segunda-feira, 16 de maio de 2016

Iconografia de Lisboa (3.ª parte)

Uma outra modalidade de vistas panorâmicas e de edifícios isolados, muito em voga no século XVIII e nos princípios do imediato, consistia nas chamada vistas ópticas, que eram gravadas em cobre, geralmente toscamente coloridas, e com dimensões aproximadamente uniformes, destinadas a ser exibidas em câmaras ópticas ou cosmoramas, onde as "Vistas às avessas mostram o Mundo às direitas", como dizia, pelo ano 1809, o nosso bom José Daniel Rodrigues da Costa.

Lisboa, representação invertida da topografia da cidade, baseada em gravura precedente de Pierre Aveline, c. 1750.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Havia editores franceses, ingleses e alemães, que publicavam séries ou colecções destas vistas de monumentos, edifícios e cidades de todo o mundo, contribuindo assim para a propaganda das belezas e dos aspectos pitorescos dos diferentes países; constituíam elas o bilhete postal ilustrado e popular daqueles tempos.
Em 1946, o ano em o artigo foi escrito, durante o Estado Novo, o tema da governação espanhola, entre 1580 e 1640, era sensível e frequentemente evitado, fosse pela debilitação do orgulho nacionalista, fosse para não incomodar a, também nacionalista, Espanha de Franco.

Praticamente só Leitão de Barros abordou o tema, no filme Frei Luís de Sousa, na cena do incêndio, quando Manuel de Sousa Coutinho lança fogo à sua própria casa, em Almada, de modo a não albergar Filipe II de Espanha.


Tiremos então partido desse hiato pictórico, no texto original do engenheiro Augusto Vieira da Silva, para aqui intercalar algumas imagens do período Filipino, onde o Paço da Ribeira se evidencia pelo torreão maneirista, de Fillipo Terzi, que a partir de 1581 substitui a arquitectura manuelina, de Diogo de Arruda.

Vista geral da cidade de Lisboa capital de Portugal antes do terremoto.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Umas dessas estampas são invertidas, a fim de que, quando introduzidas na câmara óptica, e com a margem inferior para baixo, se vissem os edifícios e os panoramas com o aspecto que eles naturalmente possuíam.

Os títulos, inscritos nas margens, superior ou inferior, eram também muitas vezes invertidos, de modo que, quando vistos, na câmara óptica, a sua leitura fazia-se ás direitas. Outras vezes, porém, as vistas eram direitas, de forma que introduzidas na câmara, mostravam os panoramas invertidos (da esquerda para a direita e vice-versa), o que não tinha inconveniente algum para os efeitos e fins que para o público se pretendiam obter com tais exibições.

Lisabona, Georg Balthasar Probst (1732-1801), c. 1730.
Imagem: Swaen

As vista ópticas da cidade de Lisboa, de que temos conhecimento, são geralmente cópias mui incorrectas, de estampas anteriores, panorâmicas e de edifícios, que se adaptavam ao formato e dimensões próprias para exibição nas câmaras ópticas.

Excepcionalnente encontram-se, sem serem destinadas a câmaras ópticas, algumas vistas de Lisboa invertidas, no que se refere aos seus lados direito e esquerdo, isto é, como o lado da foz do Tejo à direita do observador. Não sabemos explicar, senão por um equívoco do desenhador, o que levou este a praticar tal anomalia.

Lisboa amplissima lusitaniæ civitas, totius indiæ orientalis et occidental:
emporium celeberrimum, 1619.
Imagem: World Digital Library

As numerosas vistas panorâmicas produzidas durante este período de dois séculos que estamos considerando, isto é, até ao terremoto de 1755, eram feitas mui rudimentarmente.

Lisbona, Giuseppe Longhi, 1670.
Imagem: BLR

Os desenhadores copiavam os edifícios principais e característicos, que colocavam nos seus respectivos locais, e o espaço restante era preenchido com casaria, telhados, fachadas e janelas, dispostas de uma maneira mais ou menos arbitrária.

Lissbona, representação invertida da topografia da cidade,
Jeremias Wolff (1663-1724), segundo Friedrich Bernhard Werner (1690-1776).
Imagem: Paulus Swaen

Por isso o aproveitamento de tais estampas, como documento, para a história, deve ser feito mui criteriosamente, para não induzir em erros, como por várias vezes tem sucedido. (1)


(1) Vieira da Siva, Augusto, Iconografia de Lisboa, Revista Municipal n.° 32, Câmara Municipal de Lisboa, 1947
 
Artigos relacionados:
Da fábrica que falece à cidade de Lisboa
Delícias ou descrições de Lisboa
Panorâmica de Lisboa em 1763

Leitura adicional:
Lisboa do século XVII "a mais deliciosa terra do mundo"

domingo, 15 de maio de 2016

Iconografia de Lisboa (2.ª parte)

Desde que se começaram a desenhar e a publicar vistas panorâmicas de Lisboa, e até ao terremoto de 1755, a cidade manteve um aspecto estacionário, e essas vistas foram tomadas quase todas do Tejo, isto é, do sul para o norte, supondo o observador colocado ora num banco fundeado no Tejo, perspectiva rasante, ora num ponto alto acima do rio, perspectiva aérea ou "vôo de pássaro".

Lisboa, iluminura do frontispício da primeira parte da Crónica de D. João I, Fernão Lopes, 1513 (?).
Imagem: A Iluminura

As primeiras tiveram manifestamente por base ou original as iluminuras em pergaminho já citadas, dos princípios do século XVI, ou qualquer desenho ou quadro, que se perdeu ou se desconhece.

Lisboa vista rasante, desenho aguarelado de Simão de Miranda (de Távora), 14 de Maio de 1575.
Imagem: Lisboa do século XVII "a mais deliciosa terra do mundo"

Como o ponto de vista fica situado um pouco acima do Tejo, não é fácil distinguir as ruas, mas somente o Rossio e o Terreiro do Paço, no meio da aglomeração de casas e dos edifícios principais da cidade ali representados, e que é possível identificar com segurança.

As segundas vistas, em perspectiva aérea, foram evidentemente compostas originalmente sobre uma planta topográfica da cidade, que se desconhece, e nelas acham-se figurados os edifícios em perspectiva nas ruas e praças da cidade, facilmente identificáveis.

Teve porém necessidade o desenhador, para esse efeito, de deformar consideravelmente a planta, a fim de poder mostrar visíveis vias publicas e edifícios, que, para o observador, estavam inicialmente ocultos pelas dobras do terreno. Não pode, contudo, deixar de reconhecer-se que o seu primeiro autor era um esplêndido artista.

Não existe, anteriormente aos fins do século XVIII, vista alguma panorâmica de Lisboa tomada, nem do Castelo de S. Jorge, que tanto atrai hoje os amadores fotográficos, nem do sitio de S. Pedro de Alcântara ou do monte de S. Francisco, que são também pontos de observação muitíssimo pitorescos, nem de qualquer outro sitio donde então se podiam disfrutar as belezas panorâmicas da capital.

As duas vistas publicadas mais antigas que se conhecem, dos dois tipos mencionados, foram gravadas em cobre, na obra que o colonense Jorge Bráunio [Georgio Braúnio Agrippinate], primeiro só, e depois associado com outros, editou em latim e noutras línguas com as vistas e descrições das cidades do mundo, em 6 volumes, publicados de 1572 a 1618, tendo os primeiros sido reimpressos varias vezes.

A vista rasante "Lisbona" foi publicada no 1.° volume da obra, o qual tem por título "Civitates orbis Terrarum — Liber primvs — Georgivs Braun Agrippinensis MDLXXII", e à estampa de Lisboa, que é a 1.a do album, deve atribuir-se portanto a data 1572.

Lisboa, Civitates Orbis Terrarum, Georg Braun [Georgio Braúnio], Frans Hogenberg, 1572.
Imagem: Prosimetron

A vista em perspectiva aérea, Olissippo aparece no 5.° volume da mesma obra, que tem por título "Vrbivm praecipvarvm mundi theatrvm qvintvm — auctore Georgio Braunio, Agrippinate".

Lisboa, Vrbivm praecipvarvm mundi theatrvm qvintvm Georg Braun  [Georgio Braúnio Agrippinate], Franz Hogenberg, 1598.
Imagem: Wikipedia

A esta vista, que é a 2.ª do livro, deve atribuir-se a data 1598 em que, segundo consta, este volume foi pela primeira vez publicado.

É possível que a planta topográfica da cidade sobre que esta vista foi delineada, como dissemos, tivesse sido levantada pelos emissários de Bráunio, que aqui teriam vindo, como a outras terras, encarregados da missão especial de coligirem os elementos topográficos das povoações e as vistas dos edifícios, e de os combinarem para obterem os efeitos perspcctivos que procuravam alcançar.

O facto é que o desaparecimento ou desconhecimento de tal planta original do século XVI, faz com que' se atribua a prioridade das plantas de Lisboa à "Planta Topographica da Cidade de Lisboa", levantada em 1650 pelo arquitecto João Nunes Tinoco, cujo paradeiro também se desconhece, mas de que existem cópias litografadas, mandadas tirar em 1853 e em 1884 pelo general Eusébio C. Cordeiro Pinheiro Furtado, que foi um dos seus possuidores no meados do século passado [XX].

Planta da Cidade de Lisboa, João Nunes Tinoco, 1650 (litogafia de 1853).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Além dos dois tipos de vistas panorâmicas rasantes e em perspectiva aérea, originais de Jorge Bráunio, como mencionámos, um outro tipo, derivado do rasante, foi fantasiado por um gravador francês Antoine Aveline (1681-1743), no qual os montes das Chagas e de Santa Catarina se acham separados, com a forma de dois montículos piramidais, e onde se vê uma larga rua com dois lanços angulares, morrendo no Tejo, e ladeada por muros de suporte que nunca existiram.

Lisbone, Ville capitale du Royaume du Portugal... Pierre Aveline (1656-1722) entre 1680 e 1720.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Por ter servido de original para várias vistas panorâmicas, por sinal bastante incorrectas, que em Lisboa se publicaram durante século XIX, mencionaremos uma vista perspectiva rasante da cidade, gravada em 1756 por Friedrich Schönemann, que, conquanto com data posterior ao terremoto, representa, de maneira fantasiosa, uma nova variante dos panoramas da cidade anteriores àquele cataclismo.

Lisbone, Ville capitale du Royaume du Portugal... François-Philippe Charpentier (1734-1817),
baseada em gravura precedente de Pierre Aveline (1656-1722).

Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Poucos anos depois do aparecimento do 5.º volume da obra de Jorge Bráunio, acima mencionada, foi publicada em 1578, cm Basileia, uma "Cosmographey", por Seb. Munster [Sebastian Münster], em que aparece pela primeira vez uma vista rasante da cidade, gravada em madeira.

Lisbona, Cosmographia, Sebastian Münster, 1544.
Imagem: AVM

É esta a única vista de Lisboa que, com tal particularidade, sabemos haver sido publicada até ao terremoto de 1755.

Todas as restantes estampas panorâmicas de Lisboa, e de seus edifícios, publicadas até aos fins do século XVIII são gravadas em cobre, a buril ou a água-forte, ou também na sua variante de água-tinta, estas nos fins daquele século. (1)


(1) Vieira da Siva, Augusto, Iconografia de Lisboa, Revista Municipal n.° 32, Câmara Municipal de Lisboa, 1947

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Panorâmica de Lisboa em 1763

Leitura adicional:
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sábado, 14 de maio de 2016

Iconografia de Lisboa (1.ª parte)

O empenho de tornar conhecidas as belezas das cidade e de outras povoações estimulou, após a descoberta da arte tipográfica e da gravura em madeira, e seguidamente em cobre, no século XVI, os artistas desenhadores e gravadores a ilustrarem os livros descritivos dessas terras, com estampas representando vistas panorâmicas e trechos arquitectónicos de cidades, povoações e edifícios, tomando assim mais atraente e interessantes os textos descritivos.

Vista de Lisboa e fantasia da margem sul do Tejo, Martin Engelbrecht segundo Friedrich Bernhard Werner, 1750.
Imagem: akg images

Portugal não ficou esquecido nessas publicações, tanto mais que os olhos da Europa estavam então fixados neste povo, que alargava os âmbitos do velho mundo com as suas descobertas e conquistas.

Portugalia (detalhe), Nuremberg Chronicle, Hartmann Schedel, 1493.
Imagem: World Digital Library

Era então a cidade de Lisboa muito mais pequena do que hoje a conhecemos. Já no século XVI ela tinha transposto a cinta de muralhas com que a havia cingido, de 1373 a 75, el-rei D. Fernando, e havia-se alargado ate à Esperança, para o ocidente, até Santa Clara, para o oriente, pelos montes da Graça, da Penha de França e de Sant'Ana, para o norte, e bem assim ao longo duma faixa marginal do Tejo, desde Alcântara até Xabregas.

Foi porém depois do terramoto do 1.º de Novembro de 1755, e ainda mais durante o século XIX, que a cidade ampliou consideravelmente o seu âmbito do lado da terra, de forma que neste trabalho consideraremos "cidade de Lisboa" toda a região que constitui actualmente (1946) o município de Lisboa, que se estende desde as antigas portas de Algés até Olivais, ao longo da linha marginal do Tejo, e desde este rio até Benfica, Lumiar e Charneca para o norte, compreendendo portanto as antigas povoações de Belém, Alcântara, Ajuda, Benfica, Carnide, Campo Grande, Lumiar, Ameixoeira, Charneca, Encarnação, Chelas, Olivais e Xabregas.

A mais antiga representação iconográfica de Lisboa conhecida consta dum selo de cera da Câmara de Lisboa, do tempo de D. Afonso IV, pendente dum documento da era 1390 (A.D. 1352), que existiu no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em que se vê a cidade representada esquematicamente com as muralhas e torres da cerca moura.

Esta vista só é conhecida pela cópia que dela se fez para acompanhar o tomo IV (1788) da "História Genealógica da Casa Real Portuguesa", por António Caetano de Sousa.

Selo de cera do tempo de D. Afonso IV, 1352 (A.D.),
reprodução gráfica.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Depois desta, as primeiras representações iconográficas da cidade foram feitas nalguns portulanos em pergaminho, dos séculos XV e XVI, que se guardam em bibliotecas e museus estrangeiros, e que têm sido reproduzidas e publicadas em épocas recentes.

Portulano de Jorge de Aguiar (detalhe), 1492.
Imagem: Gafanha da Nazaré

São todas vistas esquemáticas em que figuram edifícios convencionais, e que tinham por fim, como os desenhos, mostrar o seu respectivo local nos ditos mapas geográficos.

Da mesma época se conserva uma vista esquemática da cidade numas tapeçarias conhecidas por "Tapeçarias da tomada de Tunis" [tapeçarias ditas de Pastrana], que se guardam em Espanha.

É dos princípios do 2.° quartel do século XVI (1529) um quadro a óleo, sobre tábuas, que contém, como episódio de assunto religioso, o desembarque em Lisboa dos Santos Mártires (Veríssimo, Máxima e Júlia), a vista mais antiga dum edifício de Lisboa, o palácio real da Ribeira propriedade dum particular [do Museu Carlos Machado].

Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia, Desembarque em Lisboa, Garcia Fernandes.
Imagem: Museu Carlos Machado

Como pequenos trechos de edifícios de Lisboa, em pintura a óleo, há os portais das igrejas da Madre de Deus, num quadro (1509) que representa a chegada a este convento, das relíquias de Santa Auta, e da Sé, num painel que contém a representação de Santo António intercedendo para livrar o seu pai, da forca (2.a metade do século XVI). Estão ambos estes quadros em museus de Lisboa.

Mestre do Retábulo de Santa Auta, Chegada das Relíquias de Santa Auta (detalhe),
Cristovão de Figueiredo?, c. 1520, MNAA.
Imagem: do Porto e não só...

Afora as mencionadas, não se conhecem outras pinturas a óleo, com motivos da cidade, até aos princípios do século XVII.

O desenho em papel mais antigo que se conserva com assunto referente a Lisboa é o da batalha da ponte de Alcântara, 1580, que deve ter sido feito pouco depois do acontecimento que comemora. Está emoldurado num gabinete da Biblioteca Nacional de Lisboa.

Batalha de Alcântara, 1580, representação c. de 1595.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Do princípio do século XVI datam as mais antigas vistas panorâmicas da cidade, que se conhecem já com um certo cunho artístico e característico de exactidão. Consistem elas em duas iluminuras em pergaminho, quase idênticas, guardadas em museus, que felizmente têm resistido ao estrago do tempo e à incúria dos homens.

A primeira dessas vistas panorâmicas encontra-se na "Chronica de D. Affonso Henriques", por Duarte Galvão (1505), códice manuscrito que pertenceu ao Conde de Castro Guimarães, mandado editar pelo mesmo conde em 1917, e deixado em testamento à Misericórdia de Cascais. Está no Museu Conde Castro de Guimarães, em Cascais.

Lisboa c. 1500–1510, Crónica de Dom Afonso Henriques, Duarte Galvão.
Imagem: Wikipédia

A segunda pertence a uma "História Genealógica da Casa Real de Portugal", iluminada por Simão Beninc [Simon Bening] (entre 1580 e l584), e que, tendo sido encontrada ou comprada em Portugal em 1842, foi adquirida depois pelo British Museum de Londres, onde se guarda.

Vista panorâmica de Lisboa, História Genealógica da Casa Real de Portugal, Simon Bening, entre 1580 e l584.
Imagem: British Museum

Acha-se reproduzida integralmente em fototipias, num album com o título "Ahnenreihen aus dem Stammbaum des Portugiesischen Königshauses", editado em Stuttgart por Julius Hoffmann, s/d..

Tanto a segunda como a primeira destas vistas têm sido reproduzidas modernamente em varias obras, e foram publicadas, em grande escala, num artigo do autor, inserto em Arqueologia e História (vol. V, 1928. pág. 101), acompanhadas dum texto descritivo.

Depois destas, a primeira vista panorâmica de Lisboa consta do livro "Da Fabrica que falece ha Çidade de Lysboa", por frãcisco dolãda [Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, Francisco de Hollanda] (1571), estampa IV, desenho em papel. Este livro guarda-se na Biblioteca da Ajuda, e era pouco conhecido quando em 1879 foi publicado o texto, e depois, em 1929, o texto com as estampas.

Da fábrica que falece à cidade de Lisboa (i. e. construções que faltam à cidade de Lisboa), Francisco de Holanda, 1571.
Imagem: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de S. Paulo

São numerosos os livros que até ao fim do século XVIII se publicaram no estrangeiro, ilustrados com vistas de cidades, de edifícios, e de trechos pitorescos de paisagens.

Mas, pelo que respeita ao nosso país, pode dizer-se que quase nada nele se fez a tal respeito, sendo por isso devida a estrangeiros, e não a nacionais, a divulgação da vista panorâmica e as de alguns edifícios da nossa capital sendo tais documentos gráficos os únicos que nos permitem ter conhecimento de algumas cousas desses remotos tempos, hoje desaparecidas. (1)


(1) Vieira da Siva, Augusto, Iconografia de Lisboa, Revista Municipal n.° 32, Câmara Municipal de Lisboa, 1947
 
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