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terça-feira, 6 de junho de 2017

Silva Porto (pequena biografia)

Antonio Carvalho da Silva Porto nasceu no Porto a 11 de novembro de 1850. De 1865 a 1873, seguiu alli com distincção os cursos de architectura civil, esculptura e pintura, na Escola de Bellas-Artes. No ultimo teve por mestre João Corrêa. Em 1873, tendo feito concurso, partiu para o extrangeiro, como pensionista do Estado, a completar a sua educação.

As Margens do Oise em Auvers, Silva Porto, 1876.
Imagem: MNSR

Dirigiu-se primeiro a Paris, onde esteve até 1877 e onde foi discipulo de Cabanel, Daubigny, Beauverie, Yvon e Groseillez [v. Silva Porto, António Carvalho de (MatrizNet)]. 

Cancela vermelha (Barbizon), Silva Porto, 1880 [?].
Imagem: SlideShare

N'esse anno [1877], foi para Roma concluir os seus estudos.

Costume de Capri, Silva Porto, 1877.
Imagem: MNSR

Costume da campanha romana, Silva Porto, 1877-1888.
Imagem: MNSR

De Italia voltou a França, realisando em seguida, á sua custa, uma viagem pelos museus da Belgica, Hollanda, Inglaterra e Hespanha.

Margens do Loire [actualmente no MNGV], Silva Porto [1879].
Imagem: MatrizNet

O lago de Enghien, Silva Porto, 1879.
Imagem: MNAC

No seu regresso a Portugal em 1879, foi logo nomeado interinamente, para um dos logares de professor de pintura na Escola de Bellas-Artes de Lisboa,— togar que a morte de Annunciaçáo (em 3 de abril d'aquelle anno) deixara vago. Em 1883, passou á effectividade.

Silva Porto concorreu ás exposições do Salon, em Paris, nos annos de 1876, 1878 e 1879, merecendo as suas obras a attenção da critica.

Pequena fiandeira napolitana, Silva Porto, c. 1877.
[Salon de Paris em 1878]
Imagem: MNAC

Enviou tambem alguns quadros á exposição universal que se realisou n'aquella cidade em 1878. 

A tigela partida [Un petit malheur], Silva Porto; 1877-88.
[Exposição Universal de Paris em 1878]
Imagem: MNSR

E quando, em 1881, a Hespanha celebrou o bi-centenario de Calderon, expoz diversos trabalhos em Madrid.

Seara (Arredores de Paris) [Um campo de trigo], Silva Porto, 1878-1879.
[Exposicion General de Bellas Artes, comemorativa do Centenário de Calderon]
Imagem: porto24

Em Portugal, apresentou-se pela primeira vez em 1880, n'uma exposição organisada pela Sociedade Promotora das Bellas-Artes. 

A Charneca de Belas [a introducção do Naturalisno em Portugal], Silva Porto, 1879.
[12.ª Exposição da Sociedade Promotora de Belas Artes]
Imagem: MNAC

Depois, tomou parte nas oito exposições realisadas, de 1881 a 1888, pelo Grupo do "Leão", de que era o mestre, o chefe, — e em 1891, 1892 e 1893, nas exposições promovidas pelo Gremio Artistico, de que foi presidente e um dos fundadores [v. tema: Grupo do Leão].

Contrariada, Silva Porto, c. 1884.
[4.ª exposição de quadros modernos, 1884 (Grupo do Leão)]
Imagem: MutualArt

Figuraram ainda trabalhos seus na decima-terceira e na decima-quarta exposição da Sociedade Promotora, e no Porto repetidas vezes.

Á exposição industrial que em 1888 se realisou em Lisboa, enviou dois dos seus melhores quadros: — A Salmeja e A volta do mercado. O jury conferiu-lhe a medalha de ouro.

A Salmeja, Silva Porto, 1884.
[Exposição Industrial de Lisboa, 1888]
Imagem: Viagens Pelo Oeste

A volta do mercado, Silva Porto, 1886.
[Exposição Industrial de Lisboa, 1888]
Imagem: MNAC

Silva Porto foi um dos artistas que tomaram parte nos trabalhos da solemnisação do tricentenario de Camões. É seu o desenho do carro da guerra. 

Carro triumphal militar (detalhe) desenhado por Silva Porto, 1880.
Imagem: Hemeroteca Digital

Morreu em Lisboa no 1.° de junho de 1893. Formou-se logo uma commissão de artistas, alumnos e professores da Academia de Bellas-Artes, para promover algumas homenagens a Silva Porto.

Essa commissão organisou uma interessante exposição de quasi toda a obra do artista em junho de 1894

Pátio rural com figura (estudo), Silva Porto.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Dois annos depois, effectuava a transladação dos restos mortaes de Silva Porto para um modesto tumulo, erigido por subscripçáo publica no cemiterio oriental. Projecta tambem erguer um pequeno monumento ao grande paizagista em um dos jardins publicos de Lisboa. (1)


(1) Manuel Penteado, Silva Porto, Serões n.º 6, dezembro de 1905

Artigo relacionado:
António Carvalho da Silva Porto, breve roteiro

Temas:
Grupo do Leão
Pintura

Informação relacionada:
Silva Porto, António Carvalho de (MatrizNet)
Catalogo dos trabalhos de Silva Porto expostos na Escola de Bellas-Artes de Lisboa, em junho de 1894, Lisboa, Typ. Franco-Portugueza, 1894

Mais informação:
Silva Porto (Wikimedia Commons)

domingo, 4 de junho de 2017

Silva Porto (falecido a 1 de junho de 1893)

Um delicado impressionista, descrevendo-nos n'uma phrase terna a figura pequenina e discreta de Silva Porto, dizia d'elle: — "Dá o ar d'um Christo que tivesse pedido feriado na ceia dos apostolos..." 

A volta do mercado, Silva Porto, 1886.
Imagem: MNAC

Timido e simples, solitario e doce, franzino e triste, olhos habitualmente adormecidos n'uma morte-luz de saudade, a pelle n'um tom macillento e terroso, as feições grossas e plebêas d'um sensual, modesto no trajar, humilde nas fallas, retrahido nos gestos, Silva Porto passava nas ruas como uma sombra, sem attrahir um olhar, muito cosido com as paredes, muito "João Ninguem" no aspecto, surprehendido talvez de não lhe tomarem contas e talvez mesmo prompto a pedir desculpas de ser o mestre da paizagem com aquella cara...

Era um homem de vida interior, acanhado e cautelloso diante de estranhos, dilatando-se apenas na solidão ou na convivencia d'algum raro intimo. Então, um, outro Silva Porto surgia d'aquélla creatura embiocada para o mundo, um Silva Porto bom burguez, familiar, infantil, por vezes brincalhão, com inoffensivas malicias nos olhos e uma graça ingenua nos ditos, amigo de rir, feliz de viver.

Este Silva Porto que poucos conheceram realmente e o "outro" que descia á vida, receioso, contrafeito, atarantado, explicam, me parece, a feição a um tempo perfeita e pueril, honesta e banal, limitada e sincera, de toa a sua obra.

O seu apego ao solitarismo levou-o ao amor pela paizagem. Diante das arvores pacificas e innocentes, das aguas preguiçosas e sentimentaes, das atmospheras diaphanas e leves, estava inteiramente á vontade.

Pintando figura, necessitava para illudir aquella sua cobardia invencivel, d'um modelo plebêo e inferior que não o intimidasse ou d'alguem que o agradavel convívio lhe fosse habil e lentamente insinuando na sua ambiencia de artista.

Os seus instinctos de exemplar burguez, — tomo a palavra na boa accepção — fazem-no escravo d'uma moral atavica, instinctiva, obrigando-o a cumprir quasi como um officio a sua arte magistral.

À porta da venda, Silva Porto, 1891.
Imagem: O Occidente N.º 445, 1 de maio de 1891

Saía cedo, invariavelmente, e trabalhava o dia inteiro, na aula, no atelier, nas licções particulares, chegando a casa para jantar, extenuado como um operario á volta da officina.

A maior caracteristica nos seus quadros é a probidade de technica : as suas paizagens são verdadeiras, d'uma verdade toda material; dão a região, a hora, o sitio.

Não lhe peçam o lado vasto e mysterioso da natureza, alguma indefinivel surpreza ou qualquer idéa transfigurando-se em sonho immaterial. Não, Silva Porto pinta o que vê e só o que vê.

Trabalha, lucta, esforça-se por conseguir o que tem diante dos olhos, sem deixar a minima coisa ao acaso do pincel. Procura dar o aspecto completo da sua visão e foge systematicamente á improvisação que elle julga uma inferioridade de caracter, uma immora-lidade relativa, embora militas vezes ella sáia feliz e revele talento.

Com certo conde artista, muito affeiçoado a Silva Porto, passou-se uma interessante scena que indica até que ponto ia a probidade do nosso paizagísta. Gostava o conde de pintar e, não raro, aproveitando uma excursão do mestre, partia para o campo a trabalhar ao lado de Silva Porto.

D'uma vez, escolheram ambos o mesmo trecho de paizagem e cada um com sua taboinha tratou de fazer a respectiva mancha. No primeiro plano havia uma arvore tôsca e imperfeita que crescera sem cuidados nem amparo, á mercê do tempo. O conde, apezar d'artísta, era um eminente botanico, professor d'urna escola superior, e começou logo tratando a sua arvore como um especialista e profundo conhecedor da anatomia plastica do modelo.

A pouco e pouco, levado pela sua paixão, ia corrigindo a pobre arvore inculta, detalhava-lhe os ramos, completava-lhe a architectura dos troncos, prendia-lhe symetricamente tufos de folhagem, descia a minucias de recorte da folha, era meticuloso na implantação dos peciolos.

Quando Silva Porto deitou os olhos ao estudo do conde, não conheceu a arvore. E levantando-se, muito grave e muito triste, disse: — Está muito bonita, mas não é o que lá está!

E para o resto do dia ficou furioso contra aquelle attentado, emquanto o conde ria a bom rir... Os quadros de Silva Porto vivem prodigiosamente por essa probidade e por essa solidez de factura que tem já de chamar-se individualidade.

Conhecem-se de longe, sem precisar ver quem os assignou, e nada entretanto os domina como garridice ou effeito proposital. A tinta é sempre suave, macia, harmoniosa e beija, e o "truc" é tão admiravelmente disfarçado na justeza e habilidade dos processos que o quadro parece não existir como obra d'arte mas como inexplicavel reducção da propria natureza.

A Salmeja, Silva Porto, 1884.
Imagem: Viagens Pelo Oeste

Silva Porto pinta bem e essa indispensavel qualidade n'um mestre de pintura é adquirida aos poucos, n'uma tenacidade espantosa em individuo portuguez, como consequencia da sua honestidade burgueza se repercurtir na sua vida artistica. É preciso pintar bem "para não enganar o publico"...

Vemol-o, por exemplo, mudar muitas tintas da sua paleta ao reconhecer que certos brancos, alguns amarellos, determinados vermelhos, cresciam ou negrejavam com o tempo, prejudicando o quadro.

Vemol-o tambem estudando todas as suas paizagens ao ar livre, enchendo-se de apontamentos do natural, e queixando-se sempre ao pintar o quadro definitivo no atelier de que lhe faltam documentos. O seu desejo seria levar a grande tela para o campo e ali executar, fielmente, á vista do modelo.

Procurando ser exacto, perseguindo a verdade, chegou a apoderar se da forma. A sua technica, mormente nos ultimos annos, é incomparavel, quasi incomprehensivel; tem segurança, facilidade, largueza.

Quem nos diría, olhando a primeira arvore que Silva Porto pintou, estar ali o futuro compositor da magnifica tela Conduzindo o rebanho?...

O moinho do Gregório, Silva Porto, 1891.
(Casa dos Patudos, Alpiarça)
Imagem: As representações da cidade do Rio...

D'essa primeira arvore, hirta e chata, de côres carregadas e falsas, de folhagem banal e miudinha, pacientemente feita a granulos de tinta, dando-nos a impressão de certas pacotilhas allemãs que imitam grosseiramente hediondas chinezices de exportação, até aos habeis e perfeitos trabalhos do fim da sua vida, que constante e pertinaz progresso, que continua e lenta ascensão, que espantosa e esforçada lucta para ver, para tentar, para conseguir, para triumphar!

O seu ideal é sempre o mesmo: ser probo, pintar o que lá está. E d'este modo attinge um outro: ser pessoal, inconfundível, ser Silva Porto. Estamos habituados a chamar artistas a creaturas que não passam dos dominios d'uma technica habilidosa que adquirem, á força de insistir no tempo e na paciencia, um processo correcto de factura sem originalidade nem individualidade.

São typos frios, astuciosos, preparando a pincelada com a receita dos outros, soffrendo successivos abalos na maneira conforme as influencias proximas, executando como um qualquer ao cabo do mesmo esforço de copia. São incontestavelmente trabalhadores, com grandes qualidades assimilativas, mas ..que chegam ao limiite do molde sem nunca o ultrapassar.

Para physionomia de grande artista falta-lhes a idéa, falta-lhes o caracter na obra, falta-lhes a sinceridade na execução. Não conseguem interpretar; o vôo que alguma vez ensaiam não se libra, é rasteiro, roçando o que vêem sem jamais se levantar ao que sentem... porque nada sentem.

Amor na aldeia, Silva Porto.
Imagem: Hemeroteca Digital

A propria technica vão buscal-a a paletas extranhas, sem nunca tentarem urna tinta de sua lavra: pintam como se usa; a moda limitrophe, sem poder crear. É a historia de quasi todos os nossos pintores que vão estudar lá fóra.

Abdicam da sua nacionalidade e do seu sentimento, mascaram-se de pasticheur, e raras vezes procuram libertar-se da influencia extrangeira. Silva Porto nao foi assim. Andando cinco annos em estudos pela França, Belgica, Hollanda, Inglaterra, Hespanha e baila, ficou sempre genuinamente portuguez.

Não se desenraizou da sua terra; ao contrario, parece que a ausencia da patria, roendo-o de saudades, avigorou o amor que lhe tinha, e a inadaptação a um meio extranho, artificial, hostil e complicado de mais para o seu fatalismo de plebêo e para a sua credulidade infantil, fez pungir essas tristes e nostalgicas idéas que depressa o trouxeram para Portugal, na ancia de outra luz e melhor ceu.

Casa minhota, Silva Porto.
Imagem: Hemeroteca Digital

Uma vez na patria, fazendo arte, nunca se esqueceu de prover ás necessidades caseiras e ao equilíbrio material da sua vida. Dá lições particulares, rege uma cadeira na Academia e ainda os motivos que escolhe de preferencia para pintar são os que seduzem promptamente o comprador.

Azenha no Minho [ou Lugar do Prado (Santa Marta-Minho)], Silva Porto, 1892.
Imagem: MatrizNet

O Minho com a sua paizagem maneirinha e doce, temperada de suavidades de luz e melodiosa na orchestração das côres, fornece-lhe uma serie facil de ensaios, apontamentos e pequeninas telas, sempre disputada pelos amadores.

Os arredores de Lisboa, poeirentos e baços, os campos ribatejanos, certos trechos pittorescos da provincia, encontram em Silva Porto não só o pintor inegualavel de fidelidade mas tambem o representante sincero duma clientela.

A sua arte tem um lado pratico, é quasi sempre um modo de vida. Vemol-o, por exemplo, fixar o preço dos seus quadros pelo tamanho da tela e não pela qualidade de pintura. A maravilhosa "Cabeça de camponeza", realisada com um amor e urna delicadeza d'inspirado, é vendida por sessenta mil réis como qualquer mancha de natureza rustica e banal.

Cabeça de camponeza, Silva Porto.
Imagem: Hemeroteca Digital

E quem estranhasse o facto, encontrava o pintor, timido e. envergonhado, desculpando-se : — Então havia de pedir mais dinheiro por um bocadinho tão pequeno de pintura?! 

Este feitio medroso de negociante prendeu lhe as azas para a concepção d'uma larga obra em que as suas extraordinarias aptidões de paizagista e animalista se immortalisassem por alguma coisa mais do que a virtuosidade.

Ao seu lado faltou aquelle anjo que, no dizer ingenuo de Corot, descia do ceu para lhe pintar as melhores telas... Nas reproducções que acompanharn estas ligeiras notas encontrará o leitor, que por infelicidade nunca lograsse ver os quadros de Silva Porto, a expressão da realidade attingida pelo paizagista ao cabo d'um esforço paciente e pertinaz de longos annos.

Algumas parecem instantaneas copias photographicas, tão flagrante é a acção do quadro, tão nitida a movimentação da scena. Na "Barca de passagem", o rio, as arvores, os montes, o carro de bois, a barqueira são d'um naturalismo perfeito... e impassivel.

Barca de passagem em Serreleis [Viana do Castelo], Silva Porto, 1892.
Imagem: Matriz.net

Nas "Ceifeiras", uma das suas melhores telas, o quadro dá espantosamente essa seara dos suburbios de Lisboa, d'um amarello convalescente, e nas figuras ha um vislumbre de evocação poetica que raramente se encontra no artista, tão raramente que só nol-a recordam mais dois quadrositos seus: um com o estudo d'uma manhã de neblina no Tejo e outro em que ha uns cavallos bebendo.

Ceifeiras (ou Colheita), Silva Porto, 1893.
Imagem: Wikipédia

No quadro "Conduzindo o rebanho", d'uma factura admiravel, inegualavel, unica, o virtuoso parece querer mostrar-nos todos os seus recursos na clara e nitida execução d'um trecho altamente complicado.

Conduzindo o rebanho (Arredores de Lisboa), Silva Porto, 1893.
Imagem: MNSR

N'essa extraordinaria tela de quasi dois metros, juntam-se todas as maiores difficuldades d'uma paizagem. A luz é a do meio dia em agosto, o ceu abafa n'um calor de trovoada, o terreno é o d'uma azinhaga dos arredores de Lisboa; piteiras, silvas, uma oliveira carcomida e velha, tudo poeirento e sequioso, n'uma atmosphera de febre; pela vereda pedregosa uns carneiros, um pastor, um burro e uma lavadeira, levantando uma poeirada asphixiante.

Não ha palavras que expliquem sufficientemente o effeito deste quadro; é preciso tel-o visto para se comprehender até que ponto ia a consciencia do pintor escravisando se á exactidão da scena. Diante d'esta paizagem, onde o artista se preoccupou apenas em nos revelar que "sabe pintar", é que se sente bem a falta que lhe fez um pouco de ideal, de commoção, de sonho, a divinisar-lhe aquellas inexcediveis faculdades de technica.

Seria um nunca acabar descrever mesmo summariamente as tresentas ou quatrocentas telas que deixou. São rapidas manchas, pequenos estudos, trechos d'arvoredo, notas animalistas, casas alpendradas, engenhos d'agua, marinhas, regadas, costumes e trajos minhotos, scenas de campinos, mulheres fiando, riachos verdosos, recantos rusticos... 

De vez em quando, uma mulher de Santa Martha, de Avintes, de Miadella ou da Maia, apparece com seu lenço á chineza e jaleco de riscas, saia entrançada de côres como um arco-iris, com suas resplandecentes arrecadas nas orelhas e grilhão de muitas voltas ao pescoço, as meias de neve, a chinellinha ponteaguda no bico do pé...

Rapariga dobando, Silva Porto.
Imagem: Hemeroteca Digital

Outras vezes, é uma saloiasita nubil e fresca, de roupinhas pobres e lavadas, humilde e casta, um lenço vermelho descaído para os hombros, um sorriso meio acanhado na bocca inexpressiva, saloiasita como a d'essa "Cabeça de camponeza", tão cheia de caracter e de graça, que um amigo meu, enfeitiçado pela suave e encantadora modelalação da pequenina tela, intitulou a "Jocunda portugueza".

Pena é que toda essa obra valiosa e vastissima esteja em mãos de particulares, sujeita aos acasos da fortuna e a problematicos destinos no futuro. Os poderes publicos, sempre distrahidos com as rotinices da machina politica, esqueceram-se de adquirir, em época propria, os indispensaveis documentos para a historia do maior paizagista portuguez, e assim succede, é vergonha dizel-o, que no Museu Nacional das Janellas Verdes ha apenas uma pequena tela de Silva Porto, que, por maior infelicidade, não pertence á sua ultima feição de technico pujante e incomparavel.

Campinos, Silva Porto.
Imagem: Hemeroteca Digital

Coisas caracteristicas da nossa terra...

O seu ultimo quadro, por concluir, parece-me que pertencia ao Gremio Artistico e deve estar hoje na Sociedade Nacional de Bellas-Artes. É uma linda mancha de côr, com uma atmosphera fluida e luminosa, onde se recortam os ramos floridos de duas macieiras.

O terreno, em tres gradações de verde, duma pastada larga, alonga-se a perder de vista. Ha certos pontos em que as tintas apparecem ainda sobrepostas tal como o pincel, á pressa, as colheu na paleta, sem tempo de fundil-as completamente. É um valioso e interessante documento para quem pretender algum dia estudar o processo de pintar de Silva Porto.

Macieiras em flor [MNSR, existe uma tela homónima no MNGV], Silva Porto, 1893.
Imagem:  flickriver

As Macieiras em flór appareceram na exposição do Gremio, um anno depois da morte do paizagista. Todos os dias, em frente do quadro, os visitantes deixavam o tapete coberto de flores.  (1)


(1) Manuel Penteado, Silva Porto, Serões n.º 6, dezembro de 1905  [ilustram o artigo as seguintes gravuras: Amor na aldeia, Á porta da venda, pertencente a Sua Magestade a Rainha; Cabeça de camponeza, pertencente a S. M. El-Rei; A salmeja, pertencente a S. M. El-Rei; Rapariga dobando, pertencente ao sr. Ferreira das Neves; Azenha no Minho, pertencente ao sr. A. Torres Pereira; Conduzindo o rebanho, pertencente ao sr. conde do Ameal; A volta do mercado, pertencente á familia Anjos; O moinho do Gregório, pertencente ao sr. H. Pinho da Cunha; Ceifeiras, pertencente ao sr. conde do Ameal; Casa minhota, pertencente á Sociedade Nacional de Bellas-Artes; Macieiras em flor, pertencente á Sociedade Nacional de Bellas-Artes; Campinhos, pertencente a S. M. a Rainha Senhora D. Maria Pia]

Artigo relacionado:
António Carvalho da Silva Porto, breve roteiro

Informação relacionada:
Catalogo dos trabalhos de Silva Porto expostos na Escola de Bellas-Artes de Lisboa, em junho de 1894, Lisboa, Typ. Franco-Portugueza, 1894

Temas:
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Pintura

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O Grémio Artístico (3.ª exposição, 1893)

Fallemos de Silva Porto. Fallemos do mestre da actual geração de artistas, do regenerador da pintura portugueza, na sua feição moderna.

Conduzindo o rebanho (Arredores de Lisboa), Silva Porto, 1893.
Imagem: MNSR

"Os moinhos da confraria", não tem aquella tranquilidade de cores que distinguem as telas de Silva Porto, mas o assumpto é inquieto de si pela reproducção dos casebres que se espelham nas aguas verduengas do pégo, de modo que á primeira vista não se percebe bem o quadro, e só depois de alguns minutos de observação é que se principia a distinguir os casebres no meio da folhagem e das sebes que são quasi da mesma cor e a perceber aquelles reflectindo se nas aguas que estão em baixo.

Silva Porto triumphou até onde era possivel d'esta dificuldade, que afinal nem todos apreciam. Chamava muito mais a intenção o seu quadro "Conduzindo o rebanho". 

Neste quadro o assumpto está um tanto sacrificado ás dimensões da tela, e outro artista que não conhecesse a perspectiva como Silva Porto a sabe teria naufragado dentro dos estreitos limites em que a scena está disposta. 

Os outros quadros de Silva Porto "Levada de T?rrio", "Caminho da Egreja", "Moinhos do Arquinho", "Caminho de Perre", "Manhã" e "Na eira", são pequenas telas, em que se reconhece o pulso do mestre n'um ou outro pormenor, e que vem ali de parceria com os seus discipulos para os animar e como que para lhes dizer que nem só com os grandes quadros se afirmam os grandes artistas.

Veloso Salgado

Pela grandeza da tela, nenhuma outra, n'esta exposição, se impõe como a de "Jesus", quadro de Salgado. Tela, tela que nunca acaba, e que bem repartidinha poderia dar alguns pares de quadros mais apreciaveis do sr. Salgado.

Outros quadros apresenta o sr. Salgado, que justificam plenamente as esperanças que havia no seu talento, e dentre estes destacaremos o retrato do sr. Wenceslau de Lima; magistralmente pintado, e desenhado com una firmeza pouco vulgar. 

Wenceslau de Lima por Veloso Salgado.
Imagem: FCUP (fundo antigo)

Apenas notaremos qué o olhar do retrato é vago, o que sempre faz perder muito do efeito de um retrato, e não quadra a este o qüe vulgarmente se costuma dizer: parece que está a olhar para a gente. (1)

José Malhoa

Dissemos que o sr. Malhôa "prefere um colorido mais convencional e, portanto, menos verdadeiro" e de facto os quadros d'este pintor destacam-se vesivelmente do resto da exposição, por um tom mixto de vermelho e de azul que dá uma velatura violada quente, um tanto agradavel á vista, mas extremamente falso em relação á natureza.

Ao toque das trindades, José Malhoa, 1893.
Imagem: Nuno Saldanha, José Vital Branco Malhoa

Assim se observa nos seus quadros "O toque das Trindades" e "Os curiosos" a par de alguma incorrecção no desenho, incorrecção que avulta mais neste ultimo quadro, se procurarmos descobrir o nú da figura que se debruça sobre o muro do quintal. Ha ali um pe que não pertence á perna que se esconde debaixo da saia e joelha sobre o assento do muro. 

Os curiosos, José Malhoa, 1892.
Imagem: O Coelho a ver passar o combóio...

No quadro "A missa das seis" domina mais o tom azulado, frio, o que até certo ponto se justifica pela hora, mas o pintor abusou um pouco d'aquella, entuação, assim como da concorrencia á missa, dando-lhe pretexto para pintar uma "queue" como á porta de qualquer banco em dia de corrida. 

A Missa das Seis (Beira Baixa), José Malhoa, 1893.
Imagem: O Occidente N.º 519, 21 de maio de 1893

Muito pouco distincta aquella multidão que corre para o pobre ermiterio, confundindo-se em uma massa que tanto pode ser gente como outra qualquer coisa, o que não deixa de sentir-se mesmo na figura do pobre homem em moletas que fecha a "queue", cuja correcção do desenho não é irreprehensivel.

Os retratos apresentados pelo sr. Malhôa n'esta exposição não nos agradaram tanto como os de outras exposições.

João Vaz

Um outro artista se apresenta n'esta exposição com uma respeitaval porção de quadros, nada menos de treze, numero fatidico para os supresticiosos de enguiços, é o sr. João Vaz, nome bem conhecido no nosso meio atistico e que desde as primeiras exposições do Grupo do Leão concorre a estes certamens com as suas marinhas do Sado.

É justamante por esta razão que as suas marinhas do Sado começam a fatigar o publico, porque, emfim apesar de todas as bellezas do Sado as marinhas do dito é que não podem já com tantas bellezas, e principiam a tornar-se monotonas, ao mesmo tempo que a tinta vae faltando n'um grande desconsolo de fadiga e aborrecimento por só pintar as taes bellezas.

Sr. Vaz, deixe o Sado em paz. Pinte outros motivos nas suas telas e reparta com as pobresinhas mais algumas migalhas de tinta e verá, que o seu talento ainda dá para mais alguma coisa que as querenas no Sado, que o desembarque do peixe no dito, que os patachos á carga no sobredito, e as praias, e as vesperas dos temporaes (era muito mais bonito o temporal desfeito), as baixa-mares, os estaleiros, que sei eu, que ha um bom par de annos anda a esgotar as bellezas do Sado e a paciencia dos admiradores dos seus quadros, quadros alguns, em verdade, de merecimento e que revelam aptidão para obras de mais valia, que estamos certos apresentará na futura exposição. (2)

Adolfo Rodrigues

Veem-se n'esta exposição uns cinco quadros de um artista novo, um discípulo da Academia de Bellas-Artes de Lisboa, o sr. Adolpho Rodrigues, que despertam certo interesse, principalmente dois d'elles, "Hero e Leandro" e "Esperando o peixe".

O primeiro destes quadros é o do concurso da Academia, que premiou o seu auctor com a medalha de prata, recompensa bem merecida, porque este quadro tem qualidades pouco vulgares, e se a sua entoação é um pouco convencional, nem por isso nos desagrada pela grande harmonia que tem a par de uma correcçao de desenho irreprehensivel, sendo o nu muito bem pintado, embora o seu tom cadaverico repugne um tanto á vista.

Mas d'isto não tem culpa o pintor, desde que o ponto do seu concurso lhe destinou reproduzir a historia d'aquelles infelizes amantes, na situação em que o Hellesponto arroja á praia o corpo do apaixonado mancebo de Abydos, afogado ao atravessar aquelle rio para vir encontrar-se com a sua querida Hero, a qual morre ali de dôr junto do cadaver do seu amante.

Hero e Leandro, Adolfo Rodrigues, c. 1892.
Imagem: O Occidente N.º 524, 11 de julho de 1893

É uma scena triste que não pode alegrar nos nem os olhos nem o coraçao, mas que nos alegra o espirito se ostentar-mos bem no modo porque o novel artista a interpretou e reproduziu na sua tela. É uma promessa este quadro, que oxalá não seja como tantas outras que ternos visto e que, infelizmente não tem passado alem, esterilisando-se ás vezes n'um desanimo antes mesmo da lucta.

Parece-nos que não succederá assim com o sr. Rodrigues, porque os quadros que apresenta, especialmente o segundo, que mencionámos "Esperando o peixe", sustenta bem os creditos adquiridos com o seu quadro do concurso. É de um efeito e assumpto inteiramente diferente do primeiro. Aqui affirma se mais o colorista; a correcção no desenho a mesma.

É talvez minucioso de mais em todos os promenores, salvando-se milagrosamente da dureza, pelo bem feito da pintura, de grande limpidez, conhecendo-se que está ali um miniaturista, se attentarmos na paciencia com que estão pintadas as florinhas dos lenços que as duas ovarinitas tem na cabeça, disputando primazias de nitidez ao proprio fabricante que os estampou.

Esperando o peixe, Adolfo Rodrigues, 1893.
Imagem: arquipélagos

No collorido observa-se ainda uma certa ingenuidade no novel pintor, nos valores das suas tintas, tratando mais de cada uma em especial do que da relação de umas com as outras. Mas se nos merecem reparo estas inexperiencias do artista, é porque, nos parece, valer a pena notal-as a quem tanto promette n'estes seus primeiros trabalhos. 

Os outros quadros são menos felizes, apezar de todo o acabamento.

Luciano Freire

Menos acabados são os quadros do sr. Luciano Freire, e, não obstante, resistem perfeitamente á critica pelo grande tom de verdade que possuem. Questão de temperamento, uma certa impaciencia de concluir a sua obra não o deixa assentar n'uns pequenos nadas que ás vezes prejudicam o todo.

É. o que notamos, por exemplo, no seu quadro "A venda do leite", uma tela cheia de verdade, de observação, bem desenhadas as vaccas e o vaqueiro, certo no tom, mas um tanto descurado no plano do fundo do quadro.

A venda do leite, Luciano Freire, c. 1892.
Imagem: O Occidente N.º 520, 1 de junho de 1893

Este artista já muito conhecido do publico pelos seus quadros historicos, de genero e de paizagem, alguns d'elles premiados, e todos vendidos, incluindo o seu quadro "D. Sebastião", adquirido pela câmara municipal de Lisboa, tem afirmado, nas ultimas exposições, notavel tendencia para um genero de pintura que poucos cultivam com distincção, e é apintura de amimaes, essa especialidade tão difficil de que raros pintores triumpham.

A prova d'isto é, alem de outros quadros do mesmo genero que tem exposto, o que apresentou agora, "A venda do leite".

Não se consegue dominar este genero sem uma natural disposição, secundada por grande estudo e trabalho, e o sr. Freire tem sido um luctador para triumphar de todas as dificuldades que se atravessam na carreira de um artista.

Mencionemos ainda um pequeno quadro d'este artista, "Um deita gatos", quadro cheio de observação, que desenha um d'esses typos importados dá Galliza, que hoje infestam Lisboa, concertando e partindo loiça, a troco de quaesquer vintens ou até de uma codea de pão, porque, o principal fim d'esses pobres artifices é matarem a fome, apesar das suas caras redondas, de certa apparencia sadia.


António Baeta 

Em paisagem, marinhas e figura, apresenta o sr. Baeta [António Francisco Baeta] cinco quadros apreciaveis. O sr. Baeta, um artista muito consciencioso, desenha com a elegancia de um decorador, muito cuidadoso no acabamento dos seus quadros, sem dureza e procurando bem a nota certa do tom.

A sua paisagem "Portello da Quinta Real de Queluz" é um motivo bem escolhido de que tem pintado varios quadros, pois já não é a primeira vez que o vimos em exposições. 

A "Praia do Caramujo", é bem pintado, ainda que não sympatisamos demasiadamente com o tom do quadro, em que encontramos uma certa secura.

A "Cabeça de velho" é muito bem pintada e reproduz admiravelmente o modelo que conhecemos. E' o velho Cõrvo que depois de ter feito a sua peregrinação por Lisboa destribuindo folhas de romances e jornaes, faz agora a sua peregrinação pélos ateliers distribuindo-se a si mesmo como um bello modelo de velho que os estudantes e artistas vão aproveitando com vantagem. 

Conceição Silva

É assim que vemos a cabeça do velho"Côrvo" reproduzida em varios quadros da exposição e já o podemos admirar no bello quadro "S. Jeronymo", do concurso do sr. Silva, o anno passado. E por tal signal, que este quadro era muito superior ao que o sr. Silva este anno expõe e que se intitula: "Na praça da Figueira".

Quem o anno passado apresentou o "S. Jeronymo" não era de esperar incorrecta este anno apresentasse uma collareja tão incorrecta nas formas e no desolado tom, incorrecção que não seria para estranhar no gesto e lingua da vendedeira descompondo o freguez que não chegue ao preço das suas laranjas, mas que não se justifica no phisico porque algumas d'estas collarejas não são nada mas de formas. (3)

José de Brito

Principiamos hoje pela apreciação de um quadro de que O Occidente publica a reprodueção em gravura, e que tem por titulo "Où es-tu Lili?" do sr. José de Brito, estudante em Paris.

Où es-tu Lili?, José de Brito, 1890.
Imagem: O Occidente N.º 524, 11 de julho de 1893

Um artista novo, pelo menos para nós, mas que disperta a attenção dos visitantes com este seu quadro de costumes da Bretanha que tambem um quadro de genero, especialidade pouco cultivada pelos nossos artistas, porque, emfim, sempre é um pouco mais difficil, que encher telas com paisagens banaes ou pintar panellas, cebolas e folhas de couve, como se vê n'esta exposição em sufficiente quantidade.

Effeclivamenie na exposição escasseiam os quadros de genero e entre os poucos que apparecem, alguns melhor feira que os deixassem no atelier. Este quadro do sr. Brito recommenda se principalmente por uma entoação extremamente suave, mesmo fria como o ar do paiz em que foi pintado, mas sem velatura.

A harmonia e completa e o desenho correcto, e só notamos que as figuras são um tanto grandes para o quadro e a perspectiva forçada. Apesar d'estes ligeiros defeitos as qualidades são superiores a elles e o quadro distingue-se vantajosamente tendo merecido uma 3.ª medalha, e sendo adquirido por Sua Magestade El-rei D. Carlos.

O sr. José de Brito apresenta ainda um retrato muito bem pintado, mas de que não podemos avaliar a parecenca.

João Carlos Galhardo

Um outro quadro "Carrada de pedra", que teve mensáo honrosa, é do sr. João Carlos Galhardo. Expõe ainda mais dois quadros o sr. Galhardo — "Rio de Lavadeiras" e "De manhã", mas o que fixámos mais detidamente foi o primeiro.

Ha n'este quadro qualidades de côr apreciaveis e que revelam boa interpretação do natural, fazendo esperar do sr. Galhardo, que é ainda um estudante, um pintor animalista quo reproduza nas suas télas essas scenas do campo com verdade, mas um pouco mais poeticas que as prosaicas carradas de pedra.

Antonio José da Costa

O sr. Antonio José da Costa, artista portuense, expõe oito quadros de paisagem que têem qualidades de côr atraiçoadas por incorrecções de desenho, que revelam pouca solidez no estudo d'este artista.

Console-se, porém, o sr. Costa com os muitos companheiros que tem, pois infelizmente não está só na exposição pela errada idéa de alguns que pensam poderem pintar sem desenfiarem sufficientemente. 

Até nos faz lembrar aquelle dito de um abalizado político, que ao visitar o atelier de um esculpiras e depois de ter visto as differentes esculpturas em que o artista trabalhava, perguntou:

— E para fazer estas obras é preciso saber desenho?

Arthur Vieira de Mello

São variados os quadros do sr. Arthur Vieira de Mello que cultiva varias especialidades desde o animalista ao retratista, desde as flôres até aos quadros de genero.

Se intentarmos nos seus carneirinhos do quadro "O Predilecto", temos e mais estranha impressão, por nos parecerem os pobres caprinos cozidos ou pelo menos escaldados, não tendo escapado do desastre nem o proprio predilecto, que o pastorsito afaga em seus braços com um amor que parece ter sido desprezado pela cachopa a que elle arrastava a aza, se é que é dado a essas inclinações naturaes.

O que diremos do quadro — "A mãe doente"? — Uma grande desgraça que vae n'aquella casa, porque, além da mãe estar doente, a filha, que dorme encostada á chaminé, tambem não deve ter muita saude, pois está sendo assada em vida, ao lume da fornalha que lhe serve de almofada. Da composição e perspectiva do quadro não fallemos para não insistirmos em coisas tristes.

Por esta mesma razão não fallaremos do quadro — "Adormecido", — em que ficamos admirados do prodigioso equilibrio que o rapazito faz para nao cahir d'aquelle plano inclinado em que o pintor o pós com o banco em que se senta e a mesa a que se encosta.

E além d'estes quadros, em que o artista parece ter posto os seus melhores cuidados, os outros são umas pequenas telas, mais modestas, mas em que se affirmam mais qualidades como no quadro — "Primeiro ninho".

Thomaz de Mello Junior

Proximo cucou tramosum quadro do sr. Thomaz de Mello Junior, Praia de Cas-eaes que é bem pintado, e d'este artista mais outros quadros de marinhas com. poem a sua exposição. To-dos menos felizes que o primeiro não deixam ainda assim de ter qualidades de boa escola. Do sr. Hygino Mendonça notamos dois quadros —Paisagem e Encosta de Pa-ço d• Anos. O primeiro é um estudo, e como tal se acceita. O segundo é pre-judicado por um excesso de amare% que se impõe des-esperadamente.

Isaías Newton

O Sado já muito sufficientemente explorado pela pintura encontrou agora um outro artista-a devassar-lhe as bellezas.

É o sr. Isaías Newton, um artista da velha guarda que se destaca fortemente da pintura moderna, mas que tem afeitos de perspectiva acrea como poucos. 

Tres quadros apresenta n'esta exposicão todos de motivos do Sado: "Setubal", "Castelo de S. Filippe", e "Rio Sado". 

Marques de Oliveira

Os nossos apontamentos indicam-as agora os quadros do sr. Marques d'Oliveira, professor na Academia Portuense de Bellas-Artes. 

Os quadros d'este artista destacam-se principalmente pelo tom frio com que vê tudo, quer nos apresente e paisagem como no seu quadro — "Pensativa", quer seja um interior como o seu quadro — "O tear". 

Irreprehensivel na correcção do desenho a sua pintura é pouco brilhante, é mesmo triste, não realisando bem a intenção das suas figuras, onde falta sentimento, como a "Pensativa", uma rapariga fiando linho no meio de um campo verde deslavado. Se o auctor não lhe chamasse "Pensativa" ninguem veria mais que uma fiandeira authomatica.

"O tear" participa das mesmas qualidades e dos mesmos defeitos. As mulheres não fazem nada. Pararam de trabalhar, mas quedaram-se na attitude, de forma que a scena não tem movimento, expressão.

Tudo muito correcto, o que já é bastante, mas sem vida, o que é pena. Questão de temperamento, contra o que a critica nada tem a oppôr, desde que a obra é correcta como todos os quadros que conhecemos d'este distincto professor. (5)

Josepha Greno

A sr.ª D. Josepha Garcia Greno é uma artista festejada, muito conhecida pelos seus bellos quadros de flôres, e se as suas paisagens que este anno expõe se podessem medir com as flores que sabe pintar, teria augmentado consideravelmente os seus creditos de pintora.

Infelizmente não acontece assim e os seus quadros de paizagem deixam tanto a desejar como os seus quadros de flores satisfazem perfeitamente.

Flôres, illustre artista, é que deve pintar; estas agradecem-lhe muito mais os seus cuidados, dando-lhe mais triumphos como os que tem tido em outras exposições, onde as suas flores tem sido devidamente apreciadas, ainda que n'esta não foi tão feliz, talvez porque descurasse um pouco os seus "Lilazes", "Malvaiscos e Rozas" preoccupada com as "Margens do Agueda" e as "Margens do Vouga" que afinal a não compensaram condignamente.

De todos os quadros o que mais nos agradou foi o "Rosas e malmequeres". (5).

[Outros expositores 
Adelaide Christina Camacho, discipula de Moura Gyrão: "Bric-á-brac"; Fanny Munró: "Estudo do mar (Estoril)"; Antonio Ezequiel Pereira, Silva Porto: "Logar de fornos de cal", "Inverno";  Arthur Prat: "Uma onda", "Pensando n'elle";  José Queiroz: "Pateo no Alemtejo",  "Panella de Folha" etc.]

Ernesto Condeixa

Occupemo nos agora das obras que o sr. Ernesto Condeixa apresenta n'esta exposição. São cinco os quadros que o sr. Condeixa expõe principiando pelo seu retrato, de um desenho e pintura bastante atormentado.


"O rio das Pontainhas", uma paizagem de Caneças já em tempo explorada pelo fenecido pintor Annunciação, é um quadro de vivo colorido á luz de pleno sol, que á primeira vista nos deslumbra, mas que analysado friamente se reconhecem algumas incorrecções na perspectiva, como a falta de relação prespectiva que ha entre as figuras do primeiro plano e os do ultimo, além do ponto de vista da paizagem ser bastante desfeitoravel para o bom effeito do quadro.

Ainda assim este quadro é bem melhor que os seus dois quadros "Jogando o diabrete" e "Uma tarefa", que á primeira vista duvidámos serem do sr. Condeixa, tal foi a deploravel impressão que nos fizeram.

As duas crianças que jogam o diabrete são de um desenho que deixa muito a desejar. Sem Intenção, sem vida, sem expressão, mal se ajeitando as figuras com os accessorios, todos em guerra com a prespectiva, estes quadros foram necessariamente pintados em hora infeliz, se attendermos a que o sr. Condeixa tem apresentado obras de merecimento real.

O melhor quadro que o sr. Condeixa expõe, no nosso entender, é "As Fonlainhas ao cahir da tarde". Achamos o tom muito justo realisando bem o effeito de luz, o que nos faz preferir os seus quadros de paisagem aos seus quadros de genero.

João Dantas

Apparece n'esta exposição um artista que melhor podemos considerar um amador, pela raridade com que vem a publico com as suas obras. É o sr. João Dantas, pintor de marinhas muito consciencioso e que nos poucos quadros que lhe conhecemos, em todos afirma estudo sério no rigorismo com que desenha as suas composições de navios.

O quadro que expõe é dos maiores que se vèem na exposição e representa uma reconstrucção historica de alto valor para os fastos da mari-nha portegueza como foi a "Batalha do Cabo Matapan".

A batalha do Cabo Matapan, João Dantas, c. 1892.
Imagem: Museu de Marinha

Mesmo lá fóra onde ha tantos artistas pintores de superior merecimento, são raros os quadros d'este genero que apparecem nas exposições, e por isso mais razões temos para applaudir o que apparece agora no nosso pequeno meio artístico.

Este quadro foi premiado com uma 3.ª medalha e adquirido por Sua Magestante El-Rei D. Carlos. Assim devia ser para estimulo de novos emprehendimentos, tanto mais em Portugal. cuja historia tanto abunda em factos gloriosos da sua marinha. (6)

António Ramalho

Ainda mais algumas palavras para concluirmos esta nossa notticia sobre a exposição do Gremio Artistico, e vamos a aviar antes que a 4.ª exposição se abra com a volta das andorinhas, que não vem longe, e a primavera florida com as suas cores brilhantes como "As flôres" quadro do sr. Antonio Ramalho que contemplamos agora.

No seu quadro "Serão", de um colorido brilhante e de bem achado etfeito de luz, poderemos notar cambem a ausencia de belleza naqueles rostos femeninos, talvez demasiado realistas pela trivialidade, o que não impede de apreciarmos o quadro como um dos melhores, senão o melhor de genero que se vê na exposição.

O serão, António Ramalho, 1892.
Imagem: Alexandra Reis Gomes Markl, António Ramalho, Pintores Portugueses, Lisboa, Edições Inapa, 2004

É tambem superiormente pintado e desenhado o seu quadro "Estudante". Uma bella cabeça que retrata um escriptor conhecido e que está fielmente reproduzida pelo pintor, com a vida e sentimento que faz o desespero da mechanica photographia.

Expõe ainda o sr. Ramalho mais alguns retratos de senhoras, de homens e de crianças, todos de boa factura, mas de que não podemos avaliar a semilhança por não conhecermos os originaes.

Ainda mais um quadro "Praia da Boa Nova", que nos pareceu fraco, recordando-nos de outros quadros d'este genero do sr. Ramalho muito melhores.

Praia da Boa Nova, António Ramalho, 1892.
Imagem: do Porto e não só...

Marques Guimarães

E, em retratos não deixaremos de notar um pintado pelo sr. Marques Guimarães, professor da Academia Portuense de Belas Artes e que o expõe com o titulo "Retrato de minha mãe". É de uma grande tranquilidade de tintas e suavidade de tons este belo retrato, que nos faz lembrar os. belos retratos de Coelho o celebre pintor portuguez do seculo XVI.

O sr. Marques Guimarães foi muito mais feliz neste retrato do que nos seus quadros "Campo 24 de Agosto" e "Feras portuguesas". A pobreza do assumpto e a frieza da céu, fazem lamenter que o ilustre professor empregasse tão mal o seu tempo em coisas tão vulgares, que não conseguiu salvar da banalidade.

Almeida e Silva

Mas se o sr. Marques Guimarães se ocupou com estes modestos assuntos, tendo folgo para mais arrojadas obras. não faltou arrojo ao sr. Almeida e Silva [v. Catálogo da Coleção de José de Almeida e Silva, Museu de Grão Vasco], ex-alumno da Academia Portuense de Belas Artes, para se abalançar a pintar uma "Mater Dolorosa", que effectivamente faz dó vel-a tão rebaixada á triste condição de uma cosinheira a que se lhe queimou o refogado.

Não valeu á Virgem toda a poesia da lenda que a envolve, para ser assim tratada tão prosaicamente. Que a Virgem como mãe de misericordia, lhe perdoo-o amimando, pela ingenuidade da intenção com que foi commettido, porque, em fim, é de supor que alli não houvesse maldade.

E se fossemos a desfiar os quadros que o sr. Almeida e Silva mandou a esta exposição, teriamos de quebrar o proposito que fizemos no principio d'esta noticia, de que deixariamos em silencio as obras que seus auctores fora melhor não terem exposto a publico.

Pouco mais temos a dizer da exposição de pintura.

Emília Santos Braga

Não terminaremos, porém. sem notarmos os quadros de uma senhora, discipula do sr. Malhoa, que se distingue muito vantajosamente entre o grande numero de amadores e estudantes de pintura que concorreram a esta exposição. E' a ex.ª sr.ª D. Emilia Santos Braga que expõe quatro quadros intuindo um "Estudo".

"Affinando" é um dos quadros que mais sc distingue; pintado com largueza e certa correcção, é sobrio de cores, sem fraqueza nem monotonia. Menos empastado de tinta seria talvez mais limpido no tom que é um tudo nada sujo.

Este abuso de tinta assentua-se mais ainda no seu quadro "Margarida", em que pertende á força de tinta conseguir uns reflexos de setim branco ou coisa parecida na vestido da sua "Margarida", e o que notamos no setim do vestido notamos tambem no setim da pele, que não alcança a finura d'aquelle typo ideal que a auctora quis criar na sua tela.

O seu quadro "Boas Novas" resgata-se um pouco do defeito qne acabamos de apontar, porque é muito mais fresco nas carnações, muito menos maceradas, sendo o tom geral do quadro de grande harmonia. (7)

oooOooo

Abrindo o catalogo da exposição encontramos, em primeiro logar os nomes de Suas Magestades El-rei D. Carlos e D. Maria Amelia, como auctores de tres obras que expõem com o mais louvavel proposito de honrarem a exposição e animarem a arte nacional.

É uma fineza para agradecer e que mostra o grande interesse que os monarchas tornam pela arte. Um esboço a pastel, de um "Combate naval" e uma "Paizagem do Ribatejo", tambem a pastel, são os quadros de El-rei, despertenciosamente feitos, nalgumas horas d'ocio, bem aproveitadas cultivando a arte.

Uma pequena tela, "Pescador" [v. O Occidente N.º 516, 21 de abril de 1893], é o quadro com que a Rainha a Senhora D. Maria Amelia honra a exposição. Deste quadro e da "Paizagem do Ribatejo" [v. O Occidente N.º 516, 21 de abril de 1893] esperamos publicar as reproduções em gravura, dum dos próximos n.os d'O Occidente, pondo assim ante os olhos dos nossos leitores estas duas obras d'arte a que basta o prestigio dos nomes que as firmam. (8)


(1) O Occidente N.º 517, 1 de maio de 1893
(2) O Occidente N.º 519, 21 de maio de 1893
(3) O Occidente N.º 520, 1 de junho de 1893
(4) O Occidente N.º 524, 11 de julho de 1893
(5) O Occidente N.º 526, 1 de agosto de 1893
(6) O Occidente N.º 527, 11 de agosto de 1893
(7) O Occidente N.º 530, 11 de setembro de 1893
(8) O Occidente N.º 515, 11 de abril de 1893

Leitura relacionada:
O Coelho a ver passar o combóio...

Leitura adicional:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
Zacharias d'Aça, Lisboa moderna, Lisboa, Viuva Tavares Cardoso, 1907
Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra
M. A. O. Costa Mendes, O pintor Marques de Oliveira (1853-1927), Lisboa, ACD, 2015

Temas: Pintura, Grupo do Leão

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Grémio Artístico (non in solo pane vivit homo)

Com este título [Grémio Artístico (9 exposições anuais, de 1891 a 1899)] vae fundar-se em Lisboa uma sociedade para promover o desenvolvimento da arte nacional, por meio da aggremiação de todos os artistas portuguezes e pessoas que se interessam pelas bellas artes; fazendo exposições annuaes e estabelecendo na sua sede, uma exposição permanente; abrindo aulas de desenho, aguarella, pintura e esculptura; realisando conferencias publicas sobre assumptos d’arte e litteratura; publicando mensalmente uma revista artistica e litteraria; estabelecendo um gabinete de leitura. 

Descanso (posteriormente O atelier do artista), Malhoa, 1893 ou 1894.
Imagem: Wikipédia

A comissão organisadora d’esta sociedade é composta dos srs. Antonio Carvalho da Silva Porto, Ernesto Condeixa, João Vaz, Abel Accacio Botelho, Monteiro Ramalho e Emygdio Brito Monteiro.

Où es-tu Lili?, José de Brito, 1890.
Imagem: O Occidente N.º 524, 11 de julho de 1893

Sabemos que tem adherido a esta idéa muitos artistas e amadores de bellas-artes, tendo-se realisado já a primeira reunião para a leitura dos estatutos. A fundação d'esta sociedade será de grande beneficio para a arte portugueza que tão abandonada tem andado. (1)

Retrato de Abel Acácio Botelho, António Ramalho, 1889.
Imagem: MNAC

Annos depois de organisado o grupo do Leão, bolorencias inherentes à natureza pantanosa d'este género de sociedades, levaram alguns artistas a se separarem d'elle, e a incorporarem-se-lhe outros, e a nova confraria a alargar-se num programma mais íngreme de letras e artes, com saraus, banquetes, exposições e regalos, que, pela vida periclitante da nova milí­cia, intitulada Grémio Artístico, não chegaram a cabal execução, à parte as exposições, decaídas, que o profissional hoje evita, e que a invasão do furioso amador quasi tornou fastidiosas. (2)

Colheita ou Ceifeiras, Silva Porto, 1893.
Imagem: Wikipédia

A rotina dos salões do Grémio implicava porém a presença dos melhores "naturalistas" da primeira e da segunda geração. Catálogo após catálogo os nomes desfilam, perdidos embora num nevoeiro de amadores e discípulos, que contribuíam para o elevado número de peças de pintura espostas (de 160 a 220; mas só 81 no último salão).

NON IN SOLO PANE VIVIT HOMO
(nem só de pão vive o homem)

Nas salas da exposição Silva Porto, até morrer, Malhoa e Vaz, sem faltarem um só ano, Columbano desde 96, Ramalho, Marques de Oliveira, Condeixa, Brito, Josefa Greno, uma ou duas vezes ausentes, e outros mais novos e igualmente assíduos, como Luciano Freire, Salgado, Carlos Reis, Gameiro, Colaço, Teixeira Lopes uma ou outra vez (numa secção de escultura habitualmente pobre), o rei D. Carlos, concorrendo sempre, dão ao "Salon" português uma significação panorâmica que tem de ser considerada no estudo dos anos 90. (3)


(1) O Occidente n.° 407, 11 de abril de 1890
(2) Fialho de Almeida cf. Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I),
Illustrações de Casanova & Ramalho, Pref. de Fialho de Almeida, Lisboa, Livraria Ferin, 1896
(3) José Augusto França, A arte em Portugal no século XIX (vol. II), Lisboa, Livraria Bertrand, 1990

1.ª exposição, 1891:
O Occidente N.º 441, 21 de março de 1891
O Occidente N.º 442, 1 de abril de 1891
O Occidente N.º 443, 11 de abril de 1891
O Occidente N.º 445, 1 de maio de 1891

2.ª exposição, 1892:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
O Occidente N.º 480, 21 de abril de 1892
O Occidente N.º 481, 1 de maio de 1892
O Occidente N.º 482, 11 de maio de 1892
O Occidente N.º 483, 21 de maio de 1892

3.ª exposição, 1893:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
O Occidente N.º 515, 11 de abril de 1893
O Occidente N.º 516, 21 de abril de 1893
O Occidente N.º 517, 1 de maio de 1893
O Occidente N.º 519, 21 de maio de 1893
O Occidente N.º 520, 1 de junho de 1893
O Occidente N.º 524, 11 de julho de 1893
O Occidente N.º 526, 1 de agosto de 1893
O Occidente N.º 527, 11 de agosto de 1893
O Occidente N.º 530, 11 de setembro de 1893

Silva Porto falecido a 1 de junho de 1893:
O Occidente N.º 521, 11 de junho de 1893
Serões, revista mensal ilustrada, dezembro de 1905

A exposição Columbano:
O Occidente N.º 557, 11 de junho de 1894

4.ª exposição, 1894:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (I), 1896
O Occidente N.º 556, 1 de junho de 1894
O Occidente N.º 564, 21 de agosto de 1894
O Occidente N.º 565, 1 de setembro de 1894
Arte Portugueza N.º 2, fevereiro de 1895
Arte Portugueza N.º 3, março de 1895
Arte Portugueza N.º 4, abril de 1895

5.ª exposição, 1895:
Arte Portugueza N.º 4, abril de 1895
Arte Portugueza N.º 4, abril de 1895

6.ª exposição, 1896:
Catalogo illustrado da 6ª exposição de arte promovida pelo Grémio Artístico em 1896
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (II), 1898
O Occidente N.º 625, 5 de maio de 1896
Branco e Negro, abril de 1896

7.ª exposição, 1897:
Catalogo illustrado da 7ª exposição de arte promovida pelo Grémio Artístico em 1897
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (II), 1898
O Occidente N.º 665, 20 de junho de 1897
O Occidente N.º 666, 30 de junho de 1897
O Occidente N.º 668, 20 de julho de 1897
O Occidente N.º 671, 20 de agosto de 1897
Branco e Negro, 17 de maio de 1897

8.ª exposição, 1898:
A 8.ª Exposição do Grémio assumiu carácter extraordinário, por se incluir nas comemorações do Centenário da Índia; e marcante foi também a contribuição do rei...
cf.
Críticos e crítica de arte em torno da obra de D. Carlos de Bragança

9.ª exposição, 1899:
Ribeiro Arthur, Arte e artistas contemporaneos (III), 1903
O Occidente N.º 732, 30 de abril de 1899
Branco e Negro, 26 de março de 1899
Fialho de Almeida, À esquina (diário de um vagabundo), Coimbra, F. França Amado, 1903

Informação relacionada:
Nuno Saldanha, José Vital Branco MALHOA (1855-1933): o pintor, o mestre e a obra

Temas relacionados: Pintura, Grupo do Leão

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