Entre 1822-1823 dois elementos da família real, a rainha e o infante D. Miguel, tornaram-se símbolos da contra-revolução portuguesa. A mulher de D. João VI, Carlota Joaquina, transformara-se em heroína da imprensa contra-revolucionária em finais de 1822, pela sua recusa firme em jurar a Constituição e em abandonar o país, corporizando a oposição às Cortes e ao governo liberais.
Lisboa vista da Quinta da Torrinha Val Pereiro, gravura de William James Bennett sobre desenho de L. B. Parlgns. Museu de Lisboa
D. Miguel, filho segundo do rei, que voltara com a família real em 1821, ao encabeçar o golpe da Vila-Francada em 1823 ficou sendo o referente principal da contra-revolução e, dado que D. Pedro, o primogénito, se colocara à testa do movimento de independência do Brasil [...]
Lissabon von der Quinta da Torrinha - Val de Pereiro. Umgebunge von Lissabon.
Aus der Geographischen Graviranstalt des Bibliographischen Instituts zu Hildburghausen, Amsterdam, Paris u. Philadelphia.
Author: Meyer, Joseph (1796-1856) Society for the Diffusion of Useful Knowledge (Great Britain), 1844. Cabral Moncada Leilões
O Terreiro do Paço, palco do “humilhante” desembarque de D. João VI e da demonstração do poder das Cortes, foi evitado por D. Miguel quando regressou em Fevereiro de 1828 [...]
Vista da Praça do Comércio, Henry L'Evêque.
Vindo de Viena de Áustria, com passagem por Paris e Londres [depois de assinados os protocolos de Viena entre Portugal, Inglaterra e Áustria sobre os poderes e as condições do seu regresso a Portugal e traçado o percurso da viagem, com paragens em Paris e em Londres e não por Espanha como pretendia, o Infante sai de Viena de Áustria no dia 6 de Dezembro de 1827. Chegado a Londres em 30 de Dezembro embarca rumo a Lisboa no dia 9 de Fevereiro de 1828. No final de Dezembro a sua próxima chegada era certa], D. Miguel chegou ao Tejo na sexta feira de 22 de Fevereiro de 1828, como lugar tenente e regente do Reino, por nomeação de D. Pedro IV, a bordo da fragata Pérola, a mesma que o levara para o exílio em 1824 na sequência da Abrilada.
A reconstrução do desembarque de D. Miguel em Lisboa, escrita por Oliveira Martins pouco mais de meio século após o acontecimento, ainda que ancorada em testemunhos e memórias dos que viveram ou ouviram contar esse dia, determinou em larga medida a memória e as leituras futuras desse momento. "Portugal inteiro esperava dele a redenção", uns porque que aguardavam que cumprisse as promessas feitas em Viena, outros porque acreditavam que se mantivesse fiel aos princípios expressos em 1824 [...]
"Foi em 22 de Fevereiro (1828) que D. Miguel desembarcou. O rio era um lençol de barcos e bandeiras, uma floresta de mastros, de velas brancas, como bandos de gaivotas voando nas vésperas de temporal. Havia um entusiasmo decidido, uma aclamação espontânea, um furor desenfreado. Repetiam-se os vivas ao rei absoluto, aos Silveiras, à rainha – sem rebuço, na cara dos moderados liberais, corridos da sua fraqueza, cônscios da triste figura que faziam.
Esperava-se que o infante desembarcasse no Terreiro do Paço, e o Senado da Câmara tinha preparado grinaldas e bandeiras; mas o povo todo já corria a Belém, porque se soubera que D. Miguel desembarcaria aí subindo pela Calçada direito ao Paço, à Ajuda. A Pérola, que o trouxera, deitara ferro em frente de Belém, e estavam já a bordo a rainha e as infantas e os ministros, e Clinton o general das tropas inglesas […]. O desembarque, o trajecto até o Paço foi um triunfo: um trovão de vivas, um desespero de gritos, um dilúvio de flores, bandeiras, colchas, foguetes em girândolas!"
[cf. Oliveira Martins, Portugal Contemporâneo, I vol., Lisboa, Guimarães Editores, 8ª ed., 1976 (1ª ed., 1881)]
Desembarque do Augustissimo Senhor D. Miguel no Caes de Belem, Mauricio José do Carmo Sendim. Museo del Romanticism
Rei chegou, Rei chegou! Em Belém desembarcou; Na barraca não entrou E o papel não assinou!
A Câmara dos Pares, na resposta ao discurso da Infanta Regente pronunciado na sessão de Abertura das Cortes no início de Janeiro de 1828, depois de reafirmar os sentimentos de lealdade à Casa de Bragança, declara que os seus membros "exultam de prazer com a lisonjeira esperança de que dentro em pouco verão entre si mais um Augusto Membro de tão Excelsa Família. A presença do Sereníssimo Senhor Infante D. Miguel, chamado à Regência destes Reinos, desarmará partidos e, reunindo em torno de si todos os Portugueses, lhes afiançará, com as insignes qualidades de Sua Alteza, um próspero futuro, cheio de paz, e felicidade".
"Às quatro horas da tarde “tinha já dado fundo a fragata Pérola, que o conduzia, e da qual saiu imediatamente para a galeota real que o esperava, saltando em terra no cais de Belém.
Suas augustas irmãs, que na mesma galeota se achavam, o receberam cheias de prazer, congratulando-se com ele depois de tão dilatada e penosa ausência; e, entrando na carruagem de estado, se dirigiram ao palácio chamado velho, por ser a actual habitação de sua majestade a imperatriz-rainha […] aonde sua alteza real a cumprimentou, demorando-se o tempo preciso para saciarem as recíprocas saudades […]. No fim desta entrevista passou o mesmo sereníssimo senhor a visitar sua augusta tia […] e depois se dirigiu a ocupar os quartos que lhe estavam preparados no palácio novo de Nossa Senhora da Ajuda, contíguo ao de sua augusta mãe. […]
A rapidez com que sua alteza real apareceu, entrou e foi para o palácio, não deu tempo nem a que as tropas se formassem, nem a que se pudessem praticar as cerimónias estabelecidas para a sua pomposa recepção. O Senado da Câmara, o juiz do povo e a sua casa dos vinte e quatro, a corte, o corpo diplomático, as autoridades e muitas outras pessoas de distinção, se dirigiram ao real palácio a cumprimentar o mesmo augusto senhor, que se dignou dar beija-mão real nessa ocasião"
cf. Correio do Porto, n° extraordinário, 23 de Fevereiro de 1828
"[no dia 24 de fevereiro] não quis demorar-se em fazer patente a sua religião e pias intenções para com a mãe de Deus, debaixo da invocação de Nossa Senhora da Conceição da Rocha, que se propôs visitar. Para esse fim se dirigiu desde o Palácio da Ajuda […] com suas augustas irmãs, à basílica de Santa Maria Maior [Sé], aonde assistiram ao soleníssimo Te Deum, que também ali se cantou, pelo fausto motivo da sua chegada a estes reinos [um importante significado político, prende-se com a ausência de Carlota Joaquina nesta cerimónia e nas que se lhe seguiram]"
cf. Correio do Porto, Fevereiro de 1828
Juramento de fidelidade como regente, dois dias depois (26 de Fevereiro, pelo meio dia), a D. Pedro IV, D. Maria II e à Carta de acordo com o estabelecido em Viena entre as potências: “Juro fidelidade ao senhor D. Pedro IV e à senhora D. Maria II, legítimos reis de Portugal. […]. Juro igualmente […] observar e fazer observar a Constituição política da nação portuguesa e mais leis do país e prover ao bem geral da nação quanto em mim couber”. O juramento decorreu no palácio da Ajuda [...] A crer nos relatos de Lavradio e do visconde de Porchester, D. Miguel esteve pouco à vontade durante todo o acto e jurou em voz "sumamente baixa" [...]
nesse mesmo dia é nomeado um novo governo do qual faziam parte conhecidos inimigos do regime constitucional. D. Miguel terá dito, em resposta às objecções do embaixador inglês, que era composto "de verdadeiros homens de bem, dos quais nenhum pertencia ao partido exaltado e à revolução. Tenho toda a confiança neles, eles não sairão nunca!" [...]
nomeação de novos governadores militares entre 5 e 10 de Março. A medida foi completada em meados de Maio com a dissolução dos regimentos dos Voluntários Reais do Comércio de Lisboa, dos batalhões de caçadores e artilheiros e dos Voluntários de D Pedro e D Maria do Porto [...]
25 de Abril, dia do aniversário de Carlota Joaquina, tem lugar no Senado de Lisboa a célebre aclamação popular "Viva D. Miguel Rei Absoluto" [...] (1)
A 26 de outubro, anniversario natalício de D. Miguel, houve recita de gala em S. Carlos, com assistência do rei e das infantas. É a primeira vez, depois que chegara, que D. Miguel apparece em S. Carlos. Não lhe mereciam grande agrado os espectáculos públicos, solemnes e graves.
Theatro de São Carlos, Legrand (1839-1847).
Sem embargo, S. Carlos funccionava. Estava ali trabalhando uma companhia de opera, que tinha como director de orchestra Xavier Mercadante. Cantavam-se Adriano na Syria, o Posto abandonado, etc. Representavam-se pantomimas: Moysés no Oréb, por exemplo. Entre as cantoras figuravam a Schiroli, e a Josephina Tuvo.
É claro que só os realistas iam ao theatro. Os liberaes mais exaltados haviam emigrado; os moderados retraíam-se por cautella. E por mais moderado que fosse um liberal, não se atrevia a ir comprar um bilhete ao camaroteiro Grondona, que era um dos caceteiros miguelistas.
O rei não apparecia em S. Carlos, nem no theatro do Bairro Alto, que dava O surdo na estalagem, o Medico por força, a Izabel 1.a da Rússia. A falta de concorrência, devida aos sobresaltos políticos e ao abandono em que o rei deixava os theatros, apesar d'elle próprio gostar de representar, fez com que os melhores artistas nacionaes emigrassem para o Brazil.
Para lá foram a Ludovina e alguns collegas, lodos de primeira plana. O Theodorico, para poder viver, metteu-se de gorra com D. Miguel, lisonjeava-o fazendo-se amante de toiros, e na praça do Salitre soltava piadas aos malhados. As infantas gostariam certamente de poder ir ao theatro, de exhibir as toilcttes talhadas pela Levaillant, que morava na rua de S. Francisco da Cidade, e pela Burnay, que tinha atelier na rua do Alecrim [Madame Burnay, avó do actual conde do mesmo titulo, annunciava-se como modista de sua alteza a sereníssima senhora infanta D. Maria d' Assumpção].
Mas, decididamente, D. Miguel não queria constranger-se a ter que estar aprumado no camarote real durante algumas horas. Preferia aos espectáculos de gala as serenatas no Paço, que o não obrigavam á immobilidade de um autómato, para que não tinha génio.
Em 29 de setembro, dia do santo do seu nome, houve beijamâo na Ajuda, e á noite serenata nas Necessidades. A 9 de novembro desse anno, D. Miguel fazia trotar as mulas que puxavam o seu carrinho de passeio em caminho de Caxias. Acompanhavam-n'o as duas irmãs. As mulas espantaram-se, o carrinho voltou-se.
O rei fracturou o fémur da perna direita, D. Izabel Maria ficou ferida na região frontal, e D. Maria da Assumpção contusa na coixa esquerda. Foi D. Miguel conduzido em maca para Queluz.
Retrato de D. Miguel I, Johann Ender, Palácio Nacional de Queluz. Portugal Virtual
Assistiram-lhe durante a enfermidade o seu amigo barão de Queluz, e os outros cirurgiões da real camara, Jacintho José Vieira, António Joaquim Farto e Manuel Lopes de Carvalho. As infantas restabeleceram-se de pressa, mas o concerto da real perna foi demorado.
Durante o tratamento, a corte cahiu em maior monotonia. Interromperam-se as toiradas e as caçadas no Alfeite ou em Mafra. Não havia divertimento nenhum, o rei estava de perninha, como dizem os lisboetas. Começou então uma longa serie de Te-Deums pela saúde do rei, tantos, pouco mais ou menos, como tinha havido pela sua acclamação. Dois dias antes do Natal, o rei poude levantar-se. Os médicos assistentes deram-lhe alta. Os miguelistas cantavam:
D. Miguel é bonito, é bonito e bem feito. Quebrou as pernas, Ficou sem defeito! (2)
D. Miguel I e suas irmãs dando graças a Nossa Senhora da Conceição da Rocha, 29 de janeiro de 1829.
Cabral Moncada Leilões
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Em julho de 1833, a expedição commandada pelo conde de Villa Flor, depois duque da Terceira, desembarca no Algarve, a esquadra liberal, sob as ordens de Napier, destroça no cabo de S. Vicente a esquadra miguelista, e Villa Flor, marchando sobre Lisboa, vai apossar-se da capital.
O duque do. Cadaval, sacrificando a sua opinião ao conselho dos chefes militares, aterrados, não oppozera resistência, abandonara Lisboa, como já se tinha abandonado o Porto um anno antes, retirara para o Campo Grande, marchara para Coimbra, a procurar apoio nas forças que D. Miguel, com Bourmont, trouxera do norte.
Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia
Á approximação do exercito de D. Pedro, o terror domina em Lisboa o espirito de todos os miguelistas, que se sentem desamparados com a retirada do duque do Cadaval. Verdadeiramente desorientados, reunem-se no Rocio, na noite de 23 para 24 de julho, e, no meio de uma grande confusão de terror, resolvem fugir para onde podem, especialmente para Santarém, n'um êxodo precipitado, em que o cansaço, o medo e a colera-morbus os vão dizimando. (3)
A impressão que este inesperado acontecimento ocasionou na capital da Gran-Bretanha foi de uma ordem tal, que o proprio duque de Wellington e lord Beresford, tendo ambos elles commandado tropas portuguezas durante a guerra da península, e vencendo ambos elles, como taes, avultadas pensões, pagas pelo tesouro portuguez, não hesitaram em ir lambem n'esta solemne ocasião comprimentar a jovem rainha D. Maria II em grande uniforme, e ornados com as differentes ordens militares de Portugal.
D. Maria II, rainha de Portugal durante o seu exílio em Londres (1826 1828-1829), por Thomas Lawrence (detalhe).
A pintura, no verso datada de 1827 [?], foi encomendada por George IV e representa a jovem rainha em 1829, . Royal Collection Trust
Ao duque disse ella muito graciosamente: "sei que vós n'outro tempo salvastes meu avô, espero portanto que tambem agora salvareis sua neta".
Baldado empenho; o duque durante todo o seu ministerio só cuidou em proteger quanto pôde os interesses de D. Miguel, cuja usurpação teve para elle mais attractivos, por ser mais conforme com a política, que se propozera abraçar durante a sua gerencia ministerial.
George IV achava-se muito incommodado, quando a rainha chegou a Inglaterra, e só em 22 de dezembro pelas duas horas da tarde a pôde receber no seu palacio de Windsor Castle, onde não poupou honras, nem distincções, feitas á sua jovem hospeda, como se já estivesse reinando em Portugal.
The promenade or a sketch for Windsor, William Heath, 1827-1829. The British Museum
Ornado lambem com as ordens militares portuguezas, elle a veio esperar ao alto da escadaria, por não poder descer ao fundo d'ella, em consequencia dos seus padecimentos, e ali lhe offerecen o braço, e a conduziu depois á sala principal, onde a assentou n'um canapé ao seu lado, e lhe pediu licença para que as outras senhoras podassem fazer o mesmo, tendo-lho antes disso apresentado as pessoas da sua familia e a côrte.
O brinde que lhe dirigiu ao "toast", durante o almoço que lhe offereceu, foi: "á minha joven amiga e amada, a rainha de Portugal".
The feast near eateon or master George and his little visitor, William Heath, 1827-1829. The British Museum
George IV não teve duvida de exprimir os puros e fervorosos votos que fazia, tanto por ella, como pelo triumpho da legitimidade portugueza.
The high and mighty queen recieving an address from the most loyal subjects in the world, 1827-1829. The British Museum
Não admira pois que no meio de uma tal recepção a chegada da rainha a Inglaterra fosse tida como um feliz pressagio para o triumpho da causa liberal e que os emigrados do deposito de Plymouth manifestassem por todos os modos ao seu alcance o jubilo que lhes causara similhante chegada. (1)
A nova peça que está neste momento em voga no Gymnasium, o "Luthier* de Lisbonne", faz as delícias do público. O cartaz anuncia um personagem desconhecido; mas assim que este entra em cena, toda a gente ri e aplaude, e todos compreendem que o actor imita D. Miguel nas suas vestes, na sua fantasia e em os seus ares; ele dá a entender por mais de um sinal que é rei, e eis a peça.
Le Luthier de Lisbonne, Scribe et Bayard, 1831. Gallica
Quanto mais o desconhecido se comporta de maneira estúpida, ignóbil e bárbara, maior é a alegria do público que não perde nem um gesto. nem uma palavra. Um motim forçou-o a refugiar-se na casa deste luthier, que é o realista mais devotado do mundo, mas que tem a infelicidade de ser o marido de uma mulher muito bonita.
Um dos favoritos de D. Miguel forçou esta ultima a marcar um encontro para a noite seguinte, e pede ao rei, que chega entretanto, a ajudá-lo e a cortar o pescoço do marido."De bom grado", D. Miguel responde, e enquanto o luthier, que o reconheceu e transborda de alegria, se prosta a seus pés, ele assina a sentença de morte deste infeliz, assim como a de seu favorito, ao qual ele quer tomar o lugar junto da bonita mulher.
A cada nova crueldade que ele comete, nós aplaudimos, nós rimos, e esse estúpido D. Miguel de Teatro dá-nos o maior dos prazeres. Assim termina o primeiro acto.
Le Luthier de Lisbonne, Scribe et Bayard, 1831. Gallica
No segundo, é meia-noite; a mulher bonita está só, muito inquieta; D. Miguel introduz-se na sua casa pela da janela e dá-se a todos os trabalhos do mundo para ganhar, em pleno teatro, o seu amor.
Ele fá-la dançar, cantar perante si; mas ela não o pode suportá-lo, implora-lhe de joelhos para poupá-la, ao que D. Miguel a agarra e arrasta por diversas vezes de uma extremidade da cena à outra. Se ela não pegasse numa faca e se ao mesmo tempo não batessem à porta, tudo isto poderia ter acabado mal para ela.
Le luthier de Lisbonne, vaudeville de Scribe et Bayard, costume de Léontine Fay. Gallica
No final, o bom luthier ainda salva o rei das mãos dos soldados franceses que acabaram de chegar, e dos quais este último, tem um medo terrível por causa de sua bravura e amor pela liberdade.
Assim termina a peça para a satisfação geral. (1)
A semana foi dura para D. Miguel, em Londres um lugar no discurso da coroa, em Paris um vaudeville contra si de M. Scribe.
Este vaudeville, de M. Scribe, contra D. Miguel é do mais insípido felizmznte; os amadores de panfletos sem espírito, sem gosto e sem coragem, ligarão o Luthier de Lisboa, com a Epístola às mulas de D. Miguel... (2)
Na primavera de 1831, com a idade de 12 anos, o príncipe de Joinville [François d'Orléans] prepara-se para partir como piloto voluntário na fragata Artémise com o propósito de fazer carreira na Marinha.
A partida do príncipe de Joinville para a marinha, Raymond Auguste Quinsac Monvoisin. Sotheby's
Capitão de fragata aos vinte anos, contra-almirante aos vinte e cinco, revela-se um excelente marinheiro e contribuiu para o triunfo do uso da máquina a vapor na marinha francesa.
Monvoisin representa o momento em que Joinville se despede de sua família, que nunca tinha deixado antes, na presença de seu tutor, o sr. Trognon, encarregado de velar pelo príncipe. (1)
Francisca de Bragança (Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1824 — Paris, 27 de março de 1898), foi uma princesa do Brasil por nascimento e princesa de Joinville por casamento. Era a quarta filha [do rei D. Pedro IV de Portugal e] Imperador D. Pedro I do Brasil e da imperatriz D. Leopoldina, sendo assim, irmã de D. Maria II de Portugal, e de D. Pedro II do Brasil.
Retrato da princesa Francisca do Brasil (detalhe),
segundo Winterhalter, 1846. Wikipedia
Nascida no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, D. Francisca cresceu ao lado dos irmãos D. Pedro de Alcântara (posteriormente imperador D. Pedro II do Brasil), Paula Mariana e D. Januária. Seu nome foi escolhido por seu pai como forma de homenagear o rio São Francisco, importante rio do interior do Brasil.
D. Pedro II do Brasil e as suas irmãs, princesas Francisca e Januária, vestindo de luto pela morte de seu pai, 1835. Wikimedia
Francisca perdeu sua mãe, D. Maria Leopoldina, com menos de três anos de idade. Aos sete anos, ela viu o pai, D. Pedro I do Brasil (Pedro IV de Portugal), sua madrasta (Amélia de Leuchtenberg) e sua irmã mais velha (a futura Maria II de Portugal) partirem para Lisboa. A princesa cresceu sob educação extremamente rigorosa [...] (1)
A 1 de Maio de 1843 casou, no Paço de São Cristóvão no Rio de Janeiro, com Francisco Fernando Filipe de Orléans, príncipe de Joinville, terceiro filho do "Rei-Cidadão" Luís Filipe de Orléans e da rainha Maria Amélia Bourbon Duas-Cecílias. (2)
O prùincipe a princesa de Joinville partindo do Rio de Janeiro após o seu casamento, 1 de maio 1843. Château de Versailles
Na corte francesa, a educada e bela D. Francisca logo se tornou uma das princesas mais populares da corte. Era chamada de La Belle Françoise. Tornou-se amiga de uma fidalga brasileira casada com um nobre francês, Luísa Margarida de Barros Portugal, Condessa de Barral.
Francisca Carolina de Bragança Recepção em honra da rainha no Salon des Rois no château d'Eu em 3 de setembro de 1843. Wikimedia
Em 1848, a monarquia foi extinta na França, e os Orléans seguiram para o exílio. Dotada de espírito combativo, D. Francisca negociou com vigor com os republicanos a fuga de sua família. Exilou-se em Claremont, Inglaterra, e manteve uma intensa troca de correspondência com seu irmão no Brasil.
Très anglophile, Louis-Philippe veut réconcilier la France et l'Angleterre.
Il invite par deux fois en 1843 et 1845, la reine Victoria au château d'Eu,
sa résidence d'été, Franz Xaver Winterhalter,
Louis-Philippe, roi des Français, recevant la Reine Victoria, 1846. #laminutelouisphilippe (Château de Versailles)
Com dificuldades financeiras, os príncipes de Joinville negociaram as terras catarinenses com a Companhia Colonizadora Alemã, do senador Christian Mathias Schroeder, rico comerciante e dono de alguns navios. Assim nasceu a Colônia Dona Francisca, mais tarde Joinville, atualmente a maior cidade do estado de Santa Catarina.
Retrato da princesa Francisca do Brasil (princesa de Joinville),
segundo Winterhalter, 1846. Wikipedia
Após a Revolução de 1848, D. Francisca de Bragança viveu no exílio em Inglaterra, juntamente com outros membros da família real francesa, regressando com o marido a França em 1870. (3)
Tratada carinhosamente como "Mana Chica" por D. Pedro II, D. Francisca defendia medidas enérgicas contra o crescimento do republicanismo no Brasil.
Em 1864, ela enviou os príncipes Gastão de Orléans, Conde d'Eu, e Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota para o Brasil, onde se casariam com suas sobrinhas, D. Leopoldina e D. Isabel, respectivamente. Entretanto, os casais preferiram inverter a orientação familiar, casando-se o Conde D'Eu com a princesa Isabel, e o príncipe Luís Augusto com a princesa Leopoldina.
Após a queda da Napoleão III e do Segundo Império, a família Orléans retornou à França; Francisca morreu em Paris aos 73 anos. Seu marido sobreviveu a ela por dois anos, morrendo em Paris em 1900. (3)
Visitou por diversas vezes Portugal, a última delas para assistir ao casamento do sobrinho-neto, o duque de Bragança D. Carlos [em 28 de maio de 1886]. (4)
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A princesa D. Francisca Carolina de Bragança, 5.a filha do imperador D. Pedro I do Brazil e de sua primeira esposa a imperatriz D. Maria Leopoldina de Áustria, casou a 1 de maio de 1843 no Rio de Janeiro com o príncipe de Joinville, Francisco Fernando [François d'Orléans], 6.° filho de Luiz Filippe de Orléans e da rainha Maria Amélia de Bourbon.
Dona Francisca de Bragança, princesa de Joinville (detalhe),
Musée de la Vie romantique, Ary Scheffer, 1844. The Royal Forums
É para notar que, possuindo todos os Orléans um espírito muito culto e uma grande intuição artística, herdada de sua mãe que foi discípula de Angélica Kauffmann, entre eles se distinguia Joinville, porque pintava e aguarelava com talento, era um pouco escultor e desenhava constantemente, apesar da sua vida aventurosa e movimentada.
O príncipe visitara pela primeira vez o Rio de Janeiro em 1838 e da segunda, antes de partir casado com a princesa D. Francisca, permaneceu algum tempo na corte [...]
Os filhos de Luiz Filippe, mesmo casados, habitavam com seus pais e as respectivas famílias o palácio das Tulherias. Ás Vezes revezavam-se na residência campestre de Neuilly ou nos palácios nacionais, se é que algum não ficava temporariamente no Palais-Royal, anterior residência do duque de Orléans até á revolução de julho de 1850 que o colocou no trono, palácio que êle conservava mobilado e montado como habitação particular.
Paris, les Tuileries le Louvre et la rue de Rivoli, Charles Fichot, c. 1850. Wikipédia
É histórica a vida patriarcal que levava a real família e bem conhecida a descrição da sala das Tulherias com a mesa de serão da rainha Maria Amélia, em volta da qual se sentavam todas as princesas.
Joinville, marinheiro dedicado á sua profissão, valoroso e de génio irrequieto, fazia prolongadas ausências.
Le prince de Joinville observant le bombardement de Saint-Jean d'Uloa depuis l'arrière de son navire lors de l'expédition contre le Mexique en 1838. Wikipedia
Promovido logo depois do seu casamento a contra-aimirante e nomeado par de França, tendo-lhe nascido os dois filhos, Francisca Maria Amélia em 14 de agosto de 1844 e Pedro Filippe, duque de Penthièvre, em 4 de novembro de 1845, já no meado deste ano assumiu o comando da esquadra de evolução, cruzou nas costas de Marrocos, bombardeou Tanger e tomou Mogador.
Retrato da princesa Francisca do Brasil (princesa de Joinville),
Franz Xaver Winterhalter, 1844. Wikipedia
Promovido a vice-almirante e muito popular pela sua hostilidade ao ministério Guizot, a revolução de 1848 surpreendeu-o em Alger, onde estava com sua esposa servindo sob as ordens do irmão, o duque de Aumale, que era governador.
No mesmo dia em que Luiz Filippe deposto desembarcava em Inglaterra, os príncipes saíam daquela cidade africana a caminho de Gibraltar, acompanhando assim o rei no seu exílio [...]
Lamartine devante a câmara de Paris rejeita a bandeira vermelha em 25 de fevereiro de 1848, Henri Philippoteaux. Wikipedia
Banidos do território da França pelo decreto de 26 de maio, foram-se juntando em Inglaterra, na residência de Claremont, os príncipes de Joinville e os duques de Nemours, de Aumale e de Montpensier.
La Révolution de 1848 contraint Louis-Philippe à abdiquer. Il s'exile en Angleterre où il meurt deux ans plus tard à Claremont, Eugène Lami, La Famille de Louis-Philippe à Claremont, 1850. #laminutelouisphilippe (Château de Versailles)
A duquesa viúva de Orléans, com os filhos, ficou algum tempo em Eisenach. Os duques de Montpensier pouco depois saíram de Inglaterra, estiveram na Holanda e Vieram residir para Hespanha.
O rei faleceu em 1850. E por meados de 1852 separou se o duque de Aumale para Orléans-House, em Twickenham, que comprou a lord Kilmorey e que já de 1813 a 1815 fora residência de emigração para os pais, onde depois foi organisando um esplendido museu, hoje em Chantilly.
Mas o príncipe de Joinville, apesar da sua vida movimentada e aventurosa, fez sempre base de família em Claremont e a princesa aí se conservou com a sogra, suportando com estoicismo a vida difícil que lhe faziam as viagens e ausências do marido, atacado de surdez quasi completa, e depois as ao filho, duque de Penthièvre.
François d'Orléans, príncipe de Joinville (detalhe).
Chateau de Versailles, Franz Xavier Winterhalter, 1843. REPRO TABLEAUX
Em 11 de junho de 1863 casou a filha Francisca Maria Amélia com seu primo o duque de Chartres, 2.° filho da duquesa viúva de Orléans, que também falecera em Claremont em 1858. A rainha Maria Amélia só faleceu em 1866.
Os bens de Luiz Filippe e de sua família, liquidados em 1851, haviam sido confiscados por Luiz Napoleão em 1852 e só depois de 1870, pela lei de abrogação, que permitiu aos príncipes exilados o regresso a França, lhes fôram entregues, em consequência do Voto da Assembleia Nacional de 23 de dezembro de 1872.
O resto é história contemporânea. Apesar das leis de expulsão de 1883, a princesa de Joinville veio a falecer em 27 de março de 1898 e o marido em 16 de junho de 1900 em Paris, residindo com seu filho, o duque de Penthièvre, na Avenue d'Antin 65, ou na vivenda de Arc-en-Barrois (Haute-Marne).
Os duques de Chartres habitavam na Rue Jean Goujon 27, ou na Vivenda de Saint-Firmin perto de Chantilly. (5)
Assomava a primavera de 1849. — N'esse tempo, em Portugal, havia primavera. — Deixou bem gratas recordações áquelles, que são hoje açoitados, em abril e maio, com as granisadas aspérrimas de dezembro!
Os dias da estação vernal chegavam-nos sorridentes, azues, e illuminados. As roseiras nos jardins, o pomar na horta, o relvão nas chapadas, cobriam-se de botões e de flores.
O pardal nos beiraes dos telhados, as andorinhas nos ares, as tutinegras, os rouxinoes nos balsedos e nas faias sussurrantes e sombreiras, papeavam, alegres e enamorados.
A Ajuda, n'esta epocha, era deserta e silenciosa. Ruinas a cada passo. No largo da Patriarchal, que desabara, só havia de pé a torre! O grande sino, melancholico e solemne, batia as horas e os quartos. Os echos, repetindo-se de quebrada em quebrada, expiravam no fundo do valle, lá em baixo, na margem do rio.
O silencio, quando o vento estava sul, era interrompido pelos sons vibrantes das bandas marciaes de infanteria 1 e de lanceiros 2.
Ás vezes, de envolta com as ondas de sons, vinham gritos dilacerantes, despedaçadores; gritos que é preciso ouvir, para ter perfeita idéa d'elles! Partiam do peito de um soldado, cujas costas eram retalhadas cruelmente no supplicio da vara!
O palácio, enorme, vasio e sonoro, além de algumas velhas e pobres creadas do antigo Paço, abrigava bandadas de pombos, que tinham farto pastio nas sementeiras ferazes da Serra de Monsanto, na baga do zimbro, na flor do loureiro bravo, e sombra propicia no zambujal fechado da realenga tapada. Os subúrbios da Ajuda eram deliciosos.
Ao pé da porta o Jardim Botânico, dirigido por José Maria Grande.
Não ficava longe o amenissimo Valle das Romeiras, e, querendo alargar um pouco o passeio, tínhamos Carnaxide, Linda a Velha, e Linda a Pastora, com as suas casitas a alvejar de entre a verdura dos quintaes; e então, como pittorescas, quando as searas tenras circumjacentes ondeavam com o norte límpido, que ao mesmo tempo fazia girar, silvando, as velas brancas dos moinhos, agrupados, aqui e além, nos outeiros crespos e pelo dorso flexuoso da serra!
Um dia Almeida Garrett escreveu uma longa carta a Alexandre Herculano. N'esse papel fazia-se uma confidencia amarga!
O poeta havia levado mais um revez, dos muitos da sua combatida e
aventurosa existência. Estava n'um momento análogo áquelle, que lhe
inspirara — n'umas paginas de prosa, que vêm nas "Flores sem fructo" —
esta apostrophe á solidão:
"Solidão, eu te saúdo! Silencio dos bosques, salve!
A ti venho, ó natureza: abre-me o teu seio.
Venho depor n'elle o peso aborrecido da existência; venho despir as fadigas da vida."
Suppunha, illudido pela dor, que poderia prescindir do mundo, elle, o
mais mundano de todos os artistas; elle, para quem os fastígios do
poder, as pompas do luxo, os máximos requintes do gosto; as pérolas, as
saphiras, as esmeraldas e os diamantes, rutilando no seio, nas mãos, nos
cabellos negros retintos, ou loiros acendrados, da mulher apetecida —
ou adorada — se tornavam impreteriveis!
Mas, no momento, a sua dor era intensa e sincera; por isso,
confirmando o preceito de Horácio, ao descrevel-a, a todos nos commovia.
Grandes foram as provações, porque passou aquelle desmesurado
espirito!
Para quem o lidou de perto, sobretudo nos últimos tempos,
pelos seus versos — "Flores sem fructo", e "Folhas
caídas" — é fácil determinar quaes foram as crises, os accessos
dolorosos, no drama d'aquelle
coração, que teve mais de um affecto, que facilmente se deixava seduzir,
mas que tão profunda, tão arrebatadamente se apaixonava!
Depois de grandes desgostos domésticos, que
as dicacidades brutaes e malévolas de ânimos
corrompidos vinham ainda envenenar, o poeta
parecia succumbir aos revezes da má fortuna.
Uns versos das "Flores sem fructo" explicam
o estado da alma do auctor do "Camões", n'esse
periodo. Não é a dor acerba, é o desalento supremo; tédio, fastio moral, o mais requintado
tormento, que pode cruciar o homem!
Quando uma luz imprevista, serena e penetrante, o veiu arrancar áquella apathia moral, o poeta disse:
Eu caminhava só, e sem destino,
No deserto da vida;
N'alma apagada a luz, e o desatino
Na vista esmorecida:
E afastava de mim, que me impeciam
No caminhar adeante,
Os prazeres dos homens, que sorriam,
E a turba delirante
De seus empenhos vãos. — Aos que gemiam
Sorria eu de inveja...
Quem podéra gemer!... mas arredava
Esses também: não seja
Traição a sua dor! — Eu caminhava
Só, triste, só, sem luz e sem destino,
A vista esmorecida,
A alma gasta, apagada, e ao desatino.
No deserto da vida.
Quem não atravessou uma crise funesta não escreve assim. A vida do
homem tem d'estes momentos psychologicos; mas é preciso ser um grande
artista, para lhe acertar com a nota verdadeira, propriamente humana!
Mais adeante, appellando para o suicídio, o poeta exclama:
E sentei-me, cansado, n'um rochedo, Triste como eu, e só, No meio d'este valle de degredo, De lagrimas e dó. Caíu-me a fronte sobre as mãos pesada, E meditei commigo: — Nâo é melhor pôr fim a esta jornada, E poisar no jazigo?...
Do céo, morno e pesado, as nuvens rarefazem-se, e elle diz:
Olhei... e vi o azul do firmamento Só, sem nenhum brilhar De estrellas, ou de lua... Mas logo se inundava, n'um momento, De uma luz alva, doce e resplandente, Que me entrou toda n'alma!...
Esta luz, esta nova estrella do poeta, era de certo a singular
creança de dezoito annos, cheia de talento, primorosamente educada,
bella, e, sobretudo, fina, que se enamorara perdidamente do génio e da
viuvez de coração de Almeida Garrett, cujo nome era saudado nos jornaes,
applaudido no theatro, coroado no parlamento, e nas academias!
Elle emprestou-lhe a "Nova Heloísa" do apaixonado João Jacques [Rousseau, Jean-Jacques, Julie ou la Nouvelle Héloïse]. O livro levava, a lápis, umas notas intencionaes.
Adelaide respondeu a ellas, e um dia, cega, arrebatada, perdida,
pungido o coração que exhaurira, na anciã de amar, as derradeiras notas
do prazer, deixou tudo, tudo... o enleio das suas phantasias virginaes, o
ambicionado futuro de uma união santa, o mundo, e a fama e o seio
materno, para refugiar-se, transportada, nos braços do genial poeta!
Quem lhe não havia de perdoar o seu erro, o seu crime — se crime foi — redimido por tamanho amor!
Pondo de parte o extraordinário Miguel Angelo, de quem se conta, que
não amou em toda a sua vida senão a Victoria Colonna, e que, só depois
de morta, lhe deu o primeiro beijo, os artistas são susceptíveis de
diversas e desvairadas impressões.
É providencial, ás vezes! Se Garrett, já no declinar da vida, não
fosse accommettido de nova leviandade, — se por tal a querem capitular —
não teríamos esse livro delicioso, que se intitula "Folhas caídas" .
Estavam quasi todas escriptas as Folhas caídas, quando, em 1849, o auctor veiu para o eremitério da Ajuda. — A serenidade luminosa d'aquella casa convinha ao estado de espirito do poeta em tal momento. Não podia escolher, melhor retiro.
Emquanto o auctor da Historia de Portugal proseguia no grandioso trabalho, Garrett, no seu quarto, cuja janella deitava para um lindíssimo panorama, tinha horas recolhidas e meditadas, — agora, corrigindo este verso, ou limando tal período de prosa, logo tirando da estante um livro, e folheando este ou aquelle auctor predilecto.
O grande poeta, n'esse tempo, tinha cincoenta annos. Ao escrever estas linhas, tão vivo se me está retratando na memoria, que me parece vêl-o!
Em muito rapaz, uma desastrada queda arrancara-lhe a pelle desde a nuca até á parte superior do craneo, obrigando-o a usar cabello postiço; mas com tal arte o trazia, que parecia de um desalinho natural.
A testa ampla e não sulcada de rugas. Os olhos, rasgados, luminosos e insinuantes, eram garços. O olhar, fundo e meditativo, illuminava-se, a espaços, de luz faiscante. Não conheci mais expressivo olhar! As pálpebras pisadas. A barba em volta do queixo, ao uso do seu tempo, sem bigode; uma pequena mosca.
A bocca um pouco grande; o beiço inferior grosso; mas a linha graciosa e finíssima. Voz não a ouvi mais harmoniosa e attrahente; voz máscula, de barítono, modelada pelo gosto e pela arte. Como lia, como recitava, e como fallava!
A estatura mediana; peito e hombros largos; mãos fortes e cabelludas. Calumniarara-o também, quando disseram que todo elle era estofos; nada tinha de empréstimo, a não ser o cabello, por um accidente, como já disse.
Na conversação toda a sua physionomia, tão espirituosa, tão distincta, animava-se de expressão indefinível. As vezes dizia: — Vamos arripiar a penna ao Patinho. E contava me uma aventura picante, em que se occultava o nome do heroe, que era elle próprio.
Dos homens como João Baptista, quantos primores, — maravilhas, diremos, — se não perdem para a posteridade! Quanta coisa viva, e espontânea, do colorido mais brilhante; quantos conceitos profundos, observações penetrantes, não voam na conversação dos talentos superiores, quando têem, como Garrett, a singular faculdade da palavra!
Que não houvesse alli, na casa da Ajuda, já descoberta, essa maravilha de encerrar e conservar o som, e se abrisse agora, para ouvirmos o dono da casa e os seus dois hospedes — Garrett e Rebello da Silva — , como eu os ouvi tanta vez!
O poeta aprendera na grande roda e nas grandes luctas a arte de guardar as apparencias, a dolorosa, mas impreterível arte da dissimulação, para escapar, quanto possivel, ás ciladas d'este mundo. Alli, porém, estava entre corações amigos, e, sem fazer confidencias, podia desafogadamente soltar um suspiro!
A nobre alma de Alexandre Herculano, sempre disposta e sempre solicita a acudir a todas as dores humanas, com quanta singelesa, com que delicadíssima e fraterna estima tratou Garrett, durante aquella memorável temporada!
Depois da morte de Adelaide, succederam-se longos, inertes, e amargos
dias para o poeta, que chorava sobre um tumulo, e velava sobre um
berço! Uma vez, porém, embora:
Qual o ataúde levado A egypcio festim...
foi, foi á festa!
Era a noite da loucura,
Da seducção, do prazer,
Que em sua mantilha escura
Costuma tanta ventura, Tantas glorias esconder.
Revia-se a melancholia no rosto do consternado poeta:
Mas a orchestra bradou alta;
— Festa, festa! e salta, salta! Os seus guizos delirantes
Sacode, louca, a Folia...
Adeus, requebros de amantes!
Suspiros, quem n'os ouvia?
D'alli a pouco, estava escripto que outra fascinação viria tomar-lhe a alma de assalto:
Quem é esta que mais voltas
Gira, gira, sem cessar?
Como as roupas, leves, soltas,
Aerias leva a ondular, Em torno á forma graciosa,
Tão fina! — Agora parou,
E tranquilla se assentou.
Que rosto! Em linhas severas
Se lhe desenha o perfil;
E a cabeça tão gentil,
Como se fora deveras A rainha d'essa gente,
Como a levanta insolente !
O risco é inevitável; a perdição está por um fio!
Vive Deus! que é ella.... aquella, A que eu vi na tal janella, E que, triste, me sorria, Quando, passando, me via Tão pasmado, a ciliar para ella!
Estes e os demais versos, foram feitos ao novo idolo, ao derradeiro Ignoto Deo do poeta; mas o Adeus que os precede, e que vale por elles todos, é uma supplica encarecida, perdão implorado com lagrimas acerbas á memoria d'aquella Adelaide, que tudo sacrificou por elle, a mãe da sua única e adorada filha!
Vista da Egreja das Chagas e do pateo do Pimenta residência de Almeida Garrett e Adelaide Pastor,
gravura de João Pedroso, 1863. Hemeroteca Digital
Nunca o poeta, quando na flor e na força da vida, escreveu nada mais realista, mais sinceramente apaixonado ! Nunca o lyrismo do amor subiu mais alto, foi mais puro e arrebatado! Parece, que as lagrimas trazem sangue espumante, que o remorso espremeu do coração!
Adeus! Para sempre adeus! Vae-te! Oh, vae-te! Que nesta hora Sinto a justiça dos céus Esmagar-me a alma, que chora. Choro, porque não te amei, Choro o amor que me tiveste!
O que eu perco, bem n'o sei, Mas tu ... tu nada perdeste: Que este mau coração meu, Nos secretos escaninhos, Tem venenos tâo damninhos, Que o seu poder só sei eu!
Leiam estes prodigiosos versos, versos de paixão, que poeta algum escreveu em tal edade, e hão de sentir as angustias e dores, que lhe salteavam a alma ante a mudez do tumulo, onde jazia a morta, que o idolatrou!
Fraquezas de espirito, misérias humanas, ninguém se disciplinou d'ellas com mais desenganado açoite, nem houve Job, que se cobrisse de cinza com mais humilde contricção, voltando o farpão da própria lingua contra a carne viva dos próprios vicios!
Ninguém se penitenciou tão sincera e cruelmente, como o grande poeta, n'estes singulares versos! Por millenios lhe podiam contar os peccados, que todos redimiu com o fervor de tal arrependimento!
Oiçamol-o agora, oiçamol-o, quando se despede da sombra pallida, que, ao separar-se d'elle para sempre, lhe legara, como ultima fineza do seu amor, o thesoiro d'uma filha:
Vae, vae... para sempre, adeus! Para sempre, aos olhos meus, Sumido seja o clarão De tua divina estrella! Faltam-me olhos e razão Para a ver, para entendel-a.
Alta está no firmamento Demais, e demais é bella Para o baixo pensamento Com que, em má hora, a fitei; Falso e vil o encantamento Com que a luz lhe fascinei.
Que volte a sua belleza Do azul do ceu á pureza, E que a mim me deixe aqui Nas trevas em que nasci; Trevas negras, densas, feias, Como é negro este aleijão,
D'onde me vem sangue ás veias, Este que foi coração, Este que amar-te não sabe, Porque é só terra — e não cabe N'elle uma idéa dos céus!... Oh! vae, vae; deixa-me! Adeus!
Correram, para o apartado eremitério da Ajuda, gratos e saudosissimos os mezes do verão de 1849!
No anno seguinte, Almeida Garrett, em julho, veiu passar um dia comnosco. Rebello da Silva e o conde de Carvalhal tinham apparecido por acaso. Conde de Carvalhal, a flor da elegância, o extremo da educação, o primor do gosto, e, mais do que tudo ainda — uma alma brilhante e transparente como crystal de Bohemia!
Uma fragata inglesa a chegar ao
Tejo frente à Torre de Belém, com uma fragata portuguesa ancorada ao
largo pela sua popa, Joseph, ou Giuseppe, Schranz, depois de 1834. Cabral Moncada Leilões
Ás duas e meia, em ponto, — hora habitual, — fomos para a mesa. Alexandre Herculano estava de bom humor, como os grandes batalhadores em tempo de guerra.
Tinha escripto "Eu e o clero" — , e esperava a força da refrega para cair, de sabre em punho, e á escala vista, no baluarte inimigo.
Garrett, que parecia de animo desanuviado, deu largas á fecunda palavra. Ao café appareceu José Maria Grande, que vinha convidar-nos a passar a tarde no Jardim Botânico, onde tinha ido ser sua hospeda uma familia da nossa primeira sociedade.
Quando, á noite, nos reunimos na casa do Jardim Botânico, entre outras pessoas, éramos — as que havíamos jantado na Ajuda, e a mais o conde de Belmonte, e D. João e D. Gastão da Gamara. Restam vivos Carvalhal, D. Gastão e eu.
Animando a sala havia duas senhoras; uma casada, outra solteira. Ambas também já não pertencem ao numero dos vivos! A solteira era alta, delgada ; a cinta estreita; o pé andaluz; as mãos finas; a cabeça pequena, o cabello loiro, com reflexos de fogo, e ás ondas.
Caricatura de Garrett defronte da viscondessa da Luz, A Matraca, 1848.
Por largo campo, indómita e fremente
Corre a revolução,
Da vossa Luz a rápida torrente
Me alegra o coração Cartas de amor à viscondessa da Luz
A bocca, pequena e vermelha, sorrindo, juvenil e alegre, deixava entrever duas renques de pérolas. Os olhos azues, e via-se n'elles o azul crystalino e ethereo da sua alma angélica!
Amava cegamente, e tinha deante dos olhos aquelle, a quem, d'alli a quatro annos contados, havia de entregar o seu apaixonado coração de amante e de esposa.
Esta senhora chamava-se: Mathilde Montufar [Rosa Montufar]. Oh! que dias de luz ha no mundo! Luz intensa, scintillante, deslumbradora, que, na tre- menda e immutavel antithese da vida, tem de ser contrastada pelas sombras caliginosas e profundas!
A meio da noite pediram, com viva instancia, versos. Recitei o Adeus das Folhas caídas, então inéditas. A disposição dos espiritos, a novidade e extraordinária belleza d'aquelles versos, a presença do auctor, tudo concorreu, para que a sensação produzida fosse grande. Garrett sabia dominar-se; porém a muito custo conteve a commoção.
Piquenique na Quinta do Palheiro Ferreiro, Tomás da Anunciação, 1865.
D. António Leandro da Câmara Carvalhal Esmeraldo Atouguia Bettencourt de Sá Machado, 2.º Conde de Carvalhal, grande proprietário, nascido em 1834, casado em 1854 com D. Matilde Montufar Infante, filha dos Marqueses de Selva Alegre em Espanha. Desse casamento nasceram duas filhas, D. Maria da Câmara, Condessa de Resende e D. Teresa da Câmara, Condessa de Ribeiro Real
[Bulhão Pato confundo os nomes de Rosa e Matilde].
Imagem: Museu Quinta das Cruzes
N'este momento, mais do que nunca, a imagem serena e resignada, que se invocava n'aquelles versos, devia pungil-o no centro do coração, e na fibra do remorso!
Oh! vae-te, vae, longe, embora! Que te lembre sempre e agora Que não te amei nunca... Ai! não; E que pude, a sangue frio, Covarde, infame, villão, Gosar-te — mentir sem brio. Sem alma, sem dó, sem pejo, Commettendo em cada beijo Um crime... Ai! triste, não chores, Nâo chores, anjo do ceu, Que o deshonrado sou eu.
[v. o texto integral]
No resto d'essa noite, nos bellos olhos, e no rosto do poeta, serenavam, a custo, as ondas de uma tempestade!
Biblioteca Nacional de Portugal (bibliografia): Hino Patriótico (poema), Porto 1820, folheto impresso [Recuper. por
Teófilo Braga, in Garrett e os Dramas Românticos, Porto 1905] Proclamações Académicos, Coimbra 1820, folhetos mss. [Reprod. in O Patriota, nº 67 (15 Dez.), Coimbra 1820] Ao corpo académico (poema), in Colecção de Poesias Recitadas na Sala
dos Actos Grandes da Universidade [...], Coimbra 1821 [Recuper. por
Martins de Carvalho, in O Conimbricense, Ano XXVII, nº 2823 (14 Ag.),
Coimbra 1874] O Dia Vinte e Quatro de Agosto (ensaio político), Lisboa Ano I (1821) O Retrato de Vénus (poema), Coimbra Ano I (1821) [Incl.: Ensaio sobre a História da Pintura] Catão. Tragédia, Lisboa Ano II (1822) [Incl.: O Corcunda por Amor, farsa, co-autoria de Paulo Midosi] Aos Mortos no Campo da Honra de Madrid. Epicédio, folheto [reprod. do
Jornal da Sociedade Literária Patriótica, 2º trim., nº 18 (13 Set.),
Lisboa 1822, vol. II, pp. 420-423] Oração Fúnebre de Manuel Fernandes Tomás, Lisboa 1822, opúsculo
[Colig. in Discursos e Poesias Fúnebres [...], Celebradas para Prantear a
Dor e Orfandade dos Portugueses, na Morte de Manuel Fernandes Tomás,
Lisboa 1823] Camões. Poema, Paris 1825 Dona Branca, ou A Conquista do Algarve (poema), Paris 1826 Da Europa e da América e de Sua Mútua Influência na Causa da
Civilização e da Liberdade (ensaio político), in O Popular, jornal
político, literário e comercial, vol. IV, nº XIX (Mai.), Londres 1826,
pp. 25-81 Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa, in Parnaso
Lusitano ou Poesias Selectas dos Autores Portugueses Antigos e Modernos,
vol. I, Paris 1826 [Incl.: introdução A Quem Ler] Carta de Guia para Eleitores, em Que se Trata da Opinião Pública, das
Qualidades para Deputado e do Modo de as Conhecer (ensaio político),
Lisboa 1826, opúsculo Adozinda. Romance (poema), Londres 1828 [Incl.:
Bernal Francês] Lírica de João Mínimo, Londres 1829 Lealdade, ou a Vitória da Terceira (canção), Londres 1829, folheto Da
Educação. Livro Primeiro. Educação Doméstica ou Paternal, Londres 1829 Portugal na Balança da Europa. Do Que Tem Sido e do Que Ora Lhe
Convém Ser na Nova Ordem de Coisas do Mundo Civilizado (ensaio
político), Londres 1830 Elogio Fúnebre de Carlos Infante de Lacerda, Barão de Sabroso,
Londres 1830, folheto Carta de M. Cévola, ao futuro editor do primeiro
jornal liberal que em português se publicar (panfleto político), Londres
1830 [Pseud.: Múcio Cévola, 2ª ed. transcrita in O Pelourinho, nº V,
Angra [1831?, com o título Carta de M. Cévola, oferecida à contemplação
da Rainha, a senhora Dona Maria segunnda] Relatório dos decretos nº 22, 23 e 24 [reorganização da fazenda,
administração pública e justiça], Lisboa 1832, folheto [Reprod. in
Colecção de Decretos e Regulamentos [...], Lisboa 1836] Manifesto das Cortes Constituintes à Nação, Lisboa 1837, folheto [Reprod. in Diário do Governo, nº199 (24 de Ag.), Lisboa 1837] Da Formação da Segunda Câmara das Cortes. Discursos Pronunciados nas Sessões de 9 e 12 de Outubro, Lisboa 1837 Necrologia [do conselheiro Francisco Manuel Trigoso de Aragão
Morato], in O Constitucional, nº 272 (13 Dez.), Lisboa 1838 [Relatório
ao] Projecto de lei sobre a propriedade literária e artística, in Diário
da Câmara dos Deputados, Vol. II, nº 35 (18 Mai.), Lisboa 1839 Discurso do Sr. Deputado pela Terceira, J. B. de Almeida Garrett, na
Discussão da Resposta ao Discurso da Coroa, Lisboa 1840 [Discurso dito
do Porto Pireu, em resposta a José Estevão] Mérope, tragédia. Um Auto de Gil Vicente, drama, Lisboa 1841. Discurso do Sr. Deputado por Lisboa J. B. de Almeida Garrett na Discussão da Lei da Décima , Lisboa 1841, folheto O Alfageme de Santarém, ou a Espada do Condestável, Lisboa 1842 Elogio Histórico do Sócio Barão da Ribeira de Saborosa, in Memórias do Conservatório Real de Lisboa, Tomo II (8), Lisboa 1843 Memória Histórica do Conselheiro A. M. L. Vieira de Castro,
biografia, Lisboa 1843, folheto [Anón., sobre o ministro setembrista
António Manuel Lopes Vieira de Castro] Romanceiro e Cancioneiro Geral, Lisboa 1843 [Incl.: Adozinda (2ª ed.) e outros «romances reconstruídos»] Miragaia, Lisboa 1844, folheto impresso [de Jornal das Belas Artes]
Frei Luís de Sousa, drama, Lisboa 1844 [Incl.: Memória. Ao Conservatório
Real, lida na representação do drama no teatro da Quinta do Pinheiro em
4 de Julho 1843] O conselheiro J. B. de Almeida Garrett [Autobiografia], in Universo
Pitoresco, nº 19-21, Lisboa 1844 [Carta sobre a origem da língua
portuguesa], ensaio literário, in Opúsculo Acerca da Origem da Língua
Portuguesa [...] por dois sócios do Conservatório Real de Lisboa, Lisboa
1844 O Arco de Santana. Crónica portuense, romance, vol. I, Lisboa 1845 [Anón.] Os Exilados, À Senhora Rossi Caccia, poesia, Lisboa 1845, folheto
[Reprod. in Revolução de Setembro, nº 1197 (31 Mar.), Lisboa 1845, p. 2,
anónimo e título A Madame Rossi Caccia, cantando no baile de subscrição
a favor dos emigrados] Memória Histórica do Conde de Avilez, biografia, in Revolução de Setembro, nº 1210 (15 Abr.), Lisboa 1845 Flores Sem Fruto (poesia), Lisboa 1845 Da Poesia Popular em Portugal, ensaio literário, in Revista Universal
Lisbonense, Tomo V, nº 37 (5 Mar.) – 41 (2 Abr.), Lisboa 1846; [cont.
sob título:] Da Antiga Poesia Portuguesa, in id., Tomo VI, nº 9 (23 Jul.), 13 (20 Ag.), Lisboa 1846 Viagens na Minha Terra, romance, 2 vols., Lisboa 1846 Filipa de Vilhena, comédia, Lisboa 1846 [incl.: Tio Simplício, comédia, e Falar Verdade a Mentir, comédia] Parecer da Comissão sobre a Unidade Literária, in Revista Universal
Lisbonense, nº 16 (10 Set.), Lisboa 1846, vol. VI, sér. II, pp. 188-189
[dito Parecer sobre a Neutralidade Literária, da Associação Protectora
da Imprensa Portuguesa, assinado por Rodrigo da Fonseca Magalhães,
Visconde de Juromenha, A. Herculano e João Baptista de A. Garrett] Sermão pregado na dedicação da capela de Nª Srª da Bonança, folheto,
Lisboa 1847 [raro, reproduzido com o título Dedicação da Capela dos Srs.
Marqueses de Viana (...) in Escritos Diversos, Lisboa 1899, Obras Completas, vol. XXIV, pp. 281-284, redac.: Lisboa 1846] Memória Histórica da Excelentíssima Duquesa de Palmela, Lisboa 1848 [folheto] Memória Histórica de J. Xavier Mouzinho da Silveira, Lisboa 1849
[separ., reprod. de A Época. Jornal de indústria, ciências, literatura, e
belas-artes, nº 52, tom. II, pp. 387-394] O Arco de Santana. Crónica Portuense, romance, vol. II, Lisboa 1850 Protesto Contra a Proposta sobre a Liberdade de Imprensa,
abaixo-assinado, folheto, Lisboa 1850 [Subscrito, à cabeça, por
Herculano e mais cinquenta personalidades, contra o projecto de «lei das
rolhas» apresentado pelo governo] Necrologia de D.ª Maria Teresa Midosi, in Diário do Governo, nº 221 (19 Set.), Lisboa 1950 Romanceiro, vols. II e III, Lisboa 1851 Cópia de uma Carta Dirigida ao Sr. Encarregado de Negócios da França
em Lisboa, Lisboa (19 Agosto) 1852 [litogr., sobre o tratado de comércio
e navegação com o governo francês, que assinou como ministro dos
negócios estrangeiros] O Camões do Rossio, comédia, Lisboa 1852 [co-autoria de Inácio Feijó] Folhas Caídas, poesia, Lisboa 1853 Fábulas – Folhas Caídas, poesia, 2ª ed., Lisboa 1853