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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Almeida Garrett por Bulhão Pato: no eremitério

Um dia de manhã a governanta, colossal nas formas, mas expedita e intelligente no seu lavor domestico, entrou no quarto e, entregando uma carta, disse:

— Veiu trazel-a agora um criado do sr. Garrett.


Palácio da Ajuda e torre do relógio, Francesco Rocchini (1822 - 1895), c. 1868.
Biblioteca Nacional de Portugal

O dono da casa interrompeu o trabalho e abriu a carta. Era longa. No fim da leitura voltou-se para mim, com ar prasenteiro, e disse-me:

— Uma boa nova; o Garrett vem passar o resto da primavera e o verão comnosco.

Fiquei pulando de contente. Viver com o grande poeta debaixo dos mesmos tectos, aprecial-o no trato intimo, ouvir-Ihe, da própria boca, os episódios da sua vida tão aventurosa, tão cortada de lances notáveis, era o máximo a que podia aspirar a minha imaginação juvenil e ardentemente impressionavel por tudo quanto era litterario. 

Raimundo António de Bulhão Pato (1828-1912).
Hemeroteca Digital

Preparou-se para o nosso hospede o quarto mais amplo e mais commodo que havia no eremitério.

Garrett mandou o seu saco de noite, uma pasta com manuscriptos, e o estojo de toilette, peça esta que, á primeira vista, podia parecer uma caixa de instrumentos cirúrgicos e juntamente uma botica portátil: tal era a quantidade de ferros cortantes em forma de canivetes, escalpellos e bisturis; as tesoiras de todas as dimensões, as pinças, as esponjas, de todos os tamanhos, e a enorme quantidade de frascos que encerravam finissimas essências combinadas pelos mais imaginosos e mais famosos perfumistas de Londres e Paris.

O dono da casa, vendo o estojo aberto diante do espelho, contemplou-o, como eu contemplava as notas, isto é, com os olhos arregalados de pasmo, e, passados alguns momentos, voltando-se para mim, disse com ar solemne:

— Ora veja o meu amigo de quantas cousas pôde precisar um homem n'este mundo!


Alexandre Herculano (1810-1877)
Wikimedia Commons

O auctor do "Fr. Luíz de Sousa" veiu para a Ajuda. Entravam os primeiros dias de maio.

O dono da casa dera liberdade plena aos seus hóspedes, para que os seus hospedes lh'a deixassem a elle também. Levantava-se às mesmas horas, almoçava e sentava-se á mesa do trabalho, como de ordinário. 

Garrett preguiçava, mas aquellas horas de preguiça eram como as de Byron. De quando em quando do "dolce far niente", que os italianos entendem por fazer aquillo de que se gosta, saia uma flor delicada e perfumadíssima, que iria enlaçar-se na graciosa grinalda das "Folhas Caídas".

Garrett, n'essa época, estava na força da vida, tinha quarenta e oito annos, mas havia muito que lhe chamavam velho.

As gerações do romantismo literário em Portugal reunem-se na casa da Ajuda em 1849:
Almeida Garrett (1799-1854), Alexandre Herculano (1810-1877) e Bulhão Pato (1828-1912).

Como os poetas tem de ser calumniados em tudo, a elle até o calumniavam na idade, e auctorisavam a calumnia com o longo catálogo das suaa obras.

Não se lembravam de que o cantor de D. Branca, como o cantor de Leandro e Hero, balbuciára ainda na infância a lingua sonora dos immortaes! 

Ás tardes discorriamos, com o dono da casa, pelo aprasivel Valle das Romeiras, onde Rebello da Silva passava uma temporada com Julio Caldas, e augmentada a romagem com mais dois companheiros, alargávamos, não raro, o passeio até ás proximidades de Carnaxide e Linda a Pastora. 

Luiz Augusto Rebello da Silva (1822-1871)
Wikipédia

Se eu fosse stenographo e houvesse transcripto as conversações dos três, que escutava em silencio durante aquellas tardes, em vez d'estas paginas incolores teria o leitor o livro mais elegante, mais espirituoso, mais variado e original da litteratura portugueza! 

Foi n'um d'esses passeios que Almeida Garrett delineou uma viagem monumental. 

O plano era o seguinte: 

Comprar-se um macho possante, para transportar bagagem e barraca de campanha. 

O auctor do "Monge de Cister" daria três ou quatro mezes de ferias á "Historia de Portugal".

Rebello da Silva acompanhava. Correríamos a Beira, o Minho e Traz-os-Montes a pé, e a pequenas jornadas. Os três escreveriam um livro: na própria phrase de Garrett:

Chafariz de Guimarães, Augusto Roquemont, 1847.
Imagem: Desde o tempo do barroco

"Far-se-há chronica de quanto virmos e ouvirmos".

A viagem não se realisou, principalmente, pelo aspecto que foram tomando as cousas politicas. 

Que bella chronica, que sumptuoso livro perdeu Portugal!

Findou a primavera, correu o verão, e só nas entradas do inverno é que Almeida Garrett regressou a Lisboa. 

N'esse inverno, entre outras cousas, escreveu o capitulo de um romance, que deve existir entre os manuscríptos que legou o poeta.

A leitura do capitulo foi pretexto para um jantar.

Garrett morava então na calçada do Salitre. O fino tacto do grande escríptor respirava em todas as cousas que o cercavam. 

Não era uma casa aquella — era um sanctuarío da arte!

Casa na rua Saraiva de Carvalho antiga rua de Santa Isabel onde faleceu Almeida Garrett.
[Casas onde, em Lisboa, residiu Almeida Garrett]
O Occidente, 30 janeiro 1899

A intuição, o gosto do seu espirito delicadíssimo, revelava-se no que apparentemente parecia mais insignificante.

Constavam os convivas de A. Herculano, Rebello da Silva, Lopes de Mendonça, Carlos Bento, D. António Jorge da Cunha Menezes e eu. 

D. António de Menezes tinha intelligencia fina e coração nobilissimo. 

Muito moço; alto, elegante, mas franzino e débil de compleição; os olhos claros; o olhar limpído, as pestanas longas. O vago ideal d'aquelles olhos fazia-nos scismar quando attentavamos n'elles.

A extrema pallidez do rosto prenanciava, já então, a terrível enfermidade que havia de arrebatal-o na flôr da vida. 

Na belleza das feições, que tinham os primores e mimos feminis, respirava, ao .mesmo tempo, a virilidade da sua alma e o valor áo seu animo provado já no campo da batalha. 

As mãos eram finas, mãos de rasa, como dizem os ingleses. 

Corria-lhe nas veias fidalguissimo sangue. Seu pae represratava os Menezes de Africa, sua mae era D. Anna Mafalda da Cunha, irmã do conde da Cunha, D. José; varonia das mais provadas, das mais antigas e mais íllustres âe Portugal.

Hoje, até para um homem das minhas idéas, faz bem ver um aristocrata de velha rocha.

É uma cousa artística. 

Desenjoa-sse a gente das gorduras de certos viscondes, que estoiram as luvas, por mais elastica que seja a pellica, com os nós das mãos ossudas e habituadas a puxar pelo cabo da enxada nativa, socia inseparável da sua linfancia. 

Uma tradicção viva do passado em face d'este presente é cousa agradavel: faz-nos lembrar que já tivemos uma sociedade legahneitte constituida: sociedade de gente limpa e gente branca. 

A distríbuiçao de fitas, de conmendas, de gran cruzes, de títulos, é o symptoma mais decisivo de que este systema que nos rege está a cair a pedaços. 

Todos os íntemacíonaes do mundo — dos republicanos já se não falla (ao que parece, os republicanos são ultra-conservadores em presença dos que proclamam a liquidação social) —, todos os intemacionaes, digo, a noya seita que apavora o espirito e faz tremer as carnes do burguez rotundo e do banqueiro anafado, annunciam menos um novo génesis social do que esta ambição de tratamentos, de distincçoes, de gerarchia, de que toda a ge&te ri, mas que quasi toda a gente quer. 

Quando a corrupção chega a lavrar no gosto, na lingua e nas idéas de uma sociedade, essa sociedade está irremediavelmente perdida.

Por exemplo: 

A um canteiro, que pôde ser um artífice de bastante merecimento chama-se hoje um esculptor.

Aquelle que dentro de um troço de mármore vè o Moisés, a Psyche, ou as Graças, como o designaremos? Que nome se ha de dar a Miguel Angelo, a Pradier, a Canova e a Thorwaldsen?

Ao café pediram todos, com viva instancia a leitara do capitulo. 

O poeta accedeu de boamente. 

Garrett lia com primor. Tinha uma voz masculina, cheia, poderosa, quando se exaltava na tribuna: um pouco áspera talvez; mas, assim que o assumpto o pedia, modificava as inflexões e conseguia todos os effeitos da declamação correcta. Nada de enphatico, de piegas, de amaneirado. 

Selo postal Almeida Garrett, 1957.
Delcampe

Declamava, como escrevia, com o mais apurado gosto e a maior naturalidade. Começou a leitura. 

Recordo-me bem que o romance principiava de modo original. O primeiro capitulo era a descripção da morte da heroina. 

Descripção admirável, como elle as fazia! Depois da leitura começou a discussão em que entraram: A. Herculano, Rebello da Silva, Lopes de Mendonça e Carlos Bento. 

A discussão era sobre o desfecho. O poeta tinha dois meios de resolver o problema, mas não lhe agradava nenhum. 

Depois de longo debate combinou-se um terceiro.

Carlos Bento tinha, n'esse tempo, grande enthasiasmo pelas letras, e, alem de ser conversador como ha muito poucos, possuia gosto finíssimo.

A politica, em que tem andado mettido de pés e cabeça — parece incrível — ainda não conseguiu acabar-lhe com isso!

Na entrada da primavera do anno seguinte o poeta voltou para o eremitério. 

Casa de Alexandre Herculano na Ajuda, Largo da Torre, Alberto Carlos Lima, década de 1910.
 Arquivo Municipal de Lisboa

Sentia-se na força da inspiração. Os versos, com o ardor dos vinte annos, desatavam-se de dia a dia. Ao mesmo tempo gisava as scenas do seu grande romance "Helena", de que ha pouco sairam os primeiros capítulos, formosos quadros, que deixam o leitor suspenso em ardente curiosidade.

Ah! porque descaiu mortal a mão do artista!

Parece que o poeta presentia já a morte quando, com sorriso melancólico, me recitava estes lindos e apaixonados versos:

Bem o vés, o alaúde caía-me
D'estas mãos que não tem já poder;
E o som derradeiro fugiu-me 
Do hymno eterno que ergui ao nascer.
Ai! por ti, por ti só, á memoria
Vem saudades do tempo da gloria !

Uma fragata inglesa a chegar ao Tejo frente à Torre de Belém, com uma fragata portuguesa ancorada ao largo pela sua popa, Joseph, ou Giuseppe, Schranz, depois de 1834.
Cabral Moncada Leilões

Oh! os poetas, os poetas!... Só elles têm alma de pagar as volúveis carícias da mulher com a immortalidade! (1) 


(1) Bulhão Pato, Sob os Ciprestes, 1877

Mais informação:
Arquivo Municipal do Porto: Documentos com referência a Garrett, Almeida. 1799-1854, escritor
Casa onde nasceu Almeida Garrett Archivo Pittoresco, 4.º Ano, n.º 7, 1861
XXIV Anniversário da morte d'Almeida Garrett, O Occidente, 15 dezembro 1878
Centenário de Almeida Garrett, O Occidente, 30 janeiro 1899
Casas onde, em Lisboa, residiu Almeida Garrett
Almeida Garrett na Hemeroteca Digital de Lisboa

Artigos relacionados:
O partido setembrista, Lisboa 1836
Manoel da Silva Passos, Lisboa 1836
O retiro de um velho romântico
Almeida Garrett
Garretismo
Os pincéis do Neogarretismo prévio



Internet Archive (referências biográficas):
Domingos Manuel Fernandes, Biographia politico-litteraria..., 1873
Teophilo Braga, Historia do romantismo em Portugal... Garrett, Herculano, Castilho, 1880
Francisco Gomes de Amorim, Garrett, memórias biográficas, Tomo I, 1881
Francisco Gomes de Amorim, Garrett, memórias biográficas, Tomo II, 1884
Francisco Gomes de Amorim, Garrett, memórias biográficas, Tomo III, 1884
Alberto Bessa, Almeida Garrett no Pantheon dos Jeronymos, 1902
Alfredo de Pratt, O divino poeta, 1903
Latino Coelho, Garrett e Castilho, estudos biográficos, 1917

Internet Archive:(bibliografia):
Catão [1821], 2.a ed. 1830
Teophilo Braga, Obras completas de Almeida Garrett, Volume I, 1904
Teophilo Braga, Obras completas de Almeida Garrett, Volume II, 1904
...

Biblioteca Nacional de Portugal:
Bicentenário de Almeida Garrett
Roteiro bio-bibliográfico
Obras em formato digital
A Enciclopédia de Garrett Enciclopedista
Modernidade e Romantismo em Almeida Garrett
Viagens na Minha Terra: caminhos para a leitura de uma "embaraçada meada"
Modos de cooperação interpretativa na leitura escolar do Frei Luís de Sousa
A Question of Timing: Madalena's role as 'uma mulher à beira duma crise de nervos'
Catão em Plymouth
O Camões garrettiano
Um Auto de Gil Vicente and the Tradition of Comedy
Iconografia

Obras digitalizadas de Garrett, Almeida

Biblioteca Nacional de Portugal (bibliografia):
Hino Patriótico (poema), Porto 1820, folheto impresso [Recuper. por Teófilo Braga, in Garrett e os Dramas Românticos, Porto 1905]
Proclamações Académicos, Coimbra 1820, folhetos mss. [Reprod. in O Patriota, nº 67 (15 Dez.), Coimbra 1820]
Ao corpo académico (poema), in Colecção de Poesias Recitadas na Sala dos Actos Grandes da Universidade [...], Coimbra 1821 [Recuper. por Martins de Carvalho, in O Conimbricense, Ano XXVII, nº 2823 (14 Ag.), Coimbra 1874]
O Dia Vinte e Quatro de Agosto (ensaio político), Lisboa Ano I (1821)
O Retrato de Vénus (poema), Coimbra Ano I (1821) [Incl.: Ensaio sobre a História da Pintura]
Catão. Tragédia, Lisboa Ano II (1822) [Incl.: O Corcunda por Amor, farsa, co-autoria de Paulo Midosi]
Aos Mortos no Campo da Honra de Madrid. Epicédio, folheto [reprod. do Jornal da Sociedade Literária Patriótica, 2º trim., nº 18 (13 Set.), Lisboa 1822, vol. II, pp. 420-423]
Oração Fúnebre de Manuel Fernandes Tomás, Lisboa 1822, opúsculo [Colig. in Discursos e Poesias Fúnebres [...], Celebradas para Prantear a Dor e Orfandade dos Portugueses, na Morte de Manuel Fernandes Tomás, Lisboa 1823]
Camões. Poema, Paris 1825
Dona Branca, ou A Conquista do Algarve (poema), Paris 1826
Da Europa e da América e de Sua Mútua Influência na Causa da Civilização e da Liberdade (ensaio político), in O Popular, jornal político, literário e comercial, vol. IV, nº XIX (Mai.), Londres 1826, pp. 25-81
Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa, in Parnaso Lusitano ou Poesias Selectas dos Autores Portugueses Antigos e Modernos, vol. I, Paris 1826 [Incl.: introdução A Quem Ler]
Carta de Guia para Eleitores, em Que se Trata da Opinião Pública, das Qualidades para Deputado e do Modo de as Conhecer (ensaio político), Lisboa 1826, opúsculo Adozinda. Romance (poema), Londres 1828 [Incl.: Bernal Francês]
Lírica de João Mínimo, Londres 1829
Lealdade, ou a Vitória da Terceira (canção), Londres 1829, folheto Da Educação. Livro Primeiro. Educação Doméstica ou Paternal, Londres 1829
Portugal na Balança da Europa. Do Que Tem Sido e do Que Ora Lhe Convém Ser na Nova Ordem de Coisas do Mundo Civilizado (ensaio político), Londres 1830
Elogio Fúnebre de Carlos Infante de Lacerda, Barão de Sabroso, Londres 1830, folheto Carta de M. Cévola, ao futuro editor do primeiro jornal liberal que em português se publicar (panfleto político), Londres 1830 [Pseud.: Múcio Cévola, 2ª ed. transcrita in O Pelourinho, nº V, Angra [1831?, com o título Carta de M. Cévola, oferecida à contemplação da Rainha, a senhora Dona Maria segunnda]
Relatório dos decretos nº 22, 23 e 24 [reorganização da fazenda, administração pública e justiça], Lisboa 1832, folheto [Reprod. in Colecção de Decretos e Regulamentos [...], Lisboa 1836]
Manifesto das Cortes Constituintes à Nação, Lisboa 1837, folheto [Reprod. in Diário do Governo, nº199 (24 de Ag.), Lisboa 1837]
Da Formação da Segunda Câmara das Cortes. Discursos Pronunciados nas Sessões de 9 e 12 de Outubro, Lisboa 1837
Necrologia [do conselheiro Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato], in O Constitucional, nº 272 (13 Dez.), Lisboa 1838 [Relatório ao] Projecto de lei sobre a propriedade literária e artística, in Diário da Câmara dos Deputados, Vol. II, nº 35 (18 Mai.), Lisboa 1839
Discurso do Sr. Deputado pela Terceira, J. B. de Almeida Garrett, na Discussão da Resposta ao Discurso da Coroa, Lisboa 1840 [Discurso dito do Porto Pireu, em resposta a José Estevão] Mérope, tragédia.
Um Auto de Gil Vicente, drama, Lisboa 1841.
Discurso do Sr. Deputado por Lisboa J. B. de Almeida Garrett na Discussão da Lei da Décima , Lisboa 1841, folheto
O Alfageme de Santarém, ou a Espada do Condestável, Lisboa 1842
Elogio Histórico do Sócio Barão da Ribeira de Saborosa, in Memórias do Conservatório Real de Lisboa, Tomo II (8), Lisboa 1843
Memória Histórica do Conselheiro A. M. L. Vieira de Castro, biografia, Lisboa 1843, folheto [Anón., sobre o ministro setembrista António Manuel Lopes Vieira de Castro]
Romanceiro e Cancioneiro Geral, Lisboa 1843 [Incl.: Adozinda (2ª ed.) e outros «romances reconstruídos»]
Miragaia, Lisboa 1844, folheto impresso [de Jornal das Belas Artes] Frei Luís de Sousa, drama, Lisboa 1844 [Incl.: Memória. Ao Conservatório Real, lida na representação do drama no teatro da Quinta do Pinheiro em 4 de Julho 1843]
O conselheiro J. B. de Almeida Garrett [Autobiografia], in Universo Pitoresco, nº 19-21, Lisboa 1844 [Carta sobre a origem da língua portuguesa], ensaio literário, in Opúsculo Acerca da Origem da Língua Portuguesa [...] por dois sócios do Conservatório Real de Lisboa, Lisboa 1844
O Arco de Santana. Crónica portuense, romance, vol. I, Lisboa 1845 [Anón.]
Os Exilados, À Senhora Rossi Caccia, poesia, Lisboa 1845, folheto [Reprod. in Revolução de Setembro, nº 1197 (31 Mar.), Lisboa 1845, p. 2, anónimo e título A Madame Rossi Caccia, cantando no baile de subscrição a favor dos emigrados]
Memória Histórica do Conde de Avilez, biografia, in Revolução de Setembro, nº 1210 (15 Abr.), Lisboa 1845
Flores Sem Fruto (poesia), Lisboa 1845
Da Poesia Popular em Portugal, ensaio literário, in Revista Universal Lisbonense, Tomo V, nº 37 (5 Mar.) – 41 (2 Abr.), Lisboa 1846; [cont. sob título:]
Da Antiga Poesia Portuguesa, in id., Tomo VI, nº 9 (23 Jul.), 13 (20 Ag.), Lisboa 1846
Viagens na Minha Terra, romance, 2 vols., Lisboa 1846
Filipa de Vilhena, comédia, Lisboa 1846 [incl.: Tio Simplício, comédia, e Falar Verdade a Mentir, comédia]
Parecer da Comissão sobre a Unidade Literária, in Revista Universal Lisbonense, nº 16 (10 Set.), Lisboa 1846, vol. VI, sér. II, pp. 188-189 [dito Parecer sobre a Neutralidade Literária, da Associação Protectora da Imprensa Portuguesa, assinado por Rodrigo da Fonseca Magalhães, Visconde de Juromenha, A. Herculano e João Baptista de A. Garrett]
Sermão pregado na dedicação da capela de Nª Srª da Bonança, folheto, Lisboa 1847 [raro, reproduzido com o título Dedicação da Capela dos Srs. Marqueses de Viana (...) in Escritos Diversos, Lisboa 1899,
Obras Completas, vol. XXIV, pp. 281-284, redac.: Lisboa 1846]
Memória Histórica da Excelentíssima Duquesa de Palmela, Lisboa 1848 [folheto]
Memória Histórica de J. Xavier Mouzinho da Silveira, Lisboa 1849 [separ., reprod. de A Época. Jornal de indústria, ciências, literatura, e belas-artes, nº 52, tom. II, pp. 387-394]
O Arco de Santana. Crónica Portuense, romance, vol. II, Lisboa 1850
Protesto Contra a Proposta sobre a Liberdade de Imprensa, abaixo-assinado, folheto, Lisboa 1850 [Subscrito, à cabeça, por Herculano e mais cinquenta personalidades, contra o projecto de «lei das rolhas» apresentado pelo governo]
Necrologia de D.ª Maria Teresa Midosi, in Diário do Governo, nº 221 (19 Set.), Lisboa 1950
Romanceiro, vols. II e III, Lisboa 1851
Cópia de uma Carta Dirigida ao Sr. Encarregado de Negócios da França em Lisboa, Lisboa (19 Agosto) 1852 [litogr., sobre o tratado de comércio e navegação com o governo francês, que assinou como ministro dos negócios estrangeiros]
O Camões do Rossio, comédia, Lisboa 1852 [co-autoria de Inácio Feijó]
Folhas Caídas, poesia, Lisboa 1853
Fábulas – Folhas Caídas, poesia, 2ª ed., Lisboa 1853

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Batalhões de Voluntários, Cerco do Porto, 1832

Batalhões de Voluntários criados por D. Pedro Duque de Bragança em 1832

 1 Batalhão Académico
 2 Companhia de Cavalaria
 3 Batalhão da Rainha


 4 1.° Batalhão Móvel
 5 2.° dito
 6 3.° dito da Serra do Pilar
 7 1.° dito Fixo
 8 2.° dito dito
 9 1.° dito Provisório de Santa Catharina
10 2.° dito de Santo Ovidio
11 3.° dito de Cedofeita
12 Companhoia de Artilharia Nacional
13 Dita de dita do Batalhão Fixo
14 Dita de dita do 2.° dito dito
15 Dita de Artifices de __ __
16 Dita dos Lampeões da Cidade


17 Batalhão de Empregados Publicos
18 Dito da Beira Baixa
19 Dito de Tras os Montes
20 Dito do Minho
21 Dito de ____ Atiradores
22 Dito do Trem do Ouro
23 Dito do Trem Nacional
24 Dito de Mercantes do Douro
25 Companhia d'ambulancia (1)


(1) Arquivo Municipal do Porto

Mais informação:
Cerco do Porto (1832-1833)

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Praia da Vitória (ou os Voluntários da Rainha em Villa da Praia) II de II

Antonio José de Souza Manoel Severim de Noronha, Conde de Villa Flôr, chegou ao porto da Villa da Praia no dia 22 de Junho de 1829, numa escuna, escapando com grande felicidade ao bloqueio [nota: repete este apontamento o texto do precedente, contudo, neste caso, apresentando iconografia topográfica e cartográfica].

Hemeroteca Digital de Lisboa

Era a segunda tentativa. Os soccorros trazidos pelo general Saldanha tinham sido repellidos pelas balas do cruzeiro inglez, que pouco depois foi mandado retirar [também "Nas aguas dos Açores (1829) deu-se um caso com Bernardo de Sá e seu irmão José, caso que escapou á phantasia de todos os auctores de romances enredados e tenebrosos"]!

Procedeu-se aos trabalhos de fortificação, em que prestaram relevantes serviços — Eusebio Candido Pinheiro Furtado [Memória Histórica de Todo o Acontecido no Dia Eternamente Fausto 11 de Agosto de 1829], e Joaquim José Groot da Silva Pombo.

Adoptaram-se, com pequenas modificações, as medidas tomadas pela Junta, continuando a fortificação desde o Porto Judeu até á Villa da Praia.

Planta da Bahia da Villa da Praya para Intiligencia, 1805.
Fortalezas.org

A esquadra de D. Miguel, constando, ao todo, de 22 vasos: nau D. João VI, trez fragatas [Pérola, Dianna e Amazona], duas corvetas [?, Princeza Real], cinco charruas [Jaya Cardozo, Galatea, Orestes, Princeza da Beira e Princeza Real], quatro brigues [ou cinco: 13 de Maio, Infante D. Sebastião, Providência, Glória e Devina Providência], etc [força de desembarque: dois patachos, Bom-fim e Carmo e Almas; duas escunas da Graciosa e Triunfo d'Inveja, dois iates, Bom Despacho e Santa Luzia e seis barcas canhoneiras, cada uma com uma peça], trazendo a bordo 3424 homens de desembarque, e 2224 da brigada e tripulação, appareceu nos mares da Terceira, na tarde de 29 de Julho de 1829 [Annaes da Terceira — Drummond].

Açores, Villa da Praia Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829.
Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, c. 1830.
Fortalezas.org

Nos Açores, ainda na força da verão, não são raros os dias chuvosos e de bruma espessa. O dia 11 de agosto rompeu carregado de neblina.

Os telegraphos não podiam trabalhar. De terra não se descortinava a esquadra. Subitamente appareceu proxima á bahia de S. Matheus (a oeste) já com as lanchas fóra, fazendo signaes aos na- vios e denunciando evidentemente a intenção do ataque.

Um grande aguaceiro caiu de repente e a esquadra encobrio-se de novo.

Ás 11 horas da manhã, em seguida a uma chuva torrencial, appareceram as pontas dos mastros, por cima do cabo de Santa Catharina.

Forte de Santa Catarina do Cabo da Praia, Damião Pego, 1881.
Fortalezas.org

Tinha chegado a hora do combate, que vou descrever rapidamente, e apenas como um episodio.

Defendiam a bahia da Villa da Praia o batalhão de Voluntarios da rainha, commandados pelo major Menezes, e outras forças que se conservavam debaixo d'armas desde a vespera, tendo á frente o denodado quartel-mestre-general, Balthazar d'Almeida Pimentel, actual conde de Campanhã.

Fundeava a esquadra inimiga trazendo á frente a nau D. João VI, ficando-lhe à esquerda as fragatas Diana, Amazona, e infante D. Sebastião. As outras embarcações em segunda linha.


Tudo isto lançou ferro tão proximo do terra, que não havia memoria de haverem feito outro tanto os proprios navios mercantes.

Commandava o forte do Espirito Santo, extrema esquerda, o alferes de caçadores Manuel Franco. O forte tinha trez peças, uma de calibre 18, as outras duas de 24, trez soldados de guarnição, e 8 artilheiros da costa.

Forte do Espírito Santo, Damião Pego, 1881.
Wikipédia

O do Porto [forte de Santa Cruz] era commandado pelo válentissirno alferes de infanteria — Simão Antonio de Alhuquerque e Castro, depois capitão de caçadores 5.

Forte de Santa Cruz (Praia da Vitória), Tombo dos Fortes da Ilha Terceira, 1881.
Wikipédia

Tinha uma peça, um artilheiro de linha, seis marinheiros, e a guarda composta de 4 soldados e um cabo. Vamos, que já era gente!

Faço uma relação mais circumstanciada das forças que entraram na acção, tirando-a dos — Annaes — para que se veja melhor quaes eram os recursos do partido liberal, e os prodigios que se operaram com esses escassos recursos.

O forte da Luz [Forte de Nossa Senhora da Luz] estava desartilhado no flanco esquerdo da bahia, de onde principiava a linha do batalhão de Voluntarios, estendida com cinco companhias, até o forte das Chagas, desartilhado tambem.

Muralhas do Forte de Nossa Senhora da Luz ou da Alfândega junto ao areal, c. 1900.
Delcampe

Duas barcas canhoneiras que alli havia, assim que viram a esquadra, refugiaram-se no porto. Os marinheiros portaram-se com bravura no combate. A cavallaria constava de 23 officiaes, commandados pelo capitão José de Pina Freire.

Tambem não deixava de ser um esquadrão imponente! Um punhado de academicos; mas esses estacionados nos Biscoitos, e os Voluntarios da rainha. Eis aqui as forças que estavam na Villa da Praia, quando a poderosa esquadra inimiga fundeou em linha de batalha.

Antes que a nau largasse ferro, o alferes Simão Antonio, eommandante do forte do Porto, fez-lhe um tiro de peça, matando-lhe um homem, ferindo outro, e caiisando-lhe diversas avarias a bordo.

A nau respondeu, cortezmente, mandando-lhe uma banda inteira. Travou-se o combate; cahiam chuveiros de balas.

O estrondo da artilheria era pavoroso. Os habitantes da villa julgaram-na arrasada por momentos. A esquadra, por ter fundeado muito proximo, perdeu a maior parte das balas, que se lhe encravaram na areia.

De terra, os Voluntarios da rainha, com intrepidez que tocava no delírio, sustentavam o fogo de fuzilaria sobre os navios.

Cada homem dizem que parecia um gigante, arrojado, temerario, inabalavel! Ás tres horas e meia da tarde, o chefe da esquadra, sentindo o silencio do forte do Espirito Santo, vendo as ruinas de outros, e persuadido, pelo fogo, de proposito, menos activo, que havia falta de munições, achou opportuno metter nas lanchas a sua primeira brigada, composta de 1114 granadeiros e caçadores.

Eram gente escolhida, bem postos, excellentemente fardados, disciplinados, arrojados, destemidos.

Cada um trazia noventa cartuchos, e cheio o cantil de vinho. Eram commandados por D. Gil Eannes e Azeredo, dois cabos de guerra de coragem verdadeiramente heroica.

Por entre a metralha dos seus proprios, e a chuva de balas liberaes, seguiam impavidos na empreza do desembarque.

Açores, Villa da Praia Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829 (detalhe).
Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, c. 1830.
Fortalezas.org

Sobre o ponto do desembarque uma illuzão pertinaz do bravissimo major Menezes seria fatal se não acudisse o quartel-mestre-general conde de Campanhã gritando-lhe:

"O desembarque é á esquerda; mande-me mais força para supportar a infanteria."

O major Menezes persistia ainda; desenganado, finalmente, mandou tocar a unir á esquerda para sustentar as forças que soffriam o impeto do ataque. O fogo, no forte, era como á queima-roupa.

Neste conflicto horrivel notou-se a intrepidez (que tal seria l) de um granadeiro realista e de um caçador liberal.

Entre os combatentes distínguia-se tambem um rapaz de 12 annos que chorava a morte do voluntario José Caetano Alvares, amigo de seu pae, batendo-se ao mesmo tempo, como o soldado mais destro! 

Na subida do Facho, exposto a um risco imminente, o conde de Ficalho (hoje marquez) assumindo forças collossaes arrancava penedos e despenhava-os sobre a cabeça dos adversarios.

Vista para o Monte do Facho.
A Villa da Praia é atacada pela esquadra do Uzurpador, em 11 de Agosto de 1829.
Biblioteca Nacional de Portugal

O major Menezes, vendo o inimigo flanqueado pelo alferes Caldas, gritava:

"Camaradas, estes cães levam-se á baioneta: armar baioneta, armar baioneta."

D'ali a pouco, no meio da horrivel carnificina, rebentavam os gritos de victoria dos soldados liberaes, gritos que descoroçoavam os assaltantes, e iam levar o terror á guarnição da esquadra. D. Gil Eannes e Azeredo tinham cahido no campo como dois heroes.

O espectaculo era horroroso! Centenares de infelizes soldados realistas saíam das ondas, onde luctavam com a morte, e, agarrando-se aos rochedos, eram atravessados pelas baionetas dos soldados liberaes.

Nestes extremos, os desventurados imploravam a vida aos vencedores, e os officiaes e os voluntarios, reprimindo o impeto das paixões, procuravam incutir nos animos exaltados os sentimentos de humanidade compativeis com os excessos da guerra.

Quando soavam os gritos da victoria apparecia o conde de Villa-Flôr com uma porção de tropa. Enthusiasmado, o conde abraçava o quartel-mestre-general — Balthazar d'Almeida. Este dizia-lhe:

"A batalha, general, está ganha, é de V. Ex.a. Os prisioneiros são immensos!"

O conde de Villa-Flôr entrava no campo. A esquadra tentou um segundo desembarque. Não chegou, porém, a effectual-o.

Vista da Villa da Praia no memoravel dia 11 de Agosto de 1829.
História dos Açores

A primeira lancha, apanhada por uma granada, virou com 120 granadeiros, bellissimos homens, dos quaes rarissimos se salvaram.

Á segunda suceedeu o mesmo; a terceira virou-se com o tumulto em que se pozeram os soldados: as outras recuaram, abrigando-se com a nau e as fragatas que as tinham protegido com toda a sua artilheria.

O terror panico apossou-se do animo dos assaltantes. A acção, para elles, estava completamente perdida. Receiando o effeito da artilheria grossa e das granadas, que tinham vindo com o reforço do conde de Villa-Flôr, a nau levantou com os outros navios, vendo-se obrigada a picar a amarra e deixar por mão as correntes.

Uma banda inteira foi a sua ultima despedida. É singular, contra 22 vasos de guerra, incluindo uma nau, trez fragatas, duas corvetas, einco charruas, quatro brigues; tendo da brigada e tripulação 2224 homens, de desembarque 3424; gente aguerrida, robusta, bem disciplinada; levando o amor pela sua causa até o fanatismo; resistiu e venceu um punhado de voluntarios, exercito commandado por majores, e onde o governador de um forte era um simples soldado!

Planta da Villa da Praya da Victoria, 1842.
Biblioteca Nacional de Portugal

Os que acreditarem na theoria dos factos providenciaes da historia, em parte alguma podem achar melhor exemplo do que na serie de milagres (não tenho outra palavra) que se deram desde a Praia da Victoria até Almoster e Asseiceira. (1)


(1) Bulhão Pato, Paizagens, 1871

Mais informação:
Instituto Histórico da Ilha Terceira
Forte do Espírito Santo
Forte de Santa Catarina do Cabo da Praia
Forte de Nossa Senhora da Luz
Forte de São José do Cabo da Praia

Leitura relacionada:
Francisco Ferreira Drummond, Annaes da Terceira, 1850
O dia 11 d'agosto de 1829, ou, A victoria da villa da Praia: poema heroico offerecido...

D. Pedro d'Alcântara:
D. Pedro d'Alcântara e Bragança, Imperador do Brasil, Rei de Portugal (Parques de Sintra)
D. Pedro d'Alcântara, Imperador do Brasil, Rei de Portugal (Google Arts & Culture)

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Praia da Vitória (ou os Voluntários da Rainha em Villa da Praia) I de II

Antonio José de Souza Manoel Severim de Noronha, Conde de Villa Flôr [futuro Duque da Terceira], chegou ao porto da Villa da Praia no dia 22 de Junho de 1829, numa escuna, escapando com grande felicidade ao bloqueio.

The Schooner "Monkey".
ARTUK

Era a segunda tentativa. Os soccorros trazidos pelo general Saldanha tinham sido repellidos pelas balas do cruzeiro inglez, que pouco depois foi mandado retirar [também "Nas aguas dos Açores (1829) deu-se um caso com Bernardo de Sá e seu irmão José, caso que escapou á phantasia de todos os auctores de romances enredados e tenebrosos"]!

Procedeu-se aos trabalhos de fortificação, em que prestaram relevantes serviços — Eusebio Candido Pinheiro Furtado [Memória Histórica de Todo o Acontecido no Dia Eternamente Fausto 11 de Agosto de 1829], e Joaquim José Groot da Silva Pombo.

Adoptaram-se, com pequenas modificações, as medidas tomadas pela Junta, continuando a fortificação desde o Porto Judeu até á Villa da Praia.

A esquadra de D. Miguel, constando, ao todo, de 22 vasos: nau D. João VI, trez fragatas [Pérola, Dianna e Amazona], duas corvetas [?, Princeza Real], cinco charruas [Jaya Cardozo, Galatea, Orestes, Princeza da Beira e Princeza Real], quatro brigues [ou cinco: 13 de Maio, Infante D. Sebastião, Providência, Glória e Devina Providência], etc [força de desembarque: dois patachos, Bom-fim e Carmo e Almas; duas escunas da Graciosa e Triunfo d'Inveja, dois iates, Bom Despacho e Santa Luzia e seis barcas canhoneiras, cada uma com uma peça], trazendo a bordo 3424 homens de desembarque, e 2224 da brigada e tripulação, appareceu nos mares da Terceira, na tarde de 29 de Julho de 1829 [Annaes da Terceira — Drummond].

A Villa da Praia é atacada pela esquadra do Uzurpador, em 11 de Agosto de 1829.
Biblioteca Nacional de Portugal

Nos Açores, ainda na força da verão, não são raros os dias chuvosos e de bruma espessa. O dia 11 de agosto rompeu carregado de neblina.

Os telegraphos não podiam trabalhar. De terra não se descortinava a esquadra. Subitamente appareceu proxima á bahia de S. Matheus (a oeste) já com as lanchas fóra, fazendo signaes aos na- vios e denunciando evidentemente a intenção do ataque.

Um grande aguaceiro caiu de repente e a esquadra encobrio-se de novo.

Ás 11 horas da manhã, em seguida a uma chuva torrencial, appareceram as pontas dos mastros, por cima do cabo de Santa Catharina.

Pozição dos navios da esquadra portugueza na bahia da Villa da Praia
(Ilha 3) no combate do dia 11 d Agosto de 1829.
Biblioteca Nacional de Portugal (v. também http://purl.pt/25491/2/)

Tinha chegado a hora do combate, que vou descrever rapidamente, e apenas como um episodio.

Defendiam a bahia da Villa da Praia o batalhão de Voluntarios da rainha, commandados pelo major Menezes, e outras forças que se conservavam debaixo d'armas desde a vespera, tendo á frente o denodado quartel-mestre-general, Balthazar d'Almeida Pimentel, actual conde de Campanhã.

Fundeava a esquadra inimiga trazendo á frente a nau D. JoãoVI, ficando-lhe à esquerda as fragatas Diana, Amazona, e infante D. Sebastião. As outras embarcações em segunda linha.

Açores, Villa da Praia Ataque da 3.ª no dia 11 de Agosto de 1829.
Tenente Gualvão do Regimento dos Voluntarios da Rainha, c. 1830.
Fortalezas.org

Tudo isto lançou ferro tão proximo do terra, que não havia memoria de haverem feito outro tanto os proprios navios mercantes.

Commandava o forte do Espirito Santo, extrema esquerda, o alferes de caçadores Manuel Franco. O forte tinha trez peças, uma de calibre 18, as outras duas de 24, trez soldados de guarnição, e 8 artilheiros da costa.

O do Porto era commandado pelo válentissirno alferes de infanteria — Simão Antonio de Alhuquerque e Castro, depois capitão de caçadores 5.

Tinha uma peça, um artilheiro de linha, seis marinheiros, e a guarda composta de 4 soldados e um cabo. Vamos, que já era gente!

Faço uma relação mais circumstanciada das forças que entraram na acção, tirando-a dos — Annaes — para que se veja melhor quaes eram os recursos do partido liberal, e os prodigios que se operaram com esses escassos recursos.

O forte da Luz estava desartilhado no flanco esquerdo da bahia, de onde principiava a linha do batalhão de Voluntarios, estendida com cinco companhias, até o forte das Chagas, desartilhado tambem.

Duas barcas canhoneiras que alli havia, assim que viram a esquadra, refugiaram-se no porto. Os marinheiros portaram-se com bravura no combate. A cavallaria constava de 23 officiaes, commandados pelo capitão José de Pina Freire.

Tambem não deixava de ser um esquadrão imponente! Um punhado de academicos; mas esses estacionados nos Biscoitos, e os Voluntarios da rainha. Eis aqui as forças que estavam na Villa da Praia, quando a poderosa esquadra inimiga fundeou em linha de batalha.

Antes que a nau largasse ferro, o alferes Simão Antonio, eommandante do forte do Porto, fez-lhe um tiro de peça, matando-lhe um homem, ferindo outro, e caiisando-lhe diversas avarias a bordo.

A nau respondeu, cortezmente, mandando-lhe uma banda inteira. Travou-se o combate; cahiam chuveiros de balas.

O estrondo da artilheria era pavoroso. Os habitantes da villa julgaram-na arrasada por momentos. A esquadra, por ter fundeado muito proximo, perdeu a maior parte das balas, que se lhe encravaram na areia.

De terra, os Voluntarios da rainha, com intrepidez que tocava no delírio, sustentavam o fogo de fuzilaria sobre os navios.

Cada homem dizem que parecia um gigante, arrojado, temerario, inabalavel! Ás tres horas e meia da tarde, o chefe da esquadra, sentindo o silencio do forte do Espirito Santo, vendo as ruinas de outros, e persuadido, pelo fogo, de proposito, menos activo, que havia falta de munições, achou opportuno metter nas lanchas a sua primeira brigada, composta de 1114 granadeiros e caçadores.

Eram gente escolhida, bem postos, excellentemente fardados, disciplinados, arrojados, destemidos.

Cada um trazia noventa cartuchos, e cheio o cantil de vinho. Eram commandados por D. Gil Eannes e Azeredo, dois cabos de guerra de coragem verdadeiramente heroica.

Por entre a metralha dos seus proprios, e a chuva de balas liberaes, seguiam impavidos na empreza do desembarque.

Sobre o ponto do desembarque uma illuzão pertinaz do bravissimo major Menezes seria fatal se não acudisse o quartel-mestre-general conde de Campanhã gritando-lhe:

"O desembarque é á esquerda; mande-me mais força para supportar a infanteria."

O major Menezes persistia ainda; desenganado, finalmente, mandou tocar a unir á esquerda para sustentar as forças que soffriam o impeto do ataque. O fogo, no forte, era como á queima-roupa.

Neste conflicto horrivel notou-se a intrepidez (que tal seria l) de um granadeiro realista e de um caçador liberal.

Entre os combatentes distínguia-se tambem um rapaz de 12 annos que chorava a morte do voluntario José Caetano Alvares, amigo de seu pae, batendo-se ao mesmo tempo, como o soldado mais destro! Na subida do Facho, exposto a um risco imminente, o conde de Ficalho (hoje marquez) assumindo forças collossaes arrancava penedos e despenhava-os sobre a cabeça dos adversarios.

O major Menezes, vendo o inimigo flanqueado pelo alferes Caldas, gritava:

"Camaradas, estes cães levam-se á baioneta: armar baioneta, armar baioneta."

D'ali a pouco, no meio da horrivel carnificina, rebentavam os gritos de victoria dos soldados liberaes, gritos que descoroçoavam os assaltantes, e iam levar o terror á guarnição da esquadra. D. Gil Eannes e Azeredo tinham cahido no campo como dois heroes.

O espectaculo era horroroso! Centenares de infelizes soldados realistas saíam das ondas, onde luctavam com a morte, e, agarrando-se aos rochedos, eram atravessados pelas baionetas dos soldados liberaes.

Nestes extremos, os desventurados imploravam a vida aos vencedores, e os officiaes e os voluntarios, reprimindo o impeto das paixões, procuravam incutir nos animos exaltados os sentimentos de humanidade compativeis com os excessos da guerra.

Quando soavam os gritos da victoria apparecia o conde de Villa-Flôr com uma porção de tropa. Enthusiasmado, o conde abraçava o quartel-mestre-general — Balthazar d'Almeida. Este dizia-lhe:

"A batalha, general, está ganha, é de V. Ex.a. Os prisioneiros são immensos!"

O conde de Villa-Flôr entrava no campo. A esquadra tentou um segundo desembarque. Não chegou, porém, a effectual-o.

Batalha da Praia da Vitória, 1829.
Parques de Sintra

A primeira lancha, apanhada por uma granada, virou com 120 granadeiros, bellissimos homens, dos quaes rarissimos se salvaram.

Á segunda suceedeu o mesmo; a terceira virou-se com o tumulto em que se pozeram os soldados: as outras recuaram, abrigando-se com a nau e as fragatas que as tinham protegido com toda a sua artilheria.

O terror panico apossou-se do animo dos assaltantes. A acção, para elles, estava completamente perdida. Receiando o effeito da artilheria grossa e das granadas, que tinham vindo com o reforço do conde de Villa-Flôr, a nau levantou com os outros navios, vendo-se obrigada a picar a amarra e deixar por mão as correntes.

Uma banda inteira foi a sua ultima despedida. É singular, contra 22 vasos de guerra, incluindo uma nau, trez fragatas, duas corvetas, einco charruas, quatro brigues; tendo da brigada e tripulação 2224 homens, de desembarque 3424; gente aguerrida, robusta, bem disciplinada; levando o amor pela sua causa até o fanatismo; resistiu e venceu um punhado de voluntarios, exercito commandado por majores, e onde o governador de um forte era um simples soldado!

Terceira, Henry Warren, Edward Finden.
Meister Drucke

Os que acreditarem na theoria dos factos providenciaes da historia, em parte alguma podem achar melhor exemplo do que na serie de milagres (não tenho outra palavra) que se deram desde a Praia da Victoria até Almoster e Asseiceira. (1)


(1) Bulhão Pato, Paizagens, 1871

Mais informação:
Instituto Histórico da Ilha Terceira
Forte do Espírito Santo
Forte de Santa Catarina do Cabo da Praia
Forte de Nossa Senhora da Luz
Forte de São José do Cabo da Praia

Leitura relacionada:
Francisco Ferreira Drummond, Annaes da Terceira, 1850
O dia 11 d'agosto de 1829, ou, A victoria da villa da Praia: poema heroico offerecido...

D. Pedro d'Alcântara:
D. Pedro d'Alcântara e Bragança, Imperador do Brasil, Rei de Portugal (Parques de Sintra)
D. Pedro d'Alcântara, Imperador do Brasil, Rei de Portugal (Google Arts & Culture)

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Batalha do Cabo de S. Vicente (5 de julho de 1833)

O inimigo conservava-se em linha cerrada,  e reservou o seu fogo até nos acharmos bem a tiro de fuzil; a Fragata hissou então um signal, que supposémos ser a pedir licença para romper o fogo: o momento era critico, e todos nós o conheciamos.

Battle of Cape St. Vincent of 1833.
A squadron of Portuguese frigates commanded by British Admiral Napier on behalf of the Queen Maria Liberal faction defeated King Miguel’s Absolutist squadron, in the Portuguese Civil War
The Westphalian Post

Apenas a Náo hissou o seu signal em reposta ao da Fragata, rompêo esta a sua banda , o que foi instantaneamente seguido por toda a esquadra, á excepção da D. João que só nos podia chegar com os seus guarda-lémes. Pobre Rainha! 

Eu olhei para cima, esperando ver todos os mastros ao vai-vem; mas a flâmula tremulava no tope, é não obstante o mais tremendo fogo que jamais tinha presenceado, que fazia borbulhar o mar que nos rodeava, como um caldeirão a ferver, o fumo tendo-se dissipado, descobrio aos Miguelistas assombrados a Fragata Rainha, altivamente fluctuando sobre as aguas de Nelsone Sáo-Vicente, com os mastros, a prumo, mostrando unicamente na sua enxárcia e panno a prova do fogo que tinha experimentado (The fiery ordeal she had gone through).

Sketch of Napier's glorious triumph over the Miguelite Squadron, George Philip Reinagle, 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal

As guarnições estavão apostos, poucos forão mortos ou feridos no convéz, porém as três peças de proa sobre o tombadilho ficarão quasi sem guarnição, e o Tenente Nivett, da Marniha, ficou mortalmente fendo.

A este tempo ainda nós não tinhamos dado um só tiro, e ordenei então que se fizessem alguns sobre o inimigo, para evitar quanto fosse possivel que este decizivamenté escolhesse um ponto d'ataque. 

Sketch of Napier's glorious triumph over the Miguelite Squadron, George Philip Reinagle, 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal

O nosso exemplo foi seguido pela D. Pedro, e depressa passámos pela Fragata, e Martim de Freitas, perdendo este ultimo o seu mastaréo de velaxo. 

Sketch of Napier's glorious triumph over the Miguelite Squadron, George Philip Reinagle, 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal

A Náo de Linha da retaguarda mettêo então de ló, nós arribámos para evitar uma banda das suas baterias, e a D. João orçou toda, demandando o seu travéz com o intuito de nos collocar entre os fogos crusados das duas Náos.

Sketch of Napier's glorious triumph over the Miguelite Squadron, George Philip Reinagle, 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal

Isto era exactamente o que eu desejava, porque esta se achava nmito sotiventeada para poder retomar uma posição a barlavento; mettênios instantímeamente o léme de ló.

Sketch of Napier's glorious triumph over the Miguelite Squadron, George Philip Reinagle, 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal

A Fragata obedeceo ao léme, quasi roçando a popa da Náo Rainha coin o páo da giba; disparárão-se-lhe os cachorros, e mais peças de proa, carregados até á boca de bala rasa e metralha; alliviou-se então o léme, e corremos a prolongar-nos com a Náo debaixo de um fogo activíssimo, que deitou abaixo o meu Secretario, o Mestre, e muita gente. 

Ambos os Navios ficarão atracados crusando as vergas e velas grandes, e o Chefe de Divisão Wilkinson, e o Capitão Carlos Napier, commandando a gente d'abordagem saltarão de cima das ancoras para a amurada da Náo, e levarão adiante de si aquella parte da guarnição ao longo dos bailéos de bombordo. 

Batalha do Cabo de S. Vicente em 1833, Morel-Fatio.
Imagem: Wikipédia

Eu não tinha tenção de ser um dos da abordagem, tendo bastante que fazer em to- mar cuidado na esquadra , porém o impulso éra demasiadamente forte, eachei-nie, quasi sem saber como, em cima do Castello-de-prôa da Náo, accompanhado de um ou dois Officiaes. 

Alli fiz pausa, até que saltando mais gente dentro do Navio, corremos para ré dando um grande: Viva! — e ou passámos pelo meio, ou repellimos pela escotilha grande abaixo, uma partida dos inimigos.

Almirante Charles Napier por John Simpson, após 1834.
Parques de Sintra

N'este momento recebi um severo golpe com um pé-de-cabra, cujo dono não escapou a salvo, e o pobre Macdonough, cahio a meu lado traspassado por uma bala de fuzil; Barreiros, Commandante da Náo, apresentou-se na minha frente, ferido no rosto, e batendo-se como um tigre. 

Era um homem valente; eu lhe salvei a vida. Veio depois o 2.° Commandanle, e atirou-me uma tào boa cutilada, que nao tive coração para lhe fazer mal; também ficou salvo. Barreiros pegou outra vez em armas, e a final foi morto na Camara. 

O Chefe de Divisão, e o Capitão Carlos Napier, depois de terem levado adiante de si huma multidão d'inimigos, cahirão pelo lado de bombordo do tombadilho da Náo, gravemente feridos; o primeiro com difficuldade poude tornar para dentro da Fragata, o ultimo, perdendo os sentidos, jazêo por algum tempo sobre o tombadilho, até que as vozes dos amigos, que vinhão em seu soccorro, o fizerão tornar a si. 

Charles John Napier.
Royal Museums Greenwich

Estávamos já senhores da tolda, mas a carnagem continuava ainda, a pezar dos esforços dos Officiaes para a terminar.

A primeira e segunda coberta ainda senão tinhão rendido; e quando a Fragata D. Pedro se dispunha para a abordagem, ambos os Navios fizerão fogo. 

Fallei pelo porta-voz ao Capitão Goble para que não continuasse, pois já estávamos senhores do convéz, e para que desse caça á Náo D. João, que se tmha feito ao largo; n'este mesmo momento um tiro disparado da segunda coberta o ferio mortalmente , e dentro de poucos minutos já não existia.

O Tenente Edmunds, e Wooldridge saltarão abaixo com um troço de gente; apoderárão-se da coberta, mas ambos cahirão feridos mortalmente. 

Dentro em poucos minutos tudo estava tranquiilo; a ultima coberta tinha-se rendido, e muitos dos marinheiros Portuguezes saltarão para cima da tolda para salvar-se, trazendo, tiras de lona branca nos braços esquerdos, tendo descoberto que esse era o distinctivo que a nossa gente trazia ao abordar.

Plano de Ataque, Batalha do Cabo de S. Vicente, 5 de julho de 1833.
Internet Archive

Outros poderão passar para bordo do meu Navio, entre estes alguns rapazes, que se souberão introduzir na praça d'armas (gun-roorn), e se empregarão em alimpar vidros. 

A gente teve então ordem de voltar para bordo da Fragata Rainha, á excepção dos que forão nomeados para ficar, e n'esta confusão, separarão-se os dois Navios, deixando-me a bordo da Preza. Com tudo não tardou muito que eu me não achasse a bordo da Fragata Almirante. 

Posição ao dar a Abordagem, Batalha do Cabo de S. Vicente, 5 de julho de 1833.
Internet Archive

Mettêo-se um velaxo novo, porque o outro estava despedaçado; a vela grande também se achava inutilisada, e estávamos no acto de mettêr outra, fizemos força de vela, e rapidamente nos hiamos aproximando da Náo D. João, achando-se a D. Pedro ainda mais perto d'ella, quando, vendo que não havia meio de evitar o combate, mettêo de ló, e arriou bandeira. 

Dei ordem á D. Pedro para tomar posse da Náo, e dei caça ao Martim de Freitas, cuja força era mui desproporcionada á da Portuense (cujo commandaate, Blackstone, foi ferido mortalmente), e o Villa-FIòr; e ainda que tinha recebido consideráveis avarias, hia-se arrastando, fazendo força de vela: mas ás déz horas estava em meu poder. 

A Corveta Princeza Real, passando a travéz de um dos Vapores, rendêo-se tambem. Pouco tempo depois estava eu prolongado com a Náo Rainha. 

O Capitão Peak, da D. Maria, passou pela popa da Fragata de cincoenta, prolongou-se com ella, orçou toda, e depois de algumas bandas, mettêo o gorupéz por entre a enxárcia da gata, e a tomou corajosamente.

Posição depois do Combate, Batalha do Cabo de S. Vicente, 5 de julho de 1833.
Internet Archive

Assim terminou a Acção de 5 de Julho, deixando em nosso poder duas Náos de Linha, cada uma das quaes montava oitenta e seis peças, incluindo quatro de quarenta e oito para disparar bombas; uma Fragata de cincoenta, um Navio de cincoenta peças, e uma Curveta de dezoito.

Escaparão duas Curvetas e dois Brigues; as duas primeiras chegarão a salvo a Lièboa; um Brigue reunio-se- nos no dia seguinte, e o outro foi ter á Ilha da Madeira. 

O inimigo estava amplamente provido de toda a sorte de petrechos de guerra, e montava guarda-lémes, alem das suas completas baterias. 

Sir Charles Napier's Victory off Cape St Vincent while in the Portuguese Service under Admiral de Ponza.
Art.com

A perda da Esquadra andou por uns noventa mortos e feridos. O inimigo perdeo de dozentos a trezentos homens. (1)


(1) Charles Napier (trad. Manoel Codina), Guerra da successão em Portugal, Lisboa, 1841

Tema:
Guerras Liberais