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sábado, 26 de agosto de 2017

Palácio do Corpo Santo

A origem deste nome está no culto de S. Telmo, ou seja de S. Pedro Gonçalves Telmo, padroeiro dos pescadores, à qual os devotos chamavam Corpo Santo; a imagem venerava-se numa ermidinha quinhentista de Nossa Senhora da Graça que ficava no princípio da Travessa do Cotovelo, já na proximidade do largo actual, do lado norte [...]

Esta imagem, aqui horizontalmente invertida, é uma mistificação.
Baseada no original de Dirk Stoop de 1662, "O Palacio do Infante D Pedro em o Corpo Sancto em Lisboa" (v. a próxima imagem), foi, em 1707, invertida e publicada com figuras diferentes do original no primeiro plano e ao fundo, em Les delices de l'Espagne et du Portugal, tomo IV, em 1729 La galerie agréable du monde... ou em Annales d'Espagne et de Portugal, tomo III de Juan Alvares de Colmenar/Pieter Vander Aa.
Amplamente reproduzida e distribuída, durante mais de 80 anos, também a legenda foi adaptada aos acontecimentos que iam decorrendo.
Quando referente ao caso dos Távoras, em 1759, que foi divulgada pretendendo-se como representando o Palácio do Duque de Aveiro que seria depois arrasado.
A presente versão, "Palais du Comte d'Avero  á Lisbonne oú Charles III a été logé", é também um erro, pois Carlos III, de facto, esteve alojado no palácio dos condes de Aveiras, o actual Palácio de Belém.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Corte Real, palácio que foi habitado por El-Rei D. Pedro II, não só quando Infante, e Regente, mas quando já aclamado rei, lhe chamaram os tombadores — da Corte-Real, e com eles alguns autores também, e o próprio povo.

Ou ainda da Corte-Real, em lembrança persistente através os tempos, ainda que provàvelmente já inexplicada, da antiga proprietária, D. Margarida Corte-Real, falecida em 1610, e que tendo casado com o célebre Cristóvão de Moura, Vice-Rei de Portugal por Filipe de Castela, viu levantar-se o magnífico palácio, por determinação de seu marido, nos terrenos que de séculos eram herança de seus avós. (1)

O Palacio do Infante D Pedro em o Corpo Sancto em Lisboa
Gezicht op het paleis van Don Pedro te Lissabon, Dirk Stoop, 1662.
Imagem: Rijksmuseum

Depois da Ribeira das Naus, apparecia-nos, mais ao Poente, o arrogante palácio do Côrte-Real, que o povo chamava, sem saber porquê, "a Côrte-Real".

Compunha-se o palácio de quatro lanços com uma quadra ao meio; flanqueavam-n-o quatro torreões acoruchados, com altas grimpas: dois para a terra, e dois para o Tejo; e d'estes últimos destacavam-se dois compridos eirados, sobranceiros á linha da agua, que lhes vinha beijar o embasamento. No intervallo entre estes eirados, um jardim.

Se não existissem muitas estampas, de que possuo algumas, que nos mostram claramente a forma e ímportância celebre d'esse palacio, bastaria a admiração com que d'elle falam nos falam os centemporaneos, para nos demonstrar quanto era estimada em lisboa aquella bonita peça de architectura fillippina.

Depois de mencionar uma capella que havia n'este largo, e de que vou dentro em pouco tratar, diz o poeta da Relação de 1626:

Junto d'ella logo as casas
de architectura soberba
de Mouras Côrte-Reaes,
de bem Real apparencia.

E ha milhares de fragatas
na praia aqui junto d'ellas,
em que por pouco dinheiro
quem quer no mqr se recreia.

Depois d'esse autor portuguez, oiçamos como fala da casa o viajante francez Monconys em 1628:

"A residência do Marquez de Castello-Rodrigo — diz elle em plena dominação castelhana — é situada á beira do mar, e é das mais magnificas de Lisboa. Tem quatro formosos lanços de edificios flanqueados de torreões, e uns terraços onde se passeia, e que dominam o Tejo."

Como illustração ao texto, denuncio aos estudiosos uma bellisima gravura em cobre assignada por Van Merle, e intitulada "Veüe st Perspective du Palais du frere du Roy de Portugal a Lisbonne". Tenho-a nas minhas collecções. O primeiro plano representa a Ribeira das Naus; ao fundo o vulto imponente do palácio, e muito ao longe as tercenas de Santos. Mais ao longe a barra.

Vue et perspective du palais du frère du Roi de Portugal a Lisbonne, Van Merle/Louis Meunier, 1668.
Imagem: Biblioteca Digital Hispánica

Ir habitar a rainha D. María Francisca no paço da Ribeira, onde habitava também, encarcerado, seu primeiro marido... era repugnante, a ella própria.

Determinou, ao deixar o remanso de Alcântara, ir morar no palácio do Côrte Real (no nosso largo do Corpo Santo), separado do paço da Ribeira apenas pela Ribeira das naus; para o que, deu ordem o Regente a que se construísse um passadiço entre os dois palácios.

Vué du Palais Royal de Lisbonne [Palácio da Ribeira e, em 2.° plano, o do Corpo Santo].
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

"Mora el-Rei D. Pedro n'um palácio particular, por elle comprado no tempo em que ainda era Infante, isto é durante o reinado do senhor D. Affonso VI [engano, anotado por Julio de Castilho].  Fica este palácio á ourela do Tejo; compõe-se de quatro formosos lanços, e flanqueiam-n-o quatro torreões. Tem mais dois eirados, e galerias para passeio ao rés das aguas.


Foi o edifício confiscado ao Marquez de Castello-Rodrigo, por ter este Marquez seguido a parcialidade castelhana ao tempo da revolução. Verdade seja, que, segundo o tratado entre as duas Coroas, todos os seus bens deviam ter-lhe sido restituídos; mas o certo é que ainda esta propriedade lhe não foi entregue.

Vué du Palais du Palai que le Roi du Portugal a achetér.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Chamam-lhe o palácio do Corpo-Santo, por causa da capella que lá existe." [cf. Don Juan Alvares de Colmenar — Annales d'Espagne et de Portugal, tomo III, pag. 268 da ed. de Amsterdam, 1741.] (2)

Pela marca de água do papel, o desenho é da segunda metade do século XVIII donde posterior ao terramoto que arruinou o edifício. A partir deste dado podemos concluir que o alçado e planta estarão ligados a uma tentativa de restaurar o edifício.

Palácio do Corpo Santo ou do Corte Real, andar nobre, 1755-1800.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O alçado mostra o acrescento de um último piso que corresponde às grandes obras do palácio quando passou a habitação oficial do Infante D. Pedro, futuro D. Pedro II.

Palácio do Corpo Santo ou do Corte Real, alçado principal, 1755-1800.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Esta passagem corresponde, por sua vez, à expropriação do edifício aos Marqueses de Castelo Rodrigo após 1640 pelo seu apoio à causa dos Filipes de Espanha. (3)

"O seu palácio, junto ao Paço da Ribeira , teve largos acrescentamentos e adornos consideráveis que mais tarde ali prodigamente realizou o vice-rei de Portugal, valido dos Filipes, D. Cristóvam de Moura, marquês de Castelo Rodrigo, capitão-donatário da Terceira e S. Jorge, pelo seu casamento com D. Margarida Corte-Real, bisneta de Vasco Anes."

Cristovão de Moura e Távora (1538-1613), Marquês de Castelo Rodrigo.
Quasi seguro de vencer pelo oiro todos os corações [Filipe II de Espanha], mandara ao seu ministro [D. Cristovão de Moura], que alem de alliciar para o seu serviço o comitre [oficial das galés] hespanhol Contreras, que recebia soldo a bordo das galés de Portugal (ajuste que se realisou sem custo), procurasse attrahir os governadores das fortalezas de S. Julião e de Caparica [...] O embaixador, sempre diligente, não se demorou em o satisfazer [...] Caparica dava-lhe pouco cuidado [...] O governador era um dos Tavoras, Ruy Lourenço, seu primo, e de ha muito, asseverava elle, que lhe dera a sua palavra; como porém fosse moço e inexperiente, o ministro promettia chama-lo de novo, e assegurar se da sua deslealdade á pátria, e da sua fidelidade aos interesses castelhanos [v. o contrassenso da iconografia relacionada no apontamento irónico Torre Velha por dom António].
cf. Rebello da Silva, História de Portugal Tomo I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1871
Imagem: Santiago Martínez Hernández

"O palácio do marquês, ao Cata-que-farás, a S. Paulo, junto ao cais do veador, entestando com o Paço da Ribeira, em Lisboa, ficou, mercê das obras vultuosas que lhe realizou o Castelo Rodrigo, um dos mais vastos , mais belos e magnificentes edifícios da corte, competindo com as principais casas senhoris da Europa.

Passava ali certo homem conversando com um amigo; e, diz um anexim que "quem faz casa na praça, uns dizem que é alta, outros que é baixa", commentaram, já se vê, a edificação:

— Grande casa! — diz um. — O dono fel-a ou veiu-lhe já seus passados?
— Fel-a — tomou o outro. — Não foi dos seus "passados", seria talvez dos seus "presentes".

Brasão de Castelo Rodrigo, escudo com as armas reais ao revez, dado pelo Rei D. João I em castigo por a vila ter tomado partido por Castela na crise de 1383-1385.
Imagem: Inácio de Vilhena Barbosa, As cidades e villas da monarchia..., 1860

Era uma alusão irónica aos benefícios que o Castelo Rodrigo abundantemente recebia de seu real amo castelhano – porque o marquês, como seu bisavô por afinidade, Vasco Anes Corte-Real, era insaciável em pedir e obter graças régias."

Nesta bela gravura podemos apreciar a sumptuosidade do palácio do Corte-Real, também conhecido pela Corte-Real. Após a restauração da independência de Portugal em 1640, este Palácio, bem como todos os bens de D. Margarida Corte Real e de D. Cristóvão de Moura foram-lhes confiscados. 

Vuë du palais du roy de Portugal, à Lisbonne, Stelzer.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Depois de ter sido moradia de D. Pedro II, que subiu ao trono em 1683 e faleceu a 25 de Maio de 1786, voltou à posse dos descendentes de D. Cristóvão de Moura e de D. Margarida Corte Real, que o venderam a D. Pedro III, tio e marido da Rainha D. Maria I.

The Ribeira Palace before its destruction on 1 November, 1755.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Não foi o terramoto de 1755 que destruiu completamente o Palácio Corte Real, mas sim um voraz incêndio que ocorreu em 1781, consumindo em menos de quatro horas 185 aposentos em que se contavam 18 salas reais, com todo o seu recheio de sumptuoso mobiliário e os quatro majestosos torreões dos cantos. (4)


(1) Revista Municipal n.° 83, Câmara Municipal de Lisboa, 1959
(2) Julio de Castilho, A Ribeira de Lisboa, Lisboa, Imprensa Nacional, 1893
(3) Fundação Casa Rui Barbosa
(4) Sociedade de Geografia de Lisboa

Informação relacionada:
Península, Revista de estudos ibéricos n.° 5, 2008
Cronologia breve da Torre Velha (1 de 3)
Torre Velha por dom António
Alcântara (a batalha)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Catarina de Bragança por Dirk Stoop

O lindo cabelo de Catarina é de um castanho quente, as sobrancelhas são delicadamente arqueadas, e ela usa um vestido azul com renda formando um decotado alto. O nó de cabelo, como Miss Strickland lhe chama, repousa numa curva plana sobre a cabeça e a testa. O rosto é de uma criança — inocente, pura, encantadora; mas a boca mostra vontade própria e parece como se opinasse.

Catarina de Bragança, infanta de Portugal, em 1660-1661, Dirk Stoop.
Imagem: Alchetron

Se Catarina, com este penteado inconveniente, pôde entusiasmar a admiração de Charles, poderia tê-la entusiasmado muito mais com a moda de pentear que mais tarde adoptou [...]

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A valiosa série de sete imagens de Stoop que representam a viagem de Catarina para Inglaterra são do maior auxílio e importância para nos dar uma visão exacta desses tempos e eventos. A partir delas, é possível ver com precisão todo o desenrolar do acontecimento [clique nas imagens para ampliar].

A magnífica entrada do embaixador e almirante Montagu em Lisboa

"O Magnifique Entrada do Ambassador e Admiral Montagu em Lixboa" and "The Entrance of the Lord Ambassador Mountague into the Citty of Lisbone the 28 day of March 1662"
Dedication to Lord Montague in Latin in three lines in the lower margin: "... Dedicat Theodorus Stoop suae Matis. Regina Anglia Pictor" cf. British Museum
Imagem: Rijksmuseum
Sandwich landed on a bright and lovely spring day, and at once stepped into one of the royal state coaches which had been sent to meet him. His entry was a public and state one. It was March 28, and Lisbon looked her most enchanting. A long train of state coaches, unglazed and open, as was then the fashion, wound at a foot-pace to the gates of the city, whose grim and sturdy defences scowled down on the approaching triumph. 

The ambassador rode with six horses and postillions. Heralds, mounted and trumpeting, preceded him. On either side of his coach marched an escort of gentlemen and pages on foot, their plumed hats in hand, and swords at their sides [...]

Reais festas e arcos triumfais em Lisboa que se fizeram na partida da Sereníssima Dona Catarina rainha de Grã-Bretanha

"The publique proceeding of the Queenes Matie. of Greate Britaine through ye Citty of Lisbone ye 20th day of Aprill 1662" and "Reais Festas e arcos triumfais Em Lixboa q. se Fuzerao no Partido da Serenssa. Donna Catarina Rainha de gram Bretanha"
Numbers 1-8 indicating persons or places of the composition, explained in an English key in the left and right corner of the lower margin.
Dedication to King Charles II in the centre of the lower margin in Latin: "... Carolo IIdo D.G. Magnae Britanniae Franciae et Hiberniae Regi.... consecrat. Theod. Stoop. 1662" cf. British Museum
Imagem: Rijksmuseum

On April 23 everything was ready for the departure, and the Royal Charles waited to receive Catherine on board. Poor Catherine had now to part from her mother, whom she dearly loved, and who from the day she was born had lavished on her affection and indulgence. 

On this morning Catherine came from the apartments of the Queen Regent, closely followed by her two brothers, King Alphonzo and Dom Pedro. Behind them stepped, in a long and imposing procession, with all the dignity and solemnity of a Portuguese function, the grandees of the kingdom, the officers of the household, and the Court nobles [...]

Vista de Lisboa e como a rainha da Grã-Bretanha embarcou para Inglaterra

"The manner hon her Matie. Dona Catherina jmbarketh from Lisbon for England" and "Vista de Lixboa e cum o rainha da gran Bretan se Embarguo per Englaterra"
Numbers 1-8 indicating persons or boats of the composition, explained in an English key in the left and right corner of the lower margin.
Dedication to Francisco de Mello in the centre of the lower margin in three lines in Spanish: "... Francisc de Mello Conde da Ponte Marques de Sande.../ ... Dedicat V.C. Rodrigo Stoop" cf. British Museum
Imagem: Rijksmuseum

Directly the barge began to move deafening salutes of cannon burst out a new, and never ceased till Catherine came to the side of the Royal Charles, which had a complement of six hundred in her crew, and was a ship of eighty brass cannon.

Catherine was helped up the companion — which was one of special ease for her accommodation. As soon as she reached the deck of the Royal Charles a royal salute was fired by the fleet, and answered from the forts on shore, the guns firing alternately [...]

O encontro com o duque de York no Canal entre a frota de Inglaterra

"The Duke of York meeting with ye Royal Navy after it came into the Channel" and "O cheqado duque de Jorck no Cannal entro o Froto d'Englaterra"
Numbers 1-16 indicating ships of the composition, explained in an English key in the left and right corner of the lower margin.
Dedication to the Prince James Duke of York in the centre of the lower margin in three lines in English: "...This plate is humbly dedicated by his most obedient and humble servant Ro. Stoop" cf. British Museum
Imagem: Rijksmuseum

There was real danger now and then to the fleet, and the northwest wind blew with such violence that several of the ships suffered damage. This made it necessary to run for Mount's Bay, between the Lizard and the Land's End, to seek shelter till the wind should moderate enough to let them safely continue the voyage.

This was the first slice of her new territory that the bride-Queen of England saw. The people welcomed her with fireworks along the shore, and fired salvos of artillery. At last the Isle of Wight came into sight, and there the fleet dropped sail, for the Duke of York, her bridegroom's brother, was putting out from Portsmouth to meet and welcome her [...]

Desembarque da rainha de Grã-Bretanha em Portsmouth, 25 de maio

"The Maner of the Queenes Maties. Landing at Portsmouth" and "Dis Embarcasao de Rainha da Gran Bretan em Portsmuit 25 majo"
Numbers 1-10 indicating ships of the composition, explained in an English key in the left and right corner of the lower margin.
Dedication to the Prince James Duke of York in the centre of the lower margin in three lines in English: "...This plate is humbly dedicated by his most obedient and humble servant / Roderigo Stoop" cf. British Museum
Imagem: Rijksmuseum

It was a glorious day in May, the 14th, when the fleet was seen from the Portsmouth forts sailing up the Solent. Rather it was the combined fleets, for the Duke of York had added his as escort. The Royal Charles came into sight, all sails set, and the royal ensign streaming in the wind. Directly behind came the Duke of York's ship, bearing the standard with the second son's cognizance.

The Royal Charles cast anchor off Spithead, and the Duke of York was immediately at her side with his own handsome barge; but it was in the Montagues barge that Catherine started for the shore. They rowed to the Sally Port, while mobs of cheering and excited people crowded the bastions. The Countess of Penalva had to be left behind on board the Royal Charles^ as she was ill of a fever, and had to be bled several times before she could be brought ashore [...]

A chegada de Portsmouth a Hampton Court

"The Comming of ye King's Matie. and ye Queenes from Portsmouth to Hampton Court" and "Passage du Roi de gran Bretanha Carolo II e o Rainha Dona Catarina de Portsmuit per a Hamton court" cf. British Museum
Imagem: Rijksmuseum

After the long, hot, dusty journey in a lumbering, jolting coach, she must have been thankful to see her own rooms before her, and to rest from her fatigues. The general impression she made was very favourable.

Pepys relates that the people said of her that "she was a very fine and handsome lady, and very discreet, and that the King was pleased enough with her." [...]

Entrada publica.... na cidade de Londres e como foi magnificamente recebida pela nobreza e povo desta cidade, 2 de setembro de 1662

"The triumphal entertainment of ye King and Queenes Maties. / by ye Right honble. ye Lord Mayor and Cittizens of London. / at their Coming from Hampton Court to Whitehall (on ye River of Thames) / Aug ye 32 1662" and "Entrada publica .... 2 de sept 1662"
Dedication to John Frederick the Lord Mayor of the City of London in the lower margin in two lines in English: "...This plate is humbly dedicated by his most obedient and humble servant Rod. Stoop"
cf. British Museum
Imagem: Rijksmuseum

The shores of the river were lined with soldiery, and mobs of eager people pressed on each other to see the sight. When they came within eight miles of London they had to alight from their barges, and reembark in others, so much larger that they could not come further up the river.

This inconvenient change of barge might have been considered sufficient. The second barge had glass windows and a crimson and gold canopy. But at Putney there was another disembarkation, and at last the Royalties were in the state barge, prepared for the entry.

Four-and-twenty watermen rowed her. They were in red from head to foot. On the barge's sides and bow were the royal arms, and the canopy of gold brocade flashed back the sunshine to the gilding within and without. The canopy had plumes of feathers at the corners and top.

In Stoop's plates Catherine is shown sitting beneath it, and delightedly watching the procession of boats. She is pictured as very slight, very girlish — almost infantile — and very sweet. She looks animated and happy. She had forgotten for a while her tears [...] (1)


(1) Lillias Campbell Davidson, Catherine of Bragança..., London, John Murray, 1908

Mais informação:
Rijksmuseum
British Museum
Catherine of Braganza, the portuguese queen of England, Gresham lecture by professor Thomas Earle
D. Catarina de Bragança, triste vida a das princesas

Leitura relacionada:
Júlio Dantas, Cartas de Londres, Lisboa, Arthur Brandão & C.a

Referências:
Samuel Hinde [S.H.], Iter Lvsitanicvm, or, The Portugal Voyage: with what memorable passages interveen'd at the shipping, and in the transportation of her Most Sacred Majesty Katharine, Queen of Britain, from Lisbon, to England: exactly observed by him that was eye-witnesss of the same (London: 1662; repr. Edinburgh, 1662), accessed as an electronic resource at Early English Books Online, Henry E. Huntington Library copy (Wing: 603:08).
The poem does not extend to coverage of the waterborne pageant on the Thames.
A book of a similar name by Lilian Campbell Davidson, Iter Lusitania was published in London by John Murray in 1908.
It draws together a narrative of Catherine's journey and arrival in England, drawing on a range of documents but presented rather more in the form of an historical novel than an analytical account.
It does offer a description of the water pageant in chapter VII.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Henri l'Évêque (1769-1832)

No primeiro plano, grupos de populares, no seu dia a dia quotidiano, na praia de Belém ou "Restello", vendo-se à esquerda, um barco na descarga de lenha; ao centro uma "barraca de comidas e vinho" com vários comensais sentados à mesa, sob os olhares dum mendigo e dum Andador de Almas. 

À direita, o grandioso convento " manuelino" dos Jerónimos e Igreja de St.a Maria de Belém (inícios do séc. XVII ainda com o coroamento, em pirâmide, seiscentista da torre. 

Em plano mais recuado, várias construções hoje desaparecidas, destacando-se, junto da praia, o palácio que foi dos Marqueses de Marialva e já esbatida no horizonte, a Torre de Belém.

Henri L'Évêque, Vista do Convento de Sto Jerónimo de Belém e da Barra de Lisboa.
Imagem: ComJeitoeArte

A estampa representa a Rua Direita da Junqueira vendo-se: em primeiro plano, grupos de populares, entre os quais um "grupo de galegos dançando e tocando" e um barco em processo de descarga; em segundo plano, o palácio dos inícios do séc. XVIII, conhecido por palácio dos Patriarcas, residência dos Cardeais Patriarcas de Lisboa, depois do terramoto, mais tarde comprado por Henri Burnay, posteriormente 1.° conde do mesmo nome que nele fez obras profundas, transformando-o numa luxuosa residência dos finais do séc. XIX.  Hoje é sede do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. 

No mesmo alinhamento, mas mais recuado o palácio dos condes e depois Marqueses da Ribeira Grande, também do começo do séc. XVIII, onde nasceu viveu e morreu D. João Gonçalves Zarco da Câmara, filho do 1.° Marquês da Ribeira Grande, grande dramaturgo português. Foi depois comprado pelo Estado que nele instalou ultimamente o liceu da Rainha D. Amélia. 

No meio da praia, o Forte de S. João da Junqueira, que no tempo do rei D. José foi convertido em prisão do Estado.

Henri L'Évêque, Vista da Cidade de Lisboa tomada da Junqueira.
Imagem: ComJeitoeArte

Pintor e gravador de origem suíça [Henri l'Évêque], nascido em Génova, [Genève, pt. Genebra] casando em Inglaterra, onde fixou residência. Fez várias viagens a Portugal, tendo aqui estado nos finais do séc. XVIII e, mais tarde, incorporado no exército anglo-português durante a Guerra Peninsular.

Escreveu sobre o nosso pais a obra "Costume Of Portugal", espécie de album ilustrado com 50 água-tintas sobre tipos portugueses. É também autor de óleos e gouaches fixando costumes e aspectos populares, feiras, etc. (1)

Nascido em Genebra, Henri l'Évêque, como Delerive, percorreu a Europa após a revolução francesa para representar as consequências políticas e militares e as revoluções que estavam acontecendo na Europa, especialmente depois que Napoleão começou as suas primeiras campanhas (2).

Henry L'Évêque, Episódio das Guerras Peninsulares.
Imagem: Veritas Art Auctioners

Campaigns of the British army in Portugal under the command of general the marquis of Wellington

Marechal de Campo Arthur [Wellesley] Duque de Wellington. Duque da Ciudad Rodrigo em Espanha. Duque da Victória em Portugal etc .

Field Marshal Arthur Duke of Wellington etc.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 1: A chegada do exército britânico ao Mondego [Lavos, Figueira da Foz, de 1 a 5 de agosto de 1808]

The Landing of the British Army at Mondego.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Gravura 2: O ataque aos corpos franceses comandados pelo general Laborde [Delaborde] em 17 de agosto de 1808

The attack on the French corps commanded by Gen. Laborde on the 17th of August 1808.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 3: Batalha do Vimeiro [21 de agosto de 1808]

Battle of Vimieiro.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 4: O embarque do general Junot, após a Convenção de Sintra [31 de agosto de 1808], no cais do Sodré [15 de setembro de 1808]

The Embarcation of Gen. Junot after the convention of Cintra at Quai Sodre.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 5: O ataque à fortaleza do Grijó em 11 de maio de 1809

The attack on the Strong Fort of Grijo, on the 11th May 1809.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 6: Travessia do Douro [12 de maio de 1809]

Passage of the Douro.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 7: Travessia do Douro [Avintes, 12 de maio de 1809]

Passage of the Douro.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal
Gravura 8: Ponte de Nodin [sobre o rio Ave, retirada de Soult, maio de 1809]

Bridge of Nodin.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 9: O ataque da retaguarda francesa em Salamonde

The attack of the Rear Guard of French at Salamonde.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 10: A ponte de Saltadouro [retirada de Soult, 16 de maio de 1809]

Campaigns of the British Army H l Eveque 10 The Bridge of Saltador 03
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Gravura 11: Vista da ponte da Misarela, a cerca de três léguas de Salamonde [retirada de Soult, 16 de maio de 1809]

A view of the Bridge of Miserere, about three leagues from Salamonde.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 12: A batalha de Talavera [27 e 28 de julho de 1809]

The Battle of Talavera.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 13: A batalha do Bussaco [27 de setembro de 1810]

The Battle of Bussaco.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Grav. 14: Uma vista tomada no Tejo [margem esquerda] perto de Vila Franca que mostra uma parte das linhas inglesas

A view taken on the Tagus near Villa Franca which shows a part of the British Lines.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 15: O cerco de Badajoz [6 e 7 de abril de 1812]

The siege of Badajos.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Gravura 16: A batalha de Salamanca [22 de julho de 1812]

The Battle of Salamanca.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A batalha da Vitória [21 de junho de 1813]

Adicionar legenda
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A partida de Sua Magestade o Príncipe Regente de portugal para o Brasil [27 de novembro de 1807]

Departure of H.R.H. the Prince Regent of Portugal for the Brazils, Henry L Evêque, F. Bartollozzi.
(Campaigns of the British Army in Portugal, London, 1812)
Imagem: Wikipédia

Esboço da acção perto de Vigia de la Barrosa [ou Barossa] (3)

Sketch of the Action near the Vigia de la Barrosa.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal


(1) Lisboa: tipos, ambiente, modos de vida, mercados e feiras, divertimentos, mentalidade: exposição iconográfica, Junho/Julho 1978 - 1979, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1979. 298 p.
(2) Veritas Art Auctioners
(3) Biblioteca Nacional de Portugal




Publicações:
L'Évêque, Henri (1769-1832), Campaigns of th
Wellington
, London, Colnaghi and E. Lloyd, 1813

L'Évêque, Henri (1769-1832), Costume of Portugal, London, Colnaghi and E. Lloyd, 1814

Referências:
Henri l'Évêque (google search)
Henri l'Évêque (1755-1818) também conhecido como [aka]: Henry l'Évêque,
Henrique L'Evêque, L'Evêque etc.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Romantismo e Patuleia na Quinta da Rabicha

A Quinta da Rabicha era pequena e em forma de triangulo. Toda colmada de um odorífero e viçoso pomar, que dava primorosas laranjas. Agua abundante e corrente.

Aqueduto das Águas Livres, vista a montante dos arcos, século XIX.
Imagem: Turismo Matemático

A amenidade do sitio contrastava com os rochedos escalvados, que diziam para o poente. Nos arredores de Campolide muitas casas em ruinas, esburacadas de balas de fusil e artilheria, dos assaltos dos realistas á cidade, nos dias nefastos da grande guerra de D. Pedro e D. Miguel.

Na Rabicha, o sumptuoso hotel, ao ar livre, debaixo d'um parreiral, ao pé do tanque, sempre transbordando d'agua, fornecia as pescadinhas de rabo na bocca, ovos duros, queijo saloio, pão de Bellas, alface repolhuda, a verdadeira alface lisboeta, que nem a de Roma lhe dá de rosto. 

Era um banquete. Um cruzado novo — 480 réis — sobrava para quatro homens comerem e beberem á farta!

Aqueduto de Alcântara, vista a montante dos arcos, século XIX.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Comparar o preço da alimentação d'aquelle tempo com o de agora produz tonturas de cabeça! Vinho, fora de portas — e as portas eram logo alli, em Alcântara — trinta réis a canada; pão a vinte e cinco; uma pescada do alto, de lombo negro, que chegava para uma família regular, seis vinténs; manteiga de Cork da mais fina, e a melhor que se conhece, ou que já se não conhece, onze, doze vinténs o arrátel!

Lisboa, porta da cidade junto à ponte de Alcântara e estátua de S. João Nepomuceno.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Fructa de graça, e que fructa! A pêra do conde, a marqueza, a corrêa, a de sete cotovelos, a virgulosa, a colmar. Tudo isso desappareceu, quasi completamente. Fizeram-se umas enxertias, que, sem produzirem as finíssimas peras francezas, estragaram as nossas.

Em compensação, a cidade era uma necropole e um muladar. Os candieiros de azeite, a respeitosa distancia uns dos outros, bruxuleavam mortiços e fumosos. Nas noites em que a folhinha dava lua, embora os cúmulos toldassem o céo tempestuoso, não se accendiam! 

Da bocca da noite em deante, dos primeiros aos quintos andares, os gritos constantes de — Agua vae, ou Agua foi — como clamava Bocage, vituperando, em termos obscenos, a fregona, que o tinha baptisado com os bálsamos nocturnos!

Os grilhetas do Castello, do Limoeiro, da Cova da Moira e do Hospital da Estrella, acorrentados, carregando agua ou trabalhando nas calçadas. O omnihus, atravessando vagarosamente, pesado e triste como uma tumba, do Pelourinho até Belém. O mercado de porcos, onde hoje campeia a arejada e elegante praça do príncipe Real. 

O Passeio Publico fechado como uma jaula! Agora temos lá a desafogada e magestosa Avenida.

Illuminação do Passeio Publico, litografia A. S. Castro, 1851.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

No verão de 1847, os rapazes da Maria da Fonte, ao mando das potencias extrangeiras, embainharam a espada no Alto do Viso. Que rapazes! Como corriam ao assalto, cantando alegres:

Somos moços, somos livres,
Somos, de mais, portuguezes!
O dever nos chama á guerra:
Affrontemos seus revezes!

Quando da pátria
Sôa o clarim,
Ninguém nos vence !
Morremos, sim!

E não era rhetorica! No Alto do Viso, o primeiro que baqueou, á frente dos académicos, atravessado pelos peitos, foi o seu bravíssimo commandante, Fernando Mousinho d' Albuquerque. O segundo — e esse para não mais se levantar — Fialho, o grande amigo de D. António da Costa de Macedo. 

António da Costa, formoso talento e nobre coração, ainda passados muitos annos, não memorava esse dia sanguinolento e o seu condiscípulo e camarada, sem que os olhos se lhe enturvassem de lagrimas.

Os rapazes de hoje, quando apodam os velhos, não o fazem por malevolencia, obedecem a uma corrente, a mais impetuosa, a da moda: não sabem que acções elles praticaram, nem que livros escreveram! 

Aqueduto das Águas Livres, vista a jusante dos arcos, Ermida de Sant'Anna, Alexandre Jean Nöel, 1792.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Os novos, se um dia tiverem de contrastar as refregas da má fortuna, correndo os annaes da pátria, farão justiça a esses homens, que souberam trabalhar, amar, e morrer!

Em 1848, os conflictos davam-se todos os dias, nas ruas e praças da capital, entre os patuleias e os sicários do batalhão da Carta. 

Os ódios estavam latentes e não se perdia lanço de conspirar. Nas reuniões secretas, presididas pelo conde das Antas, nos cafés, nos passeios de campo, em toda a parte, iamos fazendo a nossa propaganda. Quando rebentou em Pariz a revolução de 48, cobrámos novos alentos.

Emilio Augusto Zaluar, João de Aboim, e Souza e Almada eram meus íntimos. Elles já homens feitos; eu nos primeiros annos da adolescência, mas acompanhava-os nas suas idéas e planos de reacção. Faziam versos, românticos, descabellados ; porém com chispas de talento. Zaluar continuou, e, no Brazil, onde esteve largos annos, alcançou nome litterario, justamente festejado.

Um dia saí-me eu com o Se coras, não conto. Abraçaram-me como se fôra o seu irmão Benjamim, e, a occultas minhas, puzeram-me os versos n'um jornal. Quando vi o meu nome em lettra redonda, precedido de algumas palavras benévolas, julguei-me coroado no Capitólio! Que dia, nadando em luz, foi para mim aquelle!... 

Ainda o bemdigo hoje, porque ás lettras, que me não tem dado gloria nem haveres, devo as horas luminosas e gratamente enleiadas da minha vida modesta.

Todos nós gostávamos do campo. Dávamos largos passeios, e na primavera e verão, muitas tardes iamos cair na Rabicha. Ás vezes apparecia um companheiro a mais, rapaz de mérito, e uma das melhores almas que tenho conhecido — era Luiz Ribeiro de Sá, — o Lulu, — como nós lhe chamávamos. N'aquelle banquete ao ar livre, com a popular pescadinha, o queijo saloio, crepitava a alegria!

Vista da ponte e da ribeira da Rabicha e do Aqueduto das Águas Livres, Tomás da Anunciação, c. 1850.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Que planos, que futuros, que protestos de jamais nos separarmos! Passávamos diplomas de génio uns aos outros, revelávamos segredos do coração, decidíamos das altas questões do estado!... E a nora a gemer, e o pomar ondeando, e o sol fecundo da nossa primavera no azul immaculado!

O dia de S. João de 1848 foi o ultimo que passámos na Rabicha. Na noite d'esse dia deu-se um acontecimento grave, e que ia sendo fatal!

João de Aboim tinha entrado, como um valente, que era, na refrega do Alto do Viso. Logo no principio da batalha, defrontou com o Pancada, official do campo inimigo. Ambos estavam a cavallo e ambos eram bravos. No duello singular e rápido, o Pancada apanhou um leve gilvaz. Ficaram de reixa velha.

Nessa noite pois de S. João, pela volta das dez horas, aos Poyaes de S. Bento, João de Aboim deu de rosto com o Pancada, que era da Guarda municipal, — capitão, se bem me lembro. Jogaram-se um ao outro; Aboim com uma boa bengala de canna da índia, Pancada com a espada nua. Aboim partiu-lhe dois dentes; Pancada deu-lhe duas cutiladas na cabeça, que o deixaram por morto.

O poeta, logo que se restabeleceu dos graves ferimentos, partiu para o Rio de Janeiro.

Pois ainda não ficou a coisa por alli. No verão de 1851, João de Aboim voltou do Brazil. Passado tempo encontrou o Pancada, ao pé da fegreja de S. Domingos. Ambos vinham desarmados. A lucta foi a braços. D'essa vez, Aboim levou a melhor. O adversário ficou muito pisado. Vamos, que os dois tinham a garra dos falcões primazes! Augusto Zaluar foi para o Rio de Janeiro, e por lá ficou, como já contei nestas Memorias.

Quando hoje atravesso a Rabicha, no caminho de ferro, deixo de ouvir o ruido do trem, de sentir o fumo da machina... 

Lisboa, Uma paisagem em Campolide [Ponte do Tarujo], ed. Martins/Martins & Silva, 671, década de 1900.
Imagem: Delcampe

A memoria traz-me o aroma do pomar, o gemer da nora, os meus primeiros versos, os amigos que perdi, e... uma grande saudade!

Monte da Caparica, Torre. Fevereiro, 16, 1893 (1)



(1) Bulhão Pato, Memórias, Tomo I, Scenas de infância e homens de letras, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1894

Informação relacionada:
A ribeira de Alcântara, de Benfica a Campolide
Caneiro de Alcântara
A Ponte de Alcântara e suas circunvizinhanças : notícia histórica, por A. Vieira da Silva

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Delícias ou descrições de Lisboa

Les delices de l’Espagne et du Portugal: ou l’on voit une description exacte des antiquités, des provinces, des montagnes, des villes, des riviéres, des ports de mer (...) de Juan Alvarez de Colmenar,

Vista de lisboa do lado do Tejo.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

[...] as gravuras surgem com a legenda em francês mesmo na versão holandesa desta obra, que foi publicada no mesmo ano com o título Beschryving van Spanien en Portugal waar in, op het naauwkeurigste, al het geene, dat zoo ten opzigte van hunnen ouden (...).

Vista da praça do palácio em Lisboa.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

As gravuras aí reproduzidas surgem num volume só com as imagens, que não está datada mas também poderá ser de cerca 1707, o qual tem por título Les royaumes d’Espagne et de Portugal representés en tailles-douces trés exactes, dessinées sur les lieux mêmes qui comprennent les principales villes.

Palácio do conde de Aveiro em Lisboa onde Charles III foi alojado.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

A preparação das gravuras é indicada como sendo da responsabilidade de: J. Baptist Sculp. - J Goerce delin, seguindo-se de perto as que foram traçadas por Dirck Stoop para as vistas dos monumentos e do casamento de D. Catarina,

Vista do palácio real de Lisboa.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

mas com o acréscimo e ligeiras alterações das duas que haviam sido apresentadas por van Merle (o palácio Corte Real com a Ribeira das Naus) e Pieter van den Berge (o palácio Corte Real com o torreão do Paço da Ribeira), sendo por isso a colecção que reúne tudo o que havia sido publicado no século XVII, a que se acrescentaram novas imagens sobre a Inquisição. (1)

Vista do palácio que o rei de Portugal comprou.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Juan Álvarez de Colmenar autor de "Les Delices de l'Espagne et du Portugal" (Leiden, Pieter van der Aa: 1707), traduzidas para neerlandês "Beschryving van Spanjen en Portugal"

Vista do porto e da igreja de Belém e da de Santo Amaro.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Provavelmente um francês que vivia nos Países Baixos.

O Tejo, rio, Cascais, Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Assume-se que tenha adotado um nome espanhol a pedido do editor para apoiar o seu livro em Espanha e Portugal. (2)

Igreja e mosteiro real de Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

El gravat presenta la torre de Belem a Lisboa obra de l’arquitecte Francisco de Arruda. La construcció d’aquesta es va iniciar en el segle XV impulsada pel monarca Manuel I. La imatge mostra la ciutat, la torre i el mar Atlàntic amb vaixells. Existeixen molts gravats d’aquesta torre i tots presenten una imatge molt semblant. Destaquen els d’Allain Manesson Mallet i Albrizzi (1755). (3)

Vista da Torre de Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...


(1) Lisboa do século XVII "a mais deliciosa terra do mundo"
(2) The British Museum
(3) Col·lecció Josep Ibarz

Leitura adicional:
Colmenar, Juan Alvarez, Les delices de l'Espagne et du Portugal, eu l'en voit des montagnes, des villes, des rivières, Volume 5, Leiden, Pierre van der Aa, 1707
Iconografia de Lisboa