramalho, cujo nome tem já firmado alguns excellentes trabalhos litterarios.

José Malhoa, João Vaz,  Alberto de Oliveira e Silva Porto por Columbano.
Imagem: MNAC

Foi a esta mesa que eu conheci o distincto pintor Columbano Pinheiro que agora está em Paris, trabalhando n'um grande quadro para o Salon de 82; é n'esta meza que ás vezes, como que caida sem se saber d'onde, surge a cabeça sympathica d'um artista de muito merito, e d'um rapaz de muito espirito — Jose de Figueiredo — cofiando eternamente o seu orgulhoso bigode loiro...

Columbano por Columbano.
Imagem: MNAC

Emfim é d'esta meza servida, protegida, defendida, pelo Manuel, um dos criados da "brasserie", de grandes suissas pretas, e que, á força de convivencia com umas poucas de camadas de artistas, que tem passado por aquella meza tradiccional, dá opiniões sensatas, outras vezes um tanto arrojadas — sr. Manuel! — sobre as estampas das illustraçães e acompanha, sem nunca desafinar, em todos os coros que o grupo levante, ou de indignação por algum acto que podesse rebaixar a arte, ou de applauso por algum novo trabalho revelador de merito.

Criado Manuel, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Imagem: MNAC

É a esta meza que se debatem todos os assumptos artistiscoa do nosso paiz, analysados e discutidos com um enorme enthusiasmo de mocidade, e de talento; é a esta meza que com interessese veem os jornaes artísticos que o estrangeiro exporta, e onde são recebidos com alegria os trabalhos dos que luctam lá fóra por implantar definitivamente a "arte verdadeira", a escola do naturalismo em arte.

O Grupo do Leão, Columbano Bordalo Pinheiro, 1885.
Representados, da esquerda para a direita: em fundo, João Ribeiro Cristino, Alberto de Oliveira, criado Manuel, Columbano, criado António, Braz Martins; sentados, em segundo plano, Manuel Henrique Pinto, João Vaz, Silva Porto, António Ramalho, Rafael Bordalo Pinheiro; em primeiro plano, José Malhoa, Moura Girão, João Rodrigues Vieira.
Imagem: MNAC

É ali que os que voltam do estrangeiro vêm contar as suas aventuras e as suas horas do trabalho constante, é ali que elles veem confiar a meia duzial de rapazes, seus companheiros  da Academia, que os escutam com um silencio respeitoso, todas as suas expansões e todas as suas sympathias d'artista.

Foi ali, aquella estreita banca de marmore, que elles pensaram reunir todos os seus trabalhos, concluindo as telas que tinham em principio, para organisarem uma exposição brilhante, sem estarem subordinados a programmas, a escolhas e a catalogos de Academia, exposição exclusiva do Grupo do Leão, bello grupo na verdade, que se revelou agora ao publico como possuidor de magnificas intelligencias, todas modernas, todas de hoje, que acompanham na tela as tendencias actuaes da arte naturalista tão brilhantemente revelada já no livro e no jornal, pela nova geração litteraria.

Grupo do Leão, 1.° Salão de Quadros em 1881, desenho de António Ramalho.
Imagem: Hemeroteca Digital

Esta exposição merece ser analysada com cuidado por todos que se agrupam nas vastas fileiras da escola moderna, e devem todos saudar nestes rapazes cheios de talento e de iniciativa propria os companheiros sympathicos e audazes que pelo seu lado sabem dignamente arrostar com o preconceito academico, com a rotina, com a velharia emfim!

Z. Segredo


(1) Marianno Pina, O Grupo do Leão, Diário da Manhã, 15 de Dezembro de 1881